Guia explicativo · Projeto FTTH
O que é projeto de rede FTTH: guia de entregáveis para provedores
O que é projeto de rede FTTH: é o conjunto de desenhos, cálculos e documentos que descreve uma rede de fibra até a casa antes de ela existir na rua. Ele diz por onde cada cabo passa, onde ficam caixas e splitters, quanto sinal chega em cada cliente e quanto material a obra vai consumir.
Resumo
- O projeto cobre a rede óptica passiva inteira, da porta da OLT até a ONU na casa do assinante.
- Ele entrega mapa, memorial, conta de potência, lista de materiais e o pedido de ocupação dos postes.
- Compras, obra, distribuidora, manutenção e comercial usam partes diferentes do mesmo projeto.
- A falta de projeto aparece tarde, como CTO lotada, sinal no limite e cliente que ninguém sabe onde está ligado.
O que é projeto de rede FTTH?
Projeto de rede FTTH é a descrição completa de uma rede de fibra até a casa, feita antes da obra, com rota, divisão óptica, potência, materiais e documentos. É o que transforma a ideia de atender um bairro numa lista de tarefas que a equipe consegue executar.
FTTH vem do inglês fiber to the home, fibra até a casa. A fibra sai do provedor e chega à residência do assinante sem trecho de cabo metálico, e entre um ponto e outro não há equipamento ligado na tomada: só cabos, emendas, caixas e divisores ópticos.
Como a rede no meio do caminho é passiva, ela não se ajusta sozinha. Se a divisão óptica ficou exagerada ou a rota ficou longa demais, nenhum equipamento compensa depois, e é por isso que o projeto de rede FTTH para provedores fecha essas contas antes de qualquer cabo subir no poste.
Projeto, desenho e as built não são a mesma coisa
Os três nomes aparecem misturados no dia a dia do provedor, mas descrevem coisas diferentes. Saber a diferença evita contratar ou receber menos do que a obra precisa.
- Desenho: o traço da rede sobre o mapa, mostrando por onde os cabos passam, sem garantir que a rede funciona.
- Projeto: o desenho somado às contas de potência, às quantidades de material e aos documentos para a distribuidora.
- As built: o registro da rede como foi construída, feito depois da obra, com as mudanças que a rua impôs.
O projeto vem antes e diz o que fazer; a documentação as built vem depois e diz o que foi feito. Uma rede bem cuidada tem os dois, e o segundo é atualizado a cada ampliação.
Os níveis de detalhe de um projeto
Nem todo projeto chega ao mesmo grau de detalhe, e cada nível responde a uma pergunta diferente. O nível certo depende do momento da decisão.
- Estudo de viabilidade: estima casas, metragem e custo para responder se vale a pena atender a área.
- Anteprojeto: define arquitetura e rotas principais, sem detalhar cada caixa e cada poste.
- Projeto executivo: detalha poste a poste, caixa a caixa, com potência, materiais e pedido de ocupação.
As partes da rede que o projeto descreve
O projeto descreve cinco trechos, do equipamento do provedor até a casa do assinante. Cada trecho tem decisões próprias, e todas aparecem no mesmo mapa.
POP · Provedor
OLT e porta PON
A porta PON da OLT é onde a rede óptica começa. O projeto define quantas portas a área usa e qual óptica cada uma leva.
Trecho 1 · Alimentação
Cabo alimentador
Leva as fibras do POP até os pontos de divisão. O projeto define rota, contagem de fibras e reservas.
Trecho 2 · Divisão
Caixa de emenda e splitter primário
Onde o sinal de uma fibra se divide pela primeira vez. O projeto escolhe a posição e a razão de divisão.
Trecho 3 · Distribuição
Cabo de distribuição e CTO
Leva o sinal pela rua até as caixas de atendimento, onde fica a segunda divisão e as portas dos clientes.
Trecho 4 · Assinante
Drop e ONU
O cabo drop desce da CTO até a casa e termina na ONU. O projeto confere se o sinal chega ali com margem.
O sinal faz o caminho de volta na mesma fibra, da ONU até a OLT, em outro comprimento de onda. A conta de potência considera esse sentido, que costuma ser o mais apertado.
