Como tirar ASN do provedor: passo a passo no Registro.br
Como tirar ASN provedor: o pedido é aberto no painel do Registro.br, no CNPJ da empresa, com contatos cadastrados e uma justificativa de uso que mostra as operadoras e o plano de endereços. Depois da análise e do pagamento das taxas, falta o trabalho que muita gente esquece: DNS reverso, ROA, objeto de rota e o primeiro anúncio.
Resumo
- O pedido sai no CNPJ do provedor, pelo painel do Registro.br, e nunca no nome do técnico ou do fornecedor.
- Antes de abrir o formulário, separe documentos, contatos de função e a lista das operadoras de trânsito.
- A justificativa é o ponto que mais gera perguntas na análise, então escreva com números reais da rede.
- O número aprovado só vira rota aceita depois de ROA, objeto de rota e DNS reverso estarem prontos.
O que o provedor precisa ter antes de tirar o ASN
Antes de tirar o ASN, o provedor precisa de CNPJ ativo, contrato social atualizado, contatos de função e um motivo técnico para ter rota própria. Sem isso, o pedido para na primeira pergunta da análise.
O ASN é o número que identifica a rede do provedor nas trocas de rota da internet, e no Brasil quem o distribui é o Registro.br, ligado ao NIC.br. O pedido não é um formulário de cinco minutos: ele passa por uma análise que confere se a empresa existe, se os dados batem e se o uso descrito faz sentido.
A maior parte do tempo perdido acontece antes do envio, com documento vencido ou contato errado. A solicitação de ASN para provedores começa justamente por essa conferência, porque cada erro descoberto pela análise devolve o pedido para o fim da conversa.
Documentos e dados da empresa
Separe tudo num só lugar antes de entrar no painel. A lista abaixo é a que costuma ser pedida, mas a relação oficial está nas regras de numeração do Registro.br [CONFIRMAR na norma].
- CNPJ ativo: com razão social e endereço iguais aos que vão aparecer no cadastro.
- Contrato social: a versão mais recente, com os sócios e administradores atuais.
- Responsável legal: nome e documento de quem assina pela empresa.
- Operadoras: nome das operadoras de trânsito atuais e das que você pretende contratar.
- Números da rede: assinantes, POPs e crescimento esperado, que sustentam o tamanho dos blocos.
Contatos de função, não de pessoa
O cadastro pede contatos para assuntos técnicos, cobrança e abuso, e cada um recebe avisos importantes. Crie antes endereços como noc@, financeiro@ e abuse@ no domínio do provedor, e só depois cadastre os IDs.
Quando o contato é o e-mail pessoal de um técnico, a empresa perde os avisos de renovação no dia em que ele sai. Esse é um dos poucos erros que só aparecem anos depois, quando a cobrança vence sem ninguém ver.
Como tirar ASN do provedor no Registro.br, passo a passo
São sete etapas, da conta no Registro.br até o anúncio conferido de fora da rede. Só a análise depende do tempo do registro; as outras dependem de você ter os dados prontos.
- Conta da empresa: crie ou recupere o acesso do CNPJ no Registro.br e confira se o login fica com a empresa, não com um fornecedor.
- IDs dos contatos: cadastre os contatos técnico, de cobrança e de abuso com os e-mails de função do domínio.
- Plano de uso: descreva as operadoras, os POPs e como os blocos IPv6 e IPv4 vão ser divididos.
- Formulário: abra a solicitação de recursos de numeração no painel e anexe o que a tela pedir [CONFIRMAR na versão atual do painel].
- Análise: responda cada pergunta do Registro.br pelo próprio painel, com dado concreto e sem demora.
- Taxas: depois da aprovação, pague as taxas de cadastro para os recursos ficarem ativos [CONFIRMAR valores na tabela do Registro.br].
- Cadastros técnicos: delegue o DNS reverso, crie os ROAs, registre o objeto de rota e só então anuncie.
