Quanto cobrar por um projeto FTTH: guia de preço para projetistas
Quanto cobrar por um projeto FTTH: o preço sai das horas de cada etapa, do levantamento à documentação, somadas a deslocamento, ferramentas, impostos e margem, e depois convertidas na unidade que o cliente entende, como casa passada, quilômetro de rede ou poste. Como não há tabela pública que o mercado siga, quem projeta precisa conhecer o próprio custo antes de olhar o preço dos outros.
Resumo
- O escopo define o preço, porque levantamento, conta de potência e pedido à distribuidora são trabalhos diferentes.
- A forma mais segura é somar as horas por etapa e os custos diretos, e só depois aplicar rateio, margem e impostos.
- Cobrar por casa passada facilita a comparação para o cliente, mas exige ajuste para áreas rurais e densas.
- Revisões sem limite e rodadas de pendência na distribuidora são onde a margem de quem projeta costuma sumir.
Existe tabela de preço para projeto FTTH?
Não existe uma tabela pública de preço de projeto FTTH que o mercado siga, e o valor varia muito de uma região para outra [CONFIRMAR se alguma entidade do setor publica referência]. Por isso o preço precisa partir do custo de quem faz, e não de um número ouvido de colega.
Dois projetos com o mesmo número de casas podem exigir trabalhos muito diferentes. Um bairro denso, com postes cadastrados e distribuidora de regras claras, consome menos horas do que uma área rural sem levantamento, com travessias de rodovia e postes de dois donos.
Antes de pensar em preço, liste o que o cliente vai receber. Um projeto de rede FTTH completo inclui mapa, memorial, conta de potência, lista de materiais e pedido de ocupação; um desenho simples no mapa inclui só uma fração disso, e os dois não podem ter o mesmo preço.
O que o cliente está comprando de fato
O provedor não compra horas de desenho: compra a segurança de que a rede vai funcionar e de que a obra não vai parar. O guia sobre o que é projeto de rede FTTH lista as seis peças que essa segurança exige.
Quando o escopo fica claro na proposta, o cliente compara entregáveis em vez de comparar só o valor final. Isso protege quem cobra o preço justo de perder para quem entrega metade.
Por casa passada, por quilômetro ou fechado: como escolher a unidade?
A unidade de cobrança é só a forma de apresentar o preço, e a escolha depende de qual medida acompanha melhor o seu trabalho naquela área. O custo por trás continua sendo o mesmo cálculo de horas e despesas.
| Unidade | Como funciona | Vantagem para quem projeta | Risco |
|---|---|---|---|
| Casa passada | Valor por imóvel que a rede passa na frente | O provedor entende e compara com o plano de negócio | Área rural tem poucas casas por quilômetro e muito trabalho por casa |
| Quilômetro de rede | Valor por quilômetro de cabo projetado | Acompanha bem rotas longas e redes rurais | Bairro denso tem pouco cabo e muitas caixas para projetar |
| Poste | Valor por poste levantado ou projetado | Reflete o trabalho de campo e o pedido à distribuidora | Não mede a parte de divisão óptica e potência |
| Preço fechado | Valor único pela área e pelo escopo descritos | Simples de vender e de aprovar | Qualquer mudança de área ou de escopo vira discussão |
| Por etapa | Valor separado para levantamento, projeto, ocupação e as built | O cliente contrata só o que precisa | Exige escopo muito bem escrito em cada etapa |
Muitas propostas combinam unidades, como preço por casa passada para o projeto e preço por poste para o levantamento. Essa combinação acompanha melhor o esforço real do que uma unidade única para tudo.
Quando ajustar a unidade pela densidade
Em área rural, o mesmo valor por casa que funciona na cidade pode não pagar nem o levantamento. Em prédio, o trabalho por apartamento é pequeno, mas a prumada exige visita e conversa com o síndico.
Uma saída é ter faixas de densidade, com valor por casa maior quando há poucas casas por quilômetro. Outra é cobrar a área rural por quilômetro e a urbana por casa, deixando a regra escrita na proposta.
