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Guia explicativo · Aterramento

Como funciona aterramento de equipamentos: etapas para empresas

Como funciona aterramento de equipamentos: o serviço cria um caminho de baixa resistência que leva o surto ao solo por fora dos equipamentos e iguala o terra de tudo o que está ligado à rede. Na prática, ele começa por inspeção e medição, segue com a correção em ordem de risco e termina com uma nova medição que prova o resultado.

Resumo

  • O surto sempre procura o caminho mais fácil até o solo; o aterramento decide que esse caminho não passe por dentro de um switch.
  • Tão importante quanto o terra ser bom é ser um só, ligado num barramento comum, sem diferença de tensão entre equipamentos.
  • Cada etapa tem um instrumento próprio, do terrômetro no solo ao multímetro nas tomadas do rack.
  • A empresa recebe medições de antes e depois, fotos de cada ligação e a lista dos protetores instalados.

Por que o surto queima equipamento e o que o terra faz com ele?

O surto é um pico de tensão que entra pela energia ou por um cabo e procura o caminho mais fácil até o solo. O aterramento oferece esse caminho por fora dos equipamentos, para que a corrente não atravesse placas e portas.

Um raio não precisa cair no prédio para queimar uma câmera. Basta cair perto: o campo elétrico induz tensão nos cabos de energia e de rede, e esse pico viaja até encontrar algo ligado à terra. Manobras da concessionária na rede elétrica também geram surtos menores e frequentes.

O aterramento de equipamentos trabalha em duas frentes. A primeira é ter um terra com resistência baixa no solo; a segunda, que muita empresa esquece, é ligar todos os equipamentos ao mesmo terra, para não haver diferença de tensão entre eles.

Caminho de um surto numa sala técnica aterrada
  1. Entrada

    Energia ou cabo externo

    O pico chega pela rede elétrica ou por um cabo que vem de fora, como o de uma câmera no muro.

  2. Desvio

    Protetor de surto

    O DPS percebe a tensão acima do normal e desvia a corrente para o condutor de terra.

  3. Ponto comum

    Barramento da sala

    A barra de cobre junta o terra da energia, dos racks e dos protetores num único potencial.

  4. Descida

    Condutor de aterramento

    Um condutor dedicado leva a corrente do barramento ao terra principal do prédio.

  5. Solo

    Hastes ou malha

    Os eletrodos enterrados espalham a corrente no solo, longe dos equipamentos.

Se qualquer elo falha, o surto escolhe outro caminho, quase sempre por dentro de um equipamento ligado a dois terras diferentes.

O que o protetor de surto faz e o que ele não faz

O DPS, dispositivo de proteção contra surtos, fica entre a energia ou o cabo e o equipamento. Em tensão normal ele não conduz; no pico, ele passa a conduzir e manda a corrente para o terra.

O DPS não cria terra. Instalado num terra fraco ou desligado, ele não tem para onde mandar o surto, e por isso a medição vem antes de qualquer protetor novo.

Por que dois terras separados são um problema

Quando a rede tem uma haste própria e a energia tem outra, o surto eleva um dos terras antes do outro. Um switch ligado aos dois, pela tomada e pelo cabo, vira a ponte entre eles e queima.

O mesmo efeito, em escala menor, gera os chamados laços de terra, que aparecem como ruído, erros em portas de rede e imagem de câmera com faixas.

Como funciona aterramento de equipamentos, da inspeção à medição final

O serviço passa por cinco etapas, e cada uma usa um instrumento diferente. A correção só começa depois que a medição mostra onde está o problema: no solo, no quadro ou dentro da sala.

Etapas do aterramento de equipamentos, o instrumento usado e a duração relativa
EtapaO que se fazInstrumentoDuração relativa
InspeçãoPercorrer quadros, racks, tomadas e cabos que saem do prédioFotos e lista de pontosCurta
Medição no soloMedir a resistência do terra principalTerrômetro com estacas auxiliaresCurta
Medição na salaContinuidade até cada rack e tensão entre neutro e terraMultímetro e medidor de continuidadeCurta
CorreçãoBarramento, ligações individuais e protetores de surtoFerramentas de prensagem e materialA mais longa
Medição finalRepetir as mesmas medições nos mesmos pontosOs mesmos aparelhos da primeira mediçãoCurta

O terrômetro mede a resistência do terra injetando uma corrente no solo e lendo a tensão entre estacas cravadas a distâncias definidas, no método conhecido como queda de potencial [CONFIRMAR na norma, ABNT NBR 15749]. Já a tensão entre neutro e terra, medida com multímetro na tomada do rack, mostra se o terra está misturado com o neutro em algum ponto.

