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Passo a passo · Hardening

Como fazer hardening: passo a passo para provedores

Como fazer hardening: primeiro se levanta o que o equipamento expõe, depois se garante um acesso de emergência e só então se fecha o que sobra, uma mudança por vez e com caminho de volta. No provedor, o trabalho começa pelos roteadores de borda e termina com uma varredura feita de fora, que prova que as portas realmente fecharam.

Resumo

  • [object Object]
  • A ordem importa mais que a lista de comandos, porque uma regra no lugar errado tranca a própria equipe fora.
  • Cada mudança vai com uma rede de segurança, como o commit confirmed do Junos ou o Safe Mode do RouterOS.
  • O trabalho só termina quando uma varredura externa confirma o resultado e alguém fica responsável por mantê-lo.

O que é hardening e por que começar pela borda?

Hardening é o processo de endurecer um equipamento: desligar o que não é usado e limitar quem alcança o que fica ligado. No provedor, a borda vem primeiro porque é o único roteador que toda a internet enxerga.

A palavra vem do inglês e quer dizer endurecimento. O termo nasceu na administração de servidores e hoje vale para qualquer coisa que tenha sistema operacional, inclusive roteador, switch, OLT e servidor de autenticação. A ideia é a mesma em todos: cada serviço ligado é uma porta, e cada porta aberta precisa de motivo para existir.

Um roteador novo vem pensado para funcionar no primeiro minuto, não para resistir a ataque. Por isso o trabalho de hardening de roteadores não é instalar nada novo, e sim revisar o que já está ali e decidir, item por item, o que fica, o que sai e o que passa a aceitar só a rede certa.

O que o roteador de provedor deixa exposto

Antes de mexer, vale saber o que um atacante enxerga. A tabela mostra os pontos mais comuns e quem consegue alcançar cada um quando nada foi feito.

Pontos expostos num roteador de provedor sem hardening
Ponto expostoQuem alcança sem hardeningO que pode acontecer
Gerência (SSH, Winbox, web)Qualquer IP da internetRobôs testando senha o dia inteiro até acertar
DNS recursivo e NTPQualquer IP da internetO roteador vira amplificador de ataque contra terceiros
SNMP com comunidade padrãoQuem descobrir a comunidadeLeitura da configuração e, em alguns casos, escrita
CPU do roteadorQuem mandar pacote para o IP deleSessões BGP caindo por excesso de pacote dirigido à CPU
Conta padrão ou senha únicaEx-funcionário e quem herdou a senhaAcesso sem rastro e sem como saber quem mudou o quê

Repare que quase nenhum desses pontos exige falha de software para ser explorado. A maioria é configuração de fábrica que ninguém revisou, e é justamente isso que o hardening corrige.

O que hardening não é

Hardening não substitui a proteção contra DDoS, porque não impede que um ataque lote o link. Ele impede que o roteador seja invadido, derrubado por tráfego dirigido a ele ou usado como arma contra outras redes.

Também não é um projeto feito uma vez e esquecido. Cada atualização de software, cada operadora nova e cada técnico que entra ou sai muda a configuração, e o endurecimento precisa acompanhar.

O que preparar antes de mudar a primeira linha

A preparação decide se o hardening termina em uma janela tranquila ou numa viagem ao POP. Quatro coisas precisam existir antes do primeiro comando: inventário, cópia da configuração, retrato de fora e acesso de emergência.

Como fazer hardening exige, antes de qualquer regra, saber voltar atrás. Por isso a cópia da configuração e o acesso de emergência vêm antes do inventário de portas, e não depois.

O retrato de fora é a parte que mais se pula. É uma varredura das portas do roteador feita de uma rede externa, antes de qualquer mudança, e serve de comparação no fim; sem ele, ninguém consegue provar o que mudou.

Antes de abrir a janela de hardening, confira

  • Lista de roteadores com modelo, versão do sistema e função de cada um (borda, concentrador, agregação).
  • Cópia da configuração atual de cada equipamento guardada fora dele.
  • Varredura externa de portas TCP e UDP de cada IP público dos roteadores, em IPv4 e IPv6.
  • Lista dos vizinhos BGP, dos servidores de monitoramento e das redes de onde a equipe administra.
  • Um acesso de emergência testado, como console no rack, VPN separada ou porta fora de banda.
  • Janela combinada e uma pessoa com acesso físico ao POP de sobreaviso.

Se faltar o acesso de emergência ou a lista de vizinhos, não comece. São os dois itens cuja falta transforma um filtro bem-intencionado numa queda de borda.