Quanto cobrar por um projeto FTTH em seis passos
Forme o preço de baixo para cima: escopo, horas por etapa, custos diretos, rateio dos custos fixos, margem e impostos. Só no fim converta o total na unidade que vai aparecer para o cliente.
- Escopo: descreva a área, o número de casas, os entregáveis e o que fica de fora, como taxas da distribuidora.
- Horas por etapa: estime levantamento, desenho, conta de potência, lista de materiais, plantas de postes e revisões.
- Custos diretos: some deslocamento, diárias, veículo, equipamento de campo e licenças de programa usadas no projeto.
- Custos fixos: rateie escritório, contador, computador e o tempo gasto vendendo e orçando projetos que não fecham.
- Margem e risco: acrescente a margem de lucro e uma reserva para rodadas de pendência que não dependem de você.
- Impostos e unidade: aplique a alíquota sobre o faturamento e divida o total por casa, quilômetro ou poste.
O passo que mais gente pula é o das horas de revisão. Todo projeto passa por ajustes com o cliente e quase todo pedido de ocupação volta com pendências, e esse tempo precisa estar no preço desde o início.
Prefere terceirizar o projeto em vez de montar a equipe?
A Táquion Tech faz o projeto de rede FTTH para provedores com levantamento, conta de potência, materiais e documentação para a distribuidora, com escopo fechado na proposta.
Fatores que aumentam as horas do projeto
Alguns fatores mudam muito o trabalho sem mudar o número de casas. A tabela ajuda a não esquecer nenhum deles na hora de estimar.
| Fator | Por que aumenta o trabalho | Como refletir no preço |
|---|---|---|
| Sem levantamento | Cada poste precisa ser visitado, fotografado e cadastrado | Cobrar o levantamento à parte, por poste |
| Distribuidora exigente | Mais detalhes de esforço e mais rodadas de pendência | Prever horas de revisão por rodada |
| Área rural | Rotas longas, poucas casas e travessias de estradas | Cobrar por quilômetro ou com faixa de densidade |
| Rede subterrânea | Dutos, caixas de passagem e compatibilização com a obra civil | Escopo e preço próprios |
| Rede existente | É preciso registrar o que existe antes de projetar a ampliação | Cobrar o registro como etapa separada |
| Prazo curto | Mais gente ao mesmo tempo ou trabalho fora do horário | Acréscimo por urgência escrito na proposta |
Exemplo: quanto cobrar por um projeto FTTH na planilha
A planilha abaixo mostra a ordem do cálculo, sem valores, para você preencher com os seus números. Ela evita o erro de aplicar a margem antes de somar todos os custos.
Horas de levantamento = postes da rota / postes por dia x horas por dia
Horas de projeto = desenho + conta de potência + lista de materiais
Horas de distribuidora = plantas e esforço + (horas por rodada x rodadas previstas)
Horas totais = levantamento + projeto + distribuidora + revisões com o cliente
Custo das horas = horas totais x custo da sua hora
Custo direto = custo das horas + deslocamento + diárias + licenças
Preço sem impostos = custo direto x (1 + rateio de custos fixos) x (1 + margem)
Preço final = preço sem impostos / (1 - alíquota de impostos)
Preço por casa passada = preço final / casas passadas
Note a última divisão de impostos: dividir por um menos a alíquota garante que, depois do imposto, sobre o valor que você calculou. Multiplicar pela alíquota e somar deixa o preço um pouco abaixo do necessário.
Quando cobrar pouco sai caro para quem projeta
Cobrar pouco sai caro quando o projeto exige mais horas do que o preço cobre, ou quando um erro de projeto vira obra refeita na conta do cliente. Os dois casos costumam acabar com o mesmo resultado: prejuízo e cliente insatisfeito.
- Revisões sem limite: cada mudança de área pedida pelo provedor consome horas que não estavam no preço.
- Pendências da distribuidora: rodadas de correção que se repetem por semanas, sem nenhum valor a mais.
- Levantamento refeito: dados de campo incompletos obrigam a voltar à rua, com novo deslocamento.
- Responsabilidade por erro: uma conta de potência mal feita aparece na obra, e o cliente cobra de quem projetou.
