Guia de diagnóstico · Capacidade
Internet lenta no horário de pico: causas, diagnóstico e quando chamar um Especialista
Internet lenta no horário de pico: a rede funciona, mas algum trecho entre o assinante e a internet não tem banda para todos ao mesmo tempo. O primeiro passo é ver se a lentidão atinge toda a base, o que aponta para link de trânsito, concentrador ou CGNAT, ou só uma região, o que aponta para porta PON, uplink da OLT ou rádio.
Resumo
- A lentidão que aparece só à noite é falta de capacidade num trecho, e não defeito de equipamento.
- Toda a base lenta aponta para a saída, o concentrador ou o CGNAT; uma região lenta aponta para o acesso.
- Uma porta GPON entrega cerca de 2,5 Gbps de descida divididos entre todas as ONUs ligadas a ela.
- Aumentar o link sem medir cada trecho pode gastar dinheiro e deixar o assinante tão lento quanto antes.
Por que a internet fica lenta no horário de pico?
Porque entre o assinante e a internet há vários trechos que dividem banda, e basta um deles ficar pequeno para todos depois dele sentirem. De madrugada sobra espaço; às nove da noite, todo mundo usa ao mesmo tempo.
Internet lenta no horário de pico é um sintoma de capacidade, não de defeito. O equipamento que entrega 300 Mbps a um assinante sozinho de madrugada é o mesmo que precisa dividir a banda com centenas de vizinhos quando todos abrem vídeo, jogo e chamada depois do jantar.
Por isso, aumentar o link de trânsito nem sempre resolve. O diagnóstico técnico de rede para provedores mede cada trecho no horário ruim e mostra qual está no limite. Se a lentidão virou queda e o atendimento parou, peça atendimento de emergência para a sua rede primeiro.
Os trechos que dividem banda na rede do provedor
O caminho do tráfego passa por cinco pontos de divisão, do assinante até a saída. Cada um tem um limite próprio, e o mais apertado define a velocidade de todos que passam por ele.
1 · Acesso
Porta PON
Todas as ONUs da porta dividem a mesma banda de descida e de subida.
2 · Agregação
Uplink da OLT
Liga a OLT ao switch ou ao concentrador e soma o tráfego de todas as portas.
3 · Sessão
Concentrador e CGNAT
Autentica, aplica o plano de cada assinante e traduz endereços, gastando CPU e portas.
4 · Saída
Borda e trânsito
Links de trânsito, IX.br e caches entregam o tráfego que vem de fora da rede.
O Wi-Fi da casa é um sexto trecho, fora da rede do provedor, que aparece em reclamações isoladas e precisa ser descartado com um teste por cabo.
Por que a média diária esconde o problema
Gráfico com média de um dia inteiro mistura a madrugada vazia com o pico cheio e mostra um link folgado. O que importa é o tráfego em intervalos curtos, de cinco minutos ou menos, justamente no horário da reclamação.
Se o monitoramento só guarda médias longas, a primeira providência é mudar o intervalo de coleta. Sem isso, a equipe olha o gráfico, vê folga e conclui que o problema está no assinante.
Internet lenta no horário de pico: causa por ordem de probabilidade
As causas estão na ordem do que mais aparece em provedor regional. As três primeiras afetam toda a base; as outras, uma região ou clientes isolados.
- Link de trânsito no limite: o pico encosta na banda contratada e os pacotes entram em fila ou são descartados.
- Concentrador ou CGNAT sem folga: CPU alta, filas por assinante pesadas ou portas de NAT esgotadas no pico.
- Cache de conteúdo fora ou pequeno: o vídeo que deveria vir de dentro da rede passa a vir pelo trânsito.
- Porta PON cheia: clientes demais, ou planos grandes demais, dividindo a mesma porta.
- Uplink da OLT ou do POP no limite: o caminho entre a OLT e o concentrador ficou pequeno para a região.
- Rádio de transporte saturado: o enlace que leva um bairro ou uma cidade até o POP chegou ao teto.
- Wi-Fi do cliente: roteador em 2,4 GHz e vizinhos no mesmo canal; aparece em reclamações isoladas.
Porta GPON tem limite fixo
Pela recomendação ITU-T G.984.1, uma porta GPON entrega cerca de 2,5 Gbps de descida, divididos entre todas as ONUs dela. Com dezenas de clientes em planos grandes, a porta enche no pico mesmo com tudo funcionando.
