Implantação de segment routing: guia prático para provedores
Implantação de segment routing: é trocar o LDP pelo próprio protocolo de roteamento interno na distribuição dos rótulos MPLS, com um identificador fixo por roteador. A rede fica com um protocolo a menos, rótulos previsíveis e proteção rápida contra falhas.
Resumo
- O IS-IS ou o OSPF passam a anunciar um índice fixo para cada loopback, e o LDP deixa de ser necessário.
- O rótulo de cada roteador é o mesmo em toda a rede, calculado pela soma do início do bloco global com o índice.
- O TI-LFA pré-calcula um caminho reserva para cada destino e troca de caminho sem esperar o roteamento convergir.
- A migração pode ser gradual, com LDP e segment routing rodando juntos até o último roteador ser convertido.
O que muda em relação ao LDP?
Com LDP, cada roteador escolhe os seus rótulos e os troca com os vizinhos por um protocolo à parte. Com segment routing, o roteamento interno anuncia um índice por loopback, e todos os roteadores calculam o mesmo rótulo.
Na prática, o núcleo MPLS continua encaminhando por rótulos, do mesmo jeito. O que muda é quem distribui esses rótulos e como eles são numerados.
A escolha entre LDP e segment routing é decidida no projeto de MPLS para provedores, de preferência antes de a rede crescer. Trocar depois é possível, mas exige migração planejada em cada roteador.
| Ponto | LDP | Segment routing |
|---|---|---|
| Distribuição de rótulos | Protocolo à parte | Pelo IS-IS ou OSPF |
| Rótulo de cada roteador | Muda de vizinho para vizinho | Igual em toda a rede |
| Proteção rápida | Limitada | TI-LFA cobre quase toda falha |
| Engenharia de tráfego | Exige RSVP-TE | Embutida |
Os identificadores do segment routing
Cada instrução de caminho no segment routing é um segmento, identificado por um SID. Dois tipos cobrem quase tudo o que um provedor regional usa no dia a dia.
- Prefix SID: identifica um destino, normalmente o loopback de um roteador, e vale em toda a rede.
- Adjacency SID: identifica um enlace específico de um roteador e só tem sentido localmente.
- SRGB: o bloco global de rótulos reservado para os prefix SIDs, igual em todos os roteadores.
Para o transporte comum, basta o prefix SID de cada loopback. Os adjacency SIDs entram na proteção rápida e nos recursos de engenharia de tráfego, calculados automaticamente pelo roteador.
Como funciona a implantação de segment routing?
Cada roteador anuncia, junto com o loopback no IS-IS ou no OSPF, o índice daquele loopback. Os outros somam o índice ao início do bloco global e chegam ao mesmo rótulo, sem nenhuma troca extra.
A implantação de segment routing exige que o roteamento interno já esteja estável, porque é ele que passa a carregar os rótulos. Um IS-IS que oscila derruba o transporte junto.
A conta do rótulo
O rótulo de um destino é o início do bloco global mais o índice anunciado para aquele loopback. Com o bloco começando em 16000, o roteador de índice 1 é alcançado pelo rótulo 16001 em qualquer ponto da rede.
Isso muda o diagnóstico. Com LDP, o técnico precisa consultar cada roteador para saber o rótulo de um destino; com segment routing, o rótulo de cada POP está na tabela de numeração e não muda.
TI-LFA: o caminho reserva calculado antes
O TI-LFA calcula, para cada destino, o caminho que será usado se o enlace principal cair, e já deixa esse caminho instalado no hardware. Quando o enlace cai, a troca é local e imediata.
Se o caminho reserva não é natural na topologia, o roteador empilha rótulos para forçar o tráfego pelo desvio certo. A proteção fica em menos de 50 milissegundos para a maioria das falhas [CONFIRMAR no manual do fabricante], sem RSVP-TE.
Decisões de desenho antes de ligar
Segment routing exige planejamento de numeração antes de ligar, porque bloco e índices precisam valer para a rede inteira. A base de roteamento interno também precisa estar organizada.
- Bloco global de rótulos igual em todos: o SRGB define a faixa usada.
- Índice único por loopback: documentado numa tabela.
- IS-IS ou OSPF já estável: o transporte depende dele.
- TI-LFA ligado: proteção rápida para a maioria das falhas [CONFIRMAR no manual do fabricante].