Nesse caminho, a decisão de onde e quanto dividir é a que mais muda a rede. Em ruas longas e estradas, a divisão desigual leva sinal mais longe, como mostra o guia de projeto com splitter desbalanceado; em bairros densos, a divisão igual costuma ser a escolha.
A ONU é o único equipamento ativo do lado do cliente, e a OLT o único do lado do provedor. Tudo o que fica entre as duas só perde sinal, e o projeto existe para garantir que essa perda caiba no que os equipamentos aceitam.
O que um projeto de rede FTTH entrega?
Um projeto de rede FTTH entrega seis peças que se completam: mapa, memorial, diagrama de divisão, memória de cálculo, lista de materiais e projeto de ocupação dos postes. Faltando uma delas, alguém na cadeia vai trabalhar no escuro.
| Entregável | O que mostra | Quem usa |
|---|---|---|
| Mapa em KMZ | Postes, cabos, caixas, splitters e área atendida, em camadas com nomes | Equipe de campo, comercial e manutenção |
| Memorial descritivo | Premissas, arquitetura escolhida, normas seguidas e critérios de projeto | Dono do provedor, distribuidora e quem revisa |
| Diagrama de divisão | De qual porta PON sai cada caixa e por quais splitters o sinal passa | Técnico de rede e quem provisiona clientes |
| Memória de cálculo | Perda somada até a casa mais distante de cada porta, com a margem que sobra | Quem aprova o projeto e quem mede na entrega |
| Lista de materiais | Cabos, caixas, splitters, ferragens e acessórios, com quantidades por trecho | Compras e quem orça a obra |
| Projeto de ocupação | Plantas e esforço em cada poste, no padrão da distribuidora | Distribuidora de energia e equipe de obra |
A memória de cálculo é a peça que mais falta em projetos recebidos de fora. O cálculo de orçamento de potência óptica mostra como essa conta é montada e o que ela precisa provar.
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Por que o mapa vem em KMZ
O KMZ é um formato de mapa aberto, que roda no Google Earth, no celular e em vários sistemas de gestão de provedor. Isso faz o mesmo arquivo servir para o escritório e para o técnico em cima do poste.
O mapa só ajuda se cada elemento tiver nome e camada própria. O desenho de rede em KMZ organiza esse arquivo para que caixas e portas sejam achadas na rua.
Para que serve o projeto no dia a dia do provedor
O projeto serve para comprar, construir, aprovar, vender e consertar a rede com base no mesmo conjunto de informações. Cada área do provedor consulta uma parte dele.
- Compras: a lista de materiais vira pedido ao fornecedor, sem várias idas para buscar o que faltou.
- Obra: a equipe sabe em que poste vai cada caixa, quanto cabo deixar de sobra e qual splitter instalar.
- Distribuidora: as plantas e os cálculos de esforço sustentam o pedido para ocupar os postes.
- Comercial: o vendedor consulta no mapa se o endereço tem caixa perto e porta livre antes de fechar a venda.
- Manutenção: quando um cabo rompe, o mapa mostra quais caixas e clientes dependem daquele trecho.
- Expansão: a próxima área parte da rede que existe, com as reservas que o projeto deixou.
Na prática: a mesma rua com e sem projeto
Pense numa rua atendida por um provedor que cresceu rápido. Sem projeto, as caixas foram instaladas onde havia procura, e cada caixa nova pegou sinal da caixa mais próxima.
Dois anos depois, a rua tem caixas com divisões diferentes em sequência, a última casa recebe sinal no limite e ninguém sabe ao certo de qual porta PON cada caixa depende. Uma emenda a mais, feita numa manutenção, derruba vários clientes de uma vez.
Com projeto, a mesma rua teria a divisão definida desde o início, caixas com portas sobrando para a meta e a potência de cada caixa conferida. A diferença não aparece no primeiro mês, mas aparece em todo chamado depois dele.
Quando a falta de projeto vira problema
A falta de projeto vira problema quando a rede passa a crescer mais rápido do que a equipe consegue lembrar dela. Os sinais aparecem primeiro nos chamados técnicos e depois nas vendas perdidas.
Marque o que já acontece na sua rede de fibra
- O vendedor não consegue saber, sem ir à rua, se um endereço tem porta livre.
- Há caixas lotadas em ruas onde ainda existem muitas casas sem atendimento.
