Engenharia de redes para provedores de todo o Brasil e empresas de Santa Catarina.Engenharia de redes para provedores e empresas

Guia explicativo · VoIP

Como funciona implantação de VoIP para provedores: etapas e entrega

Como funciona implantação de VoIP para provedores: o servidor de telefonia é montado e protegido, o tronco SIP da operadora é ligado a ele e a rede ganha um caminho próprio para a voz, da porta de telefone da ONU até o servidor. O projeto anda em três fases, decidir, montar e provar, e só abre a venda depois de ligações reais testadas no horário de pico.

Resumo

  • [object Object]
  • A voz ganha VLAN própria, endereço sem tradução de NAT e prioridade nas filas, para não disputar espaço com a internet.
  • A proteção contra fraude é configurada antes do primeiro ramal de cliente, e não depois da primeira conta alta.
  • O provedor recebe o servidor documentado, o procedimento de criar e remover linhas e o relatório dos testes.

Como funciona implantação de VoIP para provedores: a ligação por dentro

Antes de tocar, o telefone se registra no servidor; ao discar, o servidor combina a chamada com a operadora e abre um caminho para os pacotes de voz. A implantação prepara cada trecho desse caminho e fecha os que não deveriam existir.

Na ligação por VoIP, a conversa é cortada em pacotes de poucos milissegundos e enviada em sequência. Diferente de um download, um pacote atrasado não serve mais quando chega, e a pessoa ouve um corte ou uma voz metálica.

A Táquion Tech faz a implantação de VoIP para provedores com servidor próprio do provedor ou com o da operadora parceira. Números, minutos e interconexão vêm da operadora ou da outorga do provedor; o servidor, o tronco e a rede são o trabalho técnico.

Caminho de uma ligação feita pelo assinante para um telefone de outra operadora
  1. Casa

    Telefone na porta da ONU

    O aparelho comum fica ligado à porta de telefone da ONU, que já está registrada no servidor com a conta da linha.

  2. Acesso

    VLAN de voz até o POP

    Os pacotes saem pela VLAN de voz, marcados com prioridade, e atravessam OLT e agregação sem fila de internet.

  3. POP

    Servidor de telefonia

    O servidor confere a conta, aplica as regras de destino e o teto de chamadas e decide para onde encaminhar.

  4. Interconexão

    Tronco SIP da operadora

    O tronco leva a chamada à operadora parceira, que a entrega à rede pública e devolve a voz de quem atendeu.

  5. Destino

    Telefone chamado

    Fixo ou celular de qualquer operadora toca, e a voz passa a fluir nos dois sentidos enquanto durar a conversa.

A ligação recebida faz o mesmo caminho ao contrário: a operadora entrega ao servidor, que procura em que porta de ONU aquele número está registrado.

Por que a voz precisa de um caminho separado da internet

Três decisões de rede evitam quase todos os problemas de voz no assinante. Elas são tomadas no começo do projeto e valem para todas as OLTs.

  • VLAN própria: a voz não passa pelo concentrador PPPoE nem pelo CGNAT da internet do cliente.
  • Endereço sem NAT: a ONU fala com o servidor por um endereço interno roteado, o que evita a chamada em que um lado não escuta.
  • Prioridade marcada: os pacotes de voz recebem marcação de serviço expresso e passam na frente nas filas [CONFIRMAR na versão do equipamento].

A prioridade só funciona se cada equipamento do caminho respeitar a marcação. O guia de configuração de filas de tráfego mostra como montar essas filas sem prejudicar a navegação.

As três fases da implantação de VoIP para provedores

O projeto se divide em decidir, montar e provar, e cada fase só começa quando a anterior está fechada por escrito. A fase de montar é a mais longa, e a de provar é a que não pode ser encurtada [PREENCHER prazo típico de cada fase].

Dividir assim evita o erro mais caro desse tipo de projeto: configurar o servidor antes de saber que operadora, que numeração e que tipo de cliente ele vai atender.

Fase 1: decidir o modelo antes de instalar qualquer coisa

É uma fase curta, mas é a que mais depende do provedor, porque envolve contrato e regulação. Nada é instalado enquanto ela não termina.

  • Modelo regulatório: operadora parceira autorizada ou outorga própria de telefonia fixa [CONFIRMAR na norma].
  • Servidor: próprio, no POP do provedor, ou o da operadora, com o provedor recebendo apenas as contas.
  • Público: só linhas residenciais ou também empresas com ramais, filas e atendimento automático.
  • Dados do tronco: endereço, forma de autenticação, codecs aceitos e formato dos números, entregues pela operadora.

Fase 2: montar servidor, tronco e rede

A montagem segue uma ordem que protege o provedor: primeiro o servidor fechado, depois o tronco e só então a rede de acesso. O tronco nunca é ligado a um servidor que ainda aceita registro de qualquer lugar.

  1. Servidor fechado: acesso só pela rede do provedor, senhas longas por linha, teto de chamadas e bloqueio de destinos caros.
  2. Tronco ligado: chamadas de teste com a operadora nos dois sentidos, conferindo codec e formato de número.
  3. Rede de voz: VLAN de voz nas OLTs e na agregação, marcação de prioridade e rota até o servidor.
  4. Perfil da ONU: porta de telefone configurada com a conta da linha, à distância e igual para cada modelo.

