Guia de comparação · Suporte técnico
Diferença entre suporte N2 e N3: critérios de decisão para provedores
Diferença entre suporte N2 e N3: o N2 corrige o que afeta um assinante ou um trecho da rede de acesso, com mudanças pequenas e fáceis de desfazer, enquanto o N3 mexe no que é compartilhado por toda a base. Na dúvida, a pergunta que separa os dois é quantas pessoas caem se a correção der errado.
Resumo
- O N2 trabalha no cadastro, na ONU, na porta PON e na sessão do cliente, com acesso limitado de propósito.
- O N3 trabalha na borda, no CGNAT, no concentrador e no roteamento, onde um erro derruba a base inteira.
- Alcance, risco da mudança, recorrência e tempo gasto decidem o nível melhor do que o tipo de equipamento.
- A passagem do N2 para o N3 precisa de um prazo combinado e de um pacote de evidências no mesmo chamado.
O que é suporte N2/N3 e onde cada um começa?
Suporte N2 é o técnico que entra na rede de acesso para resolver o caso de um cliente; suporte N3 é o Especialista que entra no núcleo quando o problema é de muitos ou não tem causa conhecida. A fronteira entre eles é o ponto da rede em que a falha deixa de ser individual.
A apresentação dos três níveis, com o papel do atendimento, já está no guia sobre o que é suporte N1, N2 e N3, e o trabalho do último nível tem um guia próprio sobre o que é suporte N3. Aqui o assunto é outro: como decidir, chamado a chamado, se o caso fica com um ou sobe para o outro.
Essa decisão é o que mais pesa no dia a dia de quem terceiriza a fila técnica. No suporte técnico nível 2 para provedores, a Táquion Tech atende os chamados que o seu N1 repassa e escala ao N3 dentro do mesmo chamado, com o histórico e os testes junto.
O N2 olha para um assinante de cada vez
O trabalho do N2 começa com um nome de cliente e termina quando aquele cliente volta a navegar. Ele confere o cadastro no sistema de gestão, o perfil na OLT, a potência óptica da ONU e a sessão PPPoE.
Quase tudo o que o N2 altera é reversível em segundos: um perfil de banda, uma VLAN de serviço, uma ONU reprovisionada. Se der errado, quem sente é o próprio assinante do chamado.
O N3 olha para o que todos compartilham
O N3 começa por uma pergunta diferente: o que mudou num ponto por onde passa o tráfego de muita gente. Ele lê sessões BGP, tabelas de rota, uso de portas do CGNAT e a carga do concentrador.
Uma linha errada nesses equipamentos não afeta um cliente, afeta uma cidade. Por isso o N3 trabalha com janela, cópia da configuração anterior e plano de volta, mesmo quando a correção parece pequena.
Diferença entre suporte N2 e N3 em sete critérios
Sete critérios definem o nível de um chamado, e nenhum deles é a marca do equipamento. A tabela mostra o sinal que manda o caso para cada lado.
| Critério | Fica no N2 quando | Sobe para o N3 quando |
|---|---|---|
| Alcance | Um assinante ou poucos clientes da mesma porta PON | Vários bairros, várias OLTs ou a base inteira |
| Camada | Cadastro, ONU, VLAN de serviço e sessão do cliente | Borda, CGNAT, concentrador, roteamento interno |
| Risco da mudança | Um erro afeta só o cliente do chamado | Um erro derruba muitos assinantes ao mesmo tempo |
| Reversão | Volta atrás em segundos, sem janela | Exige janela, backup e plano de retorno |
| Causa | Conhecida, com roteiro escrito para ela | Desconhecida ou diferente de tudo que o roteiro cobre |
| Recorrência | Primeira vez, ou caso isolado | Terceira volta no mês do mesmo sintoma |
| Tempo gasto | Dentro do prazo combinado para o N2 | Passou do prazo sem hipótese clara |
A diferença entre suporte N2 e N3 é, portanto, uma questão de alcance e de risco, não de dificuldade técnica. Um provisionamento de ONU com defeito de firmware pode ser complicado e continuar no N2; uma linha de política de roteamento pode ser simples e exigir o N3.
O critério que mais engana é o volume de chamados
Muitos chamados ao mesmo tempo nem sempre significam problema de núcleo. Uma porta PON com fibra rompida gera dezenas de ligações e continua sendo assunto do N2 com a equipe de campo.
