Guia comparativo · Mitigação DDoS
Mitigação DDoS na borda ou no upstream: como decidir no provedor
Mitigação DDoS na borda ou no upstream se decide pelo tamanho do ataque em relação ao link e pelo que pode acontecer com o alvo. Na borda, o seu roteador filtra o que já chegou e só resolve o que cabe no link; no upstream, a operadora ou um serviço de limpeza para o ataque antes dele entrar, e é a única saída quando o volume passa da capacidade contratada.
Resumo
- A borda filtra dentro da sua rede, com controle total e reação imediata, mas só enquanto o link aguenta.
- O upstream contém o ataque na operadora ou num centro de limpeza, antes de ele ocupar o seu trânsito.
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- Na maioria dos provedores, as duas camadas trabalham juntas, cada uma com o tipo de ataque que faz melhor.
Mitigação DDoS na borda ou no upstream: qual a diferença?
A diferença está no lugar onde o pacote de ataque é descartado: dentro da sua rede ou antes dela. Esse lugar decide se o seu link chega a ser ocupado pelo ataque.
Mitigar na borda é usar o seu próprio roteador, um equipamento de filtragem instalado no POP ou o firewall para descartar o ataque. O tráfego já atravessou o link da operadora quando chega a esses filtros, então o link paga a conta inteira do volume.
Mitigar no upstream é pedir que alguém antes de você descarte ou limpe o tráfego. Pode ser a operadora de trânsito, com blackhole ou FlowSpec, ou um serviço de limpeza que recebe o bloco atacado e devolve só o legítimo. O seu link recebe o que sobrou.
As duas formas não competem: elas cobrem faixas diferentes de ataque. A Táquion Tech faz a implantação de mitigação de DDoS que lê os fluxos da borda e dispara a ação certa em cada camada, de um filtro local a um anúncio para a operadora.
O que conta como mitigação na borda
Tudo o que age depois que o tráfego entra no seu roteador de borda. Em provedor regional, quase sempre isso significa o próprio roteador, porque equipamento dedicado de filtragem no POP é raro em bases pequenas.
- Listas de acesso: descartam portas e protocolos que nunca deveriam chegar aos assinantes ou à infraestrutura.
- Limite de taxa: segura a quantidade de pacotes de um tipo, como ICMP ou fragmentos, por interface.
- Proteção do plano de controle: impede que pacotes destinados ao roteador consumam a CPU e derrubem as sessões BGP.
- Equipamento de filtragem local: analisa pacotes em linha e descarta padrões de ataque, quando o provedor tem um.
O que conta como mitigação no upstream
Tudo o que age antes do tráfego atravessar o seu link de trânsito. O provedor dispara a ação, mas quem executa é outra rede.
- Blackhole na operadora: o /32 atacado é anunciado com uma community e a operadora descarta todo o tráfego dele.
- FlowSpec na operadora: uma regra por porta, protocolo ou tamanho de pacote é enviada por BGP e aplicada nos roteadores dela.
- Limpeza em centro externo: o bloco é desviado para um serviço de scrubbing e volta filtrado por túnel ou circuito.
Como decidir entre mitigação DDoS na borda ou no upstream
Compare as duas opções por critério, e não por preferência. A tabela abaixo mostra quem vence em cada critério e por quê.
| Critério | Borda | Upstream | Quem vence |
|---|---|---|---|
| Ataque maior que o link | Não resolve: o link já está cheio quando o filtro age | Resolve, porque descarta antes do trânsito | Upstream |
| Ataque pequeno e frequente | Resolve sem depender de ninguém | Funciona, mas gasta anúncio e retirada a cada vez | Borda |
| Ataque contra o próprio roteador | Proteção do plano de controle segura a CPU | Só ajuda se o volume também lota o link | Borda |
| Alvo precisa ficar no ar | Filtra sem desligar o IP, se o link aguenta | FlowSpec ou limpeza mantêm o alvo; blackhole não | Empate, depende do volume |
| Tempo de reação | Imediato, a regra age no mesmo segundo | Soma a propagação do anúncio e a aceitação pela operadora | Borda |
| Controle e visibilidade | Você vê cada contador e muda a regra quando quiser | Depende do que a operadora mostra e aceita | Borda |
| Vários trânsitos | Uma configuração vale para todos os links | Cada operadora precisa ser combinada e testada | Borda |
| Custo recorrente | Já está no roteador que você tem | Blackhole costuma vir no contrato; limpeza tem mensalidade | Depende do contrato |
Repare que a borda vence em quase todas as linhas, menos na primeira. E a primeira é a que derruba provedores: um único ataque maior que o link anula todas as vantagens da borda de uma vez.
