Guia explicativo · Relatório pós-incidente
Como funciona relatório pós-incidente: do aviso às ações no provedor
Como funciona relatório pós-incidente: depois que a rede volta, os horários saem do monitoramento, o impacto sai do RADIUS e do sistema de gestão, e o relato de quem atendeu fecha as lacunas. Com isso se escreve uma versão técnica, revisada pela equipe, e dela nasce a versão para clientes e diretoria, com uma lista de ações acompanhada até o fim.
Resumo
- O primeiro passo não é o relatório, e sim um aviso curto ao cliente, enviado enquanto os dados ainda estão sendo juntados.
- Quatro horários sustentam o documento, que são início, detecção, volta parcial e volta total, cada um com a fonte anotada.
- Quem ficou sem serviço é contado pelo histórico de sessões do RADIUS, e não pelo número de ligações no atendimento.
- A versão externa sai da técnica, sem IPs nem topologia, e o trabalho só termina quando a última ação é cumprida.
Como funciona relatório pós-incidente: o texto nasce dos registros
O relatório é montado a partir do que a rede, o atendimento e a equipe registraram durante a queda. Quem escreve não inventa nada: organiza, confere e traduz.
Um relatório pós-incidente é o documento que conta uma queda já encerrada para quem não estava na rede. A parte visível é o texto, mas a maior parte do trabalho acontece antes, cruzando fontes que raramente concordam entre si logo de início.
A Táquion Tech faz o relatório pós-incidente de forma remota para provedores de todo o Brasil, com uma versão técnica e uma para leitores de fora saídas da mesma linha do tempo. O diagrama mostra por onde cada informação passa até virar frase no documento.
Monitoramento
Os horários
Alarmes e gráficos dizem quando o primeiro sinal apareceu e quando cada equipamento voltou a responder.
RADIUS e gestão
Quem ficou sem serviço
As sessões encerradas no período e a lista de contratos mostram assinantes, clientes empresariais e regiões.
Chamados e conversas
O que a equipe fez
Sistema de chamados, grupo da equipe e protocolos com operadora ou concessionária registram cada ação.
Linha do tempo
Uma só versão dos fatos
As três fontes entram no mesmo relógio, e cada divergência é resolvida antes de qualquer texto.
Documento
Duas versões e uma lista
A versão técnica, a versão para fora e as ações com dono saem juntas da mesma base.
Se uma das três fontes não existe, a lacuna aparece no relatório como lacuna. Esconder a falta de dado é o que mais derruba a credibilidade do documento depois.
Os quatro horários que todo relatório mede
Os horários são a espinha do documento, e cada intervalo entre eles revela uma coisa diferente sobre a operação. Por isso cada um vem com a fonte de onde saiu.
- Início: o primeiro sinal anormal registrado, mesmo que ninguém tenha visto na hora.
- Detecção: quando alguém da equipe ou um alerta percebeu o problema; a distância até o início mede o monitoramento.
- Volta parcial: quando parte dos assinantes recuperou o serviço, comum em quedas que voltam por região.
- Volta total: quando o último grupo afetado voltou, que é o horário usado para medir a duração contra o contrato.
Do intervalo entre detecção e volta total sai o tempo de restauração, que muitos contratos chamam de prazo de reparo. O SLA de cada cliente empresarial diz qual desses horários conta para o desconto.
As etapas do relatório pós-incidente, uma depois da outra
São sete etapas, do aviso curto à última ação cumprida, e as que mais tomam tempo são a contagem do impacto e o rascunho técnico. O aviso inicial é a mais rápida e não espera a causa.
- Aviso curto: logo depois da volta, o cliente recebe poucas linhas dizendo o que se sabe, o que ainda está em análise e quando chega o relatório.
- Congelar os dados: alarmes, gráficos, conversas e sessões do período são exportados antes que a retenção dos sistemas os apague.
- Contar o impacto: sessões encerradas e lista de contratos são cruzadas para chegar a números por serviço e por região.
- Rascunho técnico: linha do tempo, causa, ações tomadas durante a queda e ações futuras, com equipamentos e comandos.
- Revisão com quem atendeu: o técnico lê o rascunho e corrige horário, ordem ou ação que não bate com o que viveu.
- Versão para fora: o texto é reescrito na linguagem do leitor e revisado para não expor endereço, topologia ou senha.
- Entrega e acompanhamento: documento enviado e lista de ações conferida item por item até a última data.
Em proporção, o aviso leva horas, o congelamento dos dados é curto, e contagem e rascunho ocupam a maior fatia. A revisão e a versão externa dependem de quantos leitores existem. Prazo típico de cada etapa na Táquion Tech: [PREENCHER prazos por etapa].
Como contar quem ficou sem serviço?
O número confiável sai das sessões PPPoE ou IPoE encerradas no período, guardadas pelo servidor de autenticação. Contar ligações no atendimento subestima a queda, porque muita gente não liga.
-- Assinantes distintos que perderam a sessão no concentrador 192.0.2.1
-- entre o início e a volta total da queda
SELECT COUNT(DISTINCT username) AS afetados
FROM radacct
WHERE nasipaddress = '192.0.2.1'
AND acctstoptime BETWEEN '2026-10-14 20:20:00' AND '2026-10-14 21:25:00'
AND acctterminatecause IN ('Lost-Carrier', 'Lost-Service', 'NAS-Reboot', 'Admin-Reset');
-- Quanto tempo cada um ficou sem sessão até reconectar
SELECT a.username,
MIN(b.acctstarttime) - a.acctstoptime AS tempo_sem_servico
FROM radacct a
JOIN radacct b ON b.username = a.username AND b.acctstarttime > a.acctstoptime
WHERE a.nasipaddress = '192.0.2.1'
AND a.acctstoptime BETWEEN '2026-10-14 20:20:00' AND '2026-10-14 21:25:00'
GROUP BY a.username, a.acctstoptime;Depois, os nomes de usuário são cruzados com o sistema de gestão para separar residenciais de clientes com contrato. Quando o provedor usa o próprio sistema de gestão como servidor de autenticação, a mesma consulta costuma existir como relatório pronto no painel dele.
Como funciona relatório pós-incidente quando a causa ainda está aberta?
O relatório sai com a causa marcada como em investigação e uma data para a atualização. Escrever uma causa suposta e trocá-la depois custa mais confiança do que admitir que a investigação continua.
A investigação em si segue outro processo, com coleta, hipóteses e testes, descrito no guia de como funciona análise de causa raiz. Quando ela termina, o relatório ganha uma revisão curta com a causa provada.
O que a equipe do provedor separa para o relatório?
A equipe separa dados, contratos e conversas, e quase tudo pode ser exportado no dia seguinte à queda. O que demora a ser separado costuma ser justamente o que some primeiro.
Separe antes de pedir o relatório
- Exportação das sessões do servidor de autenticação no período da queda, com folga antes e depois.
- Telas ou