Engenharia de redes para provedores de todo o Brasil e empresas de Santa Catarina.Engenharia de redes para provedores e empresas

Guia explicativo · Proteção de POPs

Como funciona proteção contra descargas atmosféricas em POPs: etapas

Como funciona proteção contra descargas atmosféricas em POPs: o POP é dividido em zonas, da torre exposta ao interior do rack, e cada fronteira entre zonas ganha uma barreira, seja captor, ligação à malha ou protetor de surto. O serviço começa pelo histórico e pela inspeção da torre, mede a malha, corrige em ordem de risco e termina com um padrão escrito que pode ser repetido nos outros POPs.

Resumo

  • Um raio pode atingir o POP por três vias, a torre, a rede elétrica e os cabos, e cada uma pede uma barreira diferente.
  • A proteção trabalha por zonas, e todo cabo que cruza de uma zona para outra precisa passar por um ponto aterrado.
  • O ideal é que todos os cabos entrem no abrigo por um único ponto, com o barramento de entrada logo ali.
  • No fim, o provedor recebe relatório de riscos, medições, mapa dos cabos da torre e um padrão para replicar.

Por que um POP com para-raios ainda queima equipamento?

Porque o para-raios cuida só do raio que atinge a torre, e a maior parte das queimas chega por outro caminho: a rede elétrica, os cabos que descem da torre ou a diferença entre terras. A proteção do POP precisa fechar todas as vias ao mesmo tempo.

POP, ou ponto de presença, é o abrigo ou armário onde ficam OLT, switches, rádios e retificador, quase sempre ao pé de uma torre e longe da sede. Um raio carrega correntes de dezenas de milhares de ampères em frações de segundo, e uma parte dessa energia sempre encontra os cabos ligados aos equipamentos.

A proteção contra descargas atmosféricas em POPs não tenta impedir o raio. Ela escolhe por onde a corrente vai passar e garante que, em cada ponto onde um cabo entra num espaço mais protegido, haja uma ligação ao terra esperando por ela.

As zonas de proteção do POP

As normas de proteção contra raios dividem o local em zonas, da mais exposta à mais abrigada [CONFIRMAR na norma, ABNT NBR 5419]. Num POP, essa divisão fica bem visível.

Zonas de um POP, o que cruza cada fronteira e a barreira usada
ZonaO que fica nelaO que cruza a fronteiraBarreira na fronteira
Externa expostaTopo da torre, antenas e rádiosO próprio raioCaptor e estrutura ligados às descidas
Externa sob o captorCorpo da torre e cabos presos a elaCorrente que desce pela estruturaDescidas e malha enterrada
Entrada do abrigoBarramento e passagem dos cabosCabos de rádio, energia e cabo óptico com metalLigação dos cabos ao barramento e DPS
Interior do rackOLT, switches, retificadorEnergia e cabos internosDPS mais fino junto aos equipamentos

O DPS, dispositivo de proteção contra surtos, aparece em mais de uma fronteira, em degraus: o da entrada aguenta mais corrente, e o do rack segura o que sobrou com mais precisão.

As três vias por onde o raio chega

Cada via tem uma assinatura diferente nas queimas, e reconhecer a assinatura encurta a inspeção.

  • Pela torre: queima no alto, rádios e antenas, às vezes com marcas visíveis na estrutura.
  • Pela energia: retificador, nobreak ou fonte da OLT danificados primeiro, mesmo sem raio na torre.
  • Pelos cabos: vários rádios da mesma torre queimando juntos, com a porta correspondente do switch.

Como funciona proteção contra descargas atmosféricas em POPs, etapa por etapa

O serviço passa por seis etapas, e as duas primeiras podem começar antes de alguém pisar no POP. A subida na torre e a correção dependem de tempo firme, o que define o ritmo do resto.

Caminho do serviço de proteção de um POP, do histórico ao padrão replicável
  1. Etapa 1

    Histórico e fotos

    Queimas por data, fotos da torre de todos os lados e lista de rádios e cabos por altura.