- Clientes no fim da rua têm sinal pior e caem com mais frequência que os do começo.
- Ninguém sabe dizer de qual porta PON da OLT depende uma caixa específica.
- A rede existe só na memória de um técnico ou em desenhos que não foram atualizados.
- Um rompimento de cabo leva horas só para descobrir quais clientes foram afetados.
Dois ou mais itens marcados indicam que a rede já passou do ponto em que dá para crescer de memória. O primeiro passo é registrar o que existe; o segundo, projetar o que vem.
Sinal no limite tem sintomas conhecidos, como ONU que cai com chuva ou que mostra potência fora da faixa. O guia sobre fibra que cai quando chove ajuda a separar defeito de obra de rede que nasceu sem margem.
Erros comuns de quem trata projeto como desenho
Muitos provedores acham que já têm projeto porque têm um mapa com as caixas marcadas. Os erros abaixo mostram onde esse mapa costuma falhar.
Evite
- Mapa com caixas marcadas, mas sem a potência esperada em nenhuma delas.
- Caixas sem nome ou com nomes diferentes no mapa e no sistema de gestão.
- Projeto feito uma vez e nunca atualizado depois das ampliações.
- Lista de materiais feita por estimativa, sem sair do desenho.
- Rede em postes da distribuidora sem pedido de ocupação aprovado.
Quando um provedor precisa de projeto formal?
Precisa sempre que a rede vai ocupar postes de uma área nova, atender muitos clientes de uma vez ou mudar de tecnologia. Ampliações pequenas sobre uma rede já registrada podem ser projetadas pela própria equipe.
| Situação | Projeto formal | Por quê |
|---|---|---|
| Cidade ou bairro novo | Sim | Rota, divisão e postes começam do zero, e o pedido à distribuidora exige plantas |
| Loteamento ou condomínio | Sim | A rede subterrânea ou a prumada é feita uma vez, junto com a obra civil |
| Rede chegando ao limite | Sim | É preciso medir, registrar e redistribuir a divisão sem parar os clientes |
| Troca para XGS-PON | Sim | A conta de potência e os componentes precisam ser revistos porta a porta |
| Poucas caixas numa rua já registrada | Nem sempre | Com a rede documentada, a equipe da casa estende o que já existe |
Quem decide fazer o projeto internamente encontra o roteiro completo no guia de como fazer projeto de rede FTTH, com as etapas na ordem e um checklist antes da obra.
Em redes que já existem e estão cheias, o caminho costuma ser outro: registrar, medir e reorganizar. A otimização de rede FTTH parte desse registro para ganhar portas sem obra grande.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre FTTH e FTTx?
FTTx é o nome geral das redes em que a fibra chega perto do cliente, e o x indica até onde. No FTTH a fibra vai até a casa; em outras variações ela para no prédio ou num armário de rua, e o resto é cabo metálico.
O provedor é obrigado a ter projeto para ocupar postes?
Em geral sim: a distribuidora de energia pede projeto aprovado antes de liberar a ocupação, conforme a regulação conjunta da Aneel e da Anatel e o contrato com ela [CONFIRMAR na norma]. Sem aprovação, a rede pode ser notificada e retirada.
Quem pode fazer um projeto de rede FTTH?
Pode ser a equipe do provedor ou uma empresa contratada, desde que domine conta de potência, divisão óptica e o padrão da distribuidora. Algumas distribuidoras exigem responsável técnico habilitado no pedido [CONFIRMAR com a distribuidora da região].
O mesmo projeto serve para GPON e XGS-PON?
A rede física pode ser a mesma, mas o projeto precisa prever a perda e os componentes que as duas tecnologias aceitam. A coexistência de GPON com XGS-PON explica o que muda na porta e na conta.
Quanto custa um projeto de rede FTTH?
Não há preço único, porque o valor depende do tamanho da área, do número de postes, de já existir levantamento e dos documentos incluídos. O guia de quanto custa um projeto FTTH mostra cada fator e como comparar propostas.
Fontes
- ITU-T G.984.1, GPON general characteristics: arquitetura da rede óptica passiva entre a OLT e a ONU.
- Passive optical network (Wikipédia em inglês): componentes passivos da rede, divisores ópticos e sentidos de transmissão.