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Guia explicativo · MikroTik

O que é MikroTik e para que serve: explicação para provedores

O que é MikroTik e para que serve: é a fabricante letã de roteadores e switches que roda o sistema RouterOS, e serve para o provedor fazer borda BGP, concentrador PPPoE, CGNAT e ligação entre POPs com o mesmo sistema. Entender para que serve o que é MikroTik e o que já pede outro equipamento é o que separa um provedor que cresce de um que trava.

Resumo

  • A MikroTik fabrica os equipamentos RouterBOARD e desenvolve o sistema RouterOS, que roda em todos eles.
  • O mesmo RouterOS faz borda, concentrador, CGNAT e agregação, o que facilita começar com poucos equipamentos.
  • O CHR é a versão do RouterOS para máquina virtual, usada em servidores x86 do próprio provedor.
  • O problema aparece quando o crescimento empilha funções num roteador só e uma pessoa só sabe mexer nele.

O que é MikroTik e para que serve

MikroTik é uma fabricante da Letônia que produz roteadores, switches e rádios e desenvolve o RouterOS, o sistema que roda neles. Num provedor, serve para rotear, autenticar assinantes, fazer NAT e ligar POPs.

A empresa nasceu em 1996, em Riga, segundo a Wikipédia, e ficou conhecida em provedores regionais do mundo todo por vender equipamento com sistema completo de roteador por um custo de entrada acessível. No Brasil, boa parte dos provedores começou com um MikroTik na borda e outro como concentrador.

O ponto central não é o hardware, e sim o sistema. O mesmo RouterOS roda num roteador de mesa e num equipamento de rack com portas de 10 ou 100 Gbit/s, com os mesmos menus e a mesma sintaxe. Por isso o suporte MikroTik para provedores trata o RouterOS como uma plataforma, e não como um modelo de caixa.

RouterOS, RouterBOARD e CHR, o que é cada um

Três nomes aparecem o tempo todo quando o assunto é MikroTik, e confundir um com o outro atrapalha na hora de comprar e de configurar.

Os três nomes mais comuns do universo MikroTik e onde cada um entra no provedor
NomeO que éUso típico no provedor
RouterOSSistema operacional de roteador da MikroTikRoda em todos os equipamentos e no CHR
RouterBOARDLinha de equipamentos físicos da marca, como CCR e RBBorda, concentrador e roteadores de POP
CHRRouterOS para máquina virtual em servidor x86Concentrador ou laboratório em servidor próprio
WinboxPrograma de gerência gráfica do RouterOSAcompanhar tráfego e estado das interfaces

A licença do RouterOS vem junto com o RouterBOARD e tem níveis que liberam recursos; no CHR, a licença limita a velocidade das portas [CONFIRMAR na documentação do fabricante].

Onde o MikroTik fica na rede de um provedor?

O MikroTik pode ocupar quase todas as posições da rede, da borda com as operadoras até o roteador do POP de bairro. O diagrama abaixo mostra o caminho de um pacote do assinante até a internet num provedor regional típico.

Caminho do tráfego de um assinante num provedor com MikroTik em várias posições
  1. Acesso

    OLT ou rádio no bairro

    O assinante chega pela fibra ou pelo rádio, e o tráfego sobe pela VLAN até o POP.

  2. Concentrador

    PPPoE e autenticação

    O MikroTik recebe a sessão PPPoE, consulta o RADIUS e entrega o endereço do assinante.

  3. CGNAT

    Tradução de endereços

    Quem não tem IP público passa pelo NAT da faixa 100.64.0.0/10, com registro das portas.

  4. Borda

    BGP com operadoras e IX.br

    O MikroTik da borda anuncia o bloco do provedor e escolhe por qual link cada destino sai.

Em provedor pequeno, as três últimas etapas costumam estar num único equipamento. É aí que nasce a maior parte dos problemas de crescimento.

Cada posição tem uma configuração e um limite próprios. A borda sofre com memória e reconvergência quando recebe a tabela completa; o concentrador sofre com CPU no pico; o CGNAT sofre com número de conexões.