A ordem importa mais do que parece. Anunciar antes do sétimo passo é a causa mais comum de bloco que funciona por uma operadora e some pela outra, porque cada uma confere uma base diferente. A Táquion Tech não anuncia bloco novo antes de os cadastros técnicos estarem conferidos.
Como escrever a justificativa sem travar a análise?
A justificativa convence quando mostra números da sua rede e um plano que bate com eles. Frases genéricas como "precisamos de independência" geram pergunta; um quadro com assinantes por POP e operadora por link não.
A política de numeração pede que a rede tenha uma política de roteamento própria, em geral com mais de uma operadora ou com plano de conexão a outras redes [CONFIRMAR na norma do Registro.br e do LACNIC]. Se hoje você tem um link só, descreva o segundo link contratado ou previsto e a entrada no IX.br.
Para o IPv6, mostre como o bloco será dividido entre infraestrutura, POPs e assinantes. Para o IPv4, diga quanto falta e como o CGNAT entra no plano; o guia sobre quanto custa IPv4 explica por que esse pedido segue regras próprias.
O que fazer depois que o ASN sai
Depois que o ASN sai, o provedor precisa deixar quatro cadastros prontos antes de anunciar qualquer bloco. Eles são o que as operadoras e as redes que validam rotas conferem no primeiro anúncio.
| Cadastro | Onde fica | O que acontece se faltar |
|---|---|---|
| DNS reverso | Servidores informados no painel do Registro.br para cada bloco | Serviços de e-mail e diagnóstico tratam os IPs como suspeitos |
| ROA | RPKI no painel do Registro.br | Redes que validam origem descartam o anúncio como inválido ou desconhecido |
| Objeto de rota | Base IRR indicada por cada operadora | A operadora não libera o prefixo no filtro da sessão |
| PeeringDB | Cadastro público do ASN | Parceiros do IX.br e caches não acham os dados de contato e de política |
Os ROAs merecem cuidado com o tamanho máximo de cada prefixo, para não abrir brecha nem invalidar o próprio anúncio; a criação de ROAs mostra como fazer isso bloco a bloco. Já o objeto de rota segue a base que cada operadora indicar no contrato ou no portal dela [CONFIRMAR com a operadora].
Quer o pedido revisado antes de ir ao Registro.br?
Na solicitação de ASN, um Especialista confere documentos e contatos, escreve o plano de uso com os números da sua rede e deixa ROA, objeto de rota e DNS reverso prontos.
Exemplo: conferindo o ASN e o bloco antes do anúncio
Os comandos abaixo mostram, para um provedor fictício com o AS 64500 e o bloco 203.0.113.0/24, o que conferir no whois e como fica um objeto de rota típico.
# Dados do ASN e do bloco no whois do Registro.br
whois -h whois.registro.br AS64500
whois -h whois.registro.br 203.0.113.0/24
# Objeto de rota no formato RPSL
route: 203.0.113.0/24
descr: Provedor Exemplo - bloco de assinantes
origin: AS64500
mnt-by: MAINT-AS64500
route6: 2001:db8::/32
descr: Provedor Exemplo - bloco IPv6
origin: AS64500
mnt-by: MAINT-AS64500No whois, confira se o titular é o CNPJ do provedor e se os contatos são os de função. No objeto de rota, a origem precisa ser exatamente o ASN que vai anunciar, porque é essa linha que alimenta o filtro da operadora.
Do ASN aprovado ao primeiro anúncio
O primeiro anúncio é a hora em que o ASN passa a ter efeito, e ele precisa sair com filtros de saída e conferência externa. Anunciar sem filtro é o jeito mais rápido de vazar rota da operadora para outra.
Com os cadastros prontos, as sessões BGP com cada operadora anunciam só os blocos do seu ASN. A configuração de prefix-lists mostra como escrever esses filtros para a borda nunca repassar rota recebida de um link para o outro.
Marque o que está pronto antes de anunciar o bloco novo
- O whois mostra o CNPJ do provedor como titular e contatos de função.
