Passo a passo · Redes corporativas
Como monitorar a rede da empresa: passo a passo para empresas
Como monitorar a rede da empresa: comece pelos sistemas que não podem parar, como caixa, ERP ou check-in, descubra de quais equipamentos e links cada um depende e coloque esses pontos numa ferramenta que avise alguém quando saírem do normal. Depois, defina quem recebe cada alerta e teste o link reserva antes de precisar dele.
Resumo
- O ponto de partida é o processo do negócio, e não a lista de equipamentos da sala de TI.
- O link de internet precisa ser medido de fora da empresa, para saber se a falha é da operadora ou da rede interna.
- Certificados, licenças do firewall e baterias do nobreak param a empresa sem nenhum aviso de rede.
- Alerta que chega a quem não pode agir é o mesmo que alerta nenhum, principalmente fora do horário comercial.
Como começar a monitorar a rede da empresa
Comece pela pergunta de negócio: o que, se parar, faz a empresa perder dinheiro na hora. A resposta define o que monitorar primeiro e quem precisa ser avisado.
Monitorar é acompanhar, sem parar, se os equipamentos e os links de internet estão funcionando e avisar alguém quando algo sai do normal. Numa empresa, porém, ninguém sente falta de um switch; sente falta do sistema de vendas, da maquininha de cartão ou do telefone da recepção.
Por isso, o trabalho começa com o gestor, não com a ferramenta. Uma lista de três a cinco processos críticos já é suficiente para montar a primeira versão, e é o mesmo levantamento que um NOC para empresas faz antes de configurar qualquer alerta.
Os termos que aparecem neste guia
Alguns nomes técnicos vão aparecer nas próximas seções. Este pequeno glossário ajuda a conversar com a equipe de TI ou com o fornecedor.
- Firewall: o equipamento que separa a rede da empresa da internet e decide o que pode entrar e sair.
- VPN: um túnel protegido pela internet que liga a matriz às filiais como se fossem uma rede só.
- Latência e perda: o tempo que um pacote leva para ir e voltar, e a parte dos pacotes que se perde no caminho.
- SNMP: o protocolo que a ferramenta de monitoramento usa para ler os números de cada equipamento.
- Link reserva: a segunda conexão de internet, que deveria assumir sozinha quando a principal cai.
Do que cada sistema da empresa depende?
Para cada processo crítico, anote o caminho completo até ele funcionar: do computador do usuário até o servidor ou a nuvem. Cada ponto desse caminho é um item a monitorar.
Um sistema de vendas na nuvem, por exemplo, depende do computador do caixa, do switch da loja, do firewall, do link de internet e do serviço do fornecedor. Se qualquer um falha, o caixa para, mas cada falha tem um responsável diferente.
| Processo do negócio | Depende de | O que monitorar | Quem avisar |
|---|---|---|---|
| Caixa e vendas | Switch da loja, firewall, link, sistema na nuvem | Resposta do sistema medida da loja, link e firewall | Gerente da loja e TI |
| Maquininhas de cartão | Wi-Fi ou rede da loja, link de internet | Ponto de acesso da área de vendas e perda no link | Gerente da loja |
| ERP e financeiro | Servidor local ou nuvem, VPN entre unidades | Servidor, disco, túnel VPN e latência entre unidades | TI e financeiro |
| Telefonia | Link, firewall, central em nuvem | Latência e perda no link, registro dos ramais | TI e recepção |
| Câmeras e acesso | Switches com energia pela rede, gravador | Portas do switch, disco do gravador, nobreak | Segurança e TI |
A última coluna é a mais esquecida. Um alerta de link caído às 19h numa loja aberta até as 22h precisa chegar ao gerente, que pode tomar uma decisão, e não só ao e-mail da TI, que vai ser lido no dia seguinte.
Como monitorar a rede da empresa em seis passos
Com o mapa pronto, o monitoramento sai em seis passos, do inventário ao teste de falha. Cada passo produz algo que o gestor consegue conferir sem saber configurar a ferramenta.
- Inventário: liste links, firewall, switches, pontos de acesso, servidores e nobreaks de cada unidade, com marca, modelo e quem tem a senha.
- Ferramenta: escolha onde a coleta vai rodar, num servidor da empresa ou na nuvem, e quem administra; ferramentas livres como o Zabbix atendem bem.
- Acesso de leitura: crie nos equipamentos um usuário que só lê informações, para a ferramenta nunca alterar nada.
- Medição de fora: configure um teste que parte da internet até a empresa, para separar falha da operadora de falha interna.
- Avisos por horário: defina quem recebe cada alerta no horário de funcionamento e fora dele, com nome e telefone.
- Teste de falha: desligue o link principal numa janela combinada e confira se o reserva assume e se o alerta chega.
O passo 6 costuma ser o mais revelador. Muitas empresas pagam dois links há anos e só descobrem no teste que a troca automática nunca foi configurada no firewall; a redundância de links resolve justamente esse ponto.
Não tem quem cuide desses seis passos?
No NOC para empresas, um Especialista faz o levantamento, configura a coleta e trata os alertas da sua rede, com relatório mensal em linguagem de gestão.
Quem recebe o alerta fora do expediente?
Depende do horário em que a empresa funciona. Escritório que fecha às 18h pode deixar os avisos noturnos para o dia seguinte; hotel, hospital e indústria com turno precisam de alguém que atenda a qualquer hora.
Se ninguém da empresa pode assumir esse papel, vale avaliar se um NOC para empresa pequena vale a pena no seu caso. A conta do guia sobre quanto custa NOC para empresas ajuda a comparar com um analista próprio.