Por que tantos provedores começam com MikroTik

Porque um único sistema resolve tudo no começo, com material de estudo farto, comunidade grande e equipamento fácil de achar. Um técnico que aprende o RouterOS consegue montar a rede inteira de um provedor pequeno.

Essa facilidade tem um preço que só aparece depois: a rede costuma ficar inteira na cabeça de quem montou, sem documentação e com funções empilhadas no mesmo roteador.

Para que serve o MikroTik e o que é o limite dele na prática

O MikroTik serve muito bem para provedores pequenos e médios, desde que cada equipamento tenha folga para a função que faz. O limite raramente está no recurso, e sim em capacidade, em reconvergência e em quem sabe operar.

O que o MikroTik faz bem no provedor e onde costuma aparecer o limite
FunçãoOnde vai bemOnde aparece o limite
Borda BGPUm ou dois trânsitos, IX.br e rota padrão ou parcialVários links com tabela completa e trocas frequentes de rota
Concentrador PPPoEMilhares de sessões divididas entre equipamentosMuitas sessões e muito tráfego num único roteador
CGNATBases com regras bem dimensionadas e registro externoVolume alto de conexões por cliente no horário de pico
Agregação e POPsLigações entre POPs com OSPF e VLANsPortas de alta velocidade além da capacidade do modelo

A tabela não diz que um modelo serve ou não serve, porque isso depende do equipamento e da versão. Ela mostra onde olhar primeiro quando a rede começa a reclamar.

Quer saber se os seus MikroTik ainda dão conta do que fazem?

No suporte MikroTik, um Especialista levanta a função de cada roteador, mede a folga no pico e indica o que ajustar, separar ou manter.

Pedir suporte MikroTik para sua rede

Quando o MikroTik vira problema?

Vira problema quando a rede cresce e a configuração não acompanha: funções empilhadas, versão antiga, nenhuma cópia e um único técnico que entende tudo. O equipamento costuma ser o último culpado da lista.

Marque o que já acontece no seu provedor

  • Um único MikroTik faz borda, concentrador e CGNAT ao mesmo tempo.
  • A CPU fica perto do limite à noite, mesmo sem ataque.
  • O RouterOS está numa versão antiga porque ninguém se arrisca a atualizar.
  • Só uma pessoa sabe acessar e mudar a configuração da borda.
  • Não existe export recente guardado fora do roteador.
  • Regras de firewall e NAT têm comentários como teste ou provisório.

Duas marcas ou mais indicam que o MikroTik deixou de ser ferramenta e virou ponto único de falha. Na maioria dos casos, a saída é reorganizar a configuração e separar funções, e não trocar de marca.

Exemplo: o provedor que cresceu em cima de um roteador só

Um provedor começa com um MikroTik fazendo tudo e chega a alguns milhares de assinantes sem mexer na arquitetura. Às sextas à noite, a navegação fica lenta e as sessões PPPoE começam a cair.

  1. Sintoma: lentidão no pico e quedas de sessão sem relação com nenhum link lotado.
  2. Causa: o mesmo roteador processava a tabela BGP, milhares de sessões PPPoE e todo o NAT, e a CPU chegava ao limite.
  3. Correção: o CGNAT e o concentrador foram para equipamentos próprios, e a borda passou a receber rota padrão mais rotas parciais.

Nenhum equipamento foi trocado por outra marca. A rede só deixou de pedir a um roteador o trabalho de três.

MikroTik ou outra marca na borda, como escolher?

A escolha depende do tráfego, do número de links, do tamanho da tabela e de quem vai operar. MikroTik, Huawei, Juniper e Cisco convivem em muitos provedores, cada um numa posição.