- Os servidores de DNS reverso respondem para os blocos novos.
- Cada prefixo que vai ao ar tem ROA com a origem certa e tamanho máximo justo.
- O objeto de rota está na base que cada operadora pediu.
- O filtro de saída de cada sessão anuncia só os blocos do seu ASN.
- Há um looking glass de fora da rede escolhido para conferir o anúncio.
Com um item desmarcado, o anúncio pode funcionar por um link e falhar pelo outro. Feche todos antes da janela.
Depois do anúncio, confira o prefixo num looking glass de outra rede e veja se o caminho mostra o seu ASN na origem. Se o plano inclui o IX.br, as sessões com route servers são o passo seguinte, e com duas operadoras vale ler sobre BGP com dois links.
Erros comuns ao tirar ASN para o provedor
Os erros mais caros não aparecem no dia do pedido, e sim quando o provedor troca de fornecedor, é vendido ou cresce. Quase todos nascem de cadastro feito com pressa.
Evite ao tirar o ASN
- ASN no CNPJ errado: pedir no nome de outra empresa do grupo ou do fornecedor deixa o recurso fora do provedor na hora da venda.
- Login com o fornecedor: quem guarda a senha do painel controla renovação, ROA e transferência do bloco.
- Plano de IPv6 depois: pedir o bloco sem divisão definida leva a renumerar POPs quando a rede cresce.
- Anúncio antes do cadastro: sem objeto de rota e ROA, parte da internet ignora o bloco novo.
- Taxa anual esquecida: a manutenção dos recursos é cobrada todo ano, e o aviso vai para o contato de cobrança.
Quando vale tirar o ASN agora e quando esperar?
Vale tirar o ASN agora quando há segundo link contratado, entrada no IX.br em vista ou renumeração no horizonte. Com um link só e nenhum plano de crescer a borda, os IPs da operadora ainda resolvem.
O sinal mais claro é a troca de operadora. Se a próxima troca vai obrigar a renumerar assinantes, CGNAT e DNS, o custo do ASN fica menor que o custo da mudança; o artigo sobre multihoming ajuda a ver o que muda com duas saídas.
Perguntas frequentes
Quanto tempo o Registro.br leva para aprovar o ASN?
O prazo depende da fila e de quantas perguntas a análise fizer [CONFIRMAR com o Registro.br]. Um pedido com documentos atualizados e justificativa clara costuma passar por menos idas e vindas, e é isso que encurta a espera.
Provedor com um link só consegue tirar ASN?
Consegue quando mostra o plano de ter outra operadora ou de se conectar ao IX.br [CONFIRMAR na norma do Registro.br]. Sem nenhum plano de rota própria, o pedido tende a receber perguntas sobre a necessidade do recurso.
Pessoa física pode tirar ASN para o provedor?
Não é o caminho para um provedor, porque o recurso precisa ficar com a empresa que opera a rede. O pedido sai no CNPJ, e é isso que permite vender, transferir ou trocar de equipe técnica sem perder o número.
Preciso pagar alguma taxa para ter ASN?
Sim, há taxa de cadastro e manutenção anual dos recursos, pagas direto ao Registro.br [CONFIRMAR valores na tabela do Registro.br]. O valor muda com o tamanho dos blocos que vêm junto com o número.
O ASN aprovado já funciona sozinho?
Não. O número só passa a ter efeito quando os blocos são anunciados por BGP, com ROA, objeto de rota e filtros prontos. Até lá, ele existe no cadastro, mas não muda nada no tráfego dos assinantes.
Fontes
- Registro.br, numeração (ASN e blocos IP): registro nacional que distribui ASN e blocos de IP no Brasil.
- RFC 1930, Guidelines for creation, selection, and registration of an Autonomous System: quando uma rede precisa de AS próprio.
- RFC 6793, BGP Support for Four-Octet AS Number Space: formato de 4 bytes dos ASNs distribuídos hoje.