Rede do provedor caiu o que fazer: a triagem por camada
Rede do provedor caiu o que fazer: antes de mexer em qualquer equipamento, descubra quem caiu, porque o tamanho da queda aponta a camada do problema. Depois siga de baixo para cima, de energia e transporte até a borda, e teste de um ponto de cliente para separar falta de rota de falta de DNS.
Resumo
- O escopo da queda diz onde procurar, seja a base inteira, uma cidade, uma OLT ou só quem navega por IPv4.
- A triagem vai de baixo para cima, de energia e transporte até a borda, sem pular camadas por palpite.
- Navegar por IP e não por nome é sinal de falha no DNS recursivo, que parece queda geral para o assinante.
- Religar tudo ao mesmo tempo cria uma avalanche de reconexões que pode derrubar a rede de novo logo depois.
Rede do provedor caiu: o que fazer primeiro
Primeiro confirme o tamanho da queda, separe quem investiga de quem atende e avise o atendimento com uma mensagem única. Só então comece a triagem técnica, com uma pessoa registrando o que cada um faz.
Quando o telefone dispara e o grupo de mensagens enche, a tentação é entrar em todos os equipamentos ao mesmo tempo. Esse é o caminho mais longo: duas pessoas mexendo em pontos diferentes sem combinar apagam as pistas uma da outra, e ninguém sabe depois o que resolveu.
Se a base inteira parou e ninguém da equipe tem uma suspeita clara, acione o suporte emergencial para provedor logo no início, e não depois de uma hora tentando. Enquanto o Especialista entra na rede, a sua equipe cuida do atendimento e do que é físico.
- Tamanho da queda: veja no monitoramento quantos equipamentos e assinantes estão fora, e desde que horas.
- Papéis: uma pessoa investiga, outra atende e uma terceira, se houver, anota cada passo com horário.
- Mensagem ao atendimento: um texto único para o N1 responder aos assinantes, sem prometer horário de volta.
- O que mudou: pergunte se alguém mexeu na rede, se faltou energia ou se houve obra perto de um cabo.
- Triagem: comece pela camada mais baixa que o escopo da queda indica, como mostra a próxima seção.
Quem caiu diz onde procurar
O padrão de quem ficou sem internet aponta a camada antes de qualquer comando. Compare o que você vê com as linhas abaixo.
| O que se vê | Camada provável | Onde olhar primeiro |
|---|---|---|
| Todos os assinantes, de todas as cidades | Borda, núcleo ou energia do POP central | Sessões BGP, roteador de borda e alimentação do rack |
| Uma cidade ou um POP inteiro | Transporte entre POPs ou energia daquele POP | Enlace de transporte, rádio ou fibra até o POP |
| Uma OLT ou uma porta PON | Rede de acesso | Alarmes da OLT e da placa, energia do armário |
| Clientes caem e não conseguem reconectar | Autenticação | Concentrador PPPoE e servidor RADIUS |
| Navega por IP, mas não abre site pelo nome | Serviço de DNS | Servidores DNS recursivos do provedor |
| Quem tem IPv6 navega, quem depende de IPv4 não | CGNAT | Equipamento ou pool de endereços do CGNAT |
Triagem por camada, de baixo para cima
A triagem por camada confere primeiro o que é físico e depois o que é lógico, porque uma falha embaixo derruba tudo o que está em cima. Cada camada tem um teste rápido que confirma ou descarta o problema.
1 · Energia
Rack, nobreak e gerador
Equipamentos ligados, nobreak sem alarme e gerador em funcionamento, se faltou energia.
2 · Transporte
Enlaces entre POPs
Interfaces de transporte no ar, nível óptico normal e rádios com sinal.
3 · Acesso
OLTs e portas PON
OLT respondendo, placas sem alarme e ONUs registradas nas portas.
4 · Autenticação
PPPoE e RADIUS
Sessões ativas no concentrador e RADIUS respondendo às autenticações.
5 · Núcleo
CGNAT e DNS
Tradução de endereços funcionando e DNS recursivo respondendo a consultas.
6 · Borda
BGP e operadoras
Sessões com as operadoras estabelecidas e rotas sendo recebidas e anunciadas.
