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Guia de decisão · NOC

Vale a pena terceirizar o NOC: critérios de decisão para provedores

Vale a pena terceirizar o NOC quando o provedor precisa de alguém olhando a rede fora do horário comercial, não tem escala para manter uma equipe própria e quer roteiros que não dependam de uma pessoa. Não vale quando a rede já sustenta uma equipe completa ou quando a operação precisa ficar inteira dentro de casa por contrato ou estratégia.

Resumo

  • A decisão gira em torno de três perguntas sobre horário de cobertura, tamanho da rede e maturidade dos processos.
  • O NOC terceirizado vence em redes pequenas e médias que precisam de cobertura fora do expediente.
  • O NOC próprio vence quando a rede é grande, os processos já existem e há escala para manter turnos completos.
  • O modelo misto, com a casa de dia e a operação externa à noite, costuma ser o começo mais simples para provedores regionais.

Vale a pena terceirizar o NOC no seu provedor?

Depende de três respostas: em que horários a rede precisa de alguém olhando, quantos ativos ela tem e se a operação já tem roteiros escritos. Com essas três respostas, a escolha deixa de ser opinião.

A pergunta costuma aparecer depois de uma queda de madrugada que só foi vista de manhã, ou quando o técnico que cuidava de tudo pede demissão. Nos dois casos, o risco é decidir no susto e escolher o modelo errado para o tamanho da rede.

O funcionamento do modelo está no guia sobre o que é NOC terceirizado, e os valores envolvidos no guia sobre quanto custa NOC terceirizado. Este guia fica só com a decisão: em que situação cada opção vence.

A Táquion Tech opera o NOC terceirizado para provedor e também apoia quem decide montar a operação dentro de casa, pela estruturação de NOC interno. Por isso os critérios abaixo mostram os dois lados.

As três perguntas que decidem

Antes de pedir qualquer proposta, responda estas três perguntas com a sua equipe. Elas resolvem a maior parte da decisão.

  • Horário: as falhas graves dos últimos meses aconteceram dentro ou fora do expediente da equipe?
  • Escala: a rede tem ativos e incidentes suficientes para ocupar uma equipe inteira em turnos?
  • Processo: existem roteiros escritos para as falhas comuns, ou cada técnico resolve do seu jeito?

NOC próprio, terceirizado ou misto: tabela de decisão

A tabela compara as três opções em oito critérios e mostra, em cada linha, a situação em que cada uma vence. Marque a coluna que descreve o seu provedor em cada critério e conte as marcas.

Critérios de decisão entre NOC próprio, NOC terceirizado e modelo misto para provedores
CritérioNOC próprio vence quandoTerceirizado vence quandoMisto vence quando
HorárioA cobertura contínua já é necessária e há gente para todos os turnosA rede precisa de olhos à noite e no fim de semana, sem equipe para issoA equipe cobre bem o dia e só falta a noite
Tamanho da redeMuitos POPs e ativos, com incidentes todos os diasRede pequena ou média, com incidentes semanaisRede média crescendo rápido
Equipe atualJá existem analistas e alguém para coordenar a escalaUm ou dois técnicos que fazem de tudoTécnicos bons, mas que precisam dormir
ProcessosRoteiros, registro de incidentes e gestão de mudanças já funcionamNada está escrito e o fornecedor ajuda a criarRoteiros parciais que a casa e o fornecedor completam juntos
Clientes com SLAContratos exigem equipe dedicada e exclusivaSLA exige resposta fora do horário sem custo de turno próprioSLA concentrado no horário comercial
ControleA estratégia exige toda a operação dentro de casaO provedor aceita acesso externo controlado e auditadoAções sensíveis ficam com a casa e o resto com o fornecedor
OrçamentoHá caixa para salários, ferramentas e substituiçõesO provedor prefere custo mensal previsívelO orçamento cobre a equipe do dia, mas não mais turnos
CrescimentoA rede vai dobrar e a equipe própria será necessária de qualquer formaO crescimento é incerto e o provedor quer flexibilidadeO plano é internalizar aos poucos

Se a maioria das marcas cair numa coluna, a decisão está tomada. Se elas se dividirem entre duas colunas, o misto quase sempre é o caminho, porque permite começar por um pedaço e ajustar depois.

O caso em que cada opção vence

Na prática, os três modelos correspondem a três perfis de provedor bem reconhecíveis. Veja em qual o seu se encaixa hoje.