Fase 3: provar com ligações reais e entregar

A última fase usa linhas de teste em casas reais, de preferência de funcionários, durante o horário de mais uso da internet. Ela termina com o relatório das medições e o procedimento do suporte.

O servidor registra atraso, variação e perda de cada chamada, e são esses números que aprovam a fase, e não a impressão de quem ligou. A referência de atraso aceitável vem da recomendação ITU-T G.114 [CONFIRMAR na norma].

O que o provedor resolve antes da primeira configuração?

Contrato com a operadora, dados do tronco, lugar para o servidor e um grupo de linhas de teste. Sem os dados do tronco, a fase de montar começa e para no segundo passo.

Tenha em mãos antes de chamar quem vai implantar

  • Contrato assinado com a operadora parceira ou a situação da outorga própria [CONFIRMAR na norma].
  • Dados técnicos do tronco, com endereço, autenticação, codecs e formato de número.
  • Faixa de números de telefone que será usada nos primeiros clientes.
  • Lugar no POP para o servidor, com endereço público fixo e energia protegida.
  • Lista dos modelos de ONU com porta de telefone que estão em campo e em estoque.
  • Regra de cobrança da linha no ERP, com plano, franquia e tarifa de excedente.
  • Cinco a dez linhas de teste em casas de regiões e tipos de acesso diferentes.

Os dois primeiros itens dependem da operadora e costumam ditar a data de início. Os demais o provedor resolve internamente enquanto espera o tronco.

Quem está montando o orçamento antes de decidir encontra as contas separadas no guia de quanto custa implantação de VoIP para provedores. A diferença entre outorga de internet e de telefonia está no guia sobre o que é outorga da Anatel [CONFIRMAR na norma].

Quer lançar telefone sem descobrir os problemas pelo assinante?

Um Especialista fecha o servidor, liga o tronco, prepara a VLAN de voz e mede ligações reais no pico antes de a venda abrir.

Pedir proposta de implantação de VoIP para provedores

Exemplo: da primeira chamada de teste ao primeiro cliente

O caso ilustra um provedor com operadora parceira, servidor próprio e duas OLTs de fabricantes diferentes. Mostra o que os testes encontraram antes da venda.

Com o servidor fechado e o tronco ligado, as primeiras chamadas de teste saíram do próprio POP. Faltava provar o caminho inteiro, das casas até a operadora, com a internet dos moradores em uso normal.

Roteiro de testes com linhas reais e o que cada um revelou no exemplo
TesteResultado esperadoO que apareceu
Ligação para fixo da cidadeCompleta com voz limpa nos dois sentidosPassou em todas as casas
Ligação para celularCompleta com o número de origem corretoNúmero saía sem o código de área e foi corrigido no servidor
Ligação recebidaToca na porta certa da ONUPassou depois de ajustar o formato do número entregue pela operadora
EmergênciaChega à central da região do assinanteConferido com a operadora antes da venda [CONFIRMAR na norma]
Chamada com download pesadoVoz sem cortesCortes numa das OLTs, que não respeitava a marcação de prioridade
Maquininha ou alarme por linhaTransmissão concluídaFuncionou só com o codec sem compressão [CONFIRMAR com a operadora]

Corrigida a fila na OLT do segundo fabricante, a rodada de testes foi repetida no pico e aprovada. Os primeiros clientes receberam a linha com a porta da ONU configurada à distância, sem visita só para isso.

Erros mais comuns em cada fase e o sintoma que aparece

Cada fase tem um erro típico e um sintoma que o denuncia, quase sempre antes de o assinante reclamar. Conhecer o sintoma encurta o caminho até a causa.

  • Decidir sem os dados do tronco: o servidor é configurado com um codec que a operadora não aceita, e as chamadas não completam.
  • Ligar o tronco antes de fechar o servidor: registros vindos de fora aparecem nos logs nos primeiros dias.
  • VLAN de voz sem prioridade em um trecho: a voz corta só nas casas atrás daquele equipamento, e só no pico.
  • Linha atrás do roteador do cliente: um lado não escuta, porque o recurso de SIP do roteador altera os pacotes.
  • Testar fora do pico: tudo aprova de manhã, e as reclamações começam no primeiro domingo à noite.

O erro que aparece na fatura da operadora

A fraude é o único erro que não aparece na qualidade da voz, e sim na conta: ligações internacionais feitas de madrugada por quem descobriu uma senha fraca. O sintoma precoce é o alerta de gasto fora do normal, por isso ele entra na fase de montar.

Se o servidor já foi invadido, o primeiro passo é cortar o tronco e trocar as senhas, como descreve o guia sobre provedor invadido. A revisão de acessos do servidor segue o mesmo princípio do guia de como fazer hardening nos roteadores.

O que fica com o provedor no fim da implantação

Fica a telefonia funcionando e o que a equipe precisa para operá-la sem depender de quem a montou. A rotina do suporte muda pouco, mas ganha um procedimento novo.

