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Guia técnico · Fibra óptica

Coexistência de GPON com XGS-PON: guia prático para provedores

Coexistência de GPON com XGS-PON: é rodar as duas tecnologias na mesma fibra e nos mesmos splitters, cada uma no seu comprimento de onda. Assim o provedor troca a ONU só de quem contrata plano mais alto, sem refazer a rede externa.

Resumo

  • O GPON e o XGS-PON usam comprimentos de onda diferentes na descida e na subida, por isso não se misturam.
  • A junção dos dois sinais acontece no POP, numa placa combo ou num elemento de coexistência externo.
  • A peça de junção acrescenta perda, e o orçamento das portas mais longas precisa ser refeito antes de ligar.
  • ONUs GPON antigas sem filtro e uplinks pequenos na OLT são os dois pontos que mais travam a convivência.

Como funciona a coexistência de GPON com XGS-PON?

Cada tecnologia desce e sobe em comprimentos de onda próprios, e um filtro no POP junta os dois sinais na mesma fibra. Na casa, cada ONU enxerga só a luz da sua tecnologia e ignora a outra.

O XGS-PON entrega cerca de 10 Gbps nos dois sentidos por porta, contra os 2,5 Gbps de descida do GPON [CONFIRMAR na norma]. Como os comprimentos de onda não se sobrepõem, as duas tecnologias dividem o mesmo cabo sem disputar espaço.

É isso que permite a migração de GPON para XGS-PON feita aos poucos, começando pelos clientes que pedem planos acima de 1 Gbps e deixando o restante da base onde está.

Comprimentos de onda nominais de cada tecnologia
TecnologiaDescidaSubida
GPON (G.984)1490 nm1310 nm
XGS-PON (G.9807.1)1577 nm1270 nm
Vídeo RF1550 nmNão usa

O que fica igual na rede externa

A fibra, as caixas e cada splitter óptico do tipo PLC continuam os mesmos, porque funcionam em toda a faixa usada pelas duas tecnologias. A obra, quando existe, fica restrita ao POP.

A exceção são divisores desbalanceados de fusão, cuja razão pode variar com o comprimento de onda. Em redes com esse desenho, a potência medida em 1577 nm pode diferir da prevista para 1490 nm.

Para o provedor, isso significa nenhuma equipe subindo em poste e nenhuma visita aos clientes que continuam no GPON. O investimento se concentra na OLT e nas ONUs de quem migra.

O filtro dentro da ONU GPON

ONUs GPON fabricadas com filtro de bloqueio descartam a luz do XGS-PON antes do receptor. A recomendação G.984.5 reserva faixas para essa convivência e descreve esse filtro [CONFIRMAR na norma].

ONUs antigas sem o filtro podem receber a luz de 1577 nm como ruído e perder qualidade [CONFIRMAR modelos afetados]. O levantamento dos modelos instalados vem antes de qualquer porta ser ligada.

Placa combo ou elemento de coexistência externo?

A placa combo serve melhor em POP com pouco espaço ou placa GPON perto do fim da vida, e o elemento externo serve melhor onde as placas GPON instaladas ainda têm anos pela frente. As duas formas entregam a mesma convivência na fibra.

Comparação entre placa combo e elemento de coexistência externo
CritérioPlaca comboElemento externo
Onde fica a junçãoDentro da porta da OLTPeça passiva entre as portas e a fibra da rua
Conexões extrasNenhumaCordões e conectores a mais no POP
Placas GPON atuaisSaem de uso na porta migradaContinuam em uso
Espaço no rackMenorExige bandeja ou gaveta para a peça
Perda acrescentadaJá embutida no móduloCerca de 1 a 1,5 dB [CONFIRMAR no datasheet]

Perda a mais no orçamento

O elemento de coexistência acrescenta perda ao enlace das duas tecnologias. O valor exato está na ficha do fabricante e deve entrar no orçamento antes de ligar [CONFIRMAR no datasheet].

Como escolher a forma em cada POP

A decisão é feita POP a POP, e não para a rede inteira. Um mesmo provedor pode ter placa combo no POP novo e elemento externo no POP antigo, cheio de placas GPON recentes.

