Implantação de EVPN: guia prático para provedores
Implantação de EVPN: é levar serviços de camada 2 e camada 3 pelo backbone usando o BGP para anunciar endereços MAC e IP, em vez de aprendê-los por inundação. Ela permite ligar um cliente a dois roteadores ao mesmo tempo, com os dois caminhos ativos.
Resumo
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- Cliente ligado a dois roteadores com os dois caminhos ativos é o principal motivo para trocar o VPLS pelo EVPN.
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- O que mais derruba projetos é planejar sem conferir o que cada equipamento e cada versão de software suportam.
O que o EVPN muda no backbone?
O EVPN troca o aprendizado de MAC pelo tráfego por anúncios do BGP, e todos os roteadores do serviço passam a saber onde está cada endereço antes do primeiro quadro. Isso abre espaço para dois caminhos ativos e para camada 3 no mesmo serviço.
No VPLS, cada roteador descobre onde está cada MAC esperando o tráfego passar. No EVPN, o roteador que aprende um MAC anuncia pelo BGP, e todos os outros já sabem para onde mandar.
É uma decisão de arquitetura, que entra no projeto de MPLS para provedores junto com a escolha entre LDP e segment routing. Decidir no projeto evita comprar roteadores de POP que não suportam o serviço que o comercial vai vender.
| Ponto | VPLS | EVPN |
|---|---|---|
| Aprendizado de MAC | Por inundação | Pelo BGP |
| Cliente em dois roteadores | Um caminho ativo | Os dois ativos |
| Camada 3 no mesmo serviço | Não | Sim |
| Transporte | MPLS | MPLS ou VXLAN |
Camada 2 e camada 3 no mesmo serviço
Além dos MACs, o EVPN anuncia o endereço IP associado a cada um e, com a extensão de prefixos IP, rotas inteiras. O mesmo serviço pode comutar dentro da VLAN e rotear entre VLANs do cliente.
Na prática, o gateway da rede do cliente pode existir em todos os PEs ao mesmo tempo, com o mesmo endereço. A filial usa o roteador mais próximo como saída, sem que o tráfego precise ir até a matriz e voltar.
Como funciona a implantação de EVPN no backbone?
Os PEs trocam rotas EVPN numa família própria do BGP, normalmente por meio de um route reflector. Cada tipo de rota carrega uma informação diferente, e o conjunto monta a visão completa do serviço em cada roteador.
A implantação de EVPN exige entender esses tipos de rota, porque é por eles que se diagnostica qualquer problema. Um MAC que não aparece do outro lado quase sempre é uma rota que não foi anunciada ou não foi importada.
| Tipo | Nome | Para que serve |
|---|---|---|
| 1 | Auto-descoberta do segmento | Avisa quais PEs atendem o mesmo cliente e permite troca rápida quando um cai |
| 2 | MAC e IP | Anuncia cada endereço MAC aprendido, com o IP quando conhecido |
| 3 | Multicast inclusivo | Monta a árvore para broadcast e destinos desconhecidos |
| 4 | Segmento Ethernet | Escolhe qual PE encaminha o broadcast para o cliente com dois caminhos |
| 5 | Prefixo IP | Anuncia rotas inteiras, para serviços de camada 3 dentro do EVPN |
Os tipos 1 a 4 estão na RFC 7432; o tipo 5 veio depois, numa RFC própria [CONFIRMAR na norma]. Nem todo equipamento suporta todos, o que pesa na escolha do hardware.
Multihoming com ESI e roteador designado
Quando um cliente se liga a dois PEs, os dois recebem o mesmo identificador de segmento, o ESI. É assim que a rede sabe que as duas portas levam ao mesmo cliente e pode usar as duas ao mesmo tempo.
Para o broadcast não chegar duplicado, um dos PEs é eleito o encaminhador designado daquele segmento. Se ele cai, a rota do tipo 1 é retirada, e os outros PEs passam a usar só o caminho que sobrou.
Mobilidade de MAC e supressão de ARP
Se um MAC aparece em outro PE, o novo anúncio leva um número de sequência maior e substitui o antigo. Um MAC que troca de lugar muitas vezes em pouco tempo é marcado como duplicado, sinal clássico de laço no cliente.
Como o PE já conhece o par de MAC e IP, ele pode responder às perguntas de ARP localmente. Isso reduz o broadcast que atravessa o núcleo em serviços com muitos equipamentos.