De onde a equipe vai administrar depois

Restringir a gerência pede uma resposta prévia: de quais endereços a equipe entra. Sem uma rede de gerência isolada ou uma VPN, o filtro acaba aceitando uma lista de IPs de casa e de celular que muda toda semana.

Quando essa rede ainda não existe, o caminho usual é criar a VPN de administração primeiro, testar o acesso por ela e só depois fechar a gerência para o resto do mundo.

Como fazer hardening passo a passo no roteador

O passo a passo segue do que tem menos risco para o que tem mais risco, com conferência entre um passo e outro. Os filtros que podem derrubar sessão ficam para o fim, quando todo o resto já está estável.

  1. Contas: crie um usuário por pessoa, apague ou desative a conta padrão e troque toda senha que circulou em grupo de mensagem.
  2. Serviços: desligue Telnet, FTP, HTTP sem cifra e qualquer API que ninguém usa; mantenha só SSH e o que tem dono.
  3. Gerência: limite SSH, web e ferramentas do fabricante à rede de gerência ou à VPN, em IPv4 e em IPv6.
  4. Serviços de rede: feche DNS recursivo, NTP e SNMP para a internet e troque a comunidade SNMP padrão.
  5. Registro: aponte os logs para um servidor central, acerte o relógio por NTP e ligue o registro de comandos.
  6. Plano de controle: aplique o filtro de entrada da CPU com a lista de vizinhos BGP já conferida e limite de taxa por protocolo.
  7. Antispoofing: descarte na borda pacotes que saem com origem fora dos seus blocos.
  8. Conferência: repita a varredura externa e compare com o retrato de antes, porta por porta.

Cada fabricante oferece uma forma de desfazer sozinho uma mudança que cortou o acesso. No Junos é o commit confirmed; no Cisco IOS, o agendamento de reinício; no RouterOS, o Safe Mode, que desfaz tudo se a sessão cair. Use sempre, mesmo em mudança que parece inofensiva. Para RouterOS, o guia de como proteger MikroTik traz os comandos de cada passo.

Rede de segurança na mudança e varredura externa de conferência, com IPs de documentação [CONFIRMAR na versão do equipamento]
# Junos: aplica e desfaz sozinho em 10 minutos se não houver novo commit
configure
commit confirmed 10
commit

# Cisco IOS: agenda reinício (volta à configuração salva) e cancela se tudo ficou bem
reload in 10
reload cancel

# Conferência de fora, a partir de uma rede externa ao provedor
nmap -Pn -sS -p 21,22,23,80,443,8291,8728 203.0.113.1
nmap -Pn -sU -p 53,123,161,1900 203.0.113.1
nmap -6 -Pn -sS -p 22,23,80,443,8291 2001:db8::1

Quer fechar os roteadores sem perder o acesso?

No hardening de roteadores, um Especialista garante o acesso de emergência, aplica as mudanças um roteador por vez e entrega a varredura de antes e depois.

Pedir proposta de hardening de roteadores

Por que o filtro da CPU fica por último

O filtro do plano de controle é a mudança com maior chance de derrubar algo, porque descarta tudo o que não estiver na lista. Se um vizinho BGP, o servidor de monitoramento ou o NTP faltar, aquela função para na hora.

Deixando esse filtro para o fim, a equipe já tem logs centralizados e relógio certo para enxergar o que foi descartado. O guia sobre roteador de borda com CPU em 100% mostra por que essa proteção faz falta quando o tráfego mira o próprio roteador.

Senha individual ou autenticação central?

Usuário por pessoa já resolve o rastro, mas obriga a criar e apagar contas em cada roteador. Com muitos equipamentos, a autenticação central por TACACS+ faz isso num ponto só e ainda registra cada comando.

O guia de implantação de TACACS+ mostra como montar esse servidor sem trancar a equipe fora se ele cair, mantendo uma conta local de emergência.

Na prática: hardening de uma borda com dois trânsitos

Um caso típico mostra como a ordem evita sustos. O provedor tem um roteador de borda, duas operadoras de trânsito e gerência feita por IP público.

  1. Retrato: a varredura externa encontra SSH, web e a porta da ferramenta do fabricante abertos, mais DNS e NTP respondendo a qualquer IP.
  2. Acesso: antes de tudo, a equipe sobe uma VPN de administração e confirma que entra no roteador por ela e pelo console.
  3. Primeira janela: contas individuais, serviços desligados, gerência limitada à VPN, DNS e NTP fechados para fora e logs centrais.
  4. Segunda janela: filtro de CPU com os dois vizinhos BGP, o NTP e o monitoramento na lista, aplicado com desfazer automático.
  5. Fechamento: nova varredura mostra só o BGP aceito dos vizinhos e nenhuma porta de gerência visível de fora.

