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Guia explicativo · Sinal óptico

Monitorar sinal das ONUs: limites e alertas para provedores

Monitorar sinal das ONUs é guardar, de tempos em tempos, a potência que cada ONU recebe e a que a OLT recebe dela, e comparar esses valores com a classe óptica, com o dia da ativação e com as ONUs vizinhas. Assim a fibra que está piorando aparece semanas antes da queda, e não no dia em que o assinante liga.

Resumo

  • O sinal tem duas direções, e a leitura na OLT da subida da ONU diz coisas que a descida não mostra.
  • Limite fixo pela classe óptica pega só o fim da linha; o desvio desde a ativação pega a degradação no começo.
  • Várias ONUs da mesma CTO perdendo sinal juntas apontam para a caixa ou para o trecho antes dela.
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O que é monitorar sinal das ONUs

É ler periodicamente as medidas ópticas de cada ONU, guardar o histórico e disparar aviso quando elas mudam além do combinado. A medida mais conhecida é a potência recebida em dBm, mas ela não é a única.

A maioria dos provedores olha o sinal da ONU só quando o assinante reclama: o técnico abre a OLT, consulta a potência e decide se manda alguém. Monitorar é fazer a mesma consulta para todas as ONUs, o tempo todo, e deixar que o histórico diga quem está piorando.

A OLT consegue essa leitura sem ir até a casa do cliente porque conversa com cada ONU pelo canal de gerência do GPON, o OMCI. Por ele, a ONU informa o que o seu transceptor mede, e a OLT junta isso ao que ela própria mede na subida. No monitoramento de OLTs, essas leituras viram histórico e alerta para cada porta PON.

Sinal de descida e sinal de subida

São duas luzes diferentes na mesma fibra. A descida sai da OLT para as ONUs em 1490 nm; a subida sai de cada ONU para a OLT em 1310 nm, segundo a recomendação G.984.2 [CONFIRMAR na norma].

  • Potência recebida na ONU: o sinal de descida que chegou à casa do cliente, a leitura mais usada.
  • Potência recebida na OLT: o sinal de subida daquela ONU, medido pela porta PON.
  • Potência transmitida pela ONU: quanto o laser da ONU está emitindo.
  • Temperatura, tensão e corrente do laser: a saúde do transceptor da ONU, quando a marca entrega esses dados.

Guardar só a primeira leitura é o erro mais comum. Uma ONU com descida perfeita e subida fraca está com o laser se desgastando, e esse defeito só aparece na leitura feita pela OLT.

Onde o sinal se perde entre a OLT e a ONU

O sinal perde força em cada splitter, emenda, conector e metro de fibra até a casa do cliente. O alerta útil ajuda a descobrir em qual desses trechos a perda aumentou.

Diagrama dos pontos de perda no caminho do sinal até a ONU
  1. POP

    Porta PON da OLT

    O módulo da porta define a potência de saída e a sensibilidade da subida, conforme a classe óptica.

  2. Rede

    Fibra e emendas

    Cada quilômetro e cada emenda tiram um pouco do sinal; emenda com umidade piora com o tempo.

  3. Rede

    Splitters

    É onde está a maior perda fixa, porque o sinal é dividido entre várias saídas.

  4. Caixa

    CTO e conectores

    Conector sujo ou mal encaixado na caixa de atendimento afeta todos os clientes daquela porta.

  5. Cliente

    Drop e ONU

    Cabo dobrado, grampo apertado ou cordão pisado dentro de casa afetam um cliente só.

Quanto mais perto da OLT está o defeito, mais ONUs ele atinge. Essa regra é a base para ler o alerta por grupo, em vez de olhar cada ONU isolada.

O projeto da rede já prevê quanto sinal cada cliente deve receber, a partir dos splitters e das distâncias. Quem tem o projeto de rede com splitter balanceado documentado sabe o valor esperado de cada caixa, e qualquer ONU muito abaixo dele merece atenção desde o primeiro dia.

Que limites usar nos alertas de sinal das ONUs?

