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Configuração de MLAG: guia prático para provedores

Configuração de MLAG: é o ajuste que faz dois switches se apresentarem como um único equipamento para quem está ligado neles, de modo que uma OLT ou um servidor agregue portas nos dois ao mesmo tempo. Se um dos switches cai, o outro segue levando o tráfego, e nenhum uplink fica parado esperando pelo spanning tree.

Resumo

  • O MLAG usa um peer-link entre os dois switches e um keepalive separado para que cada um saiba se o outro está vivo.
  • Os dois switches do par precisam ser da mesma marca e, na prática, da mesma versão de software, porque não existe padrão comum.
  • O pior cenário é a separação do par, quando os dois acham que estão sozinhos e passam a encaminhar como se fossem o principal.
  • Valide derrubando cada parte em janela, um switch, uma porta do peer-link e o keepalive, e anote o resultado.

O que é MLAG e por que ele existe

MLAG é a agregação de enlaces com portas espalhadas por dois switches diferentes, que combinam entre si para parecer um só. Ele existe para dar redundância de equipamento sem deixar metade dos uplinks bloqueada.

Sem MLAG, quem liga um equipamento a duas caixas, cada uma um switch de rede independente, depende do spanning tree, que mantém um dos enlaces desligado até o outro falhar. A banda paga desse segundo enlace fica ociosa, e cada falha provoca uma reconvergência.

Com o par MLAG, os dois caminhos trabalham ao mesmo tempo e a banda se soma. No POP de um provedor, o par costuma ficar na agregação, onde chegam OLTs, concentradores e servidores, e faz parte do projeto de rede de camada 2 para provedores, que define que equipamentos merecem dois caminhos.

Redundância de equipamento com spanning tree e com MLAG
PontoSpanning treeMLAG
Uplinks em usoUm ativo, um paradoOs dois ativos
Banda disponívelDe um enlaceSoma dos enlaces
Queda de um switchReconvergência do protocoloO outro segue sozinho
Exigência dos switchesQualquer marcaPar da mesma marca e versão

No backbone de um provedor regional, essa diferença aparece no horário de pico. Um par de switches de agregação com MLAG aguenta a perda de uma caixa inteira sem que a OLT perceba mais que algumas portas a menos.

MLAG ou empilhamento?

Os dois resolvem o mesmo problema por caminhos opostos: a pilha funde os switches num só controle, e o MLAG mantém dois controles independentes que trocam estado. A escolha muda o que acontece numa atualização.

Comparação entre pilha de switches e par MLAG
PontoPilhaMLAG
Plano de controleUm só para todos os membrosUm em cada switch
ConfiguraçãoNum lugar sóRepetida nos dois, com cuidado para ficar igual
Atualização de softwareCostuma parar a pilha inteiraUm switch de cada vez, com o outro no ar
Falha de softwarePode atingir todos os membrosFica restrita ao switch afetado

Para a agregação de um POP, que não pode parar numa troca de versão, o MLAG costuma ser a escolha. A pilha ainda faz sentido em salas de equipamentos menores, onde a simplicidade pesa mais.

Como funciona a configuração de MLAG?

Os dois switches trocam estado por um enlace dedicado, o peer-link, e anunciam o mesmo identificador para o equipamento ligado a eles. Assim, a OLT negocia uma agregação comum sem saber que do outro lado há duas caixas.

As peças de um par MLAG e o papel de cada uma
  1. Peça 1 · Peer-link

    Ligar os dois switches

    Enlace agregado entre o par, por onde passam a sincronização das tabelas e o tráfego que precisa cruzar.

  2. Peça 2 · Keepalive

    Saber se o vizinho está vivo

    Caminho separado que só confirma que o outro switch responde, mesmo se o peer-link cair.

  3. Peça 3 · Identidade

    Parecer um equipamento só

    Os dois switches anunciam o mesmo identificador na negociação da agregação com a OLT.

  4. Peça 4 · Portas MLAG

    Agregar nos dois lados

    Cada grupo recebe o mesmo número nos dois switches e soma as portas das duas caixas.

O tráfego normal não atravessa o peer-link: cada switch encaminha pelas próprias portas sempre que pode, e o enlace entre eles serve de reserva e de canal de sincronização.

O peer-link carrega as tabelas de MAC e o estado das portas de um switch para o outro. Se ele cai, cada caixa perde a visão do que o vizinho aprendeu.

O keepalive responde a uma pergunta só: o outro switch continua vivo? Quando ele passa pelo mesmo cabo do peer-link, a queda desse cabo faz o par concluir errado que o vizinho morreu.

Quando os dois switches ficam em salas diferentes e o peer-link usa um canal DWDM, a falha do transporte óptico vira justamente esse cenário. Nesse desenho, o keepalive precisa de outro caminho físico.

O que a OLT ou o servidor enxerga

Do lado do equipamento ligado ao par, nada muda: ele forma um grupo comum de portas e negocia como faria com um switch único. Toda a complexidade fica concentrada nos dois switches.

