Como configurar OLT: passo a passo de qualquer marca para provedores
Como configurar OLT: em qualquer marca, a sequência é a mesma; primeiro uplink e VLANs, depois o perfil de banda de cada plano, o perfil de linha que liga a banda à VLAN e só então o cadastro da ONU pelo número de série. O que muda entre fabricantes é o nome dos comandos, não a lógica, e é essa lógica que este guia explica.
Resumo
- O GPON é igual em toda marca, por isso os conceitos de T-CONT, GEM port e VLAN se repetem em qualquer OLT.
- Decida no papel o modelo de VLAN, os planos e o padrão de nomes antes de digitar o primeiro comando.
- Um perfil de banda por plano vendido, nunca um por assinante, mantém a OLT legível quando a base cresce.
- A OLT só está pronta depois que uma ONU de cada modelo navega em cada plano e a configuração foi gravada.
Como configurar OLT de qualquer marca a partir da mesma lógica
Toda OLT GPON segue as recomendações da ITU-T, então os blocos de configuração são os mesmos em Huawei, ZTE, Fiberhome, Datacom ou Intelbras. Quem entende os blocos troca de marca sem reaprender a rede, só a sintaxe.
Muita gente aprende a configurar a OLT decorando a sequência de comandos de um fabricante. Funciona até o dia em que o provedor compra uma segunda marca ou atualiza o firmware e os nomes mudam. O caminho mais estável é entender o que cada bloco faz e depois procurar o comando que faz aquilo na marca da vez.
Este guia trata da configuração lógica, depois que a OLT já está no rack, ligada e acessível. Para a OLT que vai nascer com o desenho definitivo, a implantação de OLT para provedores cobre o mesmo roteiro com teste das suas ONUs e documentação. Se a sua OLT é Huawei, o passo a passo com a sintaxe dela está no guia de como configurar OLT Huawei.
| Bloco | O que define | Na Huawei | Na ZTE |
|---|---|---|---|
| VLAN de serviço | Por onde o tráfego do assinante sai da OLT até o concentrador | vlan e port vlan no uplink | vlan e switchport vlan no uplink |
| Perfil de banda (DBA) | Quanto a ONU pode transmitir na subida | dba-profile | profile tcont |
| Perfil de linha (line profile) | T-CONT, GEM port e qual VLAN entra em cada GEM | ont-lineprofile | tcont e gemport na interface da ONU |
| Perfil de serviço | Como as portas da ONU tratam a VLAN | ont-srvprofile | pon-onu-mng |
| Ligação ONU e VLAN | O vínculo entre o GEM port da ONU e a VLAN da OLT | service-port | service-port na interface da ONU |
Os nomes da tabela valem para as linhas mais vendidas no Brasil e podem variar com a versão de firmware [CONFIRMAR na versão do equipamento]. O que não varia é a ordem: a ONU só pode citar um perfil que já existe.
T-CONT e GEM port em uma frase cada
O T-CONT é a fila de subida da ONU, e é a ele que a OLT entrega a fatia de tempo para transmitir. O GEM port é o canal lógico dentro dessa fila, e cada GEM carrega o tráfego de uma VLAN ou de um serviço.
Uma ONU só de internet costuma ter um T-CONT e um GEM. Com voz e IPTV, ganha um GEM para cada serviço, às vezes em T-CONTs separados para a voz não disputar fila com o download. O guia sobre como funciona a OLT mostra como a OLT reparte esse tempo de subida entre as ONUs.
O desenho que vem antes do terminal
Antes de configurar, escreva numa planilha as VLANs, os planos, a numeração dos perfis e o padrão de nomes. Essas quatro decisões ficam gravadas em cada ONU, e mudar depois exige mexer em todas.
O desenho é curto, cabe numa página, e responde a perguntas que o terminal não faz. Qual VLAN leva a internet? A gerência fica separada? Quantos planos existem e qual número de perfil cada um usa? Como a ONU vai se chamar dentro da OLT?
VLAN por serviço ou VLAN por cliente?
VLAN por serviço coloca todos os assinantes de internet na mesma VLAN, e é o modelo mais simples para quem usa PPPoE. VLAN por cliente dá uma etiqueta para cada assinante, quase sempre com QinQ, e isola um do outro já na camada 2.
| Modelo | Quando escolher | O que exige |
|---|---|---|
| VLAN por serviço | Base residencial com PPPoE e poucos serviços | Isolamento entre portas da ONU e do concentrador |
| VLAN por porta PON | Quer saber de que porta veio cada sessão sem olhar o RADIUS | Uma VLAN por porta, criada no uplink e no concentrador |
| VLAN por cliente (QinQ) | IPoE, clientes empresariais ou exigência de isolamento total | Concentrador que trate duas etiquetas e plano de numeração |
A escolha pesa também no concentrador, porque ele precisa receber as mesmas etiquetas. O guia de configuração de QinQ detalha o lado do switch e do concentrador quando a OLT usa duas etiquetas.