Use três tipos de limite ao mesmo tempo: o da classe óptica, o desvio em relação à ativação e a queda em grupo na mesma caixa. Cada um pega um tipo de problema que os outros deixam passar.

Três tipos de alerta de sinal das ONUs e o que cada um costuma revelar [CONFIRMAR critério]
Tipo de alertaO que comparaExemplo de limiteO que costuma indicar
Classe ópticaSinal atual com a faixa da classe da portaMargem até a sensibilidade menor que 3 dBCliente no fim da faixa, perto de cair
DesvioSinal atual com o do dia da ativaçãoQueda de 3 dB ou mais desde a instalaçãoDegradação no drop, no conector ou numa emenda
GrupoVárias ONUs da mesma CTO no mesmo intervaloTrês ou mais ONUs da caixa caindo juntoProblema na caixa ou no trecho antes dela
Sinal altoSinal atual com o máximo aceito pela ONUAcima de -8 dBm na descidaRede curta sem atenuação, ou módulo trocado

Os limites de classe saem da recomendação do GPON: numa porta B+, a ONU precisa receber pelo menos -27 dBm; numa C+, pelo menos -30 dBm [CONFIRMAR na norma ITU-T G.984.2]. O alerta não deve esperar esses valores, e sim avisar enquanto ainda há margem para agendar a visita sem urgência.

Quer o sinal das ONUs comparado com o dia da ativação?

No monitoramento de OLTs, um Especialista guarda o sinal de cada ONU com histórico e cria alertas por classe óptica, por desvio e por caixa de atendimento.

Pedir proposta de monitoramento de OLTs

Por que o desvio pesa mais que o limite fixo

Uma ONU instalada a -17 dBm que hoje está em -23 dBm ainda parece saudável num painel de limite fixo. Ela perdeu 6 dB, e alguma coisa no caminho está piorando.

Por isso o valor do dia da ativação precisa ficar guardado para sempre, mesmo quando o histórico detalhado é apagado. Sem ele, o desvio não tem com o que comparar.

E o sinal forte demais?

Sinal acima do máximo também derruba a ONU, e costuma aparecer em clientes muito perto do POP. O caso tem guia próprio, sobre ONU com sinal alto, com a escolha do atenuador.

Quando o sinal da ONU vira problema?

Vira problema bem antes da luz vermelha: perto do limite, a ONU começa a oscilar, perder pacotes e reconectar. O assinante não fala em sinal, fala em internet lenta ou que cai à noite.

No limite da sensibilidade, pequenas variações de temperatura ou de umidade bastam para a ONU sair e voltar da rede. O atendimento recebe chamados de lentidão, reinicia o roteador do cliente e fecha o caso, e o problema volta dias depois. O guia sobre por que a ONU desconecta sozinha mostra como separar esse caso de uma queda causada pelo Wi-Fi ou pela energia.

O outro momento crítico é a degradação em grupo. Uma emenda com água ou uma caixa mal fechada costuma piorar aos poucos, e só depois de semanas derruba todos os clientes de uma vez. Quem monitora vê a curva descendo; quem não monitora descobre na queda.

Na prática: a caixa que perdia sinal nas noites de chuva

Um padrão comum ajuda a entender o alerta de grupo. Numa rua, oito ONUs da mesma CTO mostram queda de 2 a 4 dB sempre depois de chuva forte, e o sinal volta ao normal em um ou dois dias.

  1. Alerta de grupo: o monitoramento avisa que várias ONUs da mesma caixa perderam sinal no mesmo intervalo.
  2. Leitura do histórico: o gráfico mostra que a queda coincide com os dias de chuva e que piora a cada mês.
  3. Conclusão: como todas as ONUs da caixa caem juntas, o defeito está na CTO ou na emenda antes dela, não nas casas.
  4. Visita programada: a equipe vai à caixa num dia seco, encontra a vedação aberta e refaz a emenda antes da queda geral.

Sem o histórico, cada um desses oito clientes viraria um chamado separado, com visita na casa e troca de ONU que não resolve nada.

