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Implantação de TACACS: guia prático para provedores

Implantação de TACACS+: é centralizar o login de roteadores, switches e OLTs num servidor, com usuário próprio para cada pessoa da equipe. O mesmo servidor decide quais comandos cada um pode rodar e guarda tudo o que foi digitado, com usuário e horário.

Resumo

  • A senha única da equipe sai de cena, e cortar o acesso de quem saiu passa a ser uma mudança num lugar só.
  • O TACACS+ separa autenticação, autorização e registro, e consegue liberar ou negar comando por comando.
  • Dois servidores na rede de gerência e um usuário local guardado em cofre evitam trancar a equipe fora.
  • O registro de comandos responde quem mudou o quê, e a cópia dele fica fora do próprio servidor.

Por que sair da senha compartilhada?

Porque a senha compartilhada não diz quem fez cada mudança e não pode ser cortada de uma pessoa só. Quando alguém sai do provedor, a senha sai junto e continua valendo em todos os equipamentos.

Senha igual para toda a equipe em todos os equipamentos é comum em provedor pequeno. Quando alguém sai, a senha fica com ele, e ninguém sabe quem fez cada mudança.

Com TACACS+, cada pessoa entra com o próprio usuário e o acesso pode ser cortado num lugar só. É parte do desenho de rede de gerência para provedores, junto com a entrada única por VPN e a separação entre o tráfego dos assinantes e o tráfego administrativo.

As três funções do TACACS+
FunçãoO que faz
AutenticaçãoConfere quem está entrando
AutorizaçãoDefine o que cada um pode fazer
RegistroGuarda os comandos executados, com usuário e horário

O que o login individual responde e a senha única não

Numa queda causada por mudança de configuração, a primeira pergunta é quem mexeu e em quê. Com senha compartilhada, a resposta depende da memória de cada um.

  • Quem entrou: usuário, origem e horário de cada acesso a cada equipamento.
  • O que foi digitado: a sequência de comandos, na ordem, inclusive os que deram erro.
  • O que foi negado: tentativas de rodar comandos fora do perfil, sinal de erro ou de abuso.

O guia sobre o que fazer quando o técnico de rede saiu do provedor mostra o outro lado do problema: sem login individual, a troca de senhas vira uma maratona em cada equipamento.

Como funciona a implantação de TACACS?

O equipamento deixa de conferir a senha sozinho e passa a perguntar ao servidor TACACS+ a cada login e, se configurado, a cada comando. A conversa usa TCP na porta 49, com o conteúdo protegido por uma chave compartilhada.

O que acontece quando alguém da equipe entra num roteador com TACACS+
  1. 1 · Login

    A pessoa abre o SSH

    O técnico conecta no roteador pela rede de gerência e digita o próprio usuário e a própria senha.

  2. 2 · Autenticação

    O servidor confere a identidade

    O roteador repassa as credenciais ao servidor, que aceita ou recusa conforme o cadastro da pessoa.

  3. 3 · Autorização

    Cada comando é consultado

    Antes de executar, o roteador pergunta se aquele comando é permitido para o grupo do usuário.

  4. 4 · Registro

    Tudo vai para o log

    O comando executado segue para o servidor com usuário, equipamento e horário.

Se nenhum servidor responder, o roteador cai para o usuário local configurado como reserva. Por isso esse usuário existe e fica guardado em cofre.

A proteção do conteúdo pela chave é fraca pelos padrões de hoje, como a própria RFC 8907 reconhece. Isso reforça a regra de deixar os servidores e o tráfego de login dentro de uma rede de gerência isolada, atrás de firewall, e nunca expostos à internet.

TACACS+ ou RADIUS?

O TACACS+ controla comando a comando e separa as três funções, enquanto o RADIUS é mais simples e funciona em mais marcas. Muitos provedores acabam usando os dois.

Diferenças entre TACACS+ e RADIUS para login em equipamentos de rede
CritérioTACACS+RADIUS
TransporteTCP, porta 49UDP
Autorização por comandoSimNão, só por perfil de acesso
Registro de comandosSim, comando a comandoLimitado ao início e fim da sessão
Suporte em MikroTikNãoSim

Em rede mista, o desenho comum é TACACS+ nos roteadores e switches que suportam e RADIUS nos demais, ambos consultando a mesma base de usuários. Assim, desligar uma pessoa continua sendo uma mudança única.