Se o escopo da queda já aponta uma camada, comece por ela, mas confirme a camada de baixo com um teste antes de mexer na de cima.
Essa ordem segue a lógica do modelo OSI, em que cada camada depende da que está abaixo. Num provedor, ela evita o erro clássico de passar uma hora na configuração da borda quando o problema era um disjuntor desarmado no POP.
Por que começar pela energia e pelo físico
Falta de energia e fibra rompida são as causas mais rápidas de confirmar e as mais fáceis de esquecer. Um nobreak que segurou por quarenta minutos e descarregou parece, de longe, uma falha de configuração.
Se a queda começou junto com uma chuva forte ou um temporal, o guia de fibra que cai quando chove ajuda a separar dano físico de falha de energia. Quando a OLT voltou sozinha e caiu de novo, o caso pode ser o de OLT reiniciando sozinha.
Como testar de um ponto de cliente?
Três testes de um computador ligado como assinante separam falta de rota, falta de DNS e falta de autenticação. Eles levam menos de dois minutos e dizem em que camada continuar.
Use um ponto de teste no POP ou um assinante de confiança. O ideal é um computador conectado como cliente comum, passando pelo concentrador e pelo CGNAT, para ver a rede do jeito que o assinante vê.
# 1. O gateway do provedor responde?
ping 198.51.100.1
# 2. Um IP externo responde, sem depender de DNS?
ping 203.0.113.10
# 3. O nome resolve?
nslookup exemplo.com.br
# 4. Até onde o caminho chega?
traceroute 203.0.113.10 (Linux)
tracert 203.0.113.10 (Windows)- Gateway não responde: a falha está na rede de acesso ou na autenticação, antes do núcleo.
- Gateway responde e IP externo não: o problema está no CGNAT, no roteamento interno ou na borda.
- IP externo responde e o nome não resolve: o DNS recursivo caiu, e o resto da rede está funcionando.
- Traceroute para no mesmo salto: esse salto é o último equipamento que ainda encaminha o tráfego.
Exemplo: a internet caiu, mas era o DNS
Num domingo à tarde, o atendimento de um provedor recebe chamados de toda a base dizendo que nada abre. O técnico olha as sessões com as operadoras, todas estabelecidas, e o tráfego da borda, que caiu pela metade.
O teste de cliente mostra o gateway e o IP externo respondendo, e a consulta de nome sem resposta. O servidor de DNS recursivo tinha travado depois de uma atualização automática, e reiniciar o serviço trouxe a base de volta em minutos.
O tráfego da borda caiu porque os assinantes não conseguiam começar nenhuma conexão nova. Sem o teste, o técnico teria ligado para as duas operadoras antes de olhar um servidor que fica dentro de casa.
O que conferir em cada camada quando a rede do provedor caiu
Cada camada tem um sinal de que a falha está ali e um guia com o passo a passo completo. A tabela resume o primeiro teste de cada uma.
| Camada | Sinal de que a falha está aqui | Guia |
|---|---|---|
| Acesso | Portas PON com todas as ONUs fora ao mesmo tempo | OLT derrubando ONU |
| Autenticação | Sessões PPPoE zeradas ou caindo em massa no concentrador | PPPoE caindo todos os clientes |
| Núcleo | Concentrador ou CGNAT com processamento no limite | Concentrador PPPoE com CPU em 100% |
| Borda | Sessão com a operadora fora ou sem rotas | BGP caiu, o que fazer |
| Ataque | Link de entrada cheio de repente, sem aumento de assinantes | Ataque DDoS no provedor |
Ataque não é uma camada, mas entra na triagem porque derruba qualquer uma delas. Um link de entrada lotado em poucos segundos, fora do padrão do horário, pede a contenção do ataque antes de qualquer outro teste.
Já passou pelas camadas e a base continua fora?
No suporte emergencial, um Especialista entra na sua rede com acesso registrado, confere as camadas que faltam e devolve o serviço antes de investigar a causa.
Erros comuns na queda geral
Os erros que mais prolongam uma queda geral são reiniciar tudo de uma vez e deixar várias pessoas mexendo sem registro. Os dois apagam o rastro da causa e podem criar uma segunda queda.