Critérios para decidir entre manter o MikroTik ou usar outra marca numa posição da rede
CritérioPesa a favor do MikroTikPesa a favor de outra marca
EquipeTécnicos já dominam o RouterOSEquipe já opera VRP, Junos ou IOS
Tráfego e linksPoucos links e tráfego dentro da folga do modeloMuitos links, tabela completa e tráfego alto
Suporte do fabricanteComunidade e documentação bastamContrato de suporte com troca de peça é exigência
Recursos avançadosBGP, OSPF, PPPoE e NAT resolvemMPLS em escala, segment routing ou BRAS com muitas sessões

Quando a decisão é levar a borda para Huawei, o guia de configuração BGP Huawei mostra como a mesma política fica no VRP, e o de como configurar roteador Huawei NE cobre a base do equipamento.

CHR em servidor próprio, quando faz sentido?

Faz sentido quando o provedor já tem servidores x86 com boas placas de rede e quer concentradores que cresçam trocando a máquina, sem trocar o sistema. A configuração é a mesma de um RouterBOARD.

O cuidado está no servidor: placa de rede, processador e virtualização passam a ser parte do roteador. Um CHR mal dimensionado sofre no pico do mesmo jeito que um equipamento pequeno, e a falha de um disco ou de uma fonte derruba o concentrador junto.

Antes de migrar, rode o CHR em paralelo com uma parte da base, compare o uso de processador no horário de pico e só então mova o restante dos assinantes.

Erros comuns de quem está começando com MikroTik

Os erros mais comuns de quem começa são usar a configuração de fábrica, deixar serviços abertos e não guardar cópia. Todos têm solução simples quando entram no roteiro desde o primeiro roteador.

Evite

  • Colocar em produção um roteador com a configuração de fábrica de uso doméstico.
  • Deixar Winbox, SSH e API abertos para a internet inteira.
  • Ficar em versão antiga do RouterOS por medo de atualizar.
  • Empilhar borda, concentrador e CGNAT no mesmo equipamento sem medir a folga.
  • Depender de uma pessoa só para qualquer mudança.

Para montar a base certa desde o começo, o guia de como configurar MikroTik traz o passo a passo, e o de como proteger MikroTik fecha os serviços que não devem ficar expostos.

A Táquion Tech atende provedores com MikroTik em todas as posições da rede, configura cada função com folga medida e não vende equipamento, para que a indicação de manter ou trocar seja só técnica.

O MikroTik é uma ferramenta versátil para provedores, e o que decide se ele ajuda ou atrapalha é a organização da configuração e a divisão das funções entre os equipamentos.

Perguntas frequentes

MikroTik é roteador ou sistema?

É as duas coisas: MikroTik é o nome da empresa, que fabrica os equipamentos RouterBOARD e desenvolve o sistema RouterOS. O sistema também roda em máquina virtual, na versão CHR.

MikroTik aguenta a borda de um provedor médio?

Muitos provedores médios usam MikroTik na borda, desde que o modelo tenha memória e processamento para a tabela e para o tráfego. O cuidado é medir a folga no pico e não empilhar outras funções no mesmo equipamento.

Precisa pagar licença para usar o RouterOS?

Nos equipamentos RouterBOARD, a licença já vem com o aparelho, em um nível que libera os recursos do modelo. No CHR, a licença é comprada à parte e define a velocidade máxima das portas [CONFIRMAR na documentação do fabricante].

O que é o Winbox do MikroTik?

É o programa de gerência gráfica do RouterOS, que mostra interfaces, tráfego e configuração em janelas. Ele ajuda a enxergar a rede, mas a configuração documentada costuma ser feita pelo terminal.

Vale a pena trocar o MikroTik por outra marca?

Só quando o limite é de capacidade ou de recurso que o RouterOS não cobre bem na sua escala. Na maioria dos casos, a reorganização da configuração e a separação das funções resolvem antes da troca.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. MikroTik (Wikipédia em inglês): origem da empresa em Riga, Letônia, em 1996, e linhas de produto RouterOS e RouterBOARD.
  2. Documentação do RouterOS (MikroTik): licenças do RouterOS e do CHR, Winbox e funções de roteamento.

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