Projeto de rede com splitter desbalanceado: guia prático para provedores
Projeto de rede com splitter desbalanceado: é o desenho em que cada caixa tira uma pequena fração do sinal e deixa o restante seguir pela mesma fibra até a caixa seguinte. Serve para ruas longas, estradas e áreas rurais com casas espalhadas, e exige calcular a potência caixa por caixa.
Resumo
- O splitter óptico desbalanceado tem duas saídas desiguais, uma de passagem e uma de derivação, como 90/10 ou 70/30.
- A rede segue como um varal pela rua, e cada caixa consome um pouco do sinal das que vêm depois dela.
- As razões mudam ao longo do caminho, da derivação pequena perto da OLT até a divisão meio a meio no fim.
- A caixa com pior sinal nem sempre é a última, por isso a conta precisa ser feita para todas.
Como funciona o projeto de rede com splitter desbalanceado?
O sinal sai da OLT por uma única fibra que percorre a rua inteira, e em cada caixa um divisor de duas saídas desvia uma fração para os clientes daquele ponto. O que não foi desviado continua viajando para as caixas seguintes.
Num splitter óptico 90/10, nove décimos da luz seguem pela fibra principal e um décimo desce para a caixa de atendimento. A fração desviada costuma alimentar um divisor de partes iguais dentro da caixa, que entrega o sinal às casas.
Esse arranjo economiza fibra onde as casas ficam a centenas de metros umas das outras. O projeto de rede FTTH para provedores recorre a ele nas áreas de baixa densidade, em que puxar um cabo com muitas fibras até cada caixa não se paga.
| Razão | Perda na passagem | Perda na derivação |
|---|---|---|
| 95/5 | 0,3 dB | 13,7 dB |
| 90/10 | 0,6 dB | 10,5 dB |
| 80/20 | 1,1 dB | 7,4 dB |
| 70/30 | 1,7 dB | 5,6 dB |
| 60/40 | 2,4 dB | 4,3 dB |
| 50/50 | 3,4 dB | 3,4 dB |
Passagem e derivação: as duas saídas
A saída de passagem leva a maior parte da luz adiante e tem perda pequena, enquanto a saída de derivação leva a fração menor e tem perda alta. Inverter as duas é o defeito de instalação mais grave desse desenho.
Os valores da tabela já incluem as perdas de fabricação e servem para estudo. No projeto executivo, vale a ficha técnica do lote que o provedor comprou [CONFIRMAR valores com a ficha do fornecedor usado].
O tipo de componente mais comum
Divisores de duas saídas com razão desigual costumam ser do tipo FBT, feitos pela fusão de duas fibras estiradas. A razão real pode variar com o comprimento de onda, e isso pesa quando a rede vai carregar mais de uma tecnologia.
Peça ao fornecedor a perda nas duas saídas em 1310 nm e em 1490 nm, e não um valor único. Um desvio pequeno por caixa vira uma diferença grande depois de cinco ou seis caixas em série.
Quando vale usar splitter desbalanceado?
Vale quando as casas estão espalhadas em linha, ao longo de uma estrada ou de uma rua comprida, e a adesão esperada por trecho é baixa. Em quarteirões cheios de casas, o desenho de divisão igual continua mais simples de manter.
| Situação | Indicação | Motivo |
|---|---|---|
| Estrada rural com casas a cada centenas de metros | Desbalanceado | Uma fibra atende vários pontos distantes |
| Rua longa com poucas casas | Desbalanceado | Evita cabo com muitas fibras para pouca demanda |
| Loteamento com casas lado a lado | Balanceado | Muitas casas por caixa justificam divisão igual |
| Área com expectativa de crescimento rápido | Balanceado | Inserir caixa nova no varal obriga a recalcular a rua |
Numa FTTH rural, a distância entre a primeira e a última caixa pode passar de vários quilômetros, e o orçamento precisa cobrir fibra longa e várias passagens em série. O projeto de rede óptica rural combina esse desenho com a rota pelos postes da estrada.
Desbalanceado ou balanceado no mesmo bairro?
Os dois convivem bem: o trecho denso do bairro recebe divisão igual e o prolongamento pela estrada recebe o varal. Cada trecho segue a lógica de cálculo que lhe corresponde.
O que não funciona é aplicar o varal num trecho denso só para economizar cabo. Para comparar os dois desenhos na parte urbana, veja o projeto de rede com splitter balanceado.