  2. Etapa 2

    Inspeção no local

    Captor, descidas, fixação dos cabos, passagem para o abrigo, quadro e protetores existentes.

  3. Etapa 3

    Medição

    Resistência da malha e continuidade entre torre, barramento, rack e quadro de energia.

  4. Etapa 4

    Relatório de riscos

    Fronteiras sem barreira, em ordem de risco, com materiais e o que é obra à parte.

  5. Etapa 5

    Correção

    Ligações à malha, ponto único de entrada, DPS na energia e nos cabos e fixação dos cabos na torre.

  6. Etapa 6

    Medição final e padrão

    As mesmas medições nos mesmos pontos e o padrão de proteção escrito para os outros POPs.

As etapas 2 e 5 envolvem subida em torre, que só acontece com equipe capacitada e sem previsão de tempestade [CONFIRMAR na norma, NR-35].

Em duração, o histórico e o relatório são curtos; a inspeção e a medição costumam caber numa visita; a correção é a etapa mais longa e pode ser dividida em visitas, começando pelo que mais queima. O prazo de cada POP vem na proposta [PREENCHER prazo típico da Táquion Tech].

Como funciona proteção contra descargas atmosféricas em POPs com muitos rádios na torre?

Cada cabo que desce da torre é um condutor paralelo à estrutura, e o surto se divide entre os dois. Por isso o cabo é ligado à estrutura no alto, perto do rádio, e de novo na base, antes de seguir para o abrigo.

Em torres altas, também há ligação em pontos intermediários [CONFIRMAR na norma o espaçamento]. Na chegada ao abrigo, todos os cabos passam pelo mesmo ponto de entrada, onde ficam o barramento e os DPS de dados, em vez de entrar cada um por um furo diferente.

Como se confere se o captor cobre a torre

A cobertura do captor é verificada por métodos geométricos previstos em norma, como o da esfera rolante, que mostra quais antenas ficam dentro da área protegida [CONFIRMAR na norma, ABNT NBR 5419]. Antena acima do captor fica exposta ao raio direto.

O que o provedor prepara antes da visita

O provedor prepara o histórico de queimas, o acesso ao local e a lista do que está na torre. Com isso, a primeira visita já sobe sabendo o que procurar.

O que separar para cada POP

  • Lista de queimas com data, equipamento afetado e se houve temporal no dia.
  • Fotos da torre de quatro lados, da base, da entrada dos cabos e do quadro de energia.
  • Lista de rádios e antenas, com a altura de cada um e o tipo de cabo que desce.
  • Chave, contato do dono do terreno e condição da estrada em dia de chuva.
  • Laudo ou projeto anterior de SPDA, se existir.
  • Janela de manutenção para um desligamento curto no quadro e nos rádios.
  • Logs do monitoramento mostrando quedas e reinícios nos dias de tempestade.

O cruzamento entre datas de queima e logs costuma apontar a via de entrada antes da subida. Quedas sincronizadas em vários rádios indicam os cabos; queda do retificador sozinho indica a energia.

Quer começar pelo histórico dos seus POPs?

Na proteção contra descargas em POPs, um Especialista cruza histórico e fotos, inspeciona a torre, mede a malha e entrega o relatório de riscos com as correções em ordem.

Pedir orçamento de cabeamento para sua obra

O valor da correção só sai depois do relatório de riscos, porque é ele que separa ligação simples de obra no solo. Os fatores que pesam estão no guia sobre quanto custa proteção contra descargas atmosféricas em POPs.

Erros comuns em cada etapa e o sinal que o provedor vê

Cada etapa tem uma falha que deixa uma fronteira aberta mesmo com o serviço feito. O sinal quase sempre aparece no monitoramento, na próxima temporada de chuvas.

