Guia explicativo · Migração de rádio para fibra
Como funciona migração de rede de rádio para fibra no provedor
Como funciona migração de rede de rádio para fibra: a OLT entra no mesmo concentrador e no mesmo RADIUS que já atendem o rádio, e cada assinante troca a antena do telhado por uma ONU sem mudar de login nem de contrato. O trabalho segue uma ordem fixa, da leitura dos setores ao desligamento da última torre vazia, e cada etapa deixa um entregável que o provedor confere antes da seguinte.
Resumo
- O login PPPoE do assinante continua o mesmo; muda o caminho até o concentrador, que passa a ser a porta PON e a VLAN da OLT.
- A integração da OLT ao núcleo acontece antes do primeiro cliente, com perfis de velocidade e um login de teste.
- Na visita, a ONU sobe com o rádio ainda ligado, a sessão migra e só depois a antena sai do telhado.
- Cada setor de rádio tem um critério e uma data para ser desligado, e quem sobra nele é remanejado antes.
Como funciona migração de rede de rádio para fibra dentro da rede
Dentro da rede, a migração troca só o trecho entre a casa e o concentrador. O núcleo, o cadastro e as regras de cobrança continuam os mesmos, e é isso que permite migrar sem parar a operação.
Na rede de rádio, a antena do assinante funciona como ponte até o setor da torre, e o roteador da casa disca o login PPPoE pelo enlace até o concentrador. Na fibra, o mesmo login sai da ONU, passa pelo splitter e pela porta PON e chega à OLT, que entrega o tráfego ao concentrador numa VLAN de serviço.
Como o concentrador e o RADIUS não mudam, plano, bloqueio por inadimplência e endereço IP seguem as regras de hoje. Na migração de rede de rádio para fibra, a Táquion Tech configura a OLT no concentrador e no RADIUS que já existem, e as duas redes dividem um núcleo só enquanto convivem.
1 · Casa
ONU disca o login de sempre
A ONU, ou o roteador atrás dela, abre a sessão PPPoE com o mesmo usuário e senha que o rádio usava.
2 · Rede óptica
Splitter e porta PON
O sinal desce pela caixa de atendimento e pelo splitter até uma porta PON, dividida com os vizinhos.
3 · OLT
VLAN de serviço até o núcleo
A OLT marca o tráfego com a VLAN combinada e o entrega ao mesmo concentrador que atende o rádio.
4 · Núcleo
RADIUS troca o perfil
O RADIUS reconhece o contrato, responde com o perfil de velocidade da fibra e libera a navegação.
Enquanto o bairro está em transição, o concentrador recebe sessões pelos dois caminhos ao mesmo tempo. Para o núcleo, rádio e fibra são só duas portas de entrada diferentes.
Por que o login do assinante trava na troca?
Dois detalhes do RADIUS derrubam a primeira troca em muitos provedores. Os dois aparecem no teste da integração, antes do primeiro cliente, quando alguém sabe procurar.
- Trava de MAC: o cadastro aceita o login só do endereço físico da antena ou do roteador antigo, informado no atributo Calling-Station-Id; a ONU tem outro MAC e é recusada.
- Sessão única: o limite de uma sessão por login impede a ONU de conectar enquanto o rádio ainda está ligado com o mesmo usuário.
A saída é liberar a trava de MAC e permitir duas sessões só para os contratos em migração, por um prazo curto. Na maioria dos provedores, quem escreve esses atributos é o sistema de gestão, e o guia sobre como integrar a OLT ao ERP mostra onde essa regra costuma ficar.
Etapas da migração na ordem em que acontecem
São seis etapas, e nenhum assinante muda de rede antes da quinta. A tabela mostra quem trabalha em cada uma, o peso relativo no calendário e o que fica pronto no fim.
| Etapa | Quem trabalha | Duração relativa | O que fica pronto |
|---|---|---|---|
| Raio-x dos setores | Especialista, com acesso de leitura | Curta, se a gerência dos rádios tem histórico | Clientes, ocupação e sinal de cada setor |
| Fila de regiões | Especialista e dono do provedor | Curta | Mapa com a ordem e a nota de cada região |
| Projeto óptico | Projetista da rede FTTH | Média, cresce com o tamanho da etapa | Caixas, splitters e portas da região |
| Integração da OLT | Especialista, por acesso remoto | Curta, numa janela | VLAN, perfis e login de teste aprovados |
| Troca por região | Equipe de campo do provedor | A mais longa, presa ao ritmo de visitas | Clientes migrados com porta PON registrada |
| Desligamento | Especialista e equipe de campo | Curta por setor | Setor fora do ar e rádios com destino |
A obra da rede óptica corre entre a terceira e a quinta etapa e costuma ser o que mais pesa no calendário [PREENCHER prazo típico do plano da Táquion Tech]. O projeto da rede segue a lógica do guia sobre como fazer projeto de rede FTTH, com a diferença de que os assinantes já existem e têm endereço.