- Convivência com LDP na migração: os dois podem rodar juntos por um tempo.
A tabela de índices
A tabela de índices é o documento mais importante da implantação. Ela liga cada roteador ao seu loopback, ao seu índice e ao rótulo resultante.
| Roteador | Loopback | Índice | Rótulo |
|---|---|---|---|
| PE do POP central | 10.255.0.1 | 1 | 16001 |
| PE do POP norte | 10.255.0.2 | 2 | 16002 |
| PE do POP sul | 10.255.0.3 | 3 | 16003 |
| Route reflector | 10.255.0.10 | 10 | 16010 |
Usar o último octeto do loopback como índice é uma convenção prática, que evita consulta à tabela no dia a dia. O que não pode é dois roteadores com o mesmo índice.
IS-IS ou OSPF como base?
Os dois funcionam, e a escolha costuma seguir o que já roda no backbone. O IS-IS é mais comum em núcleos de provedor e tem a extensão de segment routing descrita na RFC 8667, listada nas fontes.
Se a rede está nascendo, vale considerar o IS-IS desde já. Se já roda OSPF bem organizado, não há motivo para trocar o protocolo só por causa do segment routing.
MTU e a pilha de rótulos
No desvio do TI-LFA e em políticas de engenharia de tráfego, o pacote pode ganhar dois, três ou mais rótulos de uma vez. Cada rótulo soma 4 bytes, e o MTU do núcleo precisa comportar a pilha mais longa, não só a do caminho normal.
O cuidado vale para todo switch de rede que estiver entre dois roteadores, como os de agregação de um POP. Ele não participa do segment routing, mas descarta o quadro maior se o MTU dele ficou no padrão.
Confira também quantos rótulos cada modelo de roteador consegue empilhar no hardware. Equipamentos com limite baixo restringem o desvio que o TI-LFA consegue montar [CONFIRMAR no manual do fabricante].
Implantação de segment routing passo a passo
A implantação de segment routing passo a passo liga o recurso roteador por roteador, com o LDP ainda ativo, e só desliga o LDP no fim. O exemplo ativa segment routing MPLS no IS-IS, com índice 1 para o loopback e TI-LFA nos enlaces.
- Inventário: confira se todos os roteadores do núcleo suportam segment routing na versão instalada.
- Numeração: feche a tabela de índices e o bloco global antes da primeira janela.
- Ativação: ligue o segment routing no IS-IS de um roteador por vez, mantendo o LDP.
- Preferência: quando todos tiverem rótulos, faça os roteadores preferirem os rótulos do segment routing.
- Proteção: ative o TI-LFA nos enlaces e confira o caminho reserva de cada destino.
- Desligamento: com tudo validado, desligue o LDP enlace por enlace.
segment-routing
global-block 16000 23999
!
router isis CORE
is-type level-2-only
net 49.0001.0102.5500.0001.00
address-family ipv4 unicast
metric-style wide
segment-routing mpls
!
interface Loopback0
passive
address-family ipv4 unicast
prefix-sid index 1
!
interface TenGigE0/0/0/0
point-to-point
address-family ipv4 unicast
fast-reroute per-prefix
fast-reroute per-prefix ti-lfaCom índice 1 e bloco começando em 16000, o rótulo deste roteador é 16001 em toda a rede.
Em outras marcas
Juniper, Nokia, Huawei e Arista suportam segment routing MPLS. Em equipamentos de entrada, confira o suporte e a versão antes de planejar.
Vai trocar o LDP no seu núcleo?
A Táquion Tech planeja a numeração, a convivência com o LDP e a migração para segment routing dentro do projeto de MPLS do provedor.
Na prática: migrar um núcleo com LDP
Num núcleo com seis roteadores e LDP em produção, a migração pode ser feita em janelas curtas, sem parar os serviços. A ordem abaixo mantém sempre um caminho rotulado funcionando.
- Primeira janela: segment routing ligado nos dois roteadores do POP central, com o LDP intacto.
- Janelas seguintes: os demais roteadores recebem o segment routing, um ou dois por vez.
- Virada: com todos convertidos, a preferência passa para os rótulos do segment routing, e os serviços seguem no ar.
- Limpeza: depois de alguns dias estável, o LDP é desligado e retirado da configuração padrão.
