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Passo a passo · DDoS

Como mitigar DDoS: passo a passo da contenção para provedores

Como mitigar DDoS: escolha a contenção pelo tamanho e pelo vetor do ataque, aplique-a o mais longe possível do seu link e suba de camada só quando a anterior não bastar. A escada vai do filtro na borda à regra FlowSpec, ao blackhole na operadora e ao desvio para limpeza, e cada degrau cobra um preço diferente do assinante atacado.

Resumo

  • Mitigar é decidir onde o tráfego ruim é descartado, na sua borda, na operadora ou num centro de scrubbing.
  • Filtro na borda só funciona enquanto o link ainda tem folga e a CPU do roteador aguenta a regra.
  • O blackhole salva o resto da rede, mas tira o alvo do ar; FlowSpec e limpeza preservam o tráfego legítimo.
  • Ataque espalhado por um bloco inteiro e ataque contra a própria borda pedem contenções próprias.

O que é mitigar um DDoS, e o que não é

Mitigar um DDoS é reduzir o efeito do ataque até a rede voltar a atender os assinantes, descartando ou desviando o tráfego ruim. Não é fazer o ataque parar, porque isso depende só de quem ataca.

A diferença muda o critério de sucesso. A mitigação deu certo quando o link esvaziou e os outros assinantes voltaram a navegar, mesmo que o atacante continue mandando tráfego para um ponto onde ele já não faz estrago.

Saber como mitigar DDoS exige decidir em que ponto do caminho o tráfego ruim vai morrer, e essa decisão depende do diagnóstico feito antes. O guia de como identificar DDoS mostra como chegar ao alvo, ao vetor e ao tamanho; a visão geral da proteção DDoS para provedor mostra como as camadas se encaixam.

Como parar ataque DDoS: o que está nas suas mãos

Parar o ataque na origem quase nunca está ao alcance do provedor, porque o tráfego vem de milhares de máquinas que ele não controla. O que dá para parar em minutos é o estrago, quando o tráfego ruim deixa de chegar ao link.

O ataque em si termina por caminhos que ficam fora da sua borda: o atacante desiste ao ver que o alvo não cai mais, o tempo pago num serviço de ataque acaba ou as redes de origem limpam as máquinas usadas, o que leva dias ou semanas. A notificação ao CERT.br, com horários e IPs de origem, ajuda nesse último caminho, mas não substitui a contenção.

Durante o ataque, a pergunta útil deixa de ser como fazê-lo parar e passa a ser em que ponto descartar o tráfego, que é o que as ferramentas abaixo resolvem.

As quatro ferramentas de contenção

Toda mitigação de provedor regional combina quatro ferramentas. Elas diferem no lugar onde agem e no que sobra para o assinante atacado depois que a contenção entra.

Ferramentas de mitigação de DDoS comparadas pelo lugar onde agem
FerramentaOnde ageFunciona com o link cheio?O que acontece com o alvo
Filtro na bordaNo seu roteador, por ACL ou firewallNãoContinua no ar, se a regra for precisa
FlowSpecNo roteador da operadora que aceita a regraSim, se a operadora aplicarContinua no ar, perde só o vetor filtrado
BlackholeNa operadora ou no IXSimFica fora do ar enquanto durar
Limpeza externaNo centro de scrubbing contratadoSim, até a capacidade do serviçoContinua no ar, com latência um pouco maior

A coluna do meio é a que decide. Se o ataque já lota o link, qualquer regra aplicada no seu roteador chega tarde, porque o tráfego ruim ocupou a banda antes de ser descartado.

Como mitigar DDoS passo a passo, do filtro ao desvio

A mitigação segue uma escada: começa pela contenção mais precisa que ainda funciona e sobe quando o ataque passa do que aquele degrau aguenta. Cada degrau tem uma condição de entrada que dá para conferir em minutos.

Escada de mitigação de DDoS num provedor regional
  1. Degrau 1

    Filtro na borda

    O link tem folga e o vetor tem assinatura clara. A regra entra no seu roteador.

  2. Degrau 2

    FlowSpec na operadora

    O link lotou, mas o vetor é claro. A operadora descarta só o tráfego que bate com a regra.