De onde saem os números do raio-x
O raio-x lê o que a gerência dos rádios já guarda. Quanto mais histórico existe, menos a etapa depende de visita às torres.
- Clientes por setor: lista de estações conectadas em cada rádio de base, lida por SNMP ou pelo sistema de gerência.
- Ocupação no pico: uso do tempo de ar e tráfego entre 19h e 23h, que mostra quais setores estão no limite.
- Sinal de cada cliente: nível e modulação, que separam o setor cheio do cliente mal alinhado.
Integração da OLT antes do primeiro cliente
A OLT é ligada ao núcleo numa janela própria, sem nenhum assinante. O teste é feito com um login criado só para isso, e a etapa termina quando ele navega com o perfil da fibra.
Nessa janela entram a VLAN de serviço até o concentrador, os perfis de velocidade no RADIUS, o modelo de provisionamento das ONUs e a gerência remota delas. O guia sobre como funciona a OLT explica o papel de cada perfil no equipamento.
Quando um setor de rádio pode ser desligado?
Um setor sai do ar quando os clientes que restam nele cabem em outro setor ou já têm data de troca. O critério vai escrito no plano, para a decisão não depender de quem está de turno.
Antes de desligar, os poucos assinantes que sobraram têm a antena reapontada para um setor vizinho. O canal liberado melhora o tempo de ar de quem segue no rádio, e estações licenciadas desligadas podem pedir baixa no cadastro da Anatel [CONFIRMAR na norma].
O que o provedor separa antes e o que recebe em cada etapa
O provedor separa dados, acessos e a equipe de campo, e recebe um entregável conferível ao fim de cada etapa. Dado que falta no começo vira visita às torres depois.
Antes do raio-x, o provedor já tem em mãos
- Exportação da base de clientes com endereço, coordenada ou CEP e plano contratado.
- Acesso de leitura à gerência dos rádios, com histórico de tráfego dos setores.
- Acesso ao concentrador e ao RADIUS, ou ao sistema de gestão que escreve neles.
- Mapa da fibra que já existe, mesmo que só num arquivo KMZ.
- OLT comprada ou definida, com módulos e quantidade de portas PON.
- Equipe de campo com dias livres na agenda para as visitas de troca.
- Texto do aviso aos assinantes, que é responsabilidade do comercial.
Sem histórico de tráfego nem base com endereço, o raio-x vira levantamento de campo. Os outros itens podem chegar durante a fila de regiões.
- Do raio-x e da fila: planilha com a nota de cada setor e o mapa com a ordem das regiões.
- Da integração: documento da VLAN, dos perfis e do modelo de provisionamento, com o login de teste aprovado.
- Da troca: roteiro da visita para a equipe de campo e relatório de clientes migrados e pendentes.
- Do desligamento: lista de setores fora do ar e destino de cada rádio e torre.
Quer migrar sem montar um segundo núcleo?
Na migração de rede de rádio para fibra, um Especialista lê os setores, integra a OLT ao concentrador e ao RADIUS atuais e entrega o roteiro de troca para a sua equipe de campo.
O valor do plano, a divisão entre plano, obra e transição e os fatores que mexem no orçamento estão no guia de quanto custa migração de rede de rádio para fibra.
Na prática: o que acontece na visita de troca
A visita segue um roteiro curto em que a antena é a última coisa a sair. O assinante fica sem internet só no tempo de passar o cabo para dentro da casa.
- Antes de sair: o técnico confere no relatório a caixa e a porta reservadas e se o contrato já está liberado para duas sessões.
- Na caixa: mede a potência óptica na porta da caixa de atendimento antes de puxar o cabo de descida.
- Na casa: passa o cabo, instala a ONU e confirma que ela foi reconhecida e provisionada na OLT.
- Sessão: a ONU, ou o roteador do cliente, sobe o login PPPoE pela fibra com o rádio ainda ligado.
- Teste: navegação e teste de velocidade com o perfil da fibra, na frente do assinante.
- Retirada: só então a antena sai do telhado, e o técnico registra porta PON, caixa e data no sistema.