  • Espaço disponível: POP com rack cheio favorece a placa combo, que não pede bandeja nova.
  • Idade das placas: placas GPON recentes favorecem o elemento externo, que as mantém em uso.
  • Folga de potência: portas com orçamento apertado favorecem a placa combo, que evita conectores extras.
  • Ritmo de vendas: pouca demanda por planos altos favorece começar com poucas portas externas.

Coexistência de GPON com XGS-PON passo a passo

A convivência segue cinco etapas: levantar ONUs e enlaces, refazer o orçamento, escolher a montagem, ligar uma porta piloto e migrar por demanda. Pular o piloto é o jeito mais rápido de descobrir um problema com a base inteira.

  1. Levante ONUs e enlaces: liste os modelos de ONU instalados e a perda real dos enlaces mais longos de cada porta.
  2. Refaça o orçamento: some a perda da peça de junção e compare com as classes das duas tecnologias.
  3. Escolha a montagem: decida entre placa combo e elemento externo, POP a POP.
  4. Ligue uma porta piloto: ative clientes XGS-PON numa porta com GPON e monitore os dois grupos por alguns dias.
  5. Migre por demanda: troque a ONU apenas de quem contrata plano acima de 1 Gbps.

Vai começar a vender planos acima de 1 Gbps?

Na migração de GPON para XGS-PON, um Especialista planeja a convivência, monta a porta piloto e acompanha os clientes das duas tecnologias.

Pedir proposta de migração de GPON para XGS-PON

Exemplo: orçamento de uma porta antes e depois da junção

Imagine uma porta GPON classe B+ cujo cliente mais distante tem 24 dB de perda medida até a OLT. O POP vai receber um elemento de coexistência externo.

Exemplo de orçamento de uma porta antes e depois da coexistência
SituaçãoPerda do enlaceLimite da classeResultado
GPON antes da junção24,0 dB28 dB (B+)Folga de 4 dB
GPON depois da junção24,0 + 1,5 = 25,5 dB28 dB (B+)Folga de 2,5 dB
XGS-PON na mesma porta25,5 dB29 dB (N1) [CONFIRMAR na norma]Folga de 3,5 dB

A porta continua dentro das duas classes, mas a folga do GPON caiu pela metade. Portas que já estavam perto do limite precisam de outra solução antes da junção, como as do cálculo de orçamento de potência óptica.

O que muda no orçamento de potência

O XGS-PON tem classes de potência próprias, e a peça de junção acrescenta perda às duas tecnologias. Por isso o orçamento de cada porta precisa ser conferido duas vezes, uma para cada classe.

Classes de potência usadas na conta de coexistência [CONFIRMAR na norma]
TecnologiaClassePerda máxima do enlace
GPONB+28 dB
GPONC+32 dB
XGS-PONN1Cerca de 29 dB
XGS-PONN2Cerca de 31 dB

Numa rede FTTH desenhada com divisão igual e folga, a conta costuma fechar com sobra. Redes com divisão alta ou rotas longas exigem atenção maior; o projeto de rede com splitter balanceado mostra como a divisão consome o orçamento.

Antes da junção, vale medir as portas candidatas e não confiar só no projeto antigo. Reparos e emendas feitos ao longo dos anos mudam a perda real, e só a medição mostra o que sobrou.

Como medir com clientes ligados

A medição de potência na porta pode ser feita com o medidor seletivo, que separa os comprimentos de onda das duas tecnologias. O OTDR, se necessário, usa uma faixa livre do tráfego.

Com as duas tecnologias acesas, a faixa livre para testes fica menor. A análise de laudos de OTDR explica como ajustar o teste numa fibra com clientes ativos.

Travam quando a base tem modelos de ONU sem filtro ou quando a OLT não tem uplink para o tráfego dos novos planos. Os dois problemas aparecem só depois de ligar, se não forem conferidos antes.

Para as ONUs, o caminho é cruzar a lista de modelos instalados com a ficha de cada fabricante. A homologação de ONU testa o modelo novo de XGS-PON e confirma o comportamento dos modelos GPON da base.

