Guia de comparação · Dual stack
Dual stack ou CGNAT: critérios para decidir, para provedores
Dual stack ou CGNAT não é uma escolha entre dois caminhos: o CGNAT resolve a falta de IPv4 e o dual stack leva o IPv6 até a casa sem tirar o IPv4. A decisão real é entre só CGNAT, dual stack com CGNAT, dual stack com IPv4 público ou rede só IPv6, e para a maioria dos provedores regionais vence o dual stack com CGNAT.
Resumo
- O CGNAT divide o IPv4 entre assinantes; o dual stack entrega IPv4 e IPv6 juntos, e os dois costumam andar em par.
- Só CGNAT, sem IPv6, deixa todo o tráfego na tradução e encarece portas, CPU e registro com o crescimento da base.
- Dual stack com IPv4 público vence só quando o estoque de endereços cobre a base e o crescimento previsto.
- Rede só IPv6, com o IPv4 entregue como serviço, é o passo seguinte para quem já não tem IPv4 nem para o lado de fora.
Dual stack ou CGNAT: por que a pergunta engana
A pergunta engana porque os dois resolvem problemas diferentes e quase sempre trabalham juntos. O CGNAT cuida do IPv4 que falta; o dual stack cuida do IPv6 que ainda não chegou ao assinante.
Dual stack é o modo em que o assinante recebe IPv4 e IPv6 na mesma conexão, e o aparelho escolhe qual usar para cada destino. O CGNAT só diz respeito à metade IPv4 dessa conexão: se o provedor não tem um IPv4 público para cada casa, essa metade sai traduzida.
Por isso, na maior parte das redes, o resultado é dual stack com CGNAT. A implantação de dual stack mantém o IPv4 atrás do CGNAT como já está e acrescenta o prefixo IPv6, que sai direto, sem tradução e sem ocupar porta.
O que cada um resolve e o que não resolve
O CGNAT resolve a falta de IPv4, mas cria custo de equipamento, registro de porta e problemas para quem precisa receber conexões. O dual stack não economiza IPv4 sozinho, mas tira do CGNAT tudo o que pode sair em IPv6.
- CGNAT resolve: crescer a base com poucos IPv4 públicos.
- CGNAT não resolve: câmera, servidor e jogo que precisam ser alcançados de fora.
- Dual stack resolve: entrega de IPv6 sem quebrar sites e aplicativos que só falam IPv4.
- Dual stack não resolve: a falta de IPv4, que continua pedindo CGNAT ou compra de bloco.
As quatro combinações possíveis na rede do provedor
Na prática, o provedor escolhe entre quatro combinações de IPv4 e IPv6 para o assinante. Cada uma tem um custo diferente em endereços, equipamento e operação.
| Combinação | IPv4 do assinante | IPv6 do assinante | Onde costuma aparecer |
|---|---|---|---|
| Só CGNAT | Compartilhado, atrás do NAT | Nenhum | Provedor que ainda não ligou o IPv6 na casa |
| Dual stack com CGNAT | Compartilhado, atrás do NAT | Prefixo próprio, direto | A maioria dos provedores regionais |
| Dual stack com IPv4 público | Um endereço por casa | Prefixo próprio, direto | Base pequena com estoque de IPv4 sobrando |
| Só IPv6 com IPv4 como serviço | Tradução ou túnel até o provedor | Prefixo próprio, direto | Rede grande ou sem IPv4 nem para o NAT |
Na última linha entram técnicas como 464XLAT, DS-Lite e MAP-T. Nelas a tradução do IPv4 continua existindo, só que viaja dentro da rede IPv6, como mostra o guia IPv6 tem CGNAT?.
A combinação também pode variar dentro da mesma rede. É comum ter dual stack com CGNAT para residências e dual stack com IPv4 público para planos empresariais, cada grupo num perfil diferente do concentrador.