Decisões de desenho antes de ligar

A decisão mais importante é garantir que a queda do servidor não tranque a equipe fora dos equipamentos. As outras definem onde os servidores ficam e quem pode fazer o quê.

  • Dois servidores: em locais diferentes da rede.
  • Usuário local de emergência: guardado em cofre, usado só se os servidores caírem.
  • Servidores na rede de gerência: nunca expostos à internet.
  • Grupos por função: NOC só consulta; quem mexe na borda tem acesso amplo.
  • Registro de comandos ativo: com cópia num servidor separado.
Exemplo de grupos por função num provedor regional
GrupoPode fazerNão pode fazer
NOCComandos de consulta, como ver interfaces, rotas e alarmesQualquer mudança de configuração
Técnico N2Mexer em portas de acesso, ONUs e VLANs de clienteAlterar BGP, roteamento ou filtros da borda
Especialista N3Configuração completa de borda e núcleoApagar o registro de comandos

Sua gerência ainda entra pelo IP público?

Na rede de gerência isolada, o Especialista separa o acesso administrativo, monta o login individual por TACACS+ ou RADIUS e deixa o acesso de emergência testado.

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Implantação de TACACS passo a passo

A implantação de TACACS exige dois servidores prontos, usuários e grupos cadastrados e um equipamento de teste antes de qualquer roteador de produção. A migração segue por grupo de equipamentos, sempre com o usuário local funcionando.

  1. Servidores: suba dois servidores TACACS+ na rede de gerência, em locais diferentes.
  2. Cadastro: crie um usuário por pessoa e os grupos por função, com os comandos de cada grupo.
  3. Equipamento de teste: configure um roteador de laboratório e confira login, autorização e registro.
  4. Reserva local: mantenha um usuário local forte, com a senha guardada em cofre.
  5. Migração: aplique por grupo de equipamentos, começando pelos menos críticos.
  6. Teste de queda: desligue os dois servidores numa janela e confirme o acesso pelo usuário local.

O exemplo liga um roteador a dois servidores TACACS+, com usuário local como reserva e registro de comandos.

Cliente TACACS+ em sintaxe Cisco IOS-XE
aaa new-model
!
tacacs server TACACS-1
 address ipv4 10.10.0.10
 key 0 TROCAR-POR-CHAVE-LONGA
tacacs server TACACS-2
 address ipv4 10.20.0.10
 key 0 TROCAR-POR-CHAVE-LONGA
!
aaa group server tacacs+ TACACS-GRUPO
 server name TACACS-1
 server name TACACS-2
 ip tacacs source-interface Loopback0
!
aaa authentication login default group TACACS-GRUPO local
aaa authorization exec default group TACACS-GRUPO local
aaa accounting commands 15 default start-stop group TACACS-GRUPO

No servidor, softwares abertos como o tac_plus-ng definem os usuários, os grupos e os comandos permitidos.

E o MikroTik?

O RouterOS não tem cliente TACACS+. Nele, o login centralizado é feito por RADIUS, com grupos definidos no servidor.

Exemplo: o que cada bloco da configuração faz

A configuração tem três partes: declarar os servidores, agrupá-los e dizer ao roteador quando consultar o grupo e quando cair para o usuário local.

  • tacacs server: declara cada servidor com o endereço na rede de gerência e a chave compartilhada.
  • aaa group server: junta os dois servidores e fixa a Loopback0 como origem das consultas.
  • aaa authentication e authorization: consultam o grupo primeiro e usam o usuário local só se nenhum responder.
  • aaa accounting commands 15: envia ao servidor cada comando de nível 15 digitado, com início e fim.

A palavra local no fim das linhas de autenticação e autorização é o que impede o bloqueio total. Sem ela, uma falha nos dois servidores deixa o roteador acessível só pelo console físico.

