Como fazer projeto de rede FTTH: passo a passo para provedores
Como fazer projeto de rede FTTH: defina a área e a meta de clientes, levante os postes, escolha a arquitetura de divisão, trace as rotas dos cabos, posicione caixas e splitters, feche a conta de potência e só então gere a lista de materiais e os documentos para a distribuidora. A ordem conta, porque cada etapa usa o resultado da anterior e uma etapa pulada volta como retrabalho na obra.
Resumo
- Antes do mapa vêm os dados de entrada, como casas da área, meta de adesão, local da OLT e padrão da distribuidora.
- O levantamento de postes decide a rota de verdade, e a rota decide quanto cabo e quanta perda a rede terá.
- A divisão óptica e a posição de cada CTO saem da meta de clientes, com portas sobrando para crescer.
- A lista de materiais e o KMZ só fecham depois que a conta de potência passa na casa mais distante.
O que definir antes de abrir o mapa
Antes de desenhar qualquer cabo, o projeto precisa de cinco respostas: qual área atender, quantas casas existem nela, quantos clientes o provedor espera ter, de onde sai a fibra e quais regras a distribuidora impõe. Sem elas, o desenho fica bonito no mapa e errado na rua.
Muita gente começa pelo traçado porque é a parte visível do trabalho. Só que a quantidade de fibras no cabo, o tamanho das caixas e o número de portas PON dependem da meta de clientes, e não do mapa. Um projeto de rede FTTH para provedores parte desses números e volta a eles em cada etapa.
- Área: o polígono do bairro, da cidade ou do loteamento, com as ruas que entram agora e as que ficam para depois.
- Casas da área: a contagem de imóveis que a rede vai passar na frente, chamada de casas passadas.
- Meta de adesão: quantos desses imóveis o provedor espera atender em alguns anos, tirada do plano de negócio.
- Ponto de partida: o POP onde fica a OLT, ou o cabo já existente do qual a rede nova vai derivar.
- Regras externas: o padrão técnico da distribuidora de energia e as exigências da prefeitura para obra em via pública.
Casas passadas e meta de adesão
A meta de adesão é o número que mais pesa no projeto, porque define quantas portas cada caixa precisa ter. Uma meta baixa demais lota as caixas cedo; uma meta alta demais compra material que fica parado por anos.
Onde fica a OLT muda o desenho inteiro
A distância entre o POP e o fim da área limita quanto sinal sobra para dividir. Se a OLT fica longe, o projeto pode precisar de um POP mais perto, de óptica de classe maior na porta PON ou de menos divisão por porta.
Defina isso no começo, mesmo que a OLT ainda não esteja comprada. A implantação de OLT costuma ser planejada junto com o projeto da rede óptica, para porta, módulo e distância conversarem.
Como fazer projeto de rede FTTH em nove etapas
O projeto segue nove etapas, do levantamento à entrega dos arquivos, e cada uma termina com uma decisão registrada. Quando uma etapa muda, as seguintes são revistas, e não só a que mudou.
- Levantamento: cadastre os postes da rota com posição, número da distribuidora, altura, estado e cabos já instalados.
- Base de mapa: monte o mapa com ruas, lotes, postes e o POP, conferindo as coordenadas do levantamento.
- Arquitetura: escolha quantos níveis de divisão a rede terá e onde ficam os splitters primários e secundários.
- Rotas: trace o cabo alimentador e os cabos de distribuição, com a contagem de fibras de cada trecho.
- Caixas: posicione as caixas de emenda e as CTOs, com número de portas e sobra de cabo em cada ponto.
- Potência: some fibra, emendas, conectores e splitters até a casa mais distante de cada porta PON.
- Postes: prepare plantas e cálculos de esforço no formato que a distribuidora pede para aprovar a ocupação.
- Materiais: gere a lista de cabos, caixas, splitters, ferragens e acessórios, com as quantidades por trecho.
- Entrega: exporte o KMZ, as plantas, o memorial e a memória de cálculo, com um padrão de nomes único.
Repare que a conta de potência fica no meio, e não no fim. Ela costuma obrigar a voltar à arquitetura ou às rotas, e é melhor descobrir isso antes de calcular postes e materiais de uma rede que ainda vai mudar.
Levantamento: a etapa que mais muda a rota
O levantamento mostra o que o mapa não mostra: poste podre, poste sem espaço na faixa de telecomunicação, travessia de avenida sem apoio e rua que existe no mapa mas não foi aberta.
Cada achado desses mexe no traçado, e o traçado mexe na metragem de cabo e na perda. Por isso o levantamento de postes vem antes de qualquer desenho definitivo, com foto e coordenada de cada poste.
Rotas e quantidade de fibras por trecho
O cabo alimentador leva fibras do POP até os pontos de divisão, e cada cabo de distribuição leva fibras desses pontos até as CTOs. A contagem de fibras de cada trecho sai da soma das caixas que ele vai alimentar.
Deixe fibras de reserva em todos os trechos, para quando uma fibra quebrar numa emenda ou um bairro vizinho entrar no plano.
