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Configuração de filas de tráfego: guia prático para provedores

Configuração de filas de tráfego: é definir como o concentrador segura a velocidade de cada assinante no limite do plano e o que faz com os pacotes que passam desse limite. Com o tipo certo de fila, jogo e chamada de vídeo seguem estáveis mesmo quando alguém baixa um arquivo pesado na mesma conexão.

Resumo

  • O plano define a velocidade, mas é o tipo de fila que decide se a latência dispara quando a conexão enche.
  • [object Object]
  • Gestão ativa de fila, como FQ-CoDel ou CAKE, separa os fluxos e mantém a latência baixa sob carga.
  • Fila de cliente não resolve uplink cheio; quando todos ficam lentos juntos, o gargalo está antes do concentrador.

Como funciona a configuração de filas de tráfego?

Todo plano tem um limite, e o pacote que chega acima dele precisa esperar numa fila ou ser descartado. A configuração escolhe o tamanho dessa espera, a ordem de saída e quem perde pacote primeiro.

Quando o assinante baixa um arquivo grande, a conexão dele enche até o limite do plano. A partir daí, cada pacote novo, inclusive o do jogo ou da chamada, entra na mesma fila e espera a vez de sair.

A fila de cada cliente fica no concentrador, tema do BNG para provedores. Escolher o tipo certo de fila muda a experiência do assinante sem mudar a velocidade vendida no plano.

Tipos de fila e o efeito na conexão do cliente
Tipo de filaComo funcionaEfeito
FIFO simplesPrimeiro que chega, primeiro que saiLatência alta com download pesado
PCQDivide a banda entre endereçosJusta entre clientes, sem cuidar da latência
FQ-CoDelSepara os fluxos e controla o tempo na filaLatência baixa com a conexão cheia
CAKEFQ-CoDel com limitação embutidaBom resultado com pouca configuração

Por que fila grande aumenta a latência

Uma fila grande demais segura os pacotes por muito tempo antes de descartar algum. O TCP só reduz o ritmo quando percebe perda, então a fila fica cheia e cada pacote novo espera atrás dela.

O resultado tem nome: bufferbloat. O teste de velocidade mostra o plano inteiro, mas o ping sobe de dezenas para centenas de milissegundos enquanto o download roda [CONFIRMAR com medição na rede].

Onde a fila de cada cliente fica

O lugar natural é o concentrador, porque é ali que a sessão de cada assinante termina e o plano é conhecido. Na sessão PPPoE, o concentrador sabe a velocidade contratada assim que o login é aprovado.

Num BNG, as filas por plano rodam em hardware e podem ser hierárquicas: a fila do assinante fica dentro da fila da OLT ou da porta. Em concentradores em software, cada fila consome processador.

Policer ou shaper: como escolher o limitador?

O policer descarta tudo que passa do limite, sem fila, e o shaper guarda o excesso numa fila e solta no ritmo do plano. Para acesso residencial, o shaper com gestão ativa de fila costuma dar a experiência mais estável.

Os dois limitam a velocidade, mas o assinante sente a diferença. A tabela compara os três arranjos mais comuns em concentradores de provedor regional.

Limitadores de velocidade e o que o assinante sente
LimitadorComo trata o excessoO que o assinante sente
PolicerDescarta na horaVelocidade em serra, download que não estabiliza
Shaper com FIFOGuarda numa fila sem controleVelocidade estável e latência alta sob carga
Shaper com FQ-CoDel ou CAKEGuarda e descarta cedo por fluxoVelocidade estável e latência baixa

O policer ainda tem lugar como proteção, por exemplo num link de entrega a um cliente corporativo. Para o plano residencial, ele tende a gerar reclamação de velocidade que oscila no teste.

FQ-CoDel ou CAKE?

O FQ-CoDel separa os fluxos em filas pequenas e descarta cedo os pacotes que ficaram tempo demais esperando. Pela RFC 8290, os valores padrão são 5 ms de alvo e 100 ms de intervalo, e raramente precisam de ajuste.