O sinal certo é o padrão dos afetados. Clientes de uma única porta apontam para o acesso; clientes espalhados por várias OLTs, com ONU e sessão normais, apontam para o núcleo.
Quem resolve cada caso da rotina?
Na rotina de um provedor regional, a maior parte dos casos tem um nível óbvio e alguns começam num e terminam no outro. A tabela mostra os oito que mais geram dúvida e o motivo da decisão.
| Situação | Começa no | Termina no | Por quê |
|---|---|---|---|
| ONU nova não autentica | N2 | N2 | Perfil, VLAN ou número de série no cadastro; afeta só aquele cliente |
| Plano trocado não aplicou | N2 | N2 | O servidor de autenticação entrega o perfil antigo; ajuste de cadastro |
| Sinal alto em várias ONUs da mesma porta | N2 | N2 | Problema físico na rede óptica; o N2 orienta o campo |
| Todas as sessões PPPoE caem juntas | N2 | N3 | O N2 confirma que o acesso está normal e o concentrador vira suspeito |
| Jogos não conectam para parte da base | N2 | N3 | Repetição em vários clientes aponta portas esgotadas no CGNAT |
| Lentidão geral no horário de pico | N3 | N3 | Capacidade de trânsito ou de concentrador, não de um cliente |
| Empresa com IP fixo sem acesso a um serviço | N2 | N3 | Se o bloco do cliente não está anunciado, a correção é na borda |
| Atualizar o firmware da OLT | N3 | N2 | Mudança planejada pelo N3; o N2 confere as ONUs depois da janela |
Repare na última linha: o caminho também desce. Depois de uma mudança grande, quem confere cliente a cliente é o N2, com uma lista do que olhar deixada pelo N3. Quando é o PPPoE que cai em massa, o guia sobre PPPoE caindo para todos os clientes ajuda o N2 a juntar as evidências antes de passar o caso.
Sua fila técnica não tem regra para escalar?
No suporte nível 2, a matriz de níveis da sua rede é escrita antes do primeiro chamado, com exemplos tirados dos seus próprios casos.
Na prática: o mesmo sintoma com dois destinos
O mesmo relato de lentidão pode terminar no N2 ou no N3, dependendo do que aparece em cada teste. O exemplo abaixo mostra onde a decisão muda.
Um cliente empresarial liga às duas da tarde dizendo que a internet está lenta e que as chamadas de vídeo travam. O N1 confere que a conta está em dia e abre o chamado técnico.
- Teste de acesso: o N2 lê a potência óptica da ONU, que está na faixa, e confere que não há erros acumulados na porta PON.
- Teste de perfil: o perfil de banda no concentrador bate com o contrato, e a sessão está ativa há vários dias sem queda.
- Teste de destino: a lentidão aparece só para alguns serviços, e outros clientes de bairros diferentes relatam o mesmo.
- Passagem: o N2 escala no mesmo chamado, com os três resultados anteriores, o horário de início e a lista de destinos afetados.
- Núcleo: o N3 vê que um link de trânsito está no limite e que o tráfego para aqueles destinos não usa a outra saída.
Se a potência estivesse fora da faixa no primeiro teste, o chamado terminaria no N2 com uma visita de campo. O que levou o caso ao N3 foi a combinação de acesso normal com afetados espalhados, o mesmo padrão descrito no guia sobre link de trânsito saturado.
Como passar o caso do N2 para o N3 sem recomeçar
A passagem funciona quando há um prazo combinado e um pacote mínimo de evidências. Sem os dois, o N2 segura demais ou o N3 recebe um chamado vazio.
O prazo é uma regra simples: se o N2 não tem uma hipótese clara depois de um tempo definido pela equipe, o caso sobe, mesmo que ainda haja coisas para tentar. O valor desse prazo muda com a gravidade e vai escrito na matriz de níveis [PREENCHER prazos por gravidade da Táquion Tech].
Antes de escalar ao N3, o chamado precisa trazer
- Horário em que o problema começou e se ele continua agora.
- Quantos assinantes estão afetados e de quais OLTs ou cidades.
- Resultado dos testes de sinal óptico, perfil e sessão de pelo menos um afetado.
- O que mudou na rede nos últimos dias, mesmo que pareça sem relação.
- O que o N2 já tentou e o efeito de cada tentativa.