Falha típica de cada etapa da proteção do POP e o sinal que aparece depois
EtapaFalha típicaSinal que aparece
HistóricoJuntar queimas de POPs diferentes numa lista sóA correção vai para o POP errado
InspeçãoNão subir e olhar só da baseCabo de rádio solto da estrutura no alto continua queimando o rádio
MediçãoMedir só a malha e esquecer a continuidadeMalha aprovada e rack ainda em outro potencial
RelatórioListar falhas sem ordem de riscoDinheiro gasto em captor enquanto a energia segue sem DPS
CorreçãoCabos novos entrando fora do ponto únicoUm rádio instalado depois volta a queimar
Medição finalNão registrar o padrão aplicadoO próximo técnico monta o POP seguinte do jeito antigo

O que olhar depois de cada temporal

A proteção é testada pelo tempo, e o monitoramento do provedor é a testemunha mais confiável. Uma rotina curta depois de cada tempestade mostra se alguma fronteira cedeu.

  • Logs: reinícios de rádios e da OLT na hora do temporal.
  • DPS: janelas de estado dos protetores e disjuntores associados.
  • Energia: alarmes do retificador e tensão das baterias.
  • Portas: erros acumulados nas portas do switch ligadas aos rádios.

Equipamento que reinicia sem queimar pode ter recebido um surto parcial. O guia sobre OLT reiniciando sozinha ajuda a separar surto de defeito, loop ou configuração.

Exemplo: torre compartilhada por dois provedores

O caso é ilustrativo e acompanha uma torre de bairro onde dois provedores instalaram rádios, cada um com o próprio abrigo. Ele mostra como a proteção atravessa a fronteira entre donos diferentes.

  1. Histórico: o provedor que contratou o serviço perdeu rádios e a fonte de um switch em dois temporais. O vizinho de torre teve queimas parecidas nas mesmas datas.
  2. Inspeção: o captor está acima das antenas, mas os cabos do segundo provedor descem soltos e entram no abrigo dele por um furo próprio. Cada abrigo tem a sua haste.
  3. Medição: a malha da torre está aceitável, sem ligação com nenhuma das duas hastes dos abrigos.
  4. Relatório: a prioridade é unir torre e abrigos na mesma malha e criar um ponto de entrada com barramento para cada abrigo. O relatório vira base para conversar com o dono da torre e com o outro provedor.
  5. Correção: com os três de acordo, a malha passa a ligar torre e abrigos; os cabos dos dois provedores são presos à estrutura no alto e na base; cada abrigo ganha DPS na energia.
  6. Padrão: fica escrito como novos rádios entram na torre, para que a próxima instalação, de qualquer provedor, siga o mesmo caminho.

O ponto delicado não foi técnico, e sim de acordo. Sem ligar os dois abrigos à mesma malha, a proteção de um provedor continuaria exposta ao terra do outro.

O que o provedor recebe no fim do serviço?

O provedor recebe o relatório de riscos, as medições de antes e depois e um padrão de proteção que serve para os outros POPs. O padrão é o que transforma um serviço pontual em regra da rede.

Itens entregues no fim da proteção de um POP e o uso de cada um
ItemO que trazPara que serve depois
Relatório de riscosFronteiras encontradas sem barreira, em ordem de riscoPlanejar o que ficou para uma segunda etapa
MediçõesMalha e continuidade, antes e depois, nos mesmos pontosComparar na revisão antes das chuvas
Mapa da torreCada cabo com altura, ponto de fixação e ligação à estruturaInstalar um rádio novo sem quebrar a regra
Lista de DPSPosição, classe e estado de cada protetorSaber o que conferir depois de temporais
Padrão de proteçãoComo cabos, energia e terra entram em qualquer POPRepetir nos outros POPs da rede
FotosLigações, barramento e entrada dos cabosMostrar o estado entregue ao próximo técnico

A Táquion Tech especifica os protetores pela posição de cada um no POP e não vende o material, que o provedor compra onde preferir. As referências do relatório vêm de documentos como a ABNT NBR 5419 e a recomendação ITU-T K.56 [CONFIRMAR na norma].