Base e decisões de desenho
O EVPN depende de roteamento interno estável, MPLS funcionando e BGP com route reflector; sem essa base, cada problema vira três. Sobre ela, o desenho define numeração, transporte e onde ficam os clientes com dois caminhos.
- Route reflector com família EVPN: evita malha completa de sessões.
- MPLS ou VXLAN: MPLS no backbone do provedor; VXLAN em data center.
- Um RD e um route-target por serviço: organizados num plano.
- Multihoming com ESI: identificador igual nos dois roteadores do cliente.
- Versões de software conferidas: recursos de EVPN variam muito por versão.
Veja a implantação de segment routing para o transporte e a implantação de route reflector para o BGP. Os dois costumam entrar no mesmo projeto.
Plano de RD e route-target
O route distinguisher torna única cada rota de cada PE, e o route-target diz quais PEs importam as rotas de qual serviço. Um plano simples, escrito antes do primeiro cliente, evita colisão quando a rede crescer.
| Campo | Formato | Exemplo do serviço 100 |
|---|---|---|
| Route distinguisher | loopback do PE : número do serviço | 10.255.0.1:100 |
| Route-target | ASN do provedor : número do serviço | target:65000:100 |
| VLAN de entrega | Igual ao número do serviço quando possível | 100 |
| ESI | Um por cliente com dois caminhos | Anotado na planilha do serviço |
MPLS ou VXLAN no transporte?
Num backbone de provedor que já roda MPLS, o EVPN usa os rótulos existentes, e o serviço aproveita a proteção rápida do núcleo. O VXLAN aparece mais em data center, onde a rede é IP pura entre switches.
O MPLS também simplifica a convivência com os serviços que já existem, como VPLS e VPNs de camada 3. O provedor não precisa montar uma segunda rede de transporte só para o serviço novo.
Em enlaces sobre DWDM, nada muda: o transporte enxerga só mais um enlace IP com rótulos. O cuidado é o de sempre com o MTU, que precisa comportar o quadro do cliente mais as etiquetas em todo o caminho.
Do lado do acesso, qualquer switch de rede que entregue o cliente ao PE continua sendo um trunk comum. O EVPN começa na porta do roteador, e a rede de acesso não precisa saber que ele existe.
Implantação de EVPN passo a passo
A implantação de EVPN passo a passo vai da conferência dos equipamentos ao serviço piloto, e só depois aos clientes de produção. O exemplo cria um serviço EVPN de camada 2 sobre MPLS, com a sessão iBGP para o route reflector.
- Inventário: liste modelo e versão de software de cada PE e confira os tipos de rota que cada um suporta.
- Laboratório: monte o serviço entre dois equipamentos iguais aos de produção e teste a queda de um deles.
- Route reflector: ative a família EVPN no refletor e nos PEs, sem mexer nas famílias que já funcionam.
- Piloto: crie um serviço interno, como a gerência entre dois POPs, e observe por alguns dias.
- Produção: migre ou ative os clientes um por vez, com janela e volta planejada.
protocols {
bgp {
group IBGP-RR {
type internal;
local-address 10.255.0.1;
family evpn {
signaling;
}
neighbor 10.255.0.10;
}
}
}
routing-instances {
EVPN-CLIENTE-ACME {
instance-type evpn;
vlan-id 100;
interface ge-0/0/1.100;
route-distinguisher 10.255.0.1:100;
vrf-target target:65000:100;
protocols {
evpn;
}
}
}O endereço 10.255.0.10 é o route reflector. Os outros roteadores do serviço usam o mesmo vrf-target.
Em outras marcas
Cisco IOS-XR, Nokia SR OS, Huawei e Arista suportam EVPN com sintaxes próprias. Em MikroTik, o suporte é recente e limitado; confira a versão antes de planejar.
Planejando EVPN no seu backbone?
A Táquion Tech avalia os equipamentos, desenha o serviço dentro do projeto de MPLS e acompanha a implantação do piloto aos clientes.
Na prática: cliente ligado a dois PEs
Um hospital quer a matriz ligada a dois POPs diferentes, para continuar no ar se um deles parar. Com EVPN, as duas portas trabalham juntas, e a queda de um POP vira só perda de metade da banda.
- Segmento: as duas portas do hospital recebem o mesmo ESI, nos dois PEs.
- Cliente: o equipamento do hospital agrega as duas portas num LACP comum, como se fossem do mesmo switch.
- Anúncio: os dois PEs anunciam o segmento, e os PEs das filiais balanceiam o tráfego entre eles.