Caixas, portas e sobra de cabo
A posição de cada CTO é escolhida pelo alcance do cabo drop até as casas e pela quantidade de imóveis em volta. Caixa longe demais gera drop comprido e instalação demorada; caixa perto demais gera caixas vazias.
Em cada caixa e em pontos escolhidos da rota, o projeto prevê sobra de cabo enrolada no poste. Essa sobra é o que permite abrir uma emenda ou mudar uma caixa de lugar anos depois.
Como projetar uma rede FTTH: as decisões de arquitetura
Projetar uma rede FTTH é tomar quatro decisões de arquitetura antes de detalhar caixas e materiais. Elas valem para a área inteira, e mudar uma delas no meio da obra custa caro.
| Decisão | Opções | Quando cada uma costuma servir |
|---|---|---|
| Níveis de divisão | Um nível ou dois níveis | Um nível concentra splitters e facilita a gestão; dois níveis economizam fibra no alimentador em áreas grandes |
| Tipo de splitter | Balanceado ou desbalanceado | Balanceado em áreas densas com casas próximas; desbalanceado em ruas longas e estradas |
| Tipo de rede | Aérea ou subterrânea | Aérea onde há postes com espaço; subterrânea em loteamentos novos e centros com regra municipal |
| Tecnologia | GPON ou preparada para XGS-PON | GPON atende a maioria das áreas; prever XGS-PON quando o plano inclui velocidades acima de 1 Gbps |
As duas primeiras linhas têm guias próprios no blog. O projeto com splitter balanceado detalha a divisão em um e dois níveis, e o projeto com splitter desbalanceado mostra a rede em varal ao longo de estradas.
Precisa desse projeto pronto antes da obra?
A Táquion Tech faz o projeto de rede FTTH para provedores, com arquitetura escolhida rua a rua, conta de potência por porta PON, KMZ e documentação para a distribuidora.
Como montar uma rede GPON: o que vai em cada ponta
Montar uma rede GPON é juntar três partes: a OLT no POP, a rede óptica passiva com cabos e splitters, e a ONU na casa do assinante. O projeto FTTH desenha a parte do meio, mas as três precisam fechar na mesma conta.
- OLT: instalada no POP, com módulos ópticos da classe prevista no projeto e uplink para o roteador ou o concentrador.
- Rede passiva: alimentador, caixas de emenda, splitters e CTOs lançados conforme o KMZ e medidos antes de ligar cliente.
- Drop e ONU: cabo da CTO até a casa e ONU com sinal medido dentro da faixa aceita pela óptica.
- Ativação: perfis de banda, VLANs e autenticação configurados na OLT, para cada ONU subir com o plano certo.
GPON hoje, XGS-PON depois?
A rede óptica passiva aceita as duas tecnologias na mesma fibra, desde que o projeto preveja a perda e os componentes certos. A coexistência de GPON com XGS-PON explica o que muda na porta e na conta.
Conta de potência, materiais e documentos
Com a rede desenhada, a conta de potência confirma se a casa mais distante de cada porta PON recebe sinal com margem. Só depois dela o projeto gera a lista de materiais, as plantas dos postes e o mapa final.
A conta soma a perda da fibra em cada trecho, das emendas, dos conectores e de cada splitter no caminho. O guia de cálculo de orçamento de potência óptica mostra os valores e um exemplo completo; aqui o ponto é a ordem: se a conta não fecha, volte à arquitetura antes de seguir.
Com a conta aprovada, a lista de materiais sai do próprio desenho, trecho por trecho, e o pedido de ocupação segue o padrão da distribuidora. O projeto de compartilhamento de postes cobre essa parte, que tem prazo de análise próprio e costuma ditar a data de início da obra.
Exemplo: padrão de nomes que a equipe de campo entende
Um projeto só é útil na rua se cada elemento tiver um nome que diga onde ele está e de onde vem o sinal. O exemplo abaixo mostra um padrão simples, que serve para o mapa, as plantas e o sistema de gestão.
POP-01 ponto de presença onde fica a OLT
POP-01/OLT1/S1/PON03 OLT 1, placa 1, porta PON 3
CB-AL-01 (12F) cabo alimentador 01, com 12 fibras
CEO-014 caixa de emenda 14, no cabo alimentador
CEO-014/SPL1 (1:8) splitter primário dentro da CEO-014
CB-DS-014-02 (6F) cabo de distribuição 02 que sai da CEO-014
CTO-014-05 quinta caixa de atendimento ligada à CEO-014
CTO-014-05/P07 porta 7 da CTO, onde desce o drop do assinante
Com esse padrão, o técnico que vê "CTO-014-05" sabe que a caixa depende da CEO-014 e, pelo mapa, de qual porta PON. O desenho de rede em KMZ leva esses nomes para camadas que abrem no celular.
Na prática: quando o levantamento muda a conta
Imagine um bairro de 800 casas com meta de 300 clientes, desenhado no escritório sobre o mapa. No levantamento, uma rua inteira aparece com postes sem espaço para mais um cabo.
- Rota: o cabo de distribuição passa para a rua paralela, e o trecho fica algumas centenas de metros mais longo.