Padrão de nomes e de numeração
Nomes padronizados são o que permite automatizar depois. Defina uma regra e escreva junto do desenho.
- Perfis de banda: número que indica o plano e nome legível, como DBA-300M para o plano de 300 Mbps.
- Perfis de linha: um por combinação de serviços, como LINHA-INTERNET ou LINHA-INTERNET-VOZ.
- Descrição da ONU: o código do cliente no sistema de cobrança, nunca o nome da pessoa ou o endereço.
- VLANs: faixa reservada para cada uso, por exemplo gerência abaixo de 100 e serviços acima.
Passo a passo para configurar a OLT
São oito etapas, das que se fazem uma vez por OLT às que se repetem a cada assinante. Só as duas últimas entram na rotina diária, e são elas que valem automatizar.
- Acesso e firmware: troque a senha de fábrica, crie usuários individuais e confira se o firmware é o homologado para a sua rede antes de qualquer cliente.
- Gerência: dê à OLT um endereço na VLAN de gerência, com rota, servidor de horário e destino de log, separada da VLAN dos assinantes.
- Uplink: crie as VLANs de serviço e libere-as nas portas de subida, com agregação de links quando houver dois cabos até o concentrador.
- Perfis de banda: um perfil DBA por plano, com a banda máxima de subida e, para clientes empresariais, uma parte garantida.
- Perfil de linha: T-CONT apontando para o DBA, GEM port criado e a VLAN mapeada no GEM.
- Perfil de serviço: quantas portas Ethernet e de telefone a ONU tem e como cada uma marca a VLAN.
- Cadastro da ONU: a ONU descoberta na porta é cadastrada pelo número de série, com os perfis de linha e de serviço e a descrição padrão.
- Ligação com a VLAN: a service-port, ou o equivalente da marca, liga o GEM da ONU à VLAN da OLT, e a configuração é gravada.
Configurar uma OLT exige paciência nas seis primeiras etapas e disciplina nas duas últimas. A Táquion Tech configura OLTs de várias marcas à distância e só libera o primeiro cliente depois de ativar uma ONU de cada modelo em cada plano.
Sua OLT vai receber os primeiros assinantes?
Na implantação de OLT, um Especialista grava uplinks, VLANs e perfis por plano, testa com as ONUs que você compra e entrega o roteiro de ativação para a sua equipe.
Exemplo: como configurar OLT na sintaxe ZTE
O exemplo usa a sintaxe das OLTs ZTE da linha C300, com internet na VLAN 100, gerência na VLAN 10 e uma ONU em bridge. Comparar com o exemplo Huawei do outro guia mostra que só os nomes mudam.
Troque slots, portas e VLANs pelos da sua OLT. Os endereços são de documentação, reservados para exemplos, e servem só para mostrar onde cada valor entra.
VLANs, uplink e perfil de banda
A primeira parte cria as VLANs, libera as duas no uplink e cria o perfil de banda do plano de 300 Mbps. O uplink do exemplo está na placa 19; na sua OLT pode ser outra.
configure terminal
vlan 10
exit
vlan 100
exit
interface gei_1/19/1
switchport mode trunk
switchport vlan 10,100 tag
exit
interface vlan 10
ip address 192.0.2.20 255.255.255.0
exit
ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 192.0.2.1
gpon
profile tcont DBA-300M type 4 maximum 307200
exitCadastro da ONU e ligação com a VLAN
Na ZTE, a ONU é cadastrada na porta PON e configurada em duas partes: a interface da ONU, com T-CONT, GEM e service-port, e o gerenciamento remoto da ONU, que diz como a porta Ethernet trata a VLAN.
show gpon onu uncfg
interface gpon-olt_1/2/1
onu 1 type ZTE-F601 sn ZTEGC0A1B2C3
exit
interface gpon-onu_1/2/1:1
name CLIENTE-0001
tcont 1 profile DBA-300M
gemport 1 tcont 1
service-port 1 vport 1 user-vlan 100 vlan 100
exit
pon-onu-mng gpon-onu_1/2/1:1
service 1 gemport 1 vlan 100
vlan port eth_0/1 mode tag vlan 100
exit
writeO número de série é fictício e o tipo de ONU precisa existir na lista da OLT. Em OLTs da linha C600, parte dos comandos mudou de nome, por isso confira o manual da sua versão antes de colar o bloco.
Como saber se a OLT ficou bem configurada?
