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Guia de solução · CGNAT

CGNAT como resolver: cada problema e a correção, para provedores

CGNAT como resolver: primeiro descubra qual problema ele está causando, porque câmera sem acesso, IP bloqueado, falta de porta e ofício sem resposta têm correções diferentes. Quase tudo se resolve no próprio provedor, com IPv6 até a casa, ajuste do equipamento de NAT, registro completo e IP público só para quem precisa receber conexões.

Resumo

  • O CGNAT quase nunca é o problema inteiro; ele é o ponto onde vários problemas diferentes aparecem juntos.
  • Tudo que exige conexão vinda de fora, como câmera, DVR e servidor caseiro, pede IPv6 ou IP público.
  • Bloqueio por reputação, falta de porta e CPU alta se corrigem dentro do provedor, sem mexer no assinante.
  • Ofício sem resposta é falha de registro, e só se resolve com porta, horário e relógio sincronizado por NTP.

Quando o CGNAT vira problema na rede do provedor

O CGNAT vira problema em quatro momentos: quando um assinante precisa receber conexões, quando cada IP público passa a ter gente demais, quando chega um ofício e quando o equipamento único chega ao limite. Antes disso, quem só navega nem percebe que divide endereço.

Na maior parte da base, o compartilhamento de IP passa despercebido: vídeo, rede social e aplicativo de banco abrem a conversa de dentro para fora, e o NAT do provedor dá conta disso. O incômodo começa nas bordas da base, com o assinante que tem câmera, o que trabalha de casa por VPN e o que joga.

Do lado do provedor, os problemas surgem quando a base cresce mais rápido que a revisão do equipamento. Uma implantação de CGNAT feita com a base de dois anos atrás costuma ter poucas portas por cliente, registro incompleto e nenhum segundo caminho se o equipamento parar.

Onde cada problema do CGNAT nasce no caminho entre a casa e a internet
  1. Casa · Aparelhos

    Câmera, console e notebook

    É aqui que o assinante sente o problema, mas quase nunca é aqui que ele nasce.

  2. Casa · Roteador

    Primeiro NAT

    Redirecionamento de portas e UPnP funcionam só até aqui; daqui para fora, não alcançam.

  3. Provedor · CGNAT

    Segundo NAT

    Nascem a falta de porta, o NAT estrito, a CPU alta e a falha de registro.

  4. Provedor · IP público

    Endereço dividido

    Nasce o bloqueio por reputação, porque um assinante suja o IP de todos os vizinhos.

Saber em que etapa o problema nasce evita a visita técnica inútil: nada do que se faz no roteador da casa muda o comportamento do CGNAT.

Por que o assinante não sabe que o problema é o CGNAT

O assinante descreve o efeito, nunca a causa. Ele liga dizendo que o aplicativo da câmera mostra a imagem offline, que o site do banco pede captcha toda hora ou que a VPN da empresa conecta e cai.

Para o atendente, nenhum desses chamados parece problema de rede, porque a internet funciona. Por isso vale ensinar o primeiro nível a perguntar se o cliente precisa acessar algo de casa estando fora, que é a pista mais direta de que o compartilhamento de IP está no meio.

CGNAT como resolver: tabela de problemas e correções

Cada problema tem uma causa própria dentro do CGNAT e uma correção que fica no provedor, não no assinante. A tabela organiza os casos que mais aparecem no suporte.

Problemas causados pelo CGNAT, sintoma no suporte e correção no provedor
ProblemaO que chega ao suporteCausa no CGNATCorreção no provedor
Acesso remotoCâmera ou DVR offline no aplicativo fora de casaNão há caminho de fora para dentro sem conversa abertaIPv6 até a casa ou IP público opcional
JogosNAT estrito, partida que não fechaMapeamento e filtragem restritivosAjuste de mapeamento e IPv6
ReputaçãoCaptcha constante, site ou e-mail bloqueadoUm vizinho de IP gerou abusoMonitorar listas, isolar o abusador, trocar o IP do pool
VPN antigaVPN da empresa conecta e caiProtocolo sem suporte a NAT duploNAT-T no cliente ou IP público para a empresa
Falta de portaLentidão e falhas só à noiteBloco de portas pequeno para a casaRefazer a conta de portas por cliente
CPU altaToda a base lenta no picoTráfego demais passando pela traduçãoIPv6 para tirar tráfego e revisão do equipamento
OfícioPedido judicial sem titular encontradoRegistro sem porta ou relógio erradoRegistro completo e NTP em todos os equipamentos

Repare que só duas linhas pedem mexer na casa do assinante, e mesmo nelas a parte principal é do provedor. O resto é configuração, conta e registro, que é onde costuma estar a raiz dos chamados repetidos.

Para quem ainda tem dúvida sobre o caminho do pacote e as três formas de dividir portas, o guia sobre como funciona o CGNAT explica a base. Aqui o foco é o conserto de cada linha da tabela.

Como resolver câmera, DVR e acesso remoto atrás do CGNAT?

Atrás do CGNAT, câmera e DVR só voltam a ser acessados de fora com IPv6 até a casa, com o serviço em nuvem do fabricante ou com um IPv4 público dedicado. Abrir porta no roteador do cliente não resolve, porque o bloqueio está no provedor.