- Caixas: duas CTOs mudam de poste para continuar perto das casas que vão atender.
- Potência: a conta da porta PON que atende essa rua é refeita, e a casa mais distante passa a ser outra.
- Materiais: a lista ganha metragem de cabo e ferragens, e o pedido à distribuidora inclui a rua nova.
Com o levantamento depois do projeto, essas quatro mudanças apareceriam na obra, com equipe parada. Feito antes, é uma tarde de revisão.
Erros comuns ao fazer o projeto FTTH
Os erros que mais custam não estão no desenho, e sim na ordem das etapas e nos números de entrada. Quase todos aparecem só quando o cabo já está no poste.
Evite
- Desenhar a rota antes do levantamento e descobrir na obra que os postes não aceitam mais cabo.
- Dimensionar as caixas pelos clientes do primeiro mês, e não pela meta do plano de negócio.
- Fechar a lista de materiais antes da conta de potência e comprar splitters que a rede não comporta.
- Deixar cabo sem fibras de reserva e sem sobra enrolada nos postes da rota.
- Usar nomes diferentes no mapa, nas plantas e no sistema de gestão para o mesmo elemento.
- Mandar o pedido à distribuidora fora do padrão dela e perder semanas com devolução.
Checklist de referência antes de liberar a obra
Use esta lista para revisar qualquer projeto, feito na casa ou recebido de fora.
Confira antes de mandar a equipe para o poste
- Todos os postes da rota têm foto, coordenada e número da distribuidora.
- Cada porta PON tem a conta de potência feita até a casa mais distante, com margem.
- As caixas têm portas sobrando para a meta de clientes, não só para a procura atual.
- Os cabos têm fibras de reserva e a sobra nos postes está marcada no mapa.
- A lista de materiais bate com a metragem e com as caixas do desenho.
- O pedido de ocupação segue o padrão técnico da distribuidora da região.
- O KMZ, as plantas e o memorial usam o mesmo padrão de nomes.
Se algum item ficou sem marcar, resolva antes de comprar material. Na obra, cada item faltando vira uma decisão tomada às pressas, em cima do poste.
O projeto termina quando a obra começa?
Não: a obra sempre desvia um pouco do projeto, e esse desvio precisa voltar para o papel. A rede pronta é medida, comparada com o projetado e registrada como foi construída.
Na entrega, a potência medida em cada CTO deve ficar perto da calculada, e os trechos de fibra são testados com OTDR. A análise de laudos de OTDR mostra como ler essas medições e guardar a base para comparar no futuro.
Com as medições em mãos, a documentação as built registra a posição real das caixas, as fusões e as sobras. É esse registro, e não o projeto original, que a manutenção vai usar daqui para frente.
Fazer na casa ou contratar o projeto?
Fazer na casa vale quando o provedor tem alguém com tempo, ferramenta de mapa e experiência em conta de potência e em padrão de distribuidora. Contratar vale quando a área é grande, o prazo é curto ou a equipe está ocupada com a operação.
- Na casa: expansões pequenas, sobre rede já documentada, com a mesma arquitetura do resto da rede.
- Contratado: cidade nova, loteamento, rede rural ou área que vai depender de aprovação da distribuidora.
- Revisão externa: projeto feito na casa que precisa de uma segunda conferência antes da compra de material.
Se a decisão for contratar, o guia de quanto custa um projeto FTTH mostra do que o preço depende e como comparar propostas.
Perguntas frequentes
Como projetar uma rede FTTH do zero, sem nenhum cadastro?
Comece pela contagem de casas e pelo levantamento de postes da área, porque sem eles não há rota confiável. Depois siga as etapas na ordem: arquitetura, rotas, caixas, potência, postes e materiais.
Como montar uma rede GPON pequena, para poucos clientes?
As partes são as mesmas de uma rede grande: OLT, rede passiva com splitters e ONU em cada casa, só que com menos portas PON e quase sempre um nível de divisão. Mesmo pequena, ela precisa de levantamento, conta de potência e caixas com portas sobrando, porque é assim que a rede cresce sem refazer a rua.
Quanto tempo leva para fazer um projeto FTTH?
Depende do tamanho da área, do número de postes e de já existir levantamento, que costuma ser a etapa mais demorada. Prazo médio da Táquion Tech para um bairro: [PREENCHER prazo médio por porte de área].
O projeto precisa de assinatura de um responsável técnico?
Muitas distribuidoras pedem um responsável técnico habilitado no pedido de ocupação dos postes, com ART recolhida [CONFIRMAR exigência com a distribuidora da região]. Confira o padrão técnico dela antes de começar.
Dá para fazer projeto de uma rede que já foi construída?
Dá, mas o nome muda: primeiro se registra o que existe, no as built, e depois se projeta a ampliação ou a reforma. A otimização de rede FTTH parte desse registro para ganhar portas sem obra grande.
Fontes
- ITU-T G.984.1, GPON general characteristics: arquitetura da rede óptica passiva, divisão e alcance do GPON.
- Fiber to the x (Wikipédia em inglês): variações de fibra até o cliente e o lugar do FTTH entre elas.