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Guia de cálculo · CGNAT

Quantas portas por cliente no CGNAT: a conta para provedores

Quantas portas por cliente no CGNAT é um número que sai da medição: o consumo dos assinantes mais pesados no horário de pico, com uma folga, arredondado para o bloco que o equipamento entrega. Dividindo as portas úteis de cada IP público por esse número, você chega a quantos clientes cabem em cada endereço.

Resumo

  • A conta parte do consumo no pico dos clientes pesados, medido por endereço interno, e nunca da média da base.
  • Cada IP público oferece portas de TCP e de UDP em espaços separados, mas o bloco do cliente vale para os dois.
  • Com blocos sob demanda cabe mais gente por IP do que com faixa fixa, porque nem todos usam tudo ao mesmo tempo.
  • Modo de mapeamento, tempos de conexão e fatia de IPv6 mudam a conta sem mudar o número de assinantes.

Quantas portas por cliente no CGNAT: de onde sai o número

O número sai do pico dos assinantes que mais abrem conexões, somado a uma folga para o crescimento do uso. Valores prontos, como mil ou dois mil, servem de ponto de partida, mas não substituem a medição na sua base.

A pergunta parece de matemática, mas é de comportamento. Duas bases do mesmo tamanho podem precisar de números bem diferentes, porque uma tem muitas casas com console, câmeras e TVs conectadas e a outra tem mais idosos que só usam o celular.

Por isso o dimensionamento de CGNAT começa medindo o uso real antes de definir qualquer proporção. O resto deste guia mostra como fazer essa medição e a conta que vem depois dela.

O que ocupa porta numa casa conectada

Cada conexão aberta por qualquer aparelho da casa prende uma porta no CGNAT enquanto existir. O consumo vem de muitas fontes ao mesmo tempo, e boa parte delas trabalha sem ninguém mexer no aparelho.

  • Navegador: cada aba abre várias conexões, para o site e para anúncios, fontes e imagens.
  • Aplicativos em segundo plano: mensagem, rede social e nuvem de fotos mantêm conexões vivas o dia inteiro.
  • TV e streaming: cada aplicativo da TV abre conexões próprias, mesmo parado no menu.
  • Câmeras e casa conectada: cada equipamento mantém sua conexão com a nuvem do fabricante.
  • Consoles e jogos: usam UDP para a partida e conexões extras para voz, loja e atualizações.

TCP e UDP usam portas separadas

A porta 20000 em TCP e a porta 20000 em UDP são coisas diferentes, então cada IP público tem dois conjuntos de portas. Na prática, os equipamentos entregam ao cliente a mesma faixa nos dois protocolos, e a conta é feita pelo protocolo que ele mais consome.

Em casa comum, quem esgota primeiro costuma ser o TCP, por causa das muitas conexões de navegação. Em casa com jogos e chamadas de vídeo, o UDP pode chegar perto, e a medição precisa separar os dois.

Passo a passo para medir as portas em campo

Meça as conexões por endereço interno no equipamento que já faz NAT, a cada poucos minutos, por uma semana que inclua noites e fim de semana. O que interessa é a fila dos maiores consumidores, não o total.

  1. Escolha a janela: colete por pelo menos sete dias, cobrindo o pico das noites de semana e o domingo.
  2. Conte por cliente: registre quantas conexões cada endereço interno tem aberto em cada coleta.
  3. Separe protocolo: anote TCP e UDP à parte, porque o limite do bloco vale para cada um.
  4. Ordene: no horário de pico, ordene os clientes do maior para o menor consumo.
  5. Ache o percentil: marque o valor abaixo do qual estão 95% dos clientes, e também o dos 1% mais pesados.
  6. Investigue os extremos: um cliente muito acima de todos pode ser máquina infectada, e não uso normal.
Contagem de conexões por endereço interno em RouterOS e em Linux com conntrack [CONFIRMAR na versão do equipamento]
# RouterOS: conexões abertas de um assinante (endereço interno)
/ip firewall connection print count-only where src-address~"^100.64.1.20:"
# RouterOS: total de conexões na tabela, para comparar com o número de clientes online
/ip firewall connection print count-only
# Linux com conntrack: os 20 endereços internos com mais conexões
conntrack -L 2>/dev/null | grep -oE 'src=100\.64\.[0-9.]+' \
  | sort | uniq -c | sort -rn | head -20