O acesso remoto falha porque ninguém de fora consegue iniciar uma conversa com um endereço compartilhado. O pacote chega ao IP público do provedor e o CGNAT não tem para qual casa entregar, já que nenhuma linha da tabela de traduções aponta para a câmera.

  • IPv6 até a casa: com prefixo entregue ao roteador, a câmera que fala IPv6 ganha endereço próprio e alcançável.
  • Nuvem do fabricante: muitos gravadores mantêm uma conexão de saída com um servidor, e o aplicativo usa esse caminho.
  • IPv4 público opcional: resolve qualquer equipamento, mas gasta um endereço do estoque por assinante.
  • Porta fixa no CGNAT: possível em alguns equipamentos, mas cada exceção precisa entrar no registro.

Os mesmos chamados de CGNAT voltam toda semana?

Na implantação de CGNAT, um Especialista revisa mapeamento, portas, registro e IPv6 da sua rede e testa câmera, console e consulta de ofício antes de liberar a base.

Pedir proposta de implantação de CGNAT

Exemplo: a loja que não vê as câmeras de casa

Um caso típico mostra a ordem certa de tentativa. Uma loja num plano residencial instala um gravador e, de casa, o dono não consegue ver as imagens.

  1. Diagnóstico: o técnico confere a WAN do roteador da loja e acha um endereço da faixa 100.64.0.0/10, sinal de CGNAT.
  2. Primeira opção: o gravador tem acesso pela nuvem do fabricante, que é ligado e resolve sem gastar endereço.
  3. Se não tiver nuvem: o provedor confere se o roteador recebe prefixo IPv6 e se o gravador aceita IPv6.
  4. Último caso: o provedor oferece um IPv4 público fixo, de preferência num plano empresarial.

A ordem importa porque o IPv4 público é o recurso mais escasso do provedor. Quem entrega endereço a todo pedido de câmera esvazia o pool e volta a ter o problema que o CGNAT veio resolver.

IP bloqueado, captcha e VPN que cai, como resolver no CGNAT?

Bloqueio e captcha se resolvem achando o assinante que sujou o IP e tirando o endereço das listas, e a VPN que cai se resolve com NAT-T no cliente ou com IP público para a empresa. Os dois casos parecem defeito do site ou da empresa, mas nascem no compartilhamento.

Quando vários assinantes saem pelo mesmo IP, o comportamento de um vira a fama de todos. Um computador infectado mandando spam ou fazendo varredura coloca o endereço numa lista de bloqueio, e dezenas de vizinhos passam a ver captcha ou e-mail recusado.

  1. Achar a origem: cruzar o horário do abuso com o registro do CGNAT para chegar ao endereço interno e ao login.
  2. Isolar: avisar o assinante e, se preciso, limitar o tráfego dele até a máquina ser limpa.
  3. Limpar: pedir a remoção do IP em cada lista, conforme o processo de cada uma.
  4. Prevenir: bloquear a saída na porta 25 para a base residencial e acompanhar as listas com um alerta.

O processo de remoção, lista por lista, está no guia sobre IP do provedor em blacklist. Enquanto a limpeza não sai, trocar a saída daquele grupo para outro IP do pool alivia os vizinhos.

VPN de trabalho remoto atrás do CGNAT

VPNs modernas atravessam NAT encapsulando o tráfego em UDP, recurso chamado NAT-T. As antigas, como PPTP, e o IPsec sem NAT-T dependem de protocolos que o NAT duplo não traduz bem.

A saída é ativar o NAT-T no lado da empresa ou trocar o protocolo. Quando o cliente é uma empresa com servidor de VPN em casa, o caso é de IP público fixo num plano empresarial.

Jogos e conversa entre vizinhos no mesmo CGNAT

NAT estrito tem causa e roteiro próprios, já cobertos no guia sobre CGNAT travando jogos. Um caso parecido e pouco lembrado é o de dois assinantes do mesmo CGNAT tentando se falar pelo IP público.

Para isso funcionar, o equipamento precisa devolver o pacote para dentro, recurso chamado hairpinning e exigido pela RFC 6888. Sem ele, o jogo ou a câmera do vizinho funciona para o resto do mundo e falha só entre clientes do mesmo provedor.

Problemas que só o provedor enxerga no CGNAT

Falta de porta, CPU alta, ofício sem resposta e queda total são problemas que o assinante sente, mas só o provedor consegue medir. Todos aparecem quando o CGNAT não acompanha o tamanho da base.

  • Falta de porta: o sintoma é lentidão e falha só no pico; a correção é medir o consumo por cliente e refazer o bloco.
  • CPU alta: o tráfego que já poderia sair em IPv6 continua passando pela tradução e sobrecarrega o equipamento.
  • Ofício sem titular: o registro guarda IP e login, mas não a porta, ou o relógio do equipamento está adiantado.
  • Queda total: com um equipamento só, o CGNAT parado derruba a base mesmo com fibra e concentrador no ar; o par está em como deixar CGNAT redundante.