Os prazos mudam com o número de salas e com a necessidade de obra no solo; o do seu caso vem na proposta [PREENCHER prazo típico da Táquion Tech].

Em que ordem a correção acontece

A correção segue a ordem de risco, do que pode queimar equipamento amanhã ao que melhora o ruído. A parte do quadro fica com o eletricista responsável pelo prédio.

  1. Unir os terras: ligar a haste isolada da rede, se existir, ao terra principal pelo barramento.
  2. Barramento: fixar a barra de cobre na sala técnica e ligá-la ao terra principal com condutor dedicado.
  3. Racks: levar um condutor individual de cada rack até o barramento, sem ligar racks em fila.
  4. Protetores: instalar DPS no quadro, nas tomadas do rack e nas duas pontas dos cabos que saem do prédio.
  5. Conferir: refazer continuidade e tensão neutro-terra antes de liberar a sala.

Como funciona aterramento de equipamentos num prédio alugado ou em condomínio?

Funciona do mesmo jeito dentro da sala, mas o terra principal pertence ao prédio. A medição no solo e qualquer mexida no quadro geral precisam de autorização da administração e do eletricista do condomínio.

Se o terra do prédio reprovar, o relatório vira um documento para levar ao síndico. A empresa corrige o que é dela, a sala e os racks, e o prédio cuida do solo.

O que a empresa prepara antes da visita

A empresa prepara acesso, histórico e contatos. O histórico de queimas é o que mais ajuda, porque mostra por onde o surto tem entrado.

O que separar antes da inspeção

  • Lista do que queimou nos últimos anos, com a data aproximada e se havia chuva.
  • Acesso ao quadro geral, à sala técnica e ao local das hastes, se alguém souber onde ficam.
  • Contato do eletricista responsável pelo prédio e, em condomínio, da administração.
  • Lista dos cabos que saem do prédio, como câmeras externas, portão, interfone e ligação com outro bloco.
  • Planta elétrica ou projeto do prédio, se existir.
  • Uma janela fora do expediente para um desligamento curto no quadro, caso a correção peça.

Queimas que se repetem sempre no mesmo equipamento apontam para o cabo que chega nele. Esse padrão encurta a inspeção e direciona a medição.

Quer começar pela medição do terra?

No aterramento de equipamentos, um Especialista mede solo, continuidade e tensão nas tomadas da rede e entrega o plano de correção em ordem de risco.

Pedir proposta de aterramento de equipamentos

O valor da correção só sai depois da medição, porque é ela que diz se a obra fica na sala ou chega ao solo. Os fatores que pesam estão no guia sobre quanto custa aterramento de equipamentos.

Erros comuns em cada etapa e como perceber

Cada etapa tem uma falha típica que deixa a rede exposta mesmo depois do serviço. Quase todas aparecem no próximo temporal ou num número que não bate na medição final.

Falha típica de cada etapa do aterramento e o sinal que a denuncia
EtapaFalha típicaComo se percebe
InspeçãoEsquecer um cabo que sai do prédioA câmera do portão continua queimando
Medição no soloMedir logo depois de chuva forteO terra aprovado no verão reprova no inverno seco
Medição na salaMedir só um rackChoque em outro rack que ninguém conferiu
CorreçãoLigar racks em fila, um no outroUma ligação solta deixa todos os racks sem terra
CorreçãoTerminal sem prensagem ou com tinta por baixoContinuidade boa no dia e ruim meses depois
Medição finalMedir em pontos diferentes da primeiraO relatório não permite comparar antes e depois

Como saber, meses depois, que o aterramento está funcionando?

O sinal mais claro é a ausência de queima na estação de chuvas seguinte. Outros sinais aparecem antes e podem ser acompanhados pela própria empresa.

  • Choque: o formigamento ao encostar no rack some.
  • Erros de rede: portas do switch param de acumular erros sem motivo.
  • Câmeras: a imagem deixa de mostrar faixas e de cair em dia de chuva.
  • Protetores: os indicadores de estado dos DPS continuam verdes depois de um temporal.

Se os erros de rede continuam com o terra corrigido, o problema pode estar no cabo, no switch ou no link. O guia sobre rede da empresa lenta ajuda a separar essas causas.