Contar conexões superestima um pouco as portas quando o equipamento reaproveita a mesma porta pública para vários destinos, o que deixa a conta do lado seguro. Se o seu CGNAT já usa blocos, o próprio registro de blocos entregues mostra quem pediu bloco extra e quando.

Média, percentil 95 e o cliente fora da curva

A média engana porque mistura a casa que só usa o celular com a casa de quatro gamers. Dimensionar pela média deixa a fatia de cima da base sem porta justamente no horário em que ela mais usa.

O percentil 95 é um ponto de partida razoável para o bloco, e o limite máximo por cliente cobre os 5% restantes. Quem passa até desse limite merece uma olhada antes de ganhar mais portas.

A conta: quantas portas por cliente e quantos clientes por IP

Pegue o percentil 95 medido, some a folga, arredonde para o bloco do equipamento e divida as portas úteis do IP por esse valor. O resultado é quantos clientes cabem em cada endereço, e a base online dividida por ele dá os IPs.

Exemplo de cálculo com valores hipotéticos de medição, numa base com 2.500 clientes online no pico
EtapaContaResultado
Percentil 95 medido no picoMedição em campo700 conexões
Folga para crescimento do uso700 × 1,51.050 portas
Arredondado para o blocoBloco de 1.024 do equipamento1.024 portas
Portas úteis por IP65.535 − 1.023 reservadas64.512 portas
Clientes por IP64.512 ÷ 1.02463 clientes
IPs públicos necessários2.500 ÷ 63, arredondado para cima40 IPs, dentro de um /26

Os números do exemplo são hipotéticos e servem para mostrar a ordem das contas. Na sua rede, cada linha recebe o valor medido, e a folga pode ser maior se a base cresce rápido em casas com muitos aparelhos.

Quer a conta feita com a sua base?

No dimensionamento de CGNAT, um Especialista mede as conexões por assinante no pico, define portas por cliente e clientes por IP e entrega as premissas por escrito.

Pedir proposta de dimensionamento de CGNAT

Quantos clientes por IP no CGNAT com blocos ou com faixa fixa?

Com faixa fixa, cada endereço interno tem portas reservadas mesmo desligado, então a conta usa a base inteira, e não só quem está online. A fórmula e o cuidado com os limites da faixa estão no guia de NAT determinístico.

Com blocos sob demanda, o cliente só ocupa portas quando usa, e a conta pode partir dos clientes online no pico. Isso coloca mais gente em cada IP, desde que exista limite de blocos por cliente; os detalhes estão na alocação de portas em bloco.

O que muda a conta sem mudar o número de clientes?

O modo de mapeamento, os tempos de expiração das conexões, a fatia de tráfego em IPv6 e os clientes com IP próprio mudam quantas portas cada assinante prende. Ajustar esses pontos às vezes resolve sem mexer na proporção.

Fatores que mudam o consumo de portas por cliente no CGNAT
FatorEfeito nas portasAjuste possível
Mapeamento que mantém a portaPrende uma porta por conexão interna, para qualquer destinoNecessário para jogos; compense no tamanho do bloco
Tempo de expiração longoConexões paradas seguram porta por horasEncurtar o tempo de TCP estabelecido e de UDP
Pouco IPv6 na baseTodo o tráfego disputa portas IPv4Entregar prefixo IPv6 ao roteador da casa
Clientes empresariais no mesmo poolConsumo muito acima da casa comumSeparar em pool próprio ou IP público
Máquinas infectadasVarredura abre milhares de conexõesLimite por cliente e alerta de consumo

O mapeamento que mantém a mesma porta para todos os destinos é o que tira os consoles do NAT estrito, como explica o guia sobre CGNAT travando jogos. Ele custa algumas portas a mais, e essa diferença precisa entrar na conta.