- Teste: desliga-se um PE em janela, e o tráfego segue pelo outro enquanto as filiais continuam falando.
Do lado do cliente, nada de especial: ele enxerga um par de portas agregadas. Toda a inteligência fica nos PEs e nas rotas do tipo 1 e 4.
Quando vale migrar do VPLS para o EVPN?
Vale migrar quando aparecem clientes que exigem dois caminhos ativos, quando o número de pontos por serviço cresce muito ou quando a inundação começa a pesar no núcleo. Com poucos serviços estáveis, o VPLS pode continuar.
Em redes novas, o EVPN costuma ser a escolha desde o início. Em redes com VPLS funcionando, a migração pode ser gradual, serviço por serviço, porque os dois convivem no mesmo núcleo.
A configuração de VPLS continua sendo o caminho mais curto para quem tem poucos clientes de camada 2 e equipamentos sem suporte a EVPN. A decisão depende mais do hardware e da equipe que do protocolo em si.
Erros comuns na implantação de EVPN
Os erros mais comuns vêm de planejar EVPN sem conferir o que cada equipamento suporta. O resto vem de numeração que não bate entre os PEs.
Evite
- Route-target diferente entre os roteadores do mesmo serviço.
- ESI diferente nos dois roteadores do cliente com dois caminhos.
- Route reflector sem a família EVPN ativa.
- Equipamentos com versões que não suportam os mesmos tipos de rota.
- MTU do backbone sem folga.
- Cliente com dois caminhos sem LACP do lado dele.
O refletor sem a família EVPN é o mais traiçoeiro: as sessões BGP continuam no ar, as rotas de internet chegam normalmente, e só as rotas EVPN não são repassadas. O serviço sobe em um PE e não aparece nos outros.
Versões diferentes também enganam. Dois PEs de marcas distintas fecham a sessão, mas um deles ignora o tipo de rota que o outro usa para o multihoming, e a troca de caminho falha só no dia da queda.
Checklist de validação
Confira as rotas EVPN em todos os PEs e teste o multihoming derrubando um roteador de propósito. A validação só termina quando o cliente confirma que nada caiu durante o teste.
Confira em cada serviço EVPN
- As rotas de MAC aparecem nos outros roteadores do serviço.
- O cliente alcança todos os pontos.
- Derrubar um dos roteadores do cliente mantém o serviço.
- O plano de RD e route-target está atualizado.
- Nenhum MAC aparece marcado como duplicado.
- O route reflector repassa as rotas EVPN para todos os PEs.
Um item sem marca segura a migração do próximo cliente até ser resolvido.
show bgp summary
show evpn instance EVPN-CLIENTE-ACME extensive
show evpn database
show route table bgp.evpn.0A Táquion Tech desenha o EVPN como parte do projeto de MPLS do provedor, com a escolha de equipamentos, o plano de numeração e o roteiro de testes entregues por escrito.
Perguntas frequentes sobre implantação de EVPN
O EVPN substitui o VPLS de vez?
Em redes novas, costuma substituir. Em redes com VPLS estável, a migração pode ser gradual, e os dois serviços convivem no mesmo núcleo durante a transição.
EVPN precisa de MPLS para funcionar?
Não. Pode usar MPLS ou VXLAN como transporte. No backbone de provedor, MPLS é o mais comum.
Provedor pequeno precisa de EVPN?
Nem sempre. Com poucos serviços de camada 2 e nenhum cliente com dois caminhos, VPLS ou QinQ costumam bastar.
O que é ESI no EVPN?
É o identificador que liga um cliente a dois roteadores no mesmo serviço EVPN. Os dois PEs usam o mesmo valor para a rede saber que as portas levam ao mesmo cliente.
MikroTik serve para rodar EVPN em produção?
O suporte no RouterOS é recente e limitado [CONFIRMAR na versão atual do RouterOS]. Para clientes com dois caminhos ativos, confira em laboratório os tipos de rota suportados antes de planejar.
Serviços ligados a este guia
- Projeto de rede LTE privativa para provedores Rádio e wireless
- Implantação de MPLS para provedores Backbone e switching
- Projeto de rede metro ethernet para provedores Backbone e switching
Fontes
- RFC 7432, BGP MPLS-Based Ethernet VPN: especificação do EVPN sobre MPLS.
- RFC 8365, A Network Virtualization Overlay Solution Using EVPN: EVPN com VXLAN e outros encapsulamentos.