Proteção do POP ou aterramento da sala, qual é o seu caso?

Se há torre, mastro ou antena no telhado, o caso é a proteção do POP, porque a estrutura recebe o raio direto. Sala de equipamentos sem nada exposto no alto fica no aterramento de equipamentos, explicado em como funciona aterramento de equipamentos.

Quando a torre ainda vai ser projetada, a proteção entra junto com as posições das antenas. O guia de como funciona projeto de torres mostra em que etapa isso acontece.

Perguntas frequentes

O raio precisa cair na torre para queimar o POP?

Não. Um raio próximo induz tensão na rede elétrica e nos cabos, e esse surto chega ao POP sem tocar a torre. É por isso que a energia e os cabos de dados também precisam de barreira.

Cabo de rádio com blindagem dispensa protetor?

Não dispensa. A blindagem ajuda contra ruído, mas também conduz o surto se não estiver ligada à estrutura e ao barramento de entrada; o protetor de dados completa a barreira.

Quanto tempo leva para proteger um POP?

Depende do estado da malha, da altura da torre e do tempo na região. Inspeção e medição costumam caber numa visita, e a correção pode ser dividida em etapas [PREENCHER prazo típico da Táquion Tech].

Dá para padronizar a proteção em todos os POPs do provedor?

Dá, e é o recomendado. O padrão escrito no primeiro POP define como cabos, energia e terra entram, e os outros POPs seguem a mesma regra com ajustes ao local.

O que fazer com um POP que queimou ontem?

Antes de trocar o equipamento, fotografe as queimas, anote o que caiu e em que ordem e guarde os logs do dia. Essas informações mostram por qual via o surto entrou e evitam que o equipamento novo queime no próximo temporal.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

Conheça a equipe da Táquion Tech

Fontes

  1. ITU-T K.56 (União Internacional de Telecomunicações): recomendação sobre proteção de estações de rádio com torre contra descargas atmosféricas
  2. Lightning (Wikipédia em inglês): como se forma a descarga atmosférica e a ordem de grandeza da corrente de um raio

Leia também sobre o assunto

Outros guias que costumam ajudar no mesmo tipo de problema.

  • Fibra óptica e GPON

    Como funciona projeto de torres: etapas e entregas para provedores

    Como funciona projeto de torres: o projeto parte dos enlaces e setores que a torre precisa atender, calcula a altura de cada antena, distribui as posições por faixa e soma energia, aterramento e cargas numa lista que segue para quem faz o cálculo estrutural. O provedor recebe no fim o desenho da torre com cada antena, a conta de energia, o plano de aterramento e a lista de materiais para a equipe de montagem.

    11 min de leitura

  • Wi-Fi e redes corporativas

    Como funciona aterramento de equipamentos: etapas para empresas

    Como funciona aterramento de equipamentos: o serviço cria um caminho de baixa resistência que leva o surto ao solo por fora dos equipamentos e iguala o terra de tudo o que está ligado à rede. Na prática, ele começa por inspeção e medição, segue com a correção em ordem de risco e termina com uma nova medição que prova o resultado.

    12 min de leitura

Feche as três vias do raio nos seus POPs

Um Especialista cruza o histórico, inspeciona torre, abrigo, energia e cabos, corrige em ordem de risco e deixa um padrão de proteção para os outros POPs.

Falar com o André Comercial, no WhatsApp

Fale com a Táquion Tech

Quer um Especialista olhando a sua rede?

Deixe seus dados e um Especialista chama você no WhatsApp para entender o caso.

Um Especialista responde em até 45 minutos.

Pedido recebido. Protótipo: no site final, a pessoa vai para a página de obrigado e o pedido chega no WhatsApp ou e-mail da Táquion Tech.
Foto de Thiago Manoel
Thiago ManoelResponsável técnico