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Guia de diagnóstico · DDoS

Extorsão com ataque DDoS: causas, diagnóstico e quando chamar um Especialista

Extorsão com ataque DDoS: o atacante ameaça derrubar a rede do provedor se não receber dinheiro, quase sempre em criptomoeda e com prazo curto. Não pague, guarde a mensagem, registre a ocorrência e use o prazo para combinar a contenção com a operadora, porque pagar não garante que o ataque pare.

Resumo

  • Pagar não compra proteção e coloca o provedor na lista de alvos que já pagaram uma vez.
  • Mensagem com IPs corretos e ataque de demonstração indicam que o atacante tem capacidade real de derrubar o link.
  • O prazo dado é a janela para deixar pronta a community de blackhole com cada operadora de trânsito.
  • Boletim de ocorrência e aviso ao CERT.br registram a ameaça e ajudam a medir se ela é campanha em massa.

Como funciona a extorsão com ataque DDoS

O atacante manda uma mensagem pedindo pagamento e ameaça lotar o link do provedor se não receber até um prazo. Muitas vezes, antes ou logo depois da mensagem, ele faz um ataque curto para provar que consegue.

A extorsão com ataque DDoS é um crime de pressão: o atacante vende a promessa de não atacar, e a moeda dele é o medo de ver a base inteira sem internet num horário de movimento. A mensagem chega por e-mail, formulário do site, WhatsApp comercial ou até pelo contato de abuso publicado no registro do sistema autônomo.

O ataque prometido costuma ser volumétrico. Em vez de invadir equipamentos, ele enche o link de trânsito com tráfego vindo de muitas origens, e o roteador de borda não tem o que filtrar quando o tubo já chega cheio. Por isso a defesa útil acontece antes do seu equipamento, na operadora, e precisa estar combinada antes do prazo.

A mitigação emergencial de DDoS organiza essa contenção e fica pronta para agir se o ataque vier. Se a rede já está fora do ar, peça atendimento de emergência para a sua rede e deixe a avaliação da mensagem para depois.

O ataque de demonstração

O ataque de demonstração é curto, de poucos minutos, e serve para dar credibilidade à ameaça. Ele costuma mirar um IP da borda, um servidor DNS ou um bloco usado pelo CGNAT, onde a queda aparece para muitos assinantes de uma vez.

Guarde os gráficos desse momento: horário de início e fim, interface afetada, volume de entrada e o IP que recebeu o tráfego. Esses dados mostram o tamanho do que o atacante consegue mandar e qual é o ponto mais exposto da rede.

Por que o pedido vem em criptomoeda

O pagamento em criptomoeda dificulta o rastreio e não depende de conta bancária no Brasil. Por isso o endereço da carteira é uma das provas mais importantes da mensagem.

Copie o endereço completo, sem abreviar, e anote o valor pedido e a moeda. Mesmo que o caso não avance na polícia, o mesmo endereço aparece em outras denúncias e ajuda a ligar a sua ameaça a uma campanha maior.

A ameaça é real ou é golpe em massa?

Mensagem com dados corretos da sua rede e ataque de demonstração indicam capacidade real. Mensagem genérica, sem IP e sem teste, costuma ser disparo em massa para ver quem se assusta e paga.

Antes de responder ou apagar qualquer coisa, compare o que a mensagem diz com o que os gráficos mostram. A tabela abaixo ajuda a separar a ameaça séria da tentativa de golpe.

Sinais de uma extorsão com ataque DDoS e o peso de cada um na avaliação do risco
O que você vêO que indicaPeso na avaliação
Nome do provedor, ASN e IPs corretos na mensagemO atacante estudou a rede antes de escreverAlto
Ataque curto antes ou logo depois da mensagemCapacidade real de lotar o linkAlto
Prazo curto e valor que sobe a cada diaPressão para pagar sem consultar ninguémMédio
Mensagem genérica, sem nenhum dado da redeDisparo em massa para muitos provedoresBaixo
Nome de grupo conhecido sem nenhum testeUso de fama alheia para assustarBaixo a médio

Nem toda queda depois da ameaça é ataque

Uma rede que cai no dia seguinte à mensagem pode ter outro defeito, como CGNAT travando jogos ou PPPoE caindo para todos os clientes. Confira o tráfego de entrada antes de culpar o atacante.

Por que escolheram o seu provedor

O atacante procura alvos que pareçam frágeis e que percam muito com a queda. Os motivos abaixo estão na ordem em que mais aparecem em provedor regional.

  • Ataques anteriores sem defesa: o provedor já caiu antes e demorou a voltar, o que fica visível para quem observa.
  • Uma única saída para a internet: um só link de trânsito cheio derruba todos os assinantes ao mesmo tempo.
  • Borda fácil de achar: IPs do roteador, do DNS e da gerência respondendo a qualquer um na internet.
  • Época de pico: fim de ano, grandes eventos e datas em que a queda custa mais em cancelamento.
  • Pagamento anterior: quem já pagou uma vez entra na lista de alvos que cedem à pressão.

