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Guia técnico · Roteamento interno

Configuração de IS-IS: guia prático para provedores

Configuração de IS-IS: é montar o roteamento interno do provedor com um protocolo só para IPv4 e IPv6, em nível 2 apenas, com métricas largas e enlaces ponto a ponto. Ele cumpre o mesmo papel do OSPF, que é carregar loopbacks e enlaces, e costuma ser escolhido por redes que querem crescer sem trocar de protocolo depois.

Resumo

  • O IS-IS trata IPv4 e IPv6 dentro do mesmo protocolo, com uma vizinhança e um banco de dados só.
  • Para provedor regional, o desenho mais simples usa só o nível 2, que equivale à área de backbone.
  • O endereço NET identifica cada roteador e pode ser derivado do loopback para evitar repetição.
  • A migração a partir do OSPF pode ser feita sem parar a rede, com os dois rodando juntos por um tempo.

Por que escolher IS-IS no provedor

O IS-IS junta IPv4 e IPv6 num protocolo só e escala bem em redes que crescem. Por isso aparece com frequência em backbones de operadoras e em provedores que planejam segment routing.

O IS-IS nasceu fora do mundo IP e por isso trata IPv4 e IPv6 como dois tipos de informação dentro do mesmo protocolo. Uma vizinhança, um banco de dados e dois tipos de rota, em vez de dois protocolos separados.

Ele também é a base de tecnologias como segment routing, comuns em backbones maiores. A escolha do protocolo interno faz parte dos serviços de BGP e roteamento para provedores, porque o BGP depende dele para alcançar os loopbacks.

Comparação entre OSPF e IS-IS para o roteamento interno de provedores
ItemOSPFIS-IS
IPv4 e IPv6Dois protocolos, v2 e v3Um protocolo para os dois
Conhecimento das equipesMais comumMenos comum
EscalaBoaMuito boa
Base para segment routingSimSim, mais usado

O ponto fraco é o conhecimento da equipe. Muitos técnicos aprenderam OSPF primeiro, e um protocolo pouco conhecido pode atrasar o diagnóstico numa queda de madrugada.

Como funciona a configuração de IS-IS?

A configuração de IS-IS exige três peças: um processo com o endereço NET do roteador, o nível de operação e a ativação do protocolo em cada interface que deve participar.

  • Processo: define o NET, o nível, o estilo de métrica e a autenticação.
  • Interfaces: cada enlace interno e o loopback recebem o IS-IS para IPv4 e IPv6.
  • Vizinhança: dois roteadores no mesmo nível e com MTU igual trocam o banco de dados.

Diferente do OSPF, o IS-IS não roda sobre IP: ele fala direto na camada de enlace. Isso o deixa menos exposto a pacotes forjados vindos de fora, mas exige MTU coerente nas duas pontas.

Decisões de desenho antes de configurar

O desenho mais simples para provedor usa só o nível 2, métricas largas e enlaces ponto a ponto. Níveis 1 e 2 juntos só fazem sentido em redes muito grandes.

  • Nível 2 apenas: um domínio só, fácil de operar.
  • Métricas largas: permitem custos maiores que 63 e diferenciam enlaces rápidos.
  • Enlaces ponto a ponto: sem eleição de roteador designado.
  • Loopback passivo: anunciado no IS-IS, sem vizinhança nele.
  • Endereço NET padronizado: derivado do loopback, para identificar cada roteador.
  • Autenticação: impede vizinhança com equipamento desconhecido.

Defina também o que fica fora do IS-IS. Blocos de clientes, rotas do trânsito e do IX.br viajam no BGP; o protocolo interno carrega só loopbacks e enlaces.

Como definir as métricas dos enlaces

A métrica decide por onde o tráfego interno passa quando há mais de um caminho. Uma tabela fixa por velocidade evita que cada técnico escolha um número diferente.