Tabela de decisão: dual stack ou CGNAT, critério por critério
Compare as três combinações mais comuns pelos critérios que pesam no dia a dia: endereços, carga no NAT, registro, roteador do cliente e serviços de entrada. A tabela mostra onde cada uma ganha e onde perde.
| Critério | Só CGNAT | Dual stack com CGNAT | Dual stack com IPv4 público |
|---|---|---|---|
| IPv4 público necessário | Pouco | Pouco, e cai com o tempo | Um por casa |
| Carga no equipamento de NAT | Todo o tráfego | Só o que não sai em IPv6 | Nenhuma |
| Registro de porta e horário | Todo o tráfego | Só o tráfego IPv4 | Não precisa |
| Câmera e jogo alcançáveis de fora | Não | Sim, pelo IPv6 | Sim, pelos dois |
| Roteador do cliente | Qualquer um | Precisa suportar IPv6 | Precisa suportar IPv6 |
| Trabalho de implantação | Só o NAT | NAT, concentrador, RADIUS e CPE | Concentrador, RADIUS e CPE |
Lendo a tabela, só CGNAT ganha apenas no trabalho de implantação e perde em todo o resto conforme a base cresce. O dual stack com IPv4 público ganha em quase tudo, mas exige um endereço por casa, que é exatamente o recurso que falta.
Seu CGNAT carrega tráfego que podia sair em IPv6?
Na implantação de dual stack, um Especialista liga o IPv6 no concentrador, no RADIUS e nos roteadores da base, em grupos, e mede o alívio do CGNAT a cada etapa.
Só CGNAT ainda faz sentido?
Só faz sentido como etapa temporária, enquanto o concentrador, o RADIUS ou os roteadores dos clientes ainda não estão prontos para IPv6. Mantido por anos, ele faz o provedor pagar em equipamento e registro um tráfego que poderia sair direto.
Há também o lado regulatório: a Anatel acompanha a adoção de IPv6 pelos provedores [CONFIRMAR na norma], e o plano de IPv6 da Anatel reúne o que precisa ser conferido.
Exemplo: dois provedores, duas respostas
Dois provedores hipotéticos mostram como o estoque de IPv4 decide entre dual stack com CGNAT e dual stack com IPv4 público. Os números são de exemplo e servem só para mostrar a conta.
- Provedor A: tem um bloco /22, com 1.024 endereços, e 700 assinantes. Mesmo com crescimento, o estoque cobre a base por um bom tempo.
- Decisão do A: dual stack com IPv4 público, sem CGNAT por enquanto, e o IPv6 ligado agora para não depender do IPv4 no futuro.
- Provedor B: tem um bloco /24, com 256 endereços, e 6.000 assinantes. Não há como dar um IPv4 a cada casa.
- Decisão do B: dual stack com CGNAT, com o pool público dividido entre os assinantes e o IPv6 tirando tráfego da tradução.
O provedor A ainda deve planejar o CGNAT, porque o estoque acaba em algum momento, e comprar IPv4 tem custo alto; o guia sobre quanto custa IPv4 mostra as opções. Para o B, a pergunta seguinte é quantos clientes cabem por IP, tratada no guia de portas por cliente no CGNAT.
Como escolher entre as combinações na sua rede
Três perguntas resolvem a maior parte dos casos. Responda com os números da sua rede, não com o que o fornecedor de equipamento sugere.
- Estoque: o bloco IPv4 próprio cobre a base atual e o crescimento dos próximos anos?
- Prontidão: concentrador, RADIUS e roteadores dos clientes já entregam IPv6 sem ajuste?
- Carga: o CGNAT atual tem folga de CPU, portas e registro no pico?
Estoque curto aponta para CGNAT, prontidão boa aponta para ligar o dual stack já, e CGNAT sem folga aponta para os dois ao mesmo tempo, porque o IPv6 adia a troca do equipamento.
Erros comuns na escolha entre dual stack e CGNAT
Os erros mais comuns vêm de tratar o IPv6 como projeto para depois e o CGNAT como solução final. Os dois juntos é que seguram a base em crescimento.