O CAKE junta o limitador, a separação por fluxo e por endereço numa só configuração. Ele simplifica a configuração em Linux, mas pesa mais no processador em bases grandes [CONFIRMAR com teste de carga].

Configuração de filas de tráfego passo a passo

A configuração de filas de tráfego exige primeiro decidir onde a fila fica e qual o tipo dela, e só depois ajustar velocidades. O tipo de fila importa mais do que pequenos ajustes de limite.

  1. Lugar da fila: no concentrador, por cliente, onde fica o limite do plano.
  2. Tipo de fila: FQ-CoDel ou CAKE no lugar da FIFO padrão.
  3. Velocidade pelo RADIUS: o plano muda sem editar o concentrador.
  4. Folga no uplink: confirme que o gargalo não está antes da fila.
  5. Medição sob carga: compare a latência com e sem download pesado.

O exemplo cria um tipo de fila FQ-CoDel e aplica num cliente com plano de 300 Mbps de descida e 100 Mbps de subida. O endereço 100.64.10.25 é da faixa compartilhada que segue depois para o CGNAT.

Fila FQ-CoDel por cliente no RouterOS 7
/queue type
add name=fq-codel-clientes kind=fq-codel

/queue simple
add name=cliente-1234 target=100.64.10.25/32 \
    max-limit=100M/300M \
    queue=fq-codel-clientes/fq-codel-clientes

Em max-limit, o primeiro valor é a subida e o segundo é a descida. Inverter os dois é um dos erros mais comuns, porque o cliente passa a ter 100 Mbps de descida e 300 Mbps de subida sem ninguém notar até a reclamação.

Em Linux

Concentradores em Linux usam tc com cake ou fq_codel. O CAKE já inclui o limitador e separa os fluxos por endereço, o que simplifica a configuração.

Filas pesando no concentrador a cada mês?

No projeto de BNG, um Especialista leva as filas por plano para hardware, hierárquicas e trocadas pelo RADIUS, com o pico medido antes e depois.

Pedir proposta de implantação de BNG

Velocidade entregue pelo RADIUS

Com PPPoE e RADIUS, o atributo de velocidade cria a fila do cliente sozinho no momento do login. O tipo de fila padrão do perfil define se ela será FQ-CoDel ou FIFO.

Assim, trocar o plano no sistema de gestão muda a fila na próxima conexão, sem ninguém editar o concentrador. Revise o perfil uma vez e todos os clientes novos já entram com a fila certa.

A fila precisa cobrir o IPv6 do cliente

Uma fila presa a um único IPv4, como a do exemplo, não limita o tráfego IPv6 do mesmo assinante. Em dual stack, o cliente pode passar do plano por esse caminho.

A fila criada pela sessão PPPoE costuma ter como alvo a interface da sessão, o que cobre os dois protocolos [CONFIRMAR no manual do RouterOS]. Em filas manuais, inclua o prefixo IPv6 do cliente no alvo.

Quando o problema não é a fila?

Se todos os clientes ficam lentos no mesmo horário, a fila de cada um não é a causa. O gargalo está no uplink, no trânsito ou no próprio processador do concentrador.

A fila de cliente só trabalha dentro do plano dele. Quando o link de trânsito enche, os pacotes esperam numa fila que fica fora do alcance das filas por assinante, e todo mundo sente junto.

Veja internet lenta no horário de pico para separar esse caso, e o guia de link de trânsito saturado para o que fazer quando a borda é o gargalo. A implantação de IPFIX mostra quem está usando a banda.

Peso das filas no processador

Em concentradores em software, cada fila consome processador, e o peso cresce com planos maiores e mais assinantes. No pico, a CPU no limite atrasa pacotes de todos, mesmo com as filas bem configuradas.

O guia sobre concentrador PPPoE com CPU em 100% mostra como medir esse peso. Dimensione o concentrador com as filas ativas, e não só pelo número de sessões.

Erros comuns nas filas do concentrador

Os erros mais comuns deixam o cliente com a velocidade certa no teste e a experiência ruim no uso. Por isso eles passam despercebidos até a reclamação de jogo ou de chamada.