Exemplo de tabela de métricas por velocidade de enlace
EnlaceMétrica sugeridaUso
100G10Núcleo e anéis principais
10G100Ligação entre POPs
1G1000Enlaces de acesso e reserva

Os valores da tabela são uma convenção de exemplo, não uma regra do protocolo [CONFIRMAR com o desenho da rede]. O importante é a equipe inteira usar a mesma referência.

Configuração de IS-IS passo a passo

No exemplo, o NET 49.0001.0102.5500.0001.00 vem do loopback 10.255.0.1, escrito com zeros à esquerda e separado em grupos de quatro dígitos. A sintaxe é de Cisco IOS-XE.

  1. NET: escreva o loopback com três dígitos por octeto e separe em grupos de quatro, após a área.
  2. Processo: crie o processo em nível 2, com métricas largas e autenticação.
  3. Loopback: ative o IS-IS para IPv4 e IPv6 e deixe a interface passiva.
  4. Enlaces: ative o protocolo, defina o tipo ponto a ponto e a métrica de cada enlace.
  5. Conferência: veja as vizinhanças, o banco de dados e as rotas nos dois protocolos.
IS-IS nível 2 com IPv4 e IPv6 em sintaxe Cisco IOS-XE
router isis CORE
 net 49.0001.0102.5500.0001.00
 is-type level-2-only
 metric-style wide
 log-adjacency-changes
 passive-interface Loopback0
 authentication mode md5 level-2
 authentication key-chain ISIS-CHAVE level-2
 address-family ipv6
  multi-topology
!
interface Loopback0
 ip address 10.255.0.1 255.255.255.255
 ipv6 address 2001:db8:ff::1/128
 ip router isis CORE
 ipv6 router isis CORE
!
interface TenGigabitEthernet0/0/0
 ip address 10.0.0.1 255.255.255.254
 ipv6 address 2001:db8:0:1::1/127
 ip router isis CORE
 ipv6 router isis CORE
 isis network point-to-point
 isis metric 100 level-2

Multi-topology

Com multi-topology, IPv4 e IPv6 podem ter caminhos diferentes. Sem ela, todos os enlaces precisam ter os dois protocolos ativos, ou o IPv6 perde rotas.

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O que cada linha do exemplo faz

O processo CORE concentra as decisões globais, e as interfaces só dizem quem participa. Assim, mudar a autenticação ou o nível é feito num lugar só.

  • Is-type level-2-only: o roteador forma vizinhança só em nível 2.
  • Metric-style wide: libera as métricas largas, acima de 63.
  • Passive-interface Loopback0: anuncia o loopback sem tentar vizinhança nele.
  • Isis network point-to-point: dispensa a eleição de roteador designado no enlace.

Quando vale migrar do OSPF para o IS-IS?

Vale migrar quando a rede vai crescer muito, quando IPv6 virou parte do dia a dia ou quando segment routing está no plano. Se o OSPF atende e a equipe o domina, manter é uma escolha legítima.

A migração pode ser feita sem parar a rede, rodando os dois protocolos juntos por um tempo. Nos equipamentos Cisco, a distância administrativa padrão do IS-IS já é maior que a do OSPF, o que ajuda no primeiro passo.

  1. IS-IS em paralelo: com distância administrativa maior que a do OSPF, ele não muda nada ainda.
  2. Comparação das tabelas: cada roteador deve ver as mesmas rotas nos dois protocolos.
  3. Inversão da preferência: deixe o IS-IS com distância menor, um roteador por vez.
  4. Retirada do OSPF: depois de alguns dias estável, desligue o OSPF.

Se a sua equipe ainda está decidindo, veja a configuração de OSPF. Com o roteamento interno pronto, siga para a configuração de iBGP e a implantação de route reflector.

Cuidados durante a janela de migração

Inverta a preferência fora do horário de pico e com acesso de console aos roteadores remotos. Se a vizinhança não subir, o OSPF ainda segura o tráfego.

Monitore as sessões iBGP do roteador de borda durante cada inversão. Se um loopback some por um instante, as sessões caem e as rotas externas somem junto.

Erros comuns na configuração de IS-IS

Os erros mais comuns vêm de detalhes que o OSPF não tem, como o NET e o estilo de métrica. Todos são fáceis de evitar com uma lista de conferência.