Evite
- Comprar um equipamento de CGNAT maior sem ligar o IPv6. Parte da capacidade paga carrega tráfego que podia sair direto.
- Ligar IPv6 só na borda. Se o prefixo não chega ao roteador da casa, o CGNAT não alivia nada.
- Entregar prefixo dinâmico a cada conexão. Câmeras e regras do cliente quebram a cada reconexão.
- Esquecer o firewall de entrada do IPv6 no roteador do cliente. Os aparelhos ficam expostos.
- Desligar o CGNAT logo depois do dual stack. Sites e jogos que só falam IPv4 continuam precisando dele.
O prefixo fixo por assinante, entregue por DHCPv6, evita o terceiro erro e facilita o registro; a configuração está no guia de DHCPv6 com prefix delegation.
Dual stack dispensa o CGNAT algum dia?
Só quando quase todo o tráfego da base sair em IPv6, ou quando o IPv4 passar a ser entregue como serviço sobre a rede IPv6. Até lá, o CGNAT encolhe, mas continua necessário para os destinos que só falam IPv4.
Com o dual stack, os aparelhos preferem o IPv6 sempre que o destino oferece, graças ao mecanismo conhecido como Happy Eyeballs, que testa os dois caminhos e fica com o mais rápido. Os grandes serviços de vídeo, busca e rede social já respondem em IPv6 [CONFIRMAR situação atual], e é esse tráfego que sai do CGNAT primeiro.
Sinais de que o dual stack está funcionando
- O roteador da casa recebe prefixo IPv6 e os aparelhos ganham endereço.
- A fatia de tráfego em IPv6 na borda subiu depois de cada grupo migrado.
- A CPU e as portas em uso no CGNAT caíram no mesmo horário de pico.
- O registro diário do CGNAT ficou menor.
- Os chamados de NAT estrito diminuíram nos grupos migrados.
Se a fatia de IPv6 subiu e o CGNAT não aliviou, o prefixo provavelmente não está chegando aos aparelhos. Quando tudo cai junto, o dual stack está fazendo o trabalho dele.
A Táquion Tech implanta dual stack em grupos, com prefixo fixo por login no RADIUS e medição do CGNAT antes e depois de cada etapa. Se o CGNAT ainda não existe ou foi montado sem registro, a implantação de CGNAT entra junto no mesmo projeto.
Perguntas frequentes
Dual stack substitui o CGNAT de vez?
Não, enquanto o provedor não tiver um IPv4 público por casa. O dual stack tira do CGNAT o tráfego que pode sair em IPv6, e o restante continua passando pela tradução.
O roteador do cliente precisa suportar dual stack?
Precisa, e precisa vir com o IPv6 ligado na WAN e na rede da casa. Roteadores antigos sem IPv6 continuam funcionando só com IPv4, atrás do CGNAT, até serem trocados.
Dual stack aumenta o trabalho de registro?
Não aumenta; costuma diminuir. O prefixo IPv6 é fixo por login e não exige registro de porta, enquanto o registro do CGNAT encolhe junto com o tráfego IPv4.
Vale ligar IPv6 numa base pequena com IPv4 sobrando?
Vale, porque o estoque de IPv4 acaba e a migração fica mais fácil com a base pequena. Ligar o IPv6 cedo evita montar o CGNAT às pressas quando o pool esvaziar.
A Anatel exige IPv6 dos provedores?
A agência acompanha a adoção de IPv6 e há exigências em discussão para provedores [CONFIRMAR na norma]. Antes de decidir com base nisso, confira a regra vigente e o porte do seu provedor.
Fontes
- RFC 4213, Basic Transition Mechanisms for IPv6 Hosts and Routers: define o funcionamento em pilha dupla, com IPv4 e IPv6 no mesmo equipamento
- RFC 8305, Happy Eyeballs Version 2: como o aparelho testa IPv6 e IPv4 e escolhe o caminho mais rápido
- RFC 6888, Common Requirements for Carrier-Grade NATs (CGNs): requisitos do CGNAT que continua atendendo a metade IPv4 do dual stack