Com os cinco itens, o N3 começa pelo diagnóstico, não pelas perguntas. Faltando dois ou mais, os primeiros minutos do Especialista vão para reconstruir o que o N2 já sabia.
Quem pode mexer em quê
A divisão de níveis só se sustenta se as permissões nos equipamentos acompanharem a matriz. Cada pessoa precisa de usuário próprio, com o alcance do seu nível.
- N2 com escrita: cadastro no sistema de gestão, perfis e ONUs na OLT, sessões no servidor de autenticação.
- N2 só leitura: borda, CGNAT e concentrador, para colher evidências sem alterar nada.
- N3 com escrita: borda, CGNAT, concentrador e roteamento interno, sempre com registro do que mudou.
Erros comuns na fronteira entre N2 e N3
Os erros nessa fronteira vão nos dois sentidos: escalar tarde demais e escalar tudo. Ambos custam tempo de queda e sobrecarregam quem não deveria estar naquele chamado.
Evite estes erros ao dividir o trabalho entre N2 e N3
- Segurar por orgulho: o N2 tenta por horas porque escalar parece admitir que não sabe; o prazo combinado acaba com isso.
- Escalar sem testar: o N3 recebe o chamado sem nenhum teste de acesso e repete o trabalho do N2.
- N3 fazendo fila: o Especialista passa o dia provisionando ONU e não tem tempo para a causa das quedas.
- Escrita na borda para todos: quem só deveria ler muda a política de roteamento durante a urgência.
- Chamado novo a cada nível: o histórico se perde e o cliente explica tudo de novo.
Quando um tipo de caso sobe para o N3 com frequência, o problema está no roteiro do N2, e não no N2. Transformar esse caso num procedimento escrito, como nos runbooks para a operação, é o que faz ele parar de subir.
Quando vale juntar ou separar N2 e N3?
O arranjo depende do volume da fila técnica e de quantos casos de núcleo aparecem por mês. Juntar os dois níveis numa pessoa só funciona até a primeira queda grande no meio de um dia de fila cheia.
- Uma pessoa faz os dois: comum em provedor pequeno, mas a fila para quando o técnico entra numa queda de núcleo.
- N2 e N3 da casa: faz sentido com base grande e casos de borda frequentes; exige duas pessoas em cada nível para cobrir férias.
- N2 da casa e N3 de fora: o técnico fica com a rotina e um Especialista externo entra nas falhas do núcleo.
- N2 e N3 de fora: libera o técnico para planejar a rede e funciona com a matriz de níveis escrita e acesso nominal.
Para saber em qual arranjo você está, conte os chamados técnicos de um mês e marque quantos precisaram de alguém do núcleo. Se o mesmo técnico resolveu as duas listas, a fila e as quedas estão disputando a mesma pessoa. Quando o problema é só a falta de quem cuide do núcleo, o suporte N3 para provedor cobre esse nível sem mexer na fila da casa.
Perguntas frequentes
O que é suporte N2/N3 num provedor de internet?
São o segundo e o terceiro níveis do atendimento técnico. O N2 resolve problemas de um cliente na rede de acesso, e o N3 resolve falhas no núcleo que afetam muitos assinantes ou não têm causa conhecida.
Um mesmo técnico pode fazer N2 e N3?
Pode, e muitos provedores pequenos funcionam assim. O risco é que a fila técnica para sempre que esse técnico entra numa queda de núcleo, e a rede fica dependente de uma pessoa só.
Quanto tempo o N2 deve tentar antes de escalar?
Não existe um número universal: o prazo é combinado pela equipe e muda com a gravidade do caso. O importante é que ele esteja escrito antes da queda, para a decisão não depender do humor de quem está no chamado.
Problema na OLT é sempre caso de N2?
Não. Uma ONU ou uma porta PON costuma ficar no N2, mas uma OLT inteira reiniciando, uplink instável ou atualização de firmware vão para o N3, porque afetam muitos assinantes ao mesmo tempo.
O N3 também atende chamados de cliente individual?
Só quando o caso de um cliente revela algo no núcleo, como um bloco de IP fixo que não está anunciado. Fora disso, o chamado individual é trabalho do N2, e o tempo do N3 fica para o que afeta a base.
Fontes
- Technical support (Wikipédia em inglês): seção "Multi-level tech support", com o papel do segundo e do terceiro níveis
- ITIL (Wikipédia em inglês): gestão de incidentes e escalonamento funcional entre grupos de suporte