  3. Degrau 3

    Blackhole do alvo

    Sem filtro fino disponível, o IP atacado é sacrificado para o resto da base voltar.

  4. Degrau 4

    Desvio para limpeza

    O alvo não pode sair do ar. O prefixo é anunciado pelo serviço de limpeza, que devolve o tráfego bom.

O degrau 4 só existe se o serviço de limpeza estiver contratado e testado antes. No meio do ataque, a escada real de quem não contratou termina no degrau 3.

  1. Proteja a borda: confira que as sessões BGP e o acesso de gerência seguem de pé, porque toda contenção depende deles.
  2. Escolha o degrau: compare o tamanho do ataque com a folga do link por onde ele entra e veja se o vetor tem assinatura.
  3. Comece por uma operadora: aplique a contenção no link que recebe a maior parte do ataque e confira o efeito antes de repetir.
  4. Meça o resultado: acompanhe a interface e os fluxos do alvo por alguns minutos; se o link não esvaziou, suba um degrau.
  5. Siga o vetor: atacantes trocam de porta ou de protocolo quando a primeira onda é contida, e a regra precisa acompanhar.
  6. Retire com critério: desfaça a contenção aos poucos e deixe a regra salva para voltar se o tráfego subir.

DDoS: como resolver quando a rede já está caindo?

Para resolver um DDoS em andamento, garanta primeiro o acesso à borda, ache alvo e vetor nos fluxos e só então escolha o degrau. Resolvido, aqui, quer dizer link vazio e base navegando, mesmo com o atacante ainda ativo.

  • Gerência caiu: entre por um acesso de gerência separado, se houver, e aplique antes o filtro do plano de controle.
  • Link cheio, alvo único: regra FlowSpec pelo vetor e, se nenhuma operadora aceitar, blackhole do /32.
  • Tráfego espalhado no bloco: regra pelo vetor valendo para o prefixo inteiro ou desvio para limpeza.
  • Link com folga: filtro na própria borda, sem envolver a operadora.

Quando nenhum degrau está pronto e a equipe não sabe por onde começar, a mitigação emergencial assume a contenção com o ataque em curso.

Degrau 1: filtro na borda, configuração de referência

O filtro na borda é o único degrau que não depende de ninguém de fora. No MikroTik, a tabela raw descarta o pacote antes do rastreamento de conexões, o que poupa CPU durante o ataque.

Regras de referência no RouterOS contra vetores de reflexão comuns [CONFIRMAR na versão do equipamento]
# prefixos dos assinantes e lista das interfaces de trânsito (crie antes)
/ip firewall address-list
add list=prefixos-clientes address=203.0.113.0/24
add list=prefixos-clientes address=198.51.100.0/24

/ip firewall raw
# reflexão Memcached: não há uso legítimo vindo da internet para assinante
add chain=prerouting in-interface-list=TRANSITO protocol=udp src-port=11211 dst-address-list=prefixos-clientes action=drop comment="ddos memcached"
# reflexão NTP: descarta só as respostas grandes da porta 123
add chain=prerouting in-interface-list=TRANSITO protocol=udp src-port=123 packet-size=200-1500 dst-address-list=prefixos-clientes action=drop comment="ddos ntp"
# reflexão SSDP: porta 1900 de origem vinda da internet
add chain=prerouting in-interface-list=TRANSITO protocol=udp src-port=1900 dst-address-list=prefixos-clientes action=drop comment="ddos ssdp"

As mesmas regras precisam existir em /ipv6 firewall raw, com os prefixos IPv6 dos assinantes. Para os degraus 2 e 3, os guias de configuração de FlowSpec e de configuração de RTBH trazem a configuração completa.

Qual contenção usar para cada tipo de ataque?

O vetor decide a primeira contenção, e o tamanho decide se ela basta. A tabela mostra a combinação mais comum em provedor regional e o passo seguinte quando a primeira não segura.