Os parâmetros desse lado, como modo ativo e balanceamento, seguem o guia de configuração de LACP. Basta que o grupo tenha pelo menos uma porta em cada switch do par.

Decisões de desenho do par MLAG

O desenho do par define se ele aguenta a queda de uma peça ou se a própria redundância vira causa de queda. As escolhas abaixo valem antes da primeira linha de comando.

  • Peer-link redundante: pelo menos duas portas agregadas entre os switches, de preferência em placas diferentes.
  • Keepalive separado: um caminho próprio, como a rede de gerência, para detectar o vizinho fora do peer-link.
  • Mesma versão de software: os dois lados se comportam igual e a sincronização não estranha diferenças.
  • Spanning tree ligado: continua como proteção contra laços fora das portas MLAG.
  • Numeração casada: o mesmo número de grupo MLAG nos dois switches para cada equipamento.

O MLAG não tem padrão entre fabricantes. A Cisco Nexus chama a função de vPC, a Huawei de M-LAG e a Juniper de MC-LAG, e cada uma tem regras próprias de peer-link e de recuperação.

Agregação do POP sem redundância de equipamento?

No projeto de rede de camada 2, um Especialista define onde o par MLAG entra, como fica o peer-link e qual proteção cobre o resto da topologia.

Pedir proposta de projeto de rede de camada 2

Quando vale usar MLAG no POP?

Vale quando um equipamento crítico precisa de dois caminhos até switches diferentes e os dois devem levar tráfego. Fora disso, um LACP comum até um switch só pode bastar.

Situações típicas no provedor e a indicação de MLAG
SituaçãoMLAG indicado?Por quê
OLT com muitos assinantes ligada à agregaçãoSimA perda de um switch não pode derrubar a OLT
Concentrador PPPoE ou servidor de CGNATSimConcentra a sessão de milhares de clientes
Switch de acesso de um condomínioRaramenteO custo do par não compensa o risco
Núcleo entre POPs com roteamentoNãoRoteamento e MPLS já dão caminhos múltiplos
Data center com muitos racksDependeEVPN com multihoming pode substituir o par

Quando o núcleo já roda MPLS com EVPN, o multihoming padronizado da RFC 7432 cumpre o papel do MLAG entre marcas diferentes. O guia de implantação de EVPN mostra quando essa troca compensa.

Configuração de MLAG passo a passo

A sequência começa pelo peer-link e só termina nas portas do equipamento, conferindo o estado do par antes de cada avanço. O exemplo usa o switch A de um par com sintaxe Arista EOS.

  1. Reserve a VLAN do par: crie uma VLAN só para o MLAG e restrinja a um grupo de trunk próprio.
  2. Monte o peer-link: agregue as portas entre os switches e libere nelas apenas esse grupo.
  3. Enderece a interface do par: use uma sub-rede pequena, uma ponta em cada switch.
  4. Tire o spanning tree da VLAN do par: ela não pode ser bloqueada pelo protocolo.
  5. Declare o domínio: nome do domínio, interface local, endereço do vizinho e peer-link.
  6. Crie as portas MLAG: um Port-Channel por equipamento, com o mesmo número nos dois switches.
MLAG em sintaxe Arista EOS (switch A do par)
vlan 4094
   trunk group mlagpeer
!
interface Port-Channel10
   description PEER-LINK
   switchport mode trunk
   switchport trunk group mlagpeer
!
interface Vlan4094
   ip address 10.0.0.1/30
!
no spanning-tree vlan-id 4094
!
mlag configuration
   domain-id MLAG-POP01
   local-interface Vlan4094
   peer-address 10.0.0.2
   peer-link Port-Channel10
!
interface Port-Channel20
   description OLT-01
   switchport mode trunk
   switchport trunk allowed vlan 100,200
   mlag 20

No switch B, troque o endereço da Vlan4094 para 10.0.0.2 e o peer-address para 10.0.0.1. O resto fica igual, inclusive o número 20 do grupo da OLT.

Em outras marcas

No vPC da Cisco Nexus, no M-LAG da Huawei e no MC-LAG da Juniper o conceito se repete, mas os comandos, o keepalive e a ordem de ativação mudam [CONFIRMAR no manual do fabricante].

Na prática: ligar uma OLT aos dois switches do par

Uma OLT que hoje sobe por um switch só pode ganhar o segundo caminho sem parar, se a ordem for respeitada. O roteiro abaixo parte de um par MLAG já ativo.

  1. Confira que o par mostra estado ativo e que a configuração está consistente nos dois switches.
  2. Crie o Port-Channel com o número do grupo MLAG nos dois switches, com as mesmas VLANs liberadas.
  3. Na janela, mova a porta atual da OLT para o grupo e ligue o segundo cabo até o outro switch.
  4. Confira se a OLT vê as duas portas agregadas e derrube uma delas para provar a redundância.