Evite

  • NET repetido em dois roteadores.
  • Métricas estreitas, que limitam o custo a 63.
  • Single-topology com enlaces sem IPv6, que somem com rotas IPv6.
  • MTU diferente entre as pontas, que impede a vizinhança.
  • Autenticação configurada só de um lado do enlace.

O NET repetido é o mais traiçoeiro, porque os dois roteadores brigam pelo mesmo registro no banco de dados. As rotas aparecem e somem sem motivo aparente até alguém comparar as configurações.

Exemplo: vizinhança que não sobe num enlace novo

Um provedor liga um POP novo por um enlace de 10G, ativa o IS-IS nas duas pontas e a vizinhança fica parada, sem chegar ao estado Up. O OSPF, no mesmo enlace, funcionava.

  1. Primeira suspeita: o nível; uma ponta estava em nível 1 e 2, a outra só em nível 2, mas isso ainda formaria vizinhança.
  2. Segunda suspeita: a autenticação; a chave estava igual nas duas pontas.
  3. Causa encontrada: a MTU de um lado era menor, e o IS-IS descartava os pacotes de saudação maiores.
  4. Correção: a MTU igualada nas duas pontas fez a vizinhança subir em seguida.

O OSPF tolerava a diferença porque a checagem dele é outra, e por isso o problema só apareceu na troca de protocolo. Anote a MTU de cada enlace no desenho da rede antes de migrar.

Checklist de validação do IS-IS

Confira vizinhos, banco de dados e rotas em cada roteador depois de configurar. Depois, derrube um enlace numa janela combinada e veja o tráfego ir para o caminho reserva.

Confira depois de configurar o IS-IS

  • Todas as vizinhanças estão no estado Up em nível 2.
  • O banco de dados tem um registro para cada roteador.
  • Loopbacks IPv4 e IPv6 de todos os roteadores aparecem nas tabelas.
  • A queda de um enlace desvia o tráfego para o caminho reserva.
  • Nenhum bloco de cliente ou rota externa entrou no IS-IS.

Com todos os itens marcados, o IS-IS está pronto para sustentar o iBGP. Guarde a saída dos comandos como referência para a próxima mudança.

  • Vizinhos: o show isis neighbors lista cada vizinho, o nível e o estado.
  • Banco de dados: o show isis database mostra um registro por roteador do domínio.
  • Rotas: o show ip route isis e o show ipv6 route isis confirmam os loopbacks nos dois protocolos.

A Táquion Tech planeja a migração do OSPF para o IS-IS por etapas, com comparação de tabelas antes de cada inversão e plano de volta escrito.

Perguntas frequentes sobre configuração de IS-IS

O IS-IS é superior ao OSPF para provedor?

Não necessariamente. O IS-IS escala bem e junta IPv4 e IPv6, enquanto o OSPF é mais conhecido pelas equipes; os dois servem a um provedor regional.

O que é o endereço NET no IS-IS?

É o identificador do roteador no IS-IS, com área, ID do sistema e um seletor final igual a 00. Cada roteador precisa de um NET único no domínio.

Preciso usar os níveis 1 e 2 juntos?

Em provedores regionais, quase nunca. Nível 2 apenas é o desenho mais simples e atende redes com dezenas de roteadores.

Dá para migrar do OSPF sem parar a rede?

Dá, rodando os dois em paralelo e invertendo a preferência um roteador por vez. O OSPF só sai depois de alguns dias de operação estável.

O IS-IS substitui o BGP dentro da rede?

Não. O IS-IS carrega loopbacks e enlaces, e o BGP interno carrega blocos de clientes e rotas externas por cima dele.

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 1195, Use of OSI IS-IS for Routing in TCP/IP: IS-IS integrado para redes IP.
  2. RFC 5305, IS-IS Extensions for Traffic Engineering: métricas largas.
  3. RFC 5308, Routing IPv6 with IS-IS: IPv6 no IS-IS.

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