Projeto de rede com splitter desbalanceado passo a passo
O cálculo começa na OLT e anda pela rua, caixa por caixa, descontando a fibra e as passagens acumuladas antes de somar a derivação local. A razão de cada caixa é escolhida para que todas fechem o orçamento com margem.
- Desenhe o varal: marque no mapa a ordem das caixas e a distância de cada uma até a OLT.
- Comece com razão alta: perto da OLT ainda há muito sinal, então use 95/5 ou 90/10.
- Diminua a razão no meio: conforme as passagens se acumulam, passe para 80/20 ou 70/30.
- Feche com razão baixa: nas últimas caixas, use 60/40 ou 50/50, ou ligue a fibra direto ao divisor local.
- Some a divisão local: acrescente a perda do divisor de partes iguais que atende as casas em cada caixa.
- Ache a pior caixa: compare todas as caixas com o orçamento e ajuste as razões até a pior ter margem.
Sua rede atravessa estradas ou ruas compridas?
No projeto FTTH, um Especialista escolhe a razão de cada caixa ao longo do caminho e deixa a potência esperada de cada ponto registrada para a equipe de campo.
Exemplo: cinco caixas ao longo de uma estrada
Numa estrada, a primeira caixa fica a 3 km da OLT e as outras a cada 1 km, cada uma com um divisor 1:8 para as casas. A fibra perde 0,35 dB por km em 1310 nm [CONFIRMAR na ficha do cabo], e emendas e conectores entram depois, junto com a margem.
| Caixa | Razão | Fibra | Passagens acumuladas | Derivação | Divisor 1:8 | Perda até a casa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| C1 · 3 km | 90/10 | 1,05 dB | 0 dB | 10,5 dB | 10,5 dB | 22,05 dB |
| C2 · 4 km | 80/20 | 1,40 dB | 0,6 dB | 7,4 dB | 10,5 dB | 19,90 dB |
| C3 · 5 km | 70/30 | 1,75 dB | 1,7 dB | 5,6 dB | 10,5 dB | 19,55 dB |
| C4 · 6 km | 60/40 | 2,10 dB | 3,4 dB | 4,3 dB | 10,5 dB | 20,30 dB |
| C5 · 7 km | Sem divisor de passagem | 2,45 dB | 5,8 dB | 0 dB | 10,5 dB | 18,75 dB |
A caixa mais perto da OLT ficou com a maior perda, porque a derivação de 10% custa caro. Somando 3 dB de margem e cerca de 1 dB de conectores, a C1 chega a pouco mais de 26 dB e ainda cabe na classe B+ do GPON; para conferir os demais itens, use o cálculo de orçamento de potência óptica.
Erros comuns na instalação do splitter desbalanceado
O varal tolera menos erro de campo do que a divisão igual, porque um defeito numa caixa afeta todas as que vêm depois dela. Os erros abaixo respondem pela maioria das ruas sem sinal no fim.
Evite
- Instalar o divisor com as saídas trocadas, mandando a fração grande para a caixa e a pequena para a rua.
- Mudar a ordem das razões em campo, porque havia outra peça no estoque, sem recalcular.
- Deixar de registrar a razão de cada caixa no projeto e na etiqueta.
- Usar a mesma razão em todas as caixas da rua.
- Planejar o varal sem prever caixas novas entre as existentes.
A Táquion Tech entrega o projeto com a razão e a potência esperada de cada caixa, para que o instalador confira com o medidor antes de fechar a caixa e seguir para o próximo poste.
O que acontece com as saídas trocadas
Se o 90/10 da primeira caixa for instalado invertido, a rua passa a receber só a fração pequena, com mais de 10 dB de perda. Todas as caixas depois dela ficam sem sinal útil, enquanto a primeira recebe sinal de sobra.
O sintoma em campo é típico: a primeira caixa mede potência alta demais e o resto da estrada fica no vermelho. Uma medição na saída de passagem, antes de fechar a caixa, evita a viagem de volta.
Medição da potência ao longo da estrada
A medição segue a mesma ordem do cálculo: da caixa mais perto da OLT para a mais longe, sempre nas duas saídas do divisor. Assim o defeito aparece na caixa em que nasceu, e não lá no fim da rua.
Etapa 1 · Entrada
Medir o que chega na caixa
Potência na fibra que vem da caixa anterior, comparada com o valor esperado no projeto.