Se a OLT recusar a segunda porta, a causa mais comum é número de grupo ou VLANs diferentes entre os dois switches. A conferência de consistência do par aponta qual parâmetro está divergente.

Erros comuns e o risco de separação do par

Os erros mais graves de MLAG fazem o par se separar e os dois switches agirem como principal ao mesmo tempo. Os demais deixam um grupo fora do ar só de um lado.

Evite

  • Peer-link com uma porta só, ou com as duas portas na mesma placa.
  • Keepalive passando pelo mesmo cabo do peer-link.
  • Versões de software diferentes nos dois switches por tempo indefinido.
  • Número de grupo MLAG diferente nos dois lados para o mesmo equipamento.
  • Atualizar os dois switches na mesma janela, sem esperar o primeiro voltar.
  • Desligar o spanning tree no resto da rede porque o par já evita laço nas portas MLAG.

A separação do par, chamada de split-brain, acontece quando o peer-link cai e o switch não consegue confirmar se o vizinho está vivo. Com keepalive separado, um dos dois desativa as próprias portas MLAG e evita o laço.

O último item da lista é tão perigoso quanto o primeiro. Fora das portas MLAG, um cabo ligado errado ainda forma laço, e a configuração de spanning tree é o que segura o broadcast nesses casos.

Checklist de validação com teste de queda

Um par MLAG só está pronto depois de perder cada peça em janela sem derrubar os equipamentos ligados a ele. Conferir o estado com o par inteiro no ar mostra só metade da história.

Confira em cada par MLAG

  • O estado do MLAG aparece como ativo e consistente nos dois switches.
  • Desligar um switch mantém a OLT e os servidores no ar pelo outro.
  • Derrubar uma porta do peer-link não separa o par.
  • Interromper o keepalive sozinho não derruba nenhum grupo.
  • Os grupos MLAG aparecem com os mesmos números e as mesmas VLANs nos dois lados.
  • O resultado de cada teste está anotado na documentação da rede.

Um item sem marca significa que a redundância existe no desenho, mas ainda não foi provada na rede real.

Comandos de conferência em Arista EOS
show mlag
show mlag interfaces
show mlag config-sanity
show port-channel 20 detailed

A Táquion Tech configura o par MLAG dentro do desenho da camada 2 do provedor e registra o teste de queda de cada peça antes de dar a mudança por concluída.

Atualização de software sem parar o POP

A grande vantagem do par sobre a pilha aparece na troca de versão: um switch atualiza enquanto o outro leva todo o tráfego. A regra é nunca mexer no segundo antes de o primeiro voltar e sincronizar.

Depois do reinício, muitos fabricantes seguram as portas MLAG desligadas por um tempo de espera, para dar tempo de o peer-link subir e as tabelas sincronizarem [CONFIRMAR no manual do fabricante]. Encerrar a janela antes desse tempo dá a falsa impressão de que algo falhou.

Perguntas frequentes sobre configuração de MLAG

Dá para montar MLAG com switches de marcas diferentes?

Não. O MLAG é uma implementação proprietária, e os dois switches do par precisam ser da mesma marca. Para misturar fabricantes, a alternativa padronizada é o EVPN com multihoming.

Preciso desligar o spanning tree para usar MLAG?

Não, só na VLAN do peer-link, como mostra o exemplo. No resto da rede, o protocolo continua protegendo contra laços fora das portas MLAG.

O que acontece quando o peer-link cai?

Com keepalive separado, o switch secundário percebe que o vizinho ainda está vivo e desativa as próprias portas MLAG. Sem keepalive separado, os dois podem se considerar principais e formar um laço.

Quantos switches cabem num mesmo domínio MLAG?

Na forma mais comum, o domínio tem exatamente dois switches. Desenhos com mais caixas usam outras tecnologias, como EVPN ou malhas de fabricante [CONFIRMAR no manual do fabricante].

A OLT precisa de configuração especial para o par?

Não. Para a OLT, o par aparece como um switch só, e ela forma um grupo comum de portas com negociação LACP. Basta que cada switch do par receba pelo menos uma das portas do grupo.

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Thiago Manoel

Responsável técnico da Táquion Tech · Registro profissional [PREENCHER]

Mais de 15 anos em operações de rede, com gestão de infraestruturas de TI, administração de data centers e condução de equipes em migrações de TI e telecomunicações, com foco em alta disponibilidade e segurança.

A Táquion Tech é uma empresa de engenharia de redes de Balneário Camboriú (SC) que projeta, opera e dá suporte a redes de provedores de internet e de empresas.

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Fontes

  1. IEEE 802.1 Working Group, Link Aggregation (802.1AX, inclui agregação distribuída): padrão de agregação de enlaces usado do lado do equipamento.
  2. RFC 7432, BGP MPLS-Based Ethernet VPN: EVPN com multihoming, alternativa padronizada ao MLAG.

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