Extorsão com ataque DDoS: o que fazer antes do prazo

Use o prazo do atacante para juntar provas, registrar a ameaça e deixar a contenção combinada com cada operadora. A ordem abaixo começa pelo que não pode se perder e termina com a defesa testada.

  1. Guarde a mensagem: salve o texto completo, o remetente, os cabeçalhos do e-mail, a carteira e os horários.
  2. Registre a ocorrência: faça boletim de ocorrência e envie a notificação ao CERT.br com a mensagem anexada.
  3. Ligue para a operadora: pergunte como acionar o descarte de tráfego e quem atende o NOC fora do horário comercial.
  4. Prepare o descarte: deixe pronta a configuração que anuncia o IP atacado com a community de blackhole.
  5. Esconda a borda: feche a gerência para fora e limite o que responde na internet.
  6. Combine o plano: escreva quem decide, quem fala com a operadora e o que o atendimento diz aos assinantes.

Faça isso mesmo que a mensagem pareça golpe. O trabalho de preparação serve para qualquer ataque futuro, com ou sem pedido de dinheiro, e custa menos do que descobrir no meio da queda que ninguém sabe o telefone do NOC.

O prazo do atacante está correndo?

Um Especialista avalia a ameaça, deixa a contenção combinada com as suas operadoras e acompanha a borda no dia prometido.

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Guardar as provas e registrar a ameaça

A mensagem original é a principal prova do crime, e apagá-la atrapalha tanto a polícia quanto a avaliação do risco. Exporte o e-mail com os cabeçalhos completos ou faça capturas de tela com data e número de origem.

Extorsão é crime previsto no Código Penal [CONFIRMAR na norma], e o boletim de ocorrência pode ser feito numa delegacia especializada em crimes cibernéticos, onde houver. O aviso ao CERT.br não substitui a polícia, mas ajuda a ligar o seu caso a outras ameaças parecidas.

Preparar o blackhole com a operadora

O blackhole descarta na operadora todo o tráfego destinado a um IP, antes que ele chegue ao seu link. É o recurso que salva o resto da base quando o ataque é maior que a sua capacidade.

O pedido é feito por BGP: o roteador de borda anuncia o IP atacado marcado com uma community que a operadora reconhece. A RFC 7999 define uma community padrão para isso, mas cada operadora pode usar a sua; confirme a de cada uma por escrito e teste antes do prazo. O guia de configuração de RTBH mostra a montagem passo a passo.

Fechar a gerência e reduzir o que aparece

Equipamento que responde a qualquer um na internet vira alvo fácil para quem está estudando a rede. Feche o acesso de gerência para fora e deixe só os IPs da equipe e do NOC.

Confira também se não há serviço aberto sem necessidade, como DNS recursivo para a internet inteira ou NTP respondendo a qualquer origem. Além de expor a borda, esses serviços podem ser usados contra outras redes no mesmo tipo de ataque.

Ataque DDoS com extorsão: o que fazer se ele começar?

Meça primeiro, contenha no ponto certo e comunique os assinantes enquanto o tráfego é descartado. Reiniciar a borda não para o ataque e apaga os contadores que mostram o alvo.

Resposta a um ataque DDoS depois de uma ameaça de extorsão
  1. 1 · Medir

    Achar o alvo e o tamanho

    Pelo NetFlow ou pelos contadores da borda, veja qual IP recebe o tráfego, o protocolo e o volume.

  2. 2 · Conter

    Descartar ou filtrar

    Ataque maior que o link vai para o blackhole na operadora; ataque menor e com padrão claro pode ser filtrado na borda.

  3. 3 · Comunicar

    Avisar quem atende

    O atendimento recebe um texto único sobre a instabilidade, sem citar extorsão nem valores.

  4. 4 · Registrar

    Guardar a linha do tempo

    Horários, alvos, volumes e decisões vão para o boletim de ocorrência e para o relatório interno.

O ataque costuma vir em ondas, mudando de alvo quando o primeiro IP é descartado. Mantenha alguém olhando o tráfego até ele parar de vez.

O guia sobre ataque DDoS no provedor detalha como ler o tráfego durante o ataque e como separar amplificação de inundação de pacotes pequenos.

Exemplo: ameaça seguida de ataque contra o pool do CGNAT

Um caso típico ajuda a ver a ordem das decisões. O provedor recebe a mensagem numa segunda-feira, com prazo até sexta, e na terça sofre dez minutos de ataque contra um endereço do pool do CGNAT.

  1. Segunda: a equipe guarda a mensagem, faz o boletim e confirma com as duas operadoras a community de blackhole.
  2. Terça: o ataque de demonstração mostra que o alvo é um IP público usado por centenas de assinantes ao mesmo tempo.
  3. Quarta: a borda é revisada, a gerência é fechada para fora e um texto pronto é entregue ao atendimento.
  4. Sexta: o ataque vem maior; o IP do pool é descartado na operadora e os assinantes dele migram para outro endereço.