Por isso a pergunta prática não é qual escolher, mas a partir de que volume cada ataque sobe para o upstream. Esse limite sai da folga do link no horário de pico, medida por operadora.
Em que caso cada opção vence?
A borda vence nos ataques que cabem no link ou que miram o próprio roteador. O upstream vence quando o volume passa da folga ou quando o ataque chega por todos os trânsitos ao mesmo tempo.
Os cenários abaixo cobrem a maioria dos ataques que um provedor regional recebe. Em cada um, a camada indicada resolve com menos efeito colateral.
Quando a borda vence
A borda é a escolha natural quando o ataque é menor que a folga do link e tem uma assinatura reconhecível. Ela também é a única defesa contra pacotes dirigidos ao próprio roteador.
- Reflexão pequena: um pico de UDP vindo da porta 123 contra um assinante, bem abaixo da folga, é descartado por lista de acesso.
- Varredura e força bruta: tentativas contra a gerência do roteador param no filtro do plano de controle.
- Inundação de pacotes pequenos contra a borda: o limite de taxa protege a CPU, mesmo com banda sobrando.
Esse trabalho começa com o roteador bem fechado, como mostra o guia sobre como fazer hardening. Sem isso, o ataque pequeno vira problema grande.
Quando o upstream vence
O upstream é obrigatório quando o volume ultrapassa a folga do link, porque nada que a borda faça desocupa o cabo da operadora. Ele também simplifica a vida quando o ataque chega por todas as operadoras ao mesmo tempo.
- Ataque volumétrico contra um IP residencial: o blackhole na operadora descarta tudo e o resto da base volta ao normal.
- Ataque com assinatura clara contra cliente empresarial: o FlowSpec na operadora corta só a porta do ataque e o cliente segue no ar.
- Ataque misturado contra quem não pode cair: só a limpeza externa separa o ataque sem desligar o alvo.
O guia sobre o que é scrubbing explica o desvio para limpeza, e a configuração de FlowSpec mostra como montar a regra que a operadora aplica.
Borda e upstream juntos, em escada
O desenho que funciona na maioria dos provedores é uma escada: a borda segura o que cabe no link e o upstream assume o que passa. A detecção pelos fluxos decide em que degrau cada ataque entra.
- Degrau da borda: listas de acesso, limite de taxa e proteção do plano de controle ficam sempre ligados, sem esperar ataque.
- Medição: a detecção por NetFlow ou sFlow compara o tráfego de cada destino com o normal e com a folga do link.
- Degrau do filtro na operadora: ataque acima da folga e com assinatura clara recebe uma regra de FlowSpec.
- Degrau do descarte: ataque acima da folga contra IP residencial sem assinatura útil recebe blackhole.
- Degrau da limpeza: ataque acima da folga contra bloco com cliente que não pode cair é desviado para scrubbing.
A escada evita os dois extremos: chamar a operadora para um ataque que o roteador resolvia sozinho, e insistir na borda enquanto o link está cheio. O guia sobre como mitigar DDoS detalha a contenção degrau a degrau durante o ataque.
Exemplo: o mesmo provedor em três ataques da mesma semana
Na segunda, um assinante recebe reflexão DNS pequena, abaixo da folga, e a lista de acesso da borda resolve sem ninguém perceber. Na quarta, a gerência do roteador sofre uma inundação de pacotes, e o filtro do plano de controle mantém as sessões BGP de pé.