  • Próprio: rede grande, vários POPs, clientes corporativos exigentes e uma equipe que já roda turnos com roteiros.
  • Terceirizado: rede regional com um ou dois técnicos, quedas fora do expediente e nenhum registro de incidentes.
  • Misto: equipe forte durante o dia, sem condições de cobrir noites, fins de semana e feriados.

Quando terceirizar o NOC vale a pena

Terceirizar o NOC vale a pena quando a maior parte do risco está em horários sem ninguém olhando ou quando a rede depende de uma pessoa só. Os sinais abaixo mostram esse cenário.

Sinais a favor de terceirizar

  • As últimas quedas graves aconteceram de noite, de madrugada ou no fim de semana.
  • Só um técnico sabe reagir aos alertas da borda e do concentrador.
  • O provedor não consegue dizer quanto tempo a rede ficou fora do ar no último trimestre.
  • Clientes empresariais cobram resposta fora do horário comercial.
  • A equipe passa o dia apagando incêndio e não tem tempo de escrever roteiros.

Três sinais ou mais indicam que terceirizar, total ou em parte, reduz risco mais rápido do que montar uma equipe do zero.

A dependência de uma pessoa é o sinal que mais pesa. O guia sobre o que fazer quando o técnico de rede saiu mostra o que acontece quando ela vai embora sem deixar a rede descrita.

NOC terceirizado em tempo integral vale a pena para provedor regional?

A cobertura contínua terceirizada vale a pena quando as quedas graves se espalham por noites, madrugadas e fins de semana e a rede não tem gente para fechar uma escala inteira. Se o risco fica concentrado só à noite, cobrir esse horário costuma bastar.

A conta interna explica a decisão: a semana tem 168 horas, e uma jornada de 44 horas semanais cobre só uma parte delas [CONFIRMAR na norma]. Fechar todos os turnos com equipe própria pede pelo menos quatro pessoas na escala, antes de contar férias, folgas e substituições.

Quem contrata de fora divide esse custo de escala com os outros clientes do fornecedor. O escopo do NOC 24x7 e o do NOC noturno mostram a diferença entre cobrir tudo e cobrir só o horário de maior risco, e a Táquion Tech monta a cobertura pelos horários de risco da rede, inclusive madrugada e fim de semana [CONFIRMAR oferta].

Quando não vale a pena terceirizar o NOC?

Não vale quando a rede já ocupa uma equipe inteira em turnos, quando contratos exigem operação exclusiva dentro de casa ou quando o provedor espera que o NOC externo resolva tudo sem participação da equipe. Nesses casos, o problema não se resolve com terceirização.

  • Escala alta: com incidentes o dia todo e muitos POPs, uma equipe própria costuma custar menos por alerta tratado.
  • Exigência contratual: alguns clientes corporativos ou órgãos públicos pedem operação feita só por funcionários do provedor.
  • Expectativa errada: se a ideia é parar de pensar na rede, nenhum NOC externo funciona sem alguém da casa decidindo.
  • Rede sem acesso remoto: equipamentos sem gerência à distância limitam o que uma equipe de fora consegue ver.

Mesmo nesses casos, partes da operação podem ir para fora, como a cobertura de feriados ou a criação de roteiros. A decisão não precisa ser tudo ou nada.

Quer saber qual modelo de NOC cabe no seu provedor?

Um Especialista da Táquion Tech olha o histórico de quedas e os horários de risco da sua rede e indica se o NOC terceirizado, o misto ou a estruturação interna faz mais sentido.

Pedir proposta de NOC para seu provedor

Riscos de terceirizar o NOC e como reduzir cada um

Os riscos da terceirização são conhecidos e quase todos se reduzem no contrato e na forma de acesso. A tabela mostra cada um e a medida que o neutraliza.

Riscos de terceirizar o NOC do provedor e como reduzir cada um
RiscoComo apareceComo reduzir
Dependência do fornecedorTrocar de NOC significa perder histórico e roteirosExportação periódica de incidentes, gráficos e roteiros prevista em contrato
Perda de conhecimento internoA equipe da casa deixa de entender a própria redeRelatório mensal discutido com a equipe e explicação no fim de cada incidente
Acesso de terceirosAlterações sem autor identificado e exposição da gerênciaUsuário por analista, VPN dedicada e registro de comandos [CONFIRMAR na norma]
Escalonamento mal calibradoA equipe é acordada por bobagem ou não é avisada do que importaGravidade definida por número de afetados e revista nos primeiros meses
Fornecedor sem vivência de provedorRoteiros genéricos que não entendem BGP, CGNAT e GPONPedir exemplos de roteiros e de relatórios antes de assinar

Erros comuns na hora de decidir

Além dos riscos da operação, há erros na própria decisão, antes de qualquer contrato. Os mais frequentes são estes.