Um projeto com preço espremido tende a cortar justamente a conta de potência e a revisão, que são as partes que o cliente não vê na entrega. O guia de cálculo de orçamento de potência óptica mostra o tamanho desse trabalho quando feito porta a porta.
Erros comuns ao definir o preço do projeto
Os erros mais comuns vêm de escopo mal escrito e de custos esquecidos, e não do valor da hora. Eles aparecem só depois que o projeto começou.
Evite
- Copiar o preço por casa de outra região sem conferir se o trabalho é parecido.
- Esquecer o tempo gasto orçando e visitando clientes que não fecham.
- Incluir o pedido à distribuidora sem prever as rodadas de pendência.
- Prometer prazo sem condicionar à entrega dos dados pelo provedor.
- Deixar de fora da proposta o que não está incluído, como taxas e obra.
- Receber tudo no fim, em vez de cobrar por etapa entregue.
Checklist do que a proposta precisa deixar escrito
Uma proposta clara protege o preço e evita discussão no meio do projeto. Confira estes itens antes de enviar.
Confira antes de enviar a proposta
- A área está descrita com mapa ou polígono, e não só com o nome do bairro.
- Cada entregável aparece com o formato em que será entregue.
- O número de rodadas de revisão incluídas está escrito.
- O que não está incluído aparece de forma explícita, como taxas da distribuidora e obra.
- O prazo começa a contar a partir da entrega dos dados pelo cliente.
- O pagamento está dividido por etapas, ligadas a entregas concretas.
- Está definido quem protocola o pedido de ocupação e quem responde às pendências.
Cada item sem resposta é uma conversa difícil no meio do projeto. Resolver na proposta custa uma linha de texto; resolver depois custa horas e, às vezes, o cliente.
Como usar o preço de mercado sem copiar?
Use o preço de mercado para conferir se o seu cálculo está fora da realidade, e não para substituir o cálculo. Se o seu valor ficar muito acima, revise as horas; se ficar muito abaixo, revise o escopo.
Uma fonte pública e verificável são as contratações de órgãos públicos, que publicam edital e valor contratado. No Portal Nacional de Contratações Públicas dá para buscar contratos de projeto de rede óptica e ver escopo e preço lado a lado, lembrando que licitação tem exigências próprias.
Outra referência é perguntar a provedores quanto pagaram e o que receberam. A resposta só serve se vier com o escopo, porque um projeto sem conta de potência e sem pedido à distribuidora não se compara com um completo.
Do outro lado da mesa, o guia de quanto custa um projeto FTTH mostra como o provedor compara propostas, o que ajuda a escrever a sua. Os valores da Táquion Tech para projeto completo ficam em [PREENCHER faixa de preço da Táquion Tech].
Perguntas frequentes
Cobrar por casa passada ou por cliente conectado?
Por casa passada, porque o projeto atende todos os imóveis da área, e não só os que vão contratar. Cobrar por cliente conectado transfere para quem projeta o risco comercial do provedor.
O levantamento de postes entra no mesmo preço do projeto?
Pode entrar, mas o mais seguro é cobrá-lo à parte, por poste, porque o esforço varia muito com a área e com a base que já existe. Assim, se o provedor já tiver o levantamento, o preço do projeto cai sem renegociação.
Como cobrar as revisões pedidas pelo cliente?
Inclua um número de rodadas no preço e defina um valor por hora para as que passarem disso. Mudança de área depois do projeto aprovado deve ser tratada como aditivo, com novo prazo.
As taxas da distribuidora entram na proposta de quem projeta?
Em geral não: taxas de análise e o aluguel dos pontos de fixação costumam ser pagos pelo provedor à distribuidora [CONFIRMAR com a distribuidora da região]. Deixe isso escrito como item não incluído.
Vale cobrar mais caro por rede XGS-PON?
Vale cobrar pelo trabalho a mais, se houver: a conta de potência precisa considerar as duas tecnologias e alguns componentes mudam. A rota e o levantamento continuam iguais.
Fontes
- Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP): editais e contratos públicos de projeto de rede óptica, com escopo e valor contratado.
- Cost-plus pricing (Wikipédia em inglês): método de preço que soma custos e aplica uma margem, base do roteiro de cálculo do artigo.