# antes: assinante no rádio, preso ao MAC da antena e a uma sessão
cliente0001 Cleartext-Password := "TROQUE-ESTA-SENHA", Calling-Station-Id == "00:00:5E:00:53:01", Simultaneous-Use := 1
Framed-IP-Address = 198.51.100.21,
Mikrotik-Rate-Limit = "50M/50M"
# durante a troca: sem trava de MAC, duas sessões e perfil da fibra
cliente0001 Cleartext-Password := "TROQUE-ESTA-SENHA", Simultaneous-Use := 2
Framed-IP-Address = 198.51.100.21,
Mikrotik-Rate-Limit = "300M/300M"Depois que a antena sai, o contrato volta a ter uma sessão só. Deixar a liberação aberta por meses permite que o mesmo login seja usado em duas casas.
Erros por etapa e o sinal que cada um dá
Cada etapa tem um erro típico, e quase todos aparecem cedo para quem olha o lugar certo. A tabela liga o erro ao sinal que ele deixa.
| Etapa | Erro | Sinal que aparece |
|---|---|---|
| Raio-x | Ler só a média do dia, e não o pico da noite | Fila que começa por setor folgado e deixa o lotado para depois |
| Fila | Ignorar onde o concorrente já passou cabo | Cancelamentos no bairro que estava no fim da fila |
| Integração | Testar com login novo e esquecer a trava de MAC | Primeira ONU recusada pelo RADIUS na casa do cliente |
| Integração | VLAN de serviço diferente entre OLT e concentrador | ONU com luz verde e PPPoE que nunca recebe resposta |
| Troca | Retirar a antena antes do teste de navegação | Assinante sem rádio e sem fibra, com segunda visita |
| Troca | Não registrar porta PON e caixa | Suporte sem saber onde está o cliente na próxima queda |
| Desligamento | Desligar setor sem remanejar quem sobrou | Chamados de clientes que ficaram sem sinal de um dia para o outro |
Os dois erros da integração são os mais simples de evitar, porque aparecem no teste com o login de teste. Quando só aparecem na primeira visita, viram um assinante sem internet e um técnico parado na casa dele.
Exemplo de como funciona migração de rede de rádio para fibra num bairro
Um bairro hipotético, atendido por dois setores de 5 GHz, mostra a migração do raio-x ao último rádio desligado. Os números são ilustrativos e servem para mostrar a ordem, não um resultado.
No raio-x, o setor norte aparece lotado entre 20h e 23h e o setor sul tem folga, mas é no sul que um concorrente de fibra começou a passar cabo. A fila põe o bairro em primeiro lugar, com o sul na frente.
Com a rede óptica construída, a OLT é integrada numa janela de madrugada, e o login de teste revela uma trava de MAC no cadastro. A regra é ajustada para os contratos do bairro antes da primeira visita.
Na troca, a equipe faz as visitas pelo roteiro, e o relatório semanal mostra migrados e pendentes. Quando o setor sul fica com poucos clientes, eles têm a antena reapontada para o norte, o setor sul é desligado e o rádio vira reserva de enlace.
No fim da etapa, o provedor tem o bairro na fibra, um setor a menos para manter e o cadastro com a porta PON de cada contrato. A próxima região da fila começa com a integração já pronta e só repete a troca.
Perguntas frequentes
A ONU precisa trabalhar em modo bridge ou roteador?
Os dois funcionam. Em modo bridge, o roteador Wi-Fi que o cliente já tem continua discando o PPPoE; em modo roteador, a própria ONU disca e entrega o Wi-Fi, e o roteador antigo sai.
O endereço IP do assinante muda quando ele vai para a fibra?
Não precisa mudar, porque quem entrega o endereço é o concentrador, com base no cadastro do RADIUS. Clientes com IP fixo mantêm o mesmo, desde que o atributo do contrato não seja alterado na troca.
Dá para migrar clientes de rádio sem ter OLT própria?
Dá, quando o provedor usa a rede de um parceiro ou uma rede neutra, mas a integração passa a depender da VLAN que esse parceiro entrega. O roteiro de troca continua parecido; muda quem provisiona a ONU.
Quanto tempo o assinante fica sem internet na visita?
Só o tempo de passar o cabo para dentro e trocar a conexão do roteador, porque o rádio segue ligado até a fibra navegar. A duração depende do acesso à casa e da distância até a caixa [CONFIRMAR medição em campo].
O suporte precisa de roteiro novo durante a migração?
Precisa, porque o atendente passa a perguntar primeiro se o cliente já está na fibra. O cadastro com porta PON e data da troca é o que permite essa triagem na primeira ligação.
Fontes
- RFC 2516, A Method for Transmitting PPP Over Ethernet (PPPoE): descoberta e sessão PPPoE, o login que segue igual do rádio para a fibra
- RFC 2865, Remote Authentication Dial In User Service (RADIUS): atributos como Calling-Station-Id, usado na trava de MAC que derruba a primeira troca
- Passive optical network (Wikipédia em inglês): visão geral da rede óptica passiva com OLT, splitter e ONU