No sábado, um servidor de jogo hospedado num cliente empresarial recebe um ataque três vezes maior que o link. A borda não tem o que fazer; o bloco do cliente é desviado para limpeza e o restante da base nem sente. Três ataques, três camadas diferentes, nenhuma delas suficiente sozinha.
Erros comuns ao escolher onde mitigar
O erro mais caro é confiar na borda para ataques que ela não alcança. O segundo é depender do upstream sem nunca ter testado a ação em cada operadora.
Evite ao decidir entre borda e upstream
- Comprar equipamento de filtragem para resolver volume: o equipamento fica atrás do link, que lota antes dele.
- Combinar blackhole com uma operadora só: o ataque migra para o trânsito que não descarta.
- Mandar tudo para o upstream: ataques pequenos viram anúncios e retiradas que a borda resolveria em silêncio.
- Deixar a CPU da borda sem proteção: com o roteador travado, nenhum anúncio para a operadora sai.
- Usar blackhole em quem paga por disponibilidade: a ação cumpre o objetivo do atacante e tira o cliente do ar.
Antes de confiar na escada, cada degrau precisa ser provado com tráfego de teste. O guia sobre como testar proteção DDoS mostra o passo a passo com IP de laboratório.
Como escolher o que montar primeiro no seu provedor
Comece pela borda fechada e pelo blackhole testado em todas as operadoras, que custam pouco e cobrem a maior parte dos ataques. FlowSpec e limpeza entram quando a base tiver clientes que não podem ser desligados.
Marque o que a sua rede já tem
- Listas de acesso e proteção do plano de controle ativas no roteador de borda.
- Folga de cada link no pico medida e anotada por operadora.
- Blackhole testado com IP de laboratório em cada trânsito.
- Detecção por fluxos apontando o IP atacado, e não só a interface cheia.
- Operadora que aceita FlowSpec do cliente, ou a resposta dela por escrito.
- Lista dos blocos com clientes que não podem ser desligados.
Os três primeiros itens são a base de qualquer escada e devem vir antes de qualquer contrato novo. Os três últimos mostram se o upstream vai precisar de FlowSpec ou de limpeza além do descarte.
Quando a escada está montada, falta tirar o humano do caminho do primeiro minuto. É a etapa em que a detecção passa a disparar a ação sozinha, com limites diferentes por bloco e por tipo de cliente.
Perguntas frequentes
Aumentar o link resolve a mitigação na borda?
Adia o problema, mas não resolve. Um link maior aumenta a folga e permite que a borda segure ataques maiores, porém o ataque seguinte pode passar de qualquer capacidade que caiba no orçamento.
Toda operadora oferece mitigação no upstream?
Não. A maioria aceita blackhole por community, mas FlowSpec do cliente e limpeza são menos comuns e variam por contrato [CONFIRMAR com cada operadora]. Pergunte por escrito e teste antes de contar com elas.
O firewall do provedor pode fazer a mitigação na borda?
Pode filtrar ataques pequenos, mas firewall com controle de estado costuma ser o primeiro equipamento a travar num ataque de muitos pacotes. Em provedor, a filtragem da borda é mais segura no roteador, com regras sem estado.
Mitigação no upstream aumenta a latência dos clientes?
Blackhole e FlowSpec não mudam o caminho do tráfego legítimo. A limpeza externa muda, porque o tráfego passa pelo centro do fornecedor, e o atraso depende de onde fica o ponto de presença mais próximo.
Provedor com um único trânsito precisa de upstream?
Precisa ainda mais, porque todo ataque maior que o único link derruba a base inteira. Nesse caso, o blackhole com a operadora é o mínimo, e ter um segundo trânsito ajuda a dividir o volume.
Fontes
- RFC 5635: Remote Triggered Black Hole Filtering with Unicast Reverse Path Forwarding: descreve o descarte disparado por BGP na rede de quem está antes do alvo, base do blackhole no upstream
- RFC 8955: Dissemination of Flow Specification Rules: padrão das regras de filtro enviadas por BGP e aplicadas nos roteadores da operadora
- RFC 3882: Configuring BGP to Block Denial-of-Service Attacks: mostra como o provedor pede à rede vizinha que descarte o tráfego de um destino sob ataque