A OLT está pronta quando uma ONU de cada modelo navega em cada plano e a configuração sobrevive a um reinício. Os testes levam pouco tempo com a OLT vazia e evitam a madrugada de correção com a base ligada.
Confira antes de liberar a OLT para o campo
- A ONU aparece online, com os perfis certos e sem alarme de incompatibilidade de portas.
- A potência recebida pela ONU de teste está dentro da faixa da classe óptica da porta [CONFIRMAR na ITU-T G.984.2].
- A sessão PPPoE ou IPoE sobe no concentrador e o teste de velocidade bate com o plano, na descida e na subida.
- Cada plano foi testado com cada modelo de ONU que a equipe instala.
- A OLT responde ao monitoramento por SNMP e manda log para o servidor de syslog.
- A gerência não responde a partir da VLAN dos assinantes nem da internet.
- A configuração foi gravada e a OLT voltou igual depois de um reinício de teste.
Qualquer item falhando indica volta à etapa correspondente do passo a passo. Corrigir agora custa minutos; corrigir com mil ONUs cadastradas custa uma janela de manutenção.
O teste de reinício parece exagero, mas é o único que prova que tudo foi gravado. Na rotina, a gerência também precisa ficar fechada; o hardening de OLTs trata das regras de acesso que vão além do usuário e da senha.
Erros comuns ao configurar uma OLT
Os erros que mais custam não travam a OLT no dia da configuração; eles aparecem quando a base passa de algumas centenas de assinantes. Quase todos nascem da pressa no desenho ou na padronização.
- Copiar a configuração de outra OLT sem ler: perfis de um POP com outra VLAN ou outro concentrador viram ONU online sem navegar.
- Um perfil por assinante: a OLT acumula centenas de perfis parecidos e ninguém sabe qual pode ser apagado.
- Descoberta automática sempre ligada sem regra: qualquer ONU conectada aparece para cadastro, inclusive aparelho de outra rede.
- Gerência na mesma VLAN dos assinantes: a OLT fica ao alcance de qualquer equipamento infectado da própria base.
- Esquecer de gravar: a OLT funciona com a configuração em memória até a primeira falta de energia.
- Limite de banda só no concentrador: sem perfil de DBA coerente, a subida de um cliente disputa o tempo da porta com todos os outros.
Há também o erro que parece de configuração e é físico. Quando várias ONUs de uma porta caem juntas depois de um cadastro novo, a suspeita é uma ONU transmitindo fora da janela dela, como explica o guia sobre OLT derrubando ONU.
Quando vale chamar um Especialista para configurar
Vale quando a OLT vai nascer com o desenho definitivo, quando a rede tem mais de uma marca ou quando a OLT atual já tem perfis demais para arrumar sem parar clientes. Nos três casos, refazer depois custa mais que acertar agora.
Para quem já configura bem e quer parar de digitar o cadastro de cada ONU, o próximo passo é o provisionamento automático de ONU, que só funciona sobre perfis e nomes padronizados.
Perguntas frequentes
Preciso de cabo console para configurar a OLT pela primeira vez?
Na maioria das marcas, sim, porque a OLT sai de fábrica sem endereço de gerência ou com um endereço padrão. Depois de configurar a gerência pelo console, o restante pode ser feito por SSH ou pelo sistema de gerência do fabricante.
Dá para configurar OLT de marcas diferentes com o mesmo padrão?
Dá, e é o recomendado. Os nomes dos perfis, as VLANs e a descrição das ONUs podem seguir a mesma regra em todas as marcas, mesmo que os comandos sejam diferentes.
Qual a diferença entre perfil de linha e perfil de serviço?
O perfil de linha cuida do que acontece na fibra, ou seja, T-CONT, GEM port e qual VLAN vai em cada GEM. O perfil de serviço cuida do lado de dentro da ONU, dizendo quantas portas ela tem e como cada porta trata a VLAN.
A OLT precisa de IP público para funcionar?
Não, e é mais seguro que não tenha. A gerência deve usar endereço privado numa VLAN própria, alcançada pelo NOC por rede interna ou VPN.
Quanto tempo leva para configurar uma OLT nova?
Depende do número de placas, de serviços e de modelos de ONU a testar, e o tempo de digitar comandos é a menor parte. O desenho e os testes ocupam quase todo o trabalho [CONFIRMAR prazo típico da Táquion Tech].
Fontes
- ITU-T G.984.3: camada de convergência de transmissão do GPON: origem dos conceitos de T-CONT, GEM port e alocação dinâmica de banda usados em todas as marcas
- ITU-T G.988: OMCI, gerência da ONU pela OLT: canal pelo qual a OLT aplica na ONU o que o perfil de serviço define