Dividir em duas janelas foi o que deixou o caso sem susto. Se o filtro de CPU derrubasse uma sessão, a equipe saberia que a causa era ele, e não uma das dez mudanças da primeira noite.

O detalhe que quase passou

Na segunda varredura, a porta de gerência ainda respondia pelo endereço IPv6 do roteador. O filtro tinha sido escrito só para IPv4, e a borda recebia IPv6 das duas operadoras.

O ajuste levou poucos minutos, mas só apareceu porque a conferência foi feita de fora e nos dois protocolos. Sem ela, o relatório diria que tudo estava fechado.

Erros comuns que fazem o hardening derrubar a rede

Quase todo hardening que deu errado caiu num destes erros. Nenhum é falta de conhecimento técnico; são falhas de ordem e de conferência.

Evite

  • Fechar a gerência pela mesma sessão que você está usando, sem desfazer automático.
  • Copiar um checklist da internet sem conferir se cada comando existe na sua versão do sistema.
  • Aplicar tudo em todos os roteadores na mesma noite.
  • Escrever filtros só para IPv4 num roteador que já tem IPv6.
  • Dar o trabalho por encerrado sem varredura externa.
  • Atualizar o software na mesma janela das mudanças de configuração.

O erro do checklist copiado merece atenção. Guias públicos são um ponto de partida, mas um comando que existe numa versão pode ter outro nome ou outro comportamento na seguinte, e um roteador de provedor tem funções que nenhum guia genérico conhece.

Quando já houve invasão

Se a configuração mudou sozinha ou apareceu usuário estranho, o hardening vem depois da investigação, não antes. Fechar portas sem descobrir como o invasor entrou pode deixar uma porta dos fundos ativa.

O guia sobre o que fazer com o provedor invadido mostra a ordem certa: guardar as provas, conter e só então endurecer a rede.

Como saber se o hardening continua valendo?

O hardening se desfaz aos poucos, a cada mudança feita com pressa durante uma queda. Uma conferência periódica, comparando a configuração e a varredura com o estado aprovado, mostra o que voltou a abrir.

A forma mais simples é guardar a configuração aprovada e comparar com a atual em cada cópia automática. O backup de configurações de rede já faz essa comparação quando bem montado, e qualquer serviço religado aparece como diferença.

  • Varredura externa: repetida em intervalo fixo e depois de cada mudança grande na borda.
  • Avisos de abuso: mensagens de outras redes sobre DNS ou NTP aberto indicam que algo voltou a responder.
  • Versão do sistema: conferida contra os boletins do fabricante, para atualizar quando sair falha explorada.
  • Contas: revisadas quando alguém entra ou sai da equipe, sem exceção.

Quando vale chamar um Especialista?

Vale quando a rede tem várias marcas, quando a borda não tem redundância e só pode ser mexida de madrugada, ou quando ninguém da equipe tem segurança para escrever o filtro de CPU. Também vale depois de qualquer suspeita de acesso indevido.

A Táquion Tech faz o hardening de forma remota, um roteador por vez, com acesso de emergência testado antes de cada bloqueio e checklist preenchido no fim. Para quem quer fazer em casa, este passo a passo é o roteiro de conferência.

Perguntas frequentes

O que é hardening em poucas palavras?

É deixar um equipamento mais difícil de atacar, tirando o que não tem uso e restringindo quem alcança o que precisa ficar ligado. Vale para roteador, switch, OLT e servidor.

Qual a diferença entre hardening e pentest?

O hardening fecha as portas; o pentest tenta entrar para ver se alguma ficou aberta. Um costuma vir antes do outro, e o pentest serve como prova independente do trabalho feito.

Dá para fazer hardening sem rede de gerência?

Dá, usando uma VPN de administração como origem permitida. O que não funciona bem é liberar uma lista de IPs de casa e de celular, que muda e acaba reaberta para todo mundo.

Preciso refazer o hardening depois de atualizar o sistema?

Precisa conferir. Algumas atualizações religam serviços, mudam nomes de comandos ou trazem recursos novos ligados de fábrica, então a varredura externa e a comparação de configuração devem ser repetidas.

A equipe da casa consegue fazer o hardening sozinha?

Consegue, se tiver acesso de emergência, cópia da configuração e alguém que conheça bem o sistema de cada marca. O maior risco está no filtro de CPU, que é onde um Especialista costuma fazer mais diferença.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 6192, Protecting the Router Control Plane: recomendações para filtrar o tráfego destinado à CPU do roteador.
  2. RFC 2827 (BCP 38), Network Ingress Filtering: base do antispoofing na borda.
  3. CIS Benchmarks: guias públicos de configuração segura por fabricante e versão.

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