Toda a base ou só uma região?
A primeira pergunta corta a lista pela metade. Se clientes de OLTs e cidades diferentes reclamam juntos, o gargalo está num ponto que todos compartilham, perto da saída.
Se só um bairro, uma OLT ou uma porta reclama, o problema está no acesso ou na agregação daquela região. Já o cliente isolado, com vizinhos satisfeitos, quase sempre é Wi-Fi, roteador ou cabo dentro de casa.
Como identificar o gargalo no horário ruim
Cruze o mapa de quem reclama com os gráficos de cada trecho, no mesmo horário. Comece pelo trecho mais perto da internet e desça até o assinante.
| O que você vê | Causa provável | Onde olhar |
|---|---|---|
| Toda a base lenta e o link de saída encostado no teto | Link de trânsito | Gráfico da interface de borda |
| Toda a base lenta, link com folga e CPU alta | Concentrador ou CGNAT | CPU, sessões e portas de NAT |
| Lentidão só em vídeo, com o cache sem tráfego | Cache de conteúdo | Tráfego entregue por cada cache |
| Clientes de uma porta lentos, porta perto do limite | Porta PON cheia | Gerência da OLT |
| Uma região inteira lenta e o uplink da OLT cheio | Uplink da OLT ou do POP | Interface entre OLT e switch |
| Clientes isolados, cabo rápido e Wi-Fi lento | Wi-Fi do cliente | Teste com cabo na ONU |
Quando o link de saída é o gargalo, nem sempre a resposta é comprar mais banda. Às vezes o tráfego pode ser redistribuído entre trânsito e IX.br com ajustes de BGP; o guia sobre link de trânsito saturado mostra como separar uma situação da outra.
Não sabe qual trecho está no limite?
O diagnóstico técnico de rede mede cada trecho no horário de pico e entrega uma lista curta do que corrigir primeiro, com a prova de cada item.
Exemplo: base lenta com o link de saída folgado
Um caso frequente confunde a equipe porque o gráfico da borda mostra folga. Toda noite, assinantes de todas as cidades reclamam de páginas que demoram a abrir e jogos travando.
- Saída: o link de trânsito chega a pouco mais da metade da capacidade no pico, o que descarta a banda contratada.
- Concentrador: a CPU passa dos 90% no mesmo horário e as filas por assinante disputam o processador [CONFIRMAR limite do fabricante].
- CGNAT: os blocos de portas por assinante esgotam em quem usa muitos aplicativos, e novas conexões falham.
- Correção: dividir os assinantes em mais de um concentrador e revisar o tamanho dos blocos de portas.
Nesse cenário, comprar mais link não mudaria nada. O guia sobre concentrador PPPoE com CPU em 100% mostra o que olhar quando a suspeita é o processador.
Internet lenta no horário de pico: o que fazer
Meça no horário em que a reclamação acontece e siga do trecho mais perto da internet até a casa do assinante. Com o trecho achado, a correção pode ser simples ou pedir projeto.
- Mapeie as reclamações: anote região, OLT e porta PON de cada cliente que reclama de lentidão.
- Olhe a saída: veja o pico dos links de trânsito e do IX.br no horário ruim, em intervalos curtos.
- Olhe o concentrador: anote CPU, número de sessões e uso das portas de NAT no pico.
- Confira os caches: veja se cada cache entrega o tráfego esperado ou se caiu sem ninguém notar.
- Desça para a região: veja o uplink da OLT, o rádio de transporte e as portas PON de quem reclama.
- Teste com cabo: em clientes isolados, compare cabo e Wi-Fi antes de culpar a rede.
Correção simples ou correção de projeto
Nem todo gargalo pede investimento grande. A lista abaixo separa o que costuma se resolver com ajuste do que exige compra ou mudança de arquitetura.
- Ajuste rápido: religar um cache que caiu, redistribuir tráfego por BGP ou mover clientes para uma porta PON com folga.
- Ajuste médio: dividir uma porta PON, aumentar o uplink da OLT ou revisar as filas do concentrador.
- Projeto: trocar ou somar concentradores, contratar mais trânsito ou migrar parte da rede para XGS-PON.