No Cisco IOS-XR, a preferência é ligada com a opção sr-prefer no segment routing do IS-IS. Se algum roteador não suportar o recurso, um servidor de mapeamento anuncia os índices por ele durante a convivência.
Quando vale trocar o LDP por segment routing?
Vale quando a rede quer proteção rápida sem RSVP-TE, rótulos previsíveis para operar e menos protocolos no núcleo. Se os equipamentos não suportam o recurso, o LDP continua sendo uma escolha válida.
O segment routing roda sobre o roteamento interno, então o IS-IS ou o OSPF precisam estar organizados. Por cima dele vêm os serviços, como VPNs de camada 3 e EVPN, que não percebem a troca do transporte.
Veja a configuração de IS-IS para a base e a implantação de EVPN para os serviços. Se o núcleo roda OSPF, a configuração de OSPF mostra o que organizar antes.
Em enlaces longos sobre DWDM, a proteção do TI-LFA ajuda a absorver o rompimento de fibra sem depender só da proteção óptica. O ganho é maior em anéis, onde sempre existe um caminho alternativo.
Erros comuns na implantação de segment routing
Quase todo problema de segment routing vem de numeração. O restante vem de desligar o LDP cedo demais.
Evite
- Bloco global de rótulos diferente entre roteadores.
- Índice repetido em dois loopbacks.
- Desligar o LDP antes de todos os roteadores terem segment routing.
- TI-LFA sem caminho alternativo possível na topologia.
- Nenhuma tabela documentando os índices.
- Bloco global sobreposto a rótulos já usados por outro recurso do roteador.
O índice repetido é o erro de efeito mais estranho: o tráfego para um roteador chega em outro, e alguns serviços funcionam enquanto outros somem. O roteador costuma registrar o conflito no log, mas só quem olha percebe.
Já o TI-LFA sem caminho alternativo engana na validação. Em topologias em linha, sem anel, não existe desvio possível, e a proteção fica ligada sem proteger nada.
Checklist de validação
Confira rótulos e proteção depois de ligar cada roteador, e não só no fim da migração. A prova final é derrubar um enlace em janela e ver o tráfego seguir.
Confira depois de cada etapa da migração
- Cada loopback tem o rótulo esperado em todos os roteadores.
- Os serviços MPLS continuam funcionando.
- O TI-LFA mostra caminho reserva para os destinos.
- Derrubar um enlace não interrompe o tráfego de forma perceptível.
- Nenhum conflito de índice aparece no log.
- A tabela de índices está atualizada com o último roteador.
Com algum item pendente, a próxima janela espera até a correção.
show isis segment-routing label table
show isis database verbose
show isis fast-reroute summary
show mpls forwardingA Táquion Tech planeja o segment routing dentro do projeto de MPLS do provedor, com a tabela de índices, a ordem de migração e os testes de queda escritos antes da primeira janela.
Perguntas frequentes sobre implantação de segment routing
Segment routing substitui o MPLS?
Não. O SR-MPLS continua usando rótulos MPLS no encaminhamento; ele substitui o LDP na distribuição desses rótulos.
Preciso desligar o LDP de uma vez?
Não. Os dois podem conviver durante a migração, e o LDP só sai depois que todos os roteadores estiverem com segment routing validado.
Para que serve o TI-LFA?
Serve para calcular um caminho reserva para cada destino e trocar em milissegundos quando um enlace cai. A troca é feita pelo próprio roteador, sem esperar o roteamento convergir.
Segment routing funciona com OSPF?
Sim. Segment routing funciona com IS-IS ou OSPF, e a escolha costuma seguir o protocolo que já roda no núcleo.
Segment routing exige trocar os roteadores?
Nem sempre. Muitos roteadores de núcleo já suportam o recurso com atualização de software, mas equipamentos de entrada podem não ter suporte, e isso precisa ser conferido no inventário.
Serviços ligados a este guia
- Projeto de DWDM para provedores Backbone e switching
- Projeto de MPLS para provedores Backbone e switching
- Projeto de rede 5G privativa para provedores Rádio e wireless
Fontes
- RFC 8402, Segment Routing Architecture: arquitetura do segment routing.
- RFC 8660, Segment Routing with the MPLS Data Plane: uso de rótulos MPLS no segment routing.
- RFC 8667, IS-IS Extensions for Segment Routing: como o IS-IS anuncia os índices.