Contenção indicada para cada vetor de DDoS no provedor
VetorAssinaturaPrimeira contençãoSe não bastar
Reflexão UDPPorta de origem fixa, como 53, 123, 389, 1900 ou 11211Regra pela porta de origem, na borda ou por FlowSpecBlackhole do alvo ou limpeza
SYN floodTCP SYN em massa, pacotes mínimos, origens forjadasProteção de SYN no servidor ou no serviço de limpezaDesvio do prefixo para limpeza
Fragmentos UDPPedaços de pacote sem porta, quase sempre parte de reflexãoDescarte de fragmentos para IPs residenciais [CONFIRMAR impacto na sua base]Blackhole do alvo
Espalhado no blocoMuitos destinos do mesmo /24, nenhum se destacaRegra pelo vetor valendo para o prefixo inteiroDesvio do /24 para limpeza
Contra a bordaTráfego para os IPs do roteador e dos enlacesFiltro do plano de controle e GTSM nas sessõesEnlaces sem rota pública

Quer a escada de contenção pronta antes do próximo ataque?

Na proteção DDoS da Táquion Tech, filtros, blackhole e desvio para limpeza ficam combinados com as operadoras e testados com IP de laboratório.

Pedir avaliação anti-DDoS da sua rede

Ataque espalhado pelo pool do CGNAT

O ataque espalhado derrota o blackhole de um IP só. Para conter com /32, seria preciso anunciar dezenas ou centenas de endereços e tirar do ar todos os assinantes que dividem o pool do CGNAT.

Nesse caso, a contenção certa filtra pelo vetor e vale para o prefixo inteiro, por FlowSpec ou na limpeza. A regra descarta, por exemplo, UDP com origem na porta 123 para todo o /24, e o tráfego normal dos assinantes continua passando.

Quando o alvo é a própria borda

Alguns ataques miram o roteador de borda, os IPs dos enlaces com as operadoras ou o acesso de gerência. Se a CPU trava, as sessões BGP caem e a rede some da internet, com ou sem link cheio.

  • Plano de controle: uma ACL deixa chegar ao roteador só o BGP dos vizinhos, a gerência da rede interna e o ICMP com limite de taxa.
  • GTSM: a checagem de TTL definida na RFC 5082 faz a sessão BGP recusar pacotes que não vêm do vizinho direto.
  • Enlaces: endereços dos enlaces ponto a ponto fora dos anúncios públicos deixam o atacante sem alvo.

Esses ajustes fazem parte do hardening de roteadores e precisam ser aplicados fora do ataque, em janela de manutenção.

Na prática: um ataque de reflexão DNS em quatro tempos

Um caso comum mostra a escada funcionando e o vetor mudando no meio. O provedor tem duas operadoras de trânsito, e só uma delas aceita FlowSpec.

  1. 21h05: o link da operadora A lota com UDP de origem na porta 53 para um IP de assinante; o filtro na borda descarta o tráfego, mas o link segue cheio.
  2. 21h12: a equipe anuncia uma regra FlowSpec para a operadora A, descartando UDP da porta 53 com destino ao /32 atacado, e o link esvazia.
  3. 21h30: o atacante troca para reflexão NTP; o alarme por protocolo dispara e uma segunda regra, pela porta 123, entra no mesmo minuto.
  4. 22h40: sem tráfego de ataque há meia hora, as regras são retiradas uma de cada vez, com a configuração guardada para voltar.

O assinante atacado não saiu do ar em nenhum momento, porque o blackhole não foi necessário. Se a operadora A não aceitasse FlowSpec, o degrau seguinte seria o blackhole do /32, com o assinante fora até o ataque acabar.

O horário de cada passo entra no registro do incidente. Esse histórico mostra à operadora que o problema se repete e ajuda a negociar no contrato uma contenção mais rápida.

Erros comuns ao mitigar DDoS

Os piores erros de mitigação trocam o ataque por uma queda causada pelo próprio provedor. Quase todos vêm de regra larga demais ou de contenção que ninguém lembra de retirar.

Evite

  • Descartar todo o UDP da porta 53 e derrubar a resolução de nomes dos assinantes.
  • Anunciar regra FlowSpec sem destino, que vale para a rede inteira.
  • Deixar o blackhole ativo por dias, com o assinante sem internet e sem saber por quê.
  • Mitigar só no IPv4 e deixar o ataque passar pelo IPv6.
  • Aplicar a mesma regra em todas as operadoras de uma vez, sem medir o efeito.
  • Contratar limpeza externa e nunca testar o desvio nem o túnel de retorno.