Exemplo: distribuidora com galpão e escritório em prédios separados

O caso é ilustrativo e acompanha uma distribuidora com escritório na frente e galpão nos fundos, ligados por um cabo de rede. Ele mostra como a inspeção encontra o caminho do surto.

  1. Inspeção: o histórico mostra que o switch do galpão e a porta correspondente no escritório queimam juntos depois de temporais. O cabo de rede entre os prédios corre por um poste no pátio.
  2. Medição: cada prédio tem a própria haste. A resistência de ambas é aceitável, mas não há ligação entre os dois terras.
  3. Diagnóstico: num raio próximo, o terra de um prédio sobe antes do outro, e o cabo de cobre entre eles vira o caminho da corrente.
  4. Correção: a ligação entre os prédios passa a ser de fibra óptica, que não conduz eletricidade. Cada prédio ganha barramento próprio na sala, racks ligados individualmente e DPS na energia.
  5. Medição final: continuidade e tensão neutro-terra são refeitas nos mesmos pontos, com fotos de cada ligação.

A troca do cobre pela fibra entre prédios é uma solução comum para cortar o caminho do surto. O guia sobre o backbone do cabeamento estruturado explica esse trecho da rede que liga blocos e andares.

O que a empresa recebe no fim do serviço?

A empresa recebe o relatório com as medições de antes e depois, as fotos das ligações e a lista dos protetores instalados. Esse material serve de base para a próxima medição e para quem vier mexer na sala.

Itens entregues no fim do aterramento de equipamentos e o uso de cada um
ItemO que trazQuando a empresa usa
Medições de antes e depoisResistência do terra, continuidade e tensão neutro-terra por pontoNa próxima medição, para ver se algo piorou
Croqui do terraCaminho do barramento até o terra principal e de cada rackEm reforma ou mudança da sala
Fotos das ligaçõesTerminais, barramento e protetores instaladosPara conferir se alguém mexeu
Lista de protetoresLocal, tipo e indicador de estado de cada DPSDepois de cada temporal
Pendências do prédioO que fica com o eletricista ou o condomínioNa conversa com o síndico ou o proprietário

A Táquion Tech mede antes de corrigir e repete as medições nos mesmos pontos ao final. As referências usadas no relatório vêm de normas como a ABNT NBR 5410 e a ANSI/TIA-607 [CONFIRMAR na norma].

Aterramento da rede ou proteção contra descargas?

O aterramento de equipamentos protege a rede de surtos que entram pela energia e pelos cabos. Torre, antena e mastro no telhado pedem outro serviço, a proteção contra descargas em POPs, que trata do raio direto na estrutura.

Quando a sala técnica ainda vai nascer, o barramento entra junto com o rack. O guia sobre como funciona a montagem de sala técnica mostra em que etapa isso acontece.

Perguntas frequentes

Tomada de três pinos garante que o equipamento está aterrado?

Não. O pino do meio só protege se houver fio ligado a ele e se esse fio chegar ao terra do prédio. A medição de continuidade na tomada é o que confirma.

Posso ligar o terra no neutro para resolver o choque?

Não. Ligar terra e neutro na tomada coloca a carcaça do equipamento no caminho da corrente de trabalho e cria risco de choque grave. Essa união só acontece em ponto definido pelo projeto elétrico, feita pelo eletricista.

Cabo blindado precisa de cuidado especial no aterramento?

Precisa, porque a blindagem só funciona aterrada pelo rack e pelo patch panel ligados ao barramento. Blindagem sem terra pode captar ruído em vez de bloquear.

O terra piora com o tempo?

Pode piorar, porque hastes oxidam e o solo seca em certas épocas. Por isso a medição de antes e depois fica registrada, para ser repetida e comparada depois de reformas ou queimas.

Quem pode mexer no quadro de energia durante o serviço?

Só o eletricista habilitado, com a capacitação exigida para trabalho com eletricidade [CONFIRMAR na norma, NR-10]. A equipe de rede cuida da sala, dos racks e dos protetores nos cabos.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

Conheça a equipe da Táquion Tech

Fontes

  1. Earthing system (Wikipédia em inglês): como os sistemas de aterramento ligam a instalação ao solo e os arranjos mais comuns
  2. Ground loop (Wikipédia em inglês): por que dois terras em potenciais diferentes geram corrente e ruído entre equipamentos

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Thiago ManoelResponsável técnico