Nesse cenário, o descarte tira um IP do ar, mas o resto da base continua navegando. Sem a preparação, o mesmo ataque lotaria o link e derrubaria todos.

Se chegar uma nova mensagem durante o ataque

É comum o atacante escrever de novo no meio do ataque, subindo o valor ou encurtando o prazo. Não responda e não negocie, nem para ganhar tempo.

Guarde a mensagem nova junto com a primeira e leve as duas ao boletim de ocorrência, porque juntas elas ligam o ataque à ameaça. Pagar nessa hora também não encerra nada: o tráfego pode continuar, e o provedor passa a ser conhecido como alvo que cede sob pressão.

Erros comuns diante da ameaça

Os erros mais caros são pagar, negociar e esperar o prazo sem falar com ninguém. Todos eles aumentam o risco ou apagam provas que a polícia e a operadora vão pedir.

Evite

  • Pagar. Não há garantia de que o ataque pare, e o provedor vira alvo de quem já sabe que ele cede.
  • Responder provocando ou tentando negociar um valor menor com o atacante.
  • Apagar a mensagem ou o e-mail original, que é prova do crime.
  • Esperar o prazo sem confirmar com a operadora como acionar o descarte de tráfego.
  • Reiniciar o roteador de borda no meio do ataque na esperança de que ele passe.
  • Contar aos assinantes que houve extorsão, o que gera pânico e atrai novos atacantes.

Outro erro frequente é tratar a ameaça como assunto só do dono. Quem atende o telefone, quem opera a rede e quem fala com a operadora precisam saber do plano antes, ou cada um vai reagir de um jeito no dia do ataque.

Se a mensagem cita senhas, configurações ou dados internos, a extorsão pode ter começado com uma invasão. Nesse caso, veja o guia sobre provedor invadido antes de qualquer outra coisa.

Quando vale chamar um Especialista

Vale chamar assim que a ameaça chega, para usar o prazo na preparação, ou na hora em que o ataque começar. O checklist abaixo mostra se o provedor já tem o mínimo para enfrentar o dia prometido.

Marque o que o seu provedor já tem pronto hoje

  • A community de blackhole de cada operadora de trânsito, confirmada e testada.
  • O telefone do NOC de cada operadora, com quem atende fora do horário comercial.
  • NetFlow ou sFlow exportado da borda, com alguém que saiba ler.
  • Gerência dos roteadores fechada para a internet.
  • Um texto pronto para o atendimento explicar instabilidade aos assinantes.
  • Um responsável definido para decidir o descarte de um IP.

Menos de quatro marcas indicam que o provedor vai improvisar no dia do ataque. Nesse caso, o prazo do atacante é a chance de fechar essas lacunas com ajuda.

A Táquion Tech atende provedores de todo o Brasil de forma remota nessa preparação e na contenção, como parte do suporte técnico N3. Para clientes com contrato, o tempo de resposta segue o que estiver escrito no contrato [PREENCHER tempo de resposta por contrato].

Se o provedor vende link dedicado para empresas, confira também o que o contrato com elas promete. Uma queda longa por ataque pode estourar o SLA desses clientes, e saber disso antes ajuda a decidir quais IPs merecem proteção paga de limpeza de tráfego.

Perguntas frequentes sobre extorsão com ataque DDoS

Devo pagar o valor que o atacante pediu?

Não. Pagar não garante que o ataque pare e marca o provedor como alvo que cede, o que atrai novas ameaças do mesmo grupo e de outros.

Onde registrar uma tentativa de extorsão com DDoS?

Faça boletim de ocorrência, de preferência numa delegacia especializada em crimes cibernéticos, e envie a notificação ao CERT.br. Guarde a mensagem original e o endereço da carteira pedida.

O provedor deve contar aos assinantes sobre a ameaça?

Não é preciso falar em extorsão com os assinantes. Se o ataque acontecer, o atendimento informa uma instabilidade na rede e o prazo de normalização, sem citar valores nem o atacante.

O que fazer ao sofrer um ataque DDoS com extorsão?

Se o tráfego já chegou, contenha primeiro: ache o IP atacado e peça o blackhole à operadora quando o volume passar do link. Depois guarde a mensagem, faça o boletim de ocorrência e não responda ao atacante, nem para negociar.

O blackhole derruba os outros clientes do provedor?

Não. O blackhole descarta só o tráfego do IP anunciado, e o resto da base volta a navegar. O custo é deixar aquele IP fora do ar enquanto o descarte estiver ativo.

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. CERT.br, notificação de incidentes: onde reportar ataques e tentativas de extorsão no Brasil.
  2. RFC 7999, BLACKHOLE Community: community padrão para pedir à operadora o descarte do tráfego de um IP atacado.
  3. Teletime, Norte e Nordeste crescem como alvos de ataques DDoS: crescimento dos ataques contra provedores regionais.

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