Ordenar as correções pelo ganho que trazem evita gastar primeiro no que aparece mais e resolve menos. Uma mudança pequena no ponto certo costuma valer mais que uma compra grande no ponto errado.
Erros que só mudam o gargalo de lugar
Os erros mais comuns atacam o trecho mais visível em vez do trecho mais cheio. O resultado é dinheiro gasto e assinante reclamando do mesmo jeito.
Evite
- Aumentar o link de trânsito sem medir. Se o gargalo é a porta PON, nada muda para o cliente.
- Baixar a velocidade de todos os planos no pico, sem avisar os assinantes.
- Trocar a ONU dos clientes que reclamam quando a região inteira está lenta.
- Confiar em teste de velocidade feito no Wi-Fi do cliente para medir a rede.
- Olhar só gráficos de média diária, que escondem o pico.
Outro erro é tratar a lentidão como assunto do atendimento. Enquanto o N1 pede para o cliente reiniciar o roteador, o trecho cheio continua cheio, e as reclamações crescem a cada mês junto com a base.
Quando vale chamar um Especialista?
Vale chamar quando a lentidão se repete toda noite e a equipe não acha o trecho, ou quando ela aparece junto com quedas. O checklist abaixo ajuda a decidir.
Marque o que acontece hoje no seu provedor
- A reclamação de lentidão volta toda noite há mais de duas semanas.
- O link foi aumentado e a reclamação continuou.
- O monitoramento só mostra médias longas, sem o pico.
- Ninguém sabe dizer quantas portas de NAT cada assinante usa.
- Clientes empresariais reclamam do mesmo horário.
- A lentidão às vezes vira queda de sessões.
Três marcas ou mais indicam que falta medição por trecho. Nesse ponto, um diagnóstico curto sai mais em conta do que tentar correções no escuro.
A Táquion Tech faz o diagnóstico de forma remota para provedores de todo o Brasil, com coleta de configurações, gráficos e alarmes, e indica a correção de maior ganho para cada trecho. Quando o caso pede mudança na borda ou no concentrador, ele segue para o suporte técnico N3.
Se o provedor vende link dedicado, lentidão no pico também afeta o SLA dos contratos empresariais. Se a rede cai em dias de chuva, veja fibra cai quando chove; se os clientes reclamam de bloqueio em sites, e não de lentidão, veja IP do provedor em blacklist.
Perguntas frequentes sobre internet lenta no horário de pico
Aumentar o link resolve a lentidão no pico?
Só se o gargalo for o link de saída. Se a porta PON, o uplink da OLT ou o concentrador estiverem cheios, o assinante continua lento mesmo com mais banda contratada.
Quantos clientes cabem numa porta GPON?
Depende dos planos e de quanto cada cliente usa no pico. A porta entrega cerca de 2,5 Gbps de descida, divididos entre todos, e o limite prático sai do tráfego medido em cada porta.
Como saber se a lentidão é da rede ou do Wi-Fi?
Teste com cabo direto na ONU, no mesmo horário da reclamação. Se pelo cabo está rápido, o problema é o Wi-Fi da casa, e não a rede do provedor.
O CGNAT deixa a internet mais lenta à noite?
O CGNAT não reduz a banda, mas pode falhar quando faltam portas ou CPU no pico. O assinante sente como páginas que não abrem, jogos travando e aplicativos que perdem a conexão.
Cache de conteúdo ajuda na lentidão do pico?
Ajuda quando o gargalo é o trânsito, porque o vídeo passa a vir de dentro da rede. Não ajuda quando o trecho cheio é a porta PON ou o uplink da OLT, que carregam o tráfego do cache também.
Serviços ligados a este guia
- Conectividade rural para empresas Redes industriais e IoT
- Implantação de cache Netflix para provedores BGP e roteamento
- Diagnóstico técnico de rede para provedores Consultoria e auditoria
- Balanceamento de portas PON para provedores OLT e rede de acesso
- Análise de interferência para provedores Rádio e wireless
- Migração de rede de rádio para fibra para provedores Rádio e wireless
Fontes
- ITU-T G.984.1, GPON general characteristics: velocidade de descida e de subida de uma porta GPON.
- RFC 6888, Common Requirements for Carrier-Grade NATs: limites de portas e sessões que afetam o CGNAT no pico.
- IX.br, troca de tráfego no Brasil: alternativa ao trânsito para o tráfego trocado com outras redes.