Como ler a descida e a subida juntas

Comparar a leitura da ONU com a leitura da OLT dá uma pista do tipo de defeito antes de alguém ir a campo. A tabela resume os padrões mais comuns.

Padrões de sinal de descida e de subida e a causa mais provável
Descida na ONUSubida na OLTCausa mais provável
CaiuCaiu na mesma medidaPerda física no caminho: conector sujo, emenda ruim ou fibra danificada
Caiu bem maisCaiu poucoCurvatura no cabo, que afeta mais os comprimentos de onda maiores [CONFIRMAR]
NormalCaiuLaser da ONU enfraquecendo; confira a potência transmitida e a corrente do laser
Caiu em todas as ONUs da portaCaiu em todasMódulo da porta PON ou trecho antes do primeiro splitter

A tabela não substitui a medição com power meter ou OTDR, mas evita a visita errada. Se o padrão aponta para o laser da ONU, o técnico já sai com uma ONU de troca; se aponta para a caixa, ele vai direto à CTO.

Erros comuns ao monitorar sinal das ONUs

Os erros mais frequentes são guardar pouca coisa, alertar cada ONU sozinha e não guardar o ponto de partida. O resultado é um painel cheio de números e nenhuma visita planejada.

Evite ao monitorar o sinal

  • Só a descida: sem a leitura da subida na OLT, o laser da ONU morre sem aviso.
  • Sem valor da ativação: o limite fixo esconde a ONU que perdeu vários dB mas ainda está dentro da faixa.
  • Alerta por ONU com urgência: cada cliente vira uma mensagem, e o padrão da caixa se perde no meio.
  • ONU sem caixa cadastrada: sem saber a CTO de cada cliente, o alerta de grupo não existe.
  • Coleta a cada minuto: o sinal muda devagar, e ler milhares de ONUs nesse ritmo só pesa na gerência da OLT.

Seu monitoramento de sinal está completo se

  • Descida na ONU e subida na OLT estão guardadas para cada cliente.
  • O valor do dia da ativação de cada ONU está registrado.
  • Cada ONU está ligada à sua CTO e à porta PON.
  • Os limites de alerta seguem a classe óptica de cada porta.
  • Existe alerta de grupo para várias ONUs da mesma caixa.
  • O alerta de sinal gera visita programada, não chamado urgente.

Faltando dois itens ou mais, o monitoramento ainda depende do assinante para avisar. Para montar a coleta do zero, o passo a passo de como monitorar OLT mostra a ordem das etapas.

Perguntas frequentes

Qual a faixa de sinal normal para uma ONU GPON?

Depende da classe óptica da porta e do projeto da rede. Em geral, a ONU deve ficar com margem confortável acima da sensibilidade da classe e abaixo de -8 dBm [CONFIRMAR na norma ITU-T G.984.2].

De quanto em quanto tempo ler o sinal das ONUs?

O sinal muda devagar, então intervalos de 15 a 30 minutos costumam bastar [CONFIRMAR critério]. Queda de porta inteira se vê pela contagem de ONUs ativas, que é lida com mais frequência.

Dá para monitorar o sinal de ONU de outra marca?

Na maioria dos casos, sim, porque a leitura passa pela OLT e pelo OMCI, que é padronizado. Algumas ONUs não entregam temperatura e corrente do laser, e isso precisa ser testado antes de confiar no painel.

O sinal da ONU muda com a temperatura?

Muda um pouco, principalmente em cabos aéreos e em caixas expostas ao sol. Variação pequena ao longo do dia é normal; variação grande e repetida aponta para emenda, conector ou caixa com defeito.

Alerta de sinal da ONU precisa acordar alguém de madrugada?

Quase nunca. Sinal piorando gera visita programada no horário comercial; o que justifica acordar alguém é a porta inteira perdendo ONUs, que é outro alerta.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. ITU-T G.984.2: GPON, Physical Media Dependent layer: comprimentos de onda de descida e de subida e as classes ópticas B+ e C+ com sensibilidade e sobrecarga
  2. ITU-T G.988: ONU management and control interface (OMCI): canal de gerência pelo qual a OLT lê as medidas ópticas informadas pela ONU

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