As ONUs novas também precisam de configuração padrão desde a primeira conexão. A gerência de CPEs via TR-069 mostra como aplicar o perfil certo sem o técnico configurar cada aparelho na casa.

Um punhado de clientes com planos de 2 Gbps muda o tráfego de pico da OLT. Se o uplink foi dimensionado só para GPON, ele vira o novo gargalo, e os planos altos não entregam o que prometem.

Confira a capacidade do uplink e da placa controladora antes do piloto, e planeje o crescimento junto com o ritmo de vendas dos planos novos.

Quais clientes migrar primeiro

A ordem de migração segue a demanda, e não a geografia. Trocar ONUs de uma rua inteira só porque a porta já tem as duas tecnologias gasta equipamento sem trazer receita.

  • Planos acima de 1 Gbps: são os únicos que precisam da nova tecnologia para entregar o contratado.
  • Empresas com subida alta: backup em nuvem e servidores próprios aproveitam os 10 Gbps simétricos.
  • Portas GPON no limite: mover os maiores consumidores para o XGS-PON alivia a banda dos que ficam.

Quando uma porta GPON enche antes da hora, a migração dos maiores consumidores pode ser combinada com o balanceamento de portas PON, que redistribui caixas entre portas da OLT.

Erros comuns na convivência das duas tecnologias

Os erros mais comuns aparecem como clientes GPON com sinal pior logo depois da junção, ou como planos altos que não entregam a velocidade. Quase todos vêm de etapas puladas no planejamento.

Evite

  • Esquecer a perda do elemento de coexistência no orçamento.
  • Ligar XGS-PON sem conferir os modelos de ONU antigos.
  • Manter o uplink da OLT dimensionado só para GPON.
  • Misturar conectores APC e UPC no elemento externo.
  • Não registrar quais portas já têm as duas tecnologias.

A Táquion Tech implanta a porta piloto com medição antes e depois da junção, para que a decisão de seguir com as demais portas venha de números, e não de impressão.

Checklist de validação depois de ligar

Confira os dois grupos de clientes depois de ligar cada porta com coexistência. A lista vale para o piloto e para cada porta migrada depois dele.

Confira em cada porta com as duas tecnologias

  • Os clientes GPON mantêm o mesmo sinal de antes da junção.
  • As ONUs XGS-PON sobem com sinal dentro da faixa da classe.
  • O uplink da OLT tem folga para o tráfego dos planos novos.
  • A perda da peça de junção entrou no orçamento registrado.
  • As portas com coexistência estão documentadas no inventário.

Uma porta que falha em algum item não deve servir de modelo para as próximas. Corrija o ponto antes de repetir a montagem em outros POPs.

Perguntas frequentes sobre coexistência de GPON com XGS-PON

Preciso trocar os splitters para usar XGS-PON?

Em geral, não, porque splitters PLC comuns funcionam nas faixas das duas tecnologias. Confira apenas se a perda da porta continua dentro do orçamento depois da junção.

Todas as ONUs GPON aceitam conviver com XGS-PON?

Não. Modelos antigos sem filtro de bloqueio podem ter problema com a luz do XGS-PON, por isso vale conferir com o fabricante antes de ligar.

O cliente GPON percebe alguma mudança?

Se a porta tem folga e a ONU tem filtro, não percebe nada. A única mudança é uma perda um pouco maior no enlace, que precisa caber no orçamento.

Posso manter vídeo RF junto das duas?

Sim. O vídeo RF usa 1550 nm, outra faixa, e pode conviver com as duas tecnologias quando a peça de junção prevê essa porta.

Quanto tempo dura a convivência na rede?

Costuma durar anos, porque a troca de ONU acompanha a venda de planos altos. Por isso vale planejar o crescimento das placas e do uplink desde o início.

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. ITU-T G.9807.1, 10-Gigabit-capable symmetric passive optical network (XGS-PON): comprimentos de onda e classes de potência do XGS-PON.
  2. ITU-T G.984.5, Gigabit-capable passive optical networks, enhancement band: faixas reservadas para coexistência e filtros nas ONUs GPON.

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