Evite

  • Fila FIFO com tamanho padrão em todos os clientes.
  • Limite aplicado em equipamento depois do gargalo.
  • Subida e descida invertidas no max-limit.
  • Tentar resolver uplink cheio com filas de cliente.
  • Medir só velocidade, sem latência sob carga.
  • Fila presa ao IPv4 em cliente dual stack.

O limite aplicado depois do gargalo é o mais difícil de enxergar. Se o tráfego já se acumulou num switch ou num rádio antes de chegar ao concentrador, a fila dele não tem mais o que controlar.

Rajada configurada sem critério

Muitos concentradores permitem uma rajada acima do plano nos primeiros segundos. Bem usada, ela deixa a página abrir mais rápido; mal usada, faz o teste mostrar um número que o plano não sustenta.

Se usar rajada, documente o valor por plano e explique ao atendimento. Assim o N1 não estranha um teste de velocidade acima do contratado nos primeiros segundos.

Checklist de validação das filas

Valide com um cliente piloto e a conexão cheia, medindo latência ao mesmo tempo que a velocidade. Sem carga, toda fila parece boa.

Confira num cliente piloto com download pesado rodando

  • O teste de velocidade bate com o plano, na subida e na descida.
  • A latência sobe pouco durante o download pesado.
  • O jogo e a chamada de vídeo seguem estáveis com download na mesma conexão.
  • Uma troca de plano no RADIUS muda a fila sem intervenção manual.
  • O tráfego IPv6 do cliente respeita o mesmo limite do IPv4.
  • A CPU do concentrador segue com folga no pico com as filas ativas.

Se a latência dobrar sob carga, a fila ainda está grande demais ou o gargalo está em outro ponto. Corrija antes de aplicar o perfil a toda a base.

A Táquion Tech configura as filas por plano no concentrador ou no BNG, mede a latência sob carga num cliente piloto e só então leva o perfil para os demais.

Na prática: jogo travando num plano de 300 Mbps

Um caso típico mostra como a fila aparece no atendimento. O assinante reclama que o jogo trava à noite, mas o teste de velocidade sempre mostra o plano inteiro.

  1. Atendimento: o N1 confirma que o teste bate com o plano e que o roteador está atualizado, e passa o caso adiante.
  2. Medição: com um download rodando em outro aparelho da casa, o ping do jogo sobe muito acima do valor com a conexão ociosa.
  3. Causa: a fila do cliente no concentrador é FIFO com tamanho padrão, e o download ocupa a fila inteira.
  4. Ajuste: o perfil do plano passa a usar FQ-CoDel, e a próxima conexão do cliente já entra com a fila nova.
  5. Conferência: o mesmo teste com download pesado mostra a latência quase igual à da conexão ociosa.

Se o mesmo teste falhar em vários clientes ao mesmo tempo, o problema deixa de ser fila de assinante. Aí vale olhar o uplink e o trânsito antes de mexer em mais perfis.

Perguntas frequentes sobre configuração de filas de tráfego

FQ-CoDel deixa a internet mais lenta?

Não. A velocidade é a mesma; o que muda é a latência quando a conexão está cheia.

Ainda vale usar PCQ no provedor?

O PCQ divide a banda de forma justa entre endereços, mas não cuida da latência. Fila por cliente com FQ-CoDel faz a divisão e também controla a espera de cada pacote.

As filas pesam no processador do concentrador?

Pesam, principalmente com muitos clientes e planos altos. Dimensione o concentrador com as filas ativas, ou leve as filas para um BNG em hardware.

O que é bufferbloat na prática?

É a latência alta causada por filas grandes demais, que aparece quando a conexão está cheia. Filas com gestão ativa resolvem a maior parte dos casos.

Como medir latência sob carga num cliente?

Rode um download pesado e, ao mesmo tempo, um ping contínuo para um destino estável. Compare com o ping da conexão ociosa: se a diferença for grande, a fila precisa de ajuste.

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 8290, The Flow Queue CoDel Packet Scheduler and Active Queue Management Algorithm: especificação do FQ-CoDel.
  2. RFC 7567, IETF Recommendations Regarding Active Queue Management: recomendação de gestão ativa de fila.

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