Já o IPv6 trabalha no sentido contrário: cada serviço grande que responde em IPv6 deixa de ocupar porta no CGNAT. Uma base com IPv6 bem entregue costuma permitir blocos menores ou mais clientes por IP com o mesmo pool.

Erros comuns ao definir as portas por cliente

Os erros mais comuns dão certo no primeiro mês e falham quando a base cresce ou muda de hábito. Quase todos vêm de não medir ou de medir só uma vez.

Evite

  • Copiar a proporção de outro provedor. O perfil de uso da base dele não é o da sua.
  • Dimensionar pela média. A casa com mais aparelhos fica sem porta no horário de pico.
  • Medir num dia de semana tranquilo. O pico de domingo à noite costuma ser outro.
  • Dar o mesmo bloco a empresas e residências. Um escritório pequeno pode consumir o de dez casas.
  • Esquecer as portas abaixo de 1024. Elas ficam reservadas e saem da conta.
  • Deixar o cliente sem limite. Uma máquina infectada esgota o IP inteiro e derruba os vizinhos.

Quando a falta de porta já virou reclamação, o guia CGNAT: como resolver ajuda a separar esse problema de outros que parecem iguais para o assinante.

Quando refazer a conta das portas?

Refaça a conta sempre que a base mudar de tamanho ou de perfil, quando o IPv6 ganhar fatia e quando aparecer reclamação de falha só à noite. Uma conta de dois anos atrás descreve uma base que já não existe.

Marque o que aconteceu desde a última conta

  • A base cresceu de forma visível ou entrou um bairro com outro perfil.
  • Mais clientes passaram a pedir bloco extra no horário de pico.
  • A fatia de tráfego em IPv6 mudou para cima ou para baixo.
  • O equipamento de CGNAT foi trocado ou ganhou outra forma de alocação.
  • O suporte recebe chamado de página que não abre só à noite.

Uma marca já justifica olhar os números de novo. Duas ou mais indicam que a proporção atual provavelmente não serve à base de hoje.

A Táquion Tech mede o consumo de portas da base no pico, define portas por cliente e clientes por IP com folga e deixa as premissas escritas para a próxima revisão. Se a conta mostrar que o equipamento não dá conta, o guia sobre qual equipamento usar para CGNAT ajuda a comparar as opções.

Perguntas frequentes

Quantos clientes por IP no CGNAT costuma ser o padrão?

Não existe padrão oficial, e provedores regionais costumam partir de algo entre 32 e 64 clientes por IP. A proporção certa é a que a medição do seu pico permite, com folga.

Mil portas por cliente são suficientes?

Para muitas casas, sim, mas não para todas. Casas com muitos aparelhos, jogos e câmeras passam desse número no pico, e por isso o limite por cliente precisa de uma margem acima do bloco.

O que acontece quando o cliente fica sem portas?

As conexões novas são recusadas pelo CGNAT, sem aviso. O assinante vê página que não carrega, aplicativo que não atualiza ou partida que cai, e costuma reclamar de lentidão.

Cliente empresarial deve receber mais portas?

Deve, porque vários computadores e sistemas saem pelo mesmo endereço interno. O mais comum é colocar empresas num pool separado com blocos maiores ou entregar IP público fixo.

As portas abaixo de 1024 entram na divisão?

Em geral não, porque são as portas de serviços conhecidos e ficam reservadas. Por isso a conta usa 64.512 portas por IP, da 1.024 à 65.535.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 6888, Common Requirements for Carrier-Grade NATs (CGNs): recomenda limite configurável de portas por assinante e descreve o efeito do esgotamento
  2. RFC 6269, Issues with IP Address Sharing: discute a divisão das portas de um IP entre assinantes e o consumo de aplicações com muitas conexões
  3. RFC 4787, NAT Behavioral Requirements for Unicast UDP: modos de mapeamento e tempos de expiração que mudam quantas portas cada cliente prende

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