  • Servidor documentado: regras de acesso, destinos bloqueados, teto de chamadas e alertas, com o motivo de cada um.
  • Tronco descrito: dados da operadora, formato dos números e o que fazer quando o tronco cai.
  • Configuração de rede: VLAN de voz, marcação de prioridade e perfil de porta de telefone por modelo de ONU.
  • Procedimento de linhas: como criar, mudar e remover uma linha, inclusive na troca de ONU.
  • Relatório de testes: cada ligação de teste com atraso, variação e perda medidos no pico.

A porta de telefone de ONUs já instaladas pode receber a conta da linha pelo ACS, o que o guia de gerência de CPEs via TR-069 explica em detalhe. Quando o ERP permite, a criação da linha passa a acontecer junto com o contrato [CONFIRMAR na documentação do fornecedor].

Como fica a operação no dia a dia

O suporte passa a olhar duas coisas que não existiam: quantas linhas estão registradas no servidor e se algum alerta de gasto disparou. Uma queda repentina de registros costuma indicar problema na VLAN de voz de uma OLT.

Reclamação de voz é atendida com os números da chamada que o servidor guardou, e não com teste de velocidade. Isso separa, em poucos minutos, o que é rede do provedor do que é aparelho ou fiação na casa do assinante.

Perguntas frequentes

O telefone continua funcionando se a internet do assinante cair?

Depende de onde está a falha. Se cai só a sessão de internet, a voz segue pela própria VLAN; se a fibra rompe ou a ONU fica sem energia, a linha para junto, por isso vale avisar o cliente que usa alarme ou equipamento crítico.

Dá para usar o mesmo número que o cliente já tinha em outra operadora?

Dá, pelo processo de portabilidade, conduzido pela operadora parceira ou pela outorga própria do provedor [CONFIRMAR na norma]. Durante a troca, a linha antiga e a nova precisam ser coordenadas para o cliente não ficar sem receber.

Qual codec o provedor deve usar nas linhas residenciais?

O mais comum nos troncos é o G.711, que tem qualidade de telefone fixo e funciona com maquininhas e alarmes. Codecs comprimidos economizam banda, mas só entram se a operadora aceitar e se nenhum equipamento de dados usar a linha.

Quantas chamadas simultâneas o servidor precisa aguentar?

A conta parte do número de linhas e da fatia que fala ao mesmo tempo no horário de mais uso, informada pelo histórico ou estimada no começo [CONFIRMAR com a operadora]. O teto de chamadas no servidor também limita o estrago de uma fraude.

Quem cuida do servidor de telefonia depois da entrega?

Com servidor próprio, a equipe do provedor, seguindo a documentação, ou um suporte contratado para atualizações e incidentes [CONFIRMAR oferta]. Com servidor da operadora, ela cuida do sistema e o provedor cuida da rede e das ONUs.

Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

Conheça a equipe da Táquion Tech

Fontes

  1. RFC 3261: SIP, Session Initiation Protocol (IETF): define o registro do telefone e a negociação de cada chamada com o servidor e o tronco
  2. RFC 4594: Configuration Guidelines for DiffServ Service Classes: classes de serviço com a marcação de prioridade recomendada para voz
  3. ITU-T G.114: One-way transmission time: referência de atraso em um sentido usada para aprovar os testes com linhas reais

Leia também sobre o assunto

Outros guias que costumam ajudar no mesmo tipo de problema.

  • IPv6 e CGNAT

    Configuração de filas de tráfego: guia prático para provedores

    Configuração de filas de tráfego: é definir como o concentrador segura a velocidade de cada assinante no limite do plano e o que faz com os pacotes que passam desse limite. Com o tipo certo de fila, jogo e chamada de vídeo seguem estáveis mesmo quando alguém baixa um arquivo pesado na mesma conexão.

    11 min de leitura

  • Anatel e regulação

    O que é outorga Anatel: a autorização explicada para provedores

    O que é outorga Anatel: é o ato pelo qual a agência permite que uma empresa preste um serviço de telecomunicações, como a internet fixa vendida por provedores, que se enquadra no SCM. [CONFIRMAR na norma] Quando ela é exigida e falta, o provedor opera fora da regra, mesmo com CNPJ ativo, nota fiscal emitida e clientes pagando em dia.

    12 min de leitura

Coloque telefone fixo no plano com a rede pronta para a voz

Modelo decidido, servidor fechado, tronco ligado, VLAN de voz e ligações reais medidas no pico. Um Especialista conduz as três fases com a sua equipe.

Falar com o André Comercial, no WhatsApp

Fale com a Táquion Tech

Quer um Especialista olhando a sua rede?

Deixe seus dados e um Especialista chama você no WhatsApp para entender o caso.

Um Especialista responde em até 45 minutos.

Pedido recebido. Protótipo: no site final, a pessoa vai para a página de obrigado e o pedido chega no WhatsApp ou e-mail da Táquion Tech.
Foto de Thiago Manoel
Thiago ManoelResponsável técnico