O que monitorar em cada parte da rede
Cada parte da rede tem dois ou três números que importam, e o resto é ruído. A lista abaixo resume o que vale acompanhar numa empresa de porte pequeno ou médio.
- Links de internet: disponibilidade, perda, latência e uso da banda, de cada operadora, com o horário de pico separado.
- Firewall e VPN: uso de processador, túneis entre unidades de pé e data de vencimento das licenças.
- Wi-Fi: pontos de acesso fora do ar e número de pessoas conectadas por ponto nos horários de movimento.
- Switches: portas com erro e laços de cabo, que travam a rede inteira de uma vez.
- Servidores e nuvem: disco enchendo, serviços críticos respondendo e certificados digitais perto de vencer.
- Energia: nobreak em bateria e tempo restante, para desligar com cuidado em vez de cair.
Quando a queixa é lentidão, e não queda, os números de uso e de perda mostram se o gargalo está no link ou dentro da empresa. O guia sobre rede da empresa lenta usa esses mesmos sinais para achar a causa.
Na prática: a loja sem caixa com o link de pé
Um caso comum ilustra o valor de monitorar o processo, e não só o equipamento. Numa manhã de sábado, o sistema de vendas para de abrir numa loja, e o painel mostra link, firewall e switch funcionando.
O teste que mede a resposta do sistema a partir da loja aponta a causa: o certificado digital do servidor venceu à meia-noite. Com o aviso de vencimento configurado, isso teria sido trocado semanas antes, numa terça qualquer.
Erros comuns de quem monitora a própria rede
Os erros mais comuns não são técnicos: são de alerta sem dono e de medir só o que é fácil. Os seis abaixo aparecem em empresas de todos os tamanhos.
Evite estes seis erros
- Alerta para um e-mail genérico: ninguém se sente responsável e o aviso fica sem resposta até segunda.
- Medir só de dentro: a ferramenta dentro da empresa cai junto com o link e não consegue avisar que ele caiu.
- Esquecer as filiais: a matriz é monitorada, e a loja do outro bairro só aparece quando liga reclamando.
- Confiar no link reserva sem testar: a troca automática que nunca foi testada costuma falhar no dia em que é preciso.
- Alerta demais no começo: limites padrão geram dezenas de avisos por dia, e em duas semanas ninguém olha mais.
- Senhas com uma pessoa só: se o técnico que montou sai, a empresa perde o acesso à própria ferramenta.
Uma regra ajuda a evitar quase todos esses erros: a ferramenta e as senhas de administrador ficam em nome da empresa, mesmo que um fornecedor faça a operação.
Checklist para saber se o monitoramento da empresa funciona
O monitoramento funciona quando uma falha de verdade chega à pessoa certa, no horário certo, com informação para agir. O checklist abaixo confere isso em uma reunião com a TI.
Confira com a equipe de TI ou com o fornecedor
- Cada processo crítico do negócio tem pelo menos um teste que mede se ele está respondendo.
- Todos os links de internet, de todas as unidades, aparecem na ferramenta.
- Existe um teste partindo de fora da empresa, que avisa quando a internet da matriz cai.
- O link reserva foi testado nos últimos seis meses, com registro do resultado.
- Licenças, garantias e certificados têm aviso antes de vencer.
- Cada alerta tem nome e telefone de quem recebe, dentro e fora do expediente.
- A empresa tem as senhas de administrador da ferramenta.
Seis ou sete marcas indicam um monitoramento que protege o negócio. Com quatro ou menos, a empresa ainda descobre os problemas pelo cliente.
A Táquion Tech monitora redes de empresas de forma remota e atende no local no litoral de Santa Catarina [CONFIRMAR área de atendimento], com a ferramenta em nome do cliente. Para a parte técnica da coleta, o guia sobre como fazer monitoramento de rede mostra a configuração em detalhe.
Perguntas frequentes
Dá para monitorar a rede da empresa com ferramenta gratuita?
Dá. Ferramentas livres como o Zabbix e o Grafana não cobram licença e atendem empresas de todos os portes. O custo está no tempo de quem instala, ajusta os alertas e cuida dela depois.
Quanto tempo leva para começar a monitorar a rede?
Uma empresa com uma unidade e poucos equipamentos pode ter a primeira versão em poucos dias. O ajuste dos alertas leva mais algumas semanas, porque depende de observar o uso real da rede.
O monitoramento deixa a internet da empresa mais lenta?
Não de forma perceptível. A ferramenta lê poucos números de cada equipamento a cada minuto ou a cada poucos minutos, o que representa um tráfego muito pequeno perto do uso normal.
Monitorar a rede é o mesmo que vigiar o que os funcionários acessam?
Não. O monitoramento de rede acompanha a saúde dos equipamentos e dos links, como uso e disponibilidade, sem olhar o conteúdo do que cada pessoa acessa. Controle de conteúdo é outra função, normalmente feita no firewall.
Preciso de alguém olhando a tela o dia inteiro?
Não, se os alertas estiverem bem configurados e chegarem por mensagem a quem pode agir. A tela serve para consulta e para o relatório; quem avisa é a própria ferramenta.
Fontes
- Network monitoring (Wikipédia em inglês): conceito de monitoramento de rede, medições de disponibilidade e protocolos usados
- SIMET, sistema de medição de qualidade da internet do NIC.br: medição de latência, perda e velocidade do link de internet
- Documentação oficial do Zabbix: ferramenta livre de monitoramento citada no passo a passo