Evite enquanto a base estiver fora
- Religar tudo junto: milhares de ONUs e sessões PPPoE voltando ao mesmo tempo sobrecarregam o concentrador e o RADIUS.
- Mexer sem anotar: sem a lista do que foi feito e quando, ninguém sabe o que trouxe a rede de volta.
- Silenciar o monitoramento: desligar alarmes para parar o barulho esconde o momento em que cada parte volta.
- Pular a energia: ir direto para a configuração sem confirmar que tudo no POP está ligado.
- Deixar o atendimento sem texto: cada atendente inventando uma explicação diferente gera mais ligações.
A volta controlada é tão importante quanto a correção. Quando a causa for resolvida, religue por partes, uma OLT ou um grupo de portas de cada vez, e acompanhe o concentrador antes de liberar o próximo grupo.
Quando vale chamar um Especialista?
Vale chamar quando a triagem não encontrou a camada em poucos minutos, quando a falha está na borda ou no núcleo e ninguém da equipe mexe com segurança ali, ou quando a rede volta e cai de novo. Nesses três casos, cada tentativa a mais aumenta o tempo da queda.
Marque o que já aconteceu nesta queda
- A equipe passou pelas camadas de baixo e não achou nada fora do normal.
- O problema está na borda, no CGNAT ou no concentrador, e só uma pessoa conhece esses equipamentos.
- A rede voltou depois de um reinício e caiu de novo pouco tempo depois.
- Há suspeita de ataque e ninguém sabe aplicar a contenção na borda.
- O técnico que conhece a rede não está disponível agora.
Uma marca já pede uma segunda opinião. Duas ou mais, com a base fora, pedem um Especialista entrando na rede agora, e não depois de mais uma tentativa.
A Táquion Tech trabalha junto com a equipe do provedor durante a queda, por acesso remoto individual e registrado, e entrega por escrito o que aconteceu depois que a rede volta. Se o técnico que conhecia a rede saiu, o guia sobre o técnico de rede que saiu do provedor mostra o que reunir antes da próxima queda.
Quanto a queda custa por hora
Uma conta simples ajuda a decidir quando chamar ajuda: multiplique os assinantes afetados pelas horas de queda e pense em quantos deles ligam, pedem desconto ou cancelam. Clientes empresariais com contrato de nível de serviço entram à parte, com a multa prevista em cada contrato.
A calculadora de custo da queda de rede faz essa conta com os seus números. Depois que a base voltar, o relatório pós-incidente registra a linha do tempo e o que muda para a queda não se repetir.
Perguntas frequentes
A internet caiu para todos os clientes, por onde começo?
Comece pelo monitoramento, para ver desde quando e quantos equipamentos caíram, e confirme a energia do POP central. Se tudo estiver ligado, teste de um ponto de cliente para saber se a falha é de rota ou de DNS.
Por que a rede volta e cai de novo logo depois?
Muitas vezes, porque todos os assinantes tentam reconectar juntos e sobrecarregam o concentrador e o RADIUS. Em outros casos, a causa real não foi tratada, e o reinício só limpou o sintoma por alguns minutos.
Como saber se o problema é DNS ou falta de rota?
Faça ping para um IP externo e depois tente resolver um nome. Se o IP responde e o nome não, o DNS recursivo está com problema e o roteamento está funcionando.
Devo avisar os assinantes durante a queda?
Deve, com uma mensagem única e honesta, sem prometer horário de volta que você ainda não conhece. Isso reduz as ligações e deixa a equipe técnica livre para investigar.
Queda geral de provedor precisa ser comunicada à Anatel?
Algumas interrupções precisam ser registradas ou comunicadas, conforme o porte do provedor e a duração da falha [CONFIRMAR na norma]. Guarde a linha do tempo da queda, porque ela serve para qualquer comunicação exigida.
Fontes
- Modelo OSI (Wikipédia): divisão da rede em camadas, base da triagem de baixo para cima
- RFC 2516 (A Method for Transmitting PPP Over Ethernet): como a sessão PPPoE é descoberta e estabelecida entre cliente e concentrador
- RFC 6888 (Common Requirements for Carrier-Grade NATs): requisitos do CGNAT, camada que separa quem navega por IPv4 de quem usa IPv6