Evite ao decidir sobre o NOC

  • Comparar com um salário: a mensalidade substitui uma escala inteira, não um analista só.
  • Mudar tudo de uma vez: passar toda a operação para fora sem período de transição gera semanas de alarme mal tratado.
  • Dispensar o técnico da casa: sem alguém que conheça a rede para aprovar roteiros, o NOC externo fica sem referência.
  • Decidir sem histórico: sem saber quando as quedas acontecem, não dá para saber que horário precisa de cobertura.

Como decidir em cinco passos

Siga cinco passos, do histórico de quedas à revisão depois dos primeiros meses. O roteiro serve tanto para quem está terceirizando pela primeira vez quanto para quem quer trazer a operação de volta.

  1. Histórico: liste as quedas graves dos últimos doze meses com dia, horário, duração e quem percebeu primeiro.
  2. Horários de risco: veja quantas aconteceram fora do expediente e quanto tempo levaram até alguém agir.
  3. Conta interna: use o comparador NOC próprio ou terceirizado para ver quantas pessoas a cobertura pedida exige.
  4. Propostas: peça a fornecedores o mesmo escopo, horário e tempo de resposta, para comparar de igual para igual.
  5. Revisão: comece por uma parte, como as noites ou as OLTs, e reavalie depois de alguns meses com o relatório em mãos.

A revisão do quinto passo é onde a decisão se confirma ou muda. Um processo de incidentes e problemas bem montado, como o descrito no guia de ITIL na operação de rede, facilita essa avaliação.

Exemplo: quando o NOC volta para dentro de casa

A terceirização também pode ser uma fase. Um provedor ilustrativo começa com NOC externo à noite, enquanto ainda tem dois técnicos e nenhum roteiro escrito.

Com o tempo, os roteiros ficam prontos, a rede ganha POPs e a equipe cresce. Quando já há gente para rodar turnos, o provedor traz a operação noturna para casa e mantém de fora só os feriados e a revisão mensal. Nesse caso, a terceirização cumpriu o papel de organizar a operação antes de ela ser internalizada.

Perguntas frequentes

Terceirizar o NOC significa demitir a equipe técnica?

Não deveria. O NOC externo cuida do acompanhamento e da primeira resposta, e a equipe da casa continua necessária para decidir, aprovar roteiros e resolver o que exige presença ou conhecimento da rede.

É seguro dar acesso à rede para um NOC externo?

É, quando o acesso é feito por VPN dedicada, com usuário por analista, registro de comandos e possibilidade de corte imediato. Acesso com a senha do técnico da casa é o que torna a terceirização arriscada.

NOC terceirizado em tempo integral vale a pena se a rede quase não cai à noite?

Quase sempre não, porque a cobertura contínua paga por horas em que pouca coisa acontece. Um NOC só para noites e feriados, ou alertas bem calibrados para a equipe da casa, costuma bastar até o histórico de quedas mudar.

Alerta no celular do técnico não basta para um provedor pequeno?

Basta enquanto o técnico está disponível e acordado. O problema aparece nas férias, na madrugada e quando ele sai, que é justamente quando a rede costuma cair sem ninguém ver.

Em quanto tempo dá para saber se a terceirização deu certo?

Depois do período de ajuste, alguns meses de relatório já mostram se as quedas passaram a ser vistas antes do assinante e se o tempo até a primeira ação caiu. Esses dois números são o termômetro da decisão.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

Conheça a equipe da Táquion Tech

Fontes

  1. Make-or-buy decision (Wikipédia em inglês): critérios clássicos para decidir entre fazer dentro de casa ou contratar fora
  2. Outsourcing (Wikipédia em inglês): vantagens e riscos da terceirização, como dependência do fornecedor e perda de conhecimento interno
  3. Network operations center (Wikipédia em inglês): funções de um NOC, base para comparar operação própria e terceirizada

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Thiago ManoelResponsável técnico