A falta de porta é o mais silencioso dos quatro. O equipamento não avisa que recusou uma conexão, e o assinante vê só uma página que não carrega; a medição e a conta estão no guia sobre quantas portas por cliente no CGNAT.

Para a CPU, a correção mais duradoura é o IPv6: cada destino grande que sai sem tradução libera processamento e portas. O guia IPv6 tem CGNAT? mostra quanto ele costuma tirar do equipamento.

Confira o seu CGNAT antes do próximo pico

  • Existe gráfico de portas em uso por IP público e por assinante.
  • A CPU do equipamento tem folga no horário de maior uso.
  • O registro guarda IP público, porta, endereço interno e horário.
  • Todos os equipamentos têm o relógio sincronizado por NTP.
  • Há um segundo caminho se o equipamento de CGNAT parar.
  • O roteador da casa do assinante recebe prefixo IPv6.

Cada item sem marca é um problema esperando a hora de aparecer. Duas marcas ou menos indicam que o CGNAT foi montado para funcionar, mas não para ser operado.

O registro e o relógio respondem ao pedido judicial, e a guarda dos registros de conexão segue o Marco Civil da Internet [CONFIRMAR na norma]. A guarda de logs de CGNAT organiza esse registro fora do equipamento, e a alta disponibilidade de CGNAT trata a queda total.

Erros comuns ao tentar resolver o CGNAT

Os erros mais comuns resolvem o chamado da semana e criam o problema do mês seguinte. Quase todos vêm de tratar cada reclamação isolada, sem olhar o equipamento.

Evite

  • Mandar técnico à casa abrir portas no roteador. O bloqueio está no provedor e o chamado volta.
  • Dar IPv4 público a todo cliente que reclama. O pool acaba e a base volta a depender de comprar bloco.
  • Aumentar o bloco de portas sem refazer a conta de clientes por IP. Alguns assinantes ficam sem endereço.
  • Desligar o registro para aliviar a CPU. O próximo ofício fica sem resposta.
  • Deixar o IPv6 para depois. Todo o tráfego segue na tradução e os sintomas pioram com a base.

O CGNAT exige registro de porta e horário, conta de portas revista com a base e IPv6 ligado junto; sem esses três, qualquer correção pontual dura pouco.

IPv6, IP público ou ajuste no CGNAT: como escolher a correção

A correção certa depende de quem sofre e do que essa pessoa precisa: receber conexões, sair sem bloqueio ou só navegar sem falha. Em geral, o ajuste no CGNAT vale para todos, o IPv6 para a maioria e o IP público para poucos.

Qual correção vence em cada situação de CGNAT
SituaçãoCorreção que vencePor quê
Toda a base com falha no picoAjuste no CGNATA causa é conta de portas ou capacidade, não o assinante
Muitos assinantes com câmera e consoleIPv6 até a casaResolve em escala sem gastar IPv4
Empresa com servidor, VPN própria ou câmeras antigasIP público fixoPrecisa de endereço alcançável e estável
Assinante isolado com captcha e bloqueioLimpeza do IP e troca de saídaO problema é a reputação do endereço

A Táquion Tech implanta e revisa CGNAT de forma remota, com o consumo de portas medido, o registro testado com uma consulta simulada e o IPv6 entregue até o roteador do assinante. Quando a escolha do equipamento ou da proporção de clientes por IP está em dúvida, o dimensionamento de CGNAT refaz a conta com a base atual.

Perguntas frequentes

Dá para tirar um assinante do CGNAT?

Dá, entregando a ele um IPv4 público fixo, normalmente num plano empresarial ou como adicional. Como o endereço é escasso, faz sentido para quem precisa receber conexões, e não para quem só navega.

O IPv6 resolve todos os problemas do CGNAT?

Resolve boa parte, porque o tráfego em IPv6 sai sem tradução e cada casa ganha endereço próprio. Mas sites, jogos e equipamentos que só falam IPv4 continuam passando pelo CGNAT, que ainda precisa de ajuste.

Por que o redirecionamento de portas não funciona no CGNAT?

Porque ele abre portas só no roteador da casa, que é o primeiro NAT. O pacote de fora chega antes ao CGNAT do provedor, que não sabe para qual assinante encaminhar.

Como o assinante descobre que está atrás de CGNAT?

Basta comparar o endereço da WAN no roteador com o IP que um site de teste mostra. Se a WAN começa com 100.64 a 100.127 e o site mostra outro número, o CGNAT está no caminho.

Resolver o CGNAT exige trocar o equipamento?

Nem sempre. Muitos problemas se resolvem com ajuste de portas, mapeamento, registro e IPv6 no equipamento atual; a troca entra quando a CPU ou a memória não dão conta da base, mesmo depois desses ajustes.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 6888, Common Requirements for Carrier-Grade NATs (CGNs): requisitos de um CGNAT, entre eles o hairpinning e o limite de portas por assinante
  2. RFC 6269, Issues with IP Address Sharing: efeitos do IP compartilhado em conexões de entrada, reputação e identificação de usuários
  3. RFC 6598, IANA-Reserved IPv4 Prefix for Shared Address Space: reserva a faixa 100.64.0.0/10 usada do lado interno do CGNAT

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