Etapa 2 · Passagem
Medir o que segue para a rua
A saída de passagem precisa ficar só um pouco abaixo da entrada; uma queda grande indica peça invertida.
Etapa 3 · Derivação
Medir o que desce para as casas
A derivação, depois do divisor local, precisa bater com a perda calculada até a casa.
Etapa 4 · Registro
Anotar e seguir para a próxima
Os três valores vão para o projeto, que vira a referência da manutenção daquele trecho.
Uma diferença que aparece numa caixa e se repete em todas as seguintes nasceu na passagem anterior, e não nas caixas que estão medindo baixo.
Os valores medidos devem ser comparados com a perda típica, e não com a máxima usada para aprovar o projeto. Por isso o valor esperado de cada caixa precisa estar escrito no projeto antes de a equipe sair para a obra.
Como ampliar uma rede desbalanceada sem refazer a rua?
Planeje a ampliação já no primeiro projeto, deixando folga de potência e pontos reservados para caixas futuras ao longo do caminho. Sem essa reserva, cada caixa nova obriga a trocar divisores nas caixas seguintes.
Inserir uma caixa no meio do varal acrescenta uma passagem a todos os pontos que vêm depois dela. Se o projeto original fechou a última caixa no limite, essa passagem extra já basta para tirá-la da classe.
- Folga de potência: reserve alguns decibéis na pior caixa para absorver uma ou duas passagens futuras.
- Pontos reservados: marque no mapa onde novas caixas fazem sentido, como loteamentos previstos na estrada.
- Fibra reserva: deixe fibras livres no cabo para abrir um segundo varal se a demanda crescer.
- Revisão a cada ampliação: recalcule a rua inteira antes de instalar qualquer caixa nova.
Quando o trecho rural receber planos mais altos, o orçamento muda outra vez com a nova tecnologia. A coexistência de GPON com XGS-PON mostra o que acrescentar na conta quando o XGS-PON passa a dividir a mesma fibra com o sinal atual.
Checklist de validação em campo
Depois de montar cada caixa, meça e compare com a potência esperada no projeto. A lista abaixo vale para a obra nova e para cada ampliação.
Confira em cada caixa do varal
- A razão instalada é a mesma prevista no projeto.
- A saída de passagem segue para a rua e a derivação desce para a caixa.
- A potência medida bate com a esperada, com diferença pequena.
- A pior caixa da rua continua dentro do orçamento com margem.
- O projeto mostra onde caberiam caixas novas.
Uma diferença grande numa caixa e em todas as seguintes aponta para a passagem anterior. Se só uma caixa destoa, o defeito está nela; a análise de laudos de OTDR ajuda a achar o ponto.
Perguntas frequentes sobre splitter desbalanceado
O que significa splitter 90/10?
Significa que 90% do sinal segue pela fibra principal e 10% desce para a caixa daquele ponto. A saída de 90% tem perda pequena e a de 10% tem perda alta.
Dá para misturar desbalanceado e balanceado?
Dá, e é o mais comum. A derivação do desbalanceado alimenta um divisor de partes iguais dentro da caixa de atendimento, que entrega o sinal às casas.
O que acontece se o splitter for instalado invertido?
A caixa recebe sinal demais e todas as seguintes ficam sem sinal suficiente. A medição na saída de passagem, antes de fechar a caixa, mostra o erro na hora.
Quantas caixas cabem num mesmo varal?
Depende da distância, das razões e da classe óptica da porta, e não de um número fixo. O limite chega quando a pior caixa deixa de fechar o orçamento com margem.
Por que a primeira caixa pode ter o pior sinal?
Porque perto da OLT a derivação usada é pequena, como 10%, e a perda dessa saída é alta. Mais adiante, as derivações maiores compensam a fibra e as passagens acumuladas.
Serviços ligados a este guia
- Business case de rede FTTH para provedores Expansão e viabilidade
- Estudo de viabilidade econômica de rede para provedores Expansão e viabilidade
- Estudo de viabilidade técnica para nova cidade para provedores Expansão e viabilidade
- Migração de rede metálica para fibra para provedores Modernização e automação
- Projeto de rede GPON para provedores Projeto de rede FTTH
- Projeto de rede óptica rural para provedores Projeto de rede FTTH
Fontes
- ITU-T G.984.2, GPON Physical Media Dependent layer: limites de potência e classes ópticas do GPON.
- ITU-T G.671, Transmission characteristics of optical components: parâmetros de perda de divisores ópticos.