Login centralizado como parte de uma defesa maior

Login centralizado reduz o estrago de uma senha vazada, mas não substitui rede de gerência fechada nem atualização dos equipamentos. Ele é uma camada entre várias.

O hardening de roteadores e OLTs, com serviços desnecessários desligados e acesso de gerência filtrado por origem, fecha a porta que o TACACS+ só controla. Sem ele, um equipamento exposto continua recebendo tentativas de login de toda a internet.

A rede de gerência isolada também protege a equipe durante um ataque DDoS: se a gerência passa pelo mesmo link que está lotado, o técnico perde o acesso justo quando mais precisa.

Coletores de NetFlow, servidores de registro e servidores TACACS+ costumam morar nessa mesma rede, longe do tráfego dos assinantes e com acesso só pela entrada protegida.

Veja o que acontece quando essas camadas faltam em provedor invadido. Se a senha se perdeu com quem saiu da empresa, comece por recuperar configuração de MikroTik.

A regulação de segurança cibernética da Anatel para prestadoras, o R-Ciber, trata de controle de acesso e de registro de eventos, e o login individual ajuda a mostrar esse controle [CONFIRMAR na norma].

Erros comuns que trancam a equipe fora

Os erros mais comuns trancam a equipe fora dos equipamentos ou deixam o servidor vulnerável. Quase todos aparecem só no dia em que um servidor cai, por isso o teste de queda faz parte da implantação.

Evite

  • Um servidor só, sem usuário local de reserva.
  • Chave do TACACS+ curta e igual à senha antiga.
  • Servidor acessível pela internet.
  • Todos os usuários com acesso total.
  • Registro de comandos guardado só no próprio servidor.

Todo mundo com acesso total

Cadastrar todos no grupo de acesso completo resolve a identificação, mas desperdiça a autorização por comando.

Comece com três grupos simples e ajuste conforme as reclamações aparecerem. Um técnico do NOC que não consegue rodar um comando de consulta é um ajuste rápido no servidor; um técnico que apaga uma rota de borda por engano é uma noite inteira.

Checklist de validação do TACACS+

Teste a queda dos servidores antes de confiar no login centralizado. A implantação está pronta quando cada pessoa entra com o próprio usuário e o usuário local funciona com os dois servidores fora.

Marque o que já foi testado em cada grupo de equipamentos

  • Cada pessoa entra com o próprio usuário.
  • Um usuário do NOC não consegue mudar configuração.
  • Os comandos aparecem no registro com usuário e horário.
  • Com os dois servidores fora, o usuário local de emergência funciona.
  • A cópia do registro chega ao servidor separado.

Com os cinco itens marcados, o grupo de equipamentos está migrado. Um item falhando é motivo para parar antes do próximo grupo.

A Táquion Tech implanta o login centralizado com grupos por função e registro de comandos, dentro do projeto de rede de gerência, com atendimento remoto a provedores de todo o Brasil.

Perguntas frequentes sobre implantação de TACACS+

Posso usar o RADIUS dos assinantes para o login da equipe?

Não é recomendado misturar. O servidor dos assinantes fica exposto a muito mais tráfego, e o login da equipe deve morar na rede de gerência, com base de usuários própria.

As OLTs aceitam login por TACACS+?

Muitas OLTs suportam TACACS+ ou RADIUS para login. Confira o modelo e a versão de firmware antes de incluir a OLT na migração.

O que acontece se os dois servidores caírem?

O equipamento usa o usuário local configurado como reserva. Por isso a senha dele fica guardada em cofre e é testada em toda janela de manutenção.

Existe servidor TACACS+ de código aberto?

Sim. O tac_plus-ng e outros projetos abertos são usados por provedores. A escolha depende de quem vai manter o servidor atualizado.

O registro de comandos serve como prova numa investigação?

Ajuda a reconstruir o que aconteceu, desde que a cópia fique num servidor que o invasor não alcance. O valor legal de cada registro depende do caso [CONFIRMAR na norma].

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. RFC 8907, The Terminal Access Controller Access-Control System Plus (TACACS+) Protocol: especificação do TACACS+.
  2. RFC 2865, Remote Authentication Dial In User Service (RADIUS): protocolo alternativo para login centralizado.

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