O primeiro erro é comum porque a reflexão DNS usa a porta 53, e a regra apressada pega tudo. A regra correta descarta só o que vem da porta 53 para os assinantes, e não o que sai deles nem o que vai para o DNS do provedor.

Como saber que a mitigação funcionou?

A mitigação funcionou quando três medidas voltam ao normal ao mesmo tempo. Olhar só uma delas engana, porque o ataque pode ter só trocado de vetor.

  • Link: a interface por onde o ataque entrava voltou ao tráfego normal do horário.
  • Fluxos do alvo: o volume para o IP ou o prefixo atacado caiu, e o vetor sumiu dos maiores protocolos.
  • Assinantes: as reclamações pararam e os testes a partir da rede voltaram a responder.

Quando vale ter a mitigação pronta em vez de improvisar?

Vale ter pronta desde o segundo ataque, porque a partir dele o provedor já é alvo conhecido. Improvisar custa os minutos em que alguém procura a community certa ou o contato da operadora.

Marque o que já está pronto na sua borda

  • As regras de filtro dos vetores comuns estão salvas e só precisam ser ativadas.
  • Cada operadora confirmou por escrito a community de blackhole que aceita.
  • Pelo menos uma operadora aceita FlowSpec, e a regra foi testada com IP de laboratório.
  • A lista de IPs de infraestrutura que nunca entram no blackhole está escrita.
  • O desvio para limpeza, se contratado, já foi acionado num teste.
  • A equipe de turno sabe aplicar cada degrau sem esperar uma pessoa específica.

Cada item em branco é um degrau que vai faltar no meio do ataque. Com três ou mais em branco, a mitigação ainda depende de improviso.

A Táquion Tech implanta a detecção e a contenção automática na borda, combina blackhole e FlowSpec com as operadoras e integra o serviço de limpeza quando o histórico pede. Os detalhes estão na mitigação de DDoS e no scrubbing de tráfego; com o ataque em andamento, o caminho é a mitigação emergencial.

Perguntas frequentes

Tem como resolver DDoS de vez no provedor?

De vez, não, porque o ataque depende de quem ataca e pode voltar a qualquer noite. O que se resolve de forma duradoura é a capacidade de conter, com regras salvas, blackhole testado com cada operadora e limpeza contratada se o histórico pedir.

Dá para mitigar DDoS sem tirar o cliente do ar?

Dá, com FlowSpec ou limpeza externa, que descartam só o tráfego de ataque. O blackhole é o único degrau que tira o alvo do ar, e por isso fica para quando os outros não estão disponíveis.

Quanto tempo a contenção deve ficar ativa depois do ataque?

Não há tempo fixo, mas o usual é esperar um período sem tráfego de ataque e retirar aos poucos, medindo a cada passo. Ataques contra jogadores costumam voltar em ondas, então a regra deve ficar salva para reativar.

A operadora de trânsito mitiga o ataque por conta própria?

Algumas oferecem proteção no próprio link, mas muitas só agem quando o provedor pede ou anuncia a community. Vale perguntar por escrito o que a operadora faz, a partir de que volume e em quanto tempo. [CONFIRMAR com cada operadora]

Como parar ataque DDoS que volta toda noite?

Ataque que se repete pede contenção pronta, e não reação: deixe a regra do vetor salva para ativar em segundos e um alarme por fluxo que dispare no começo da onda. Se o alvo é sempre o mesmo assinante, registre cada episódio e use esse histórico para combinar com a operadora uma contenção mais rápida.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 8955, Dissemination of Flow Specification Rules: padrão das regras FlowSpec enviadas por BGP para descartar só o tráfego de ataque.
  2. RFC 7999, BLACKHOLE Community: community padrão para pedir o descarte do tráfego de um IP à operadora.
  3. RFC 5082, The Generalized TTL Security Mechanism (GTSM): checagem de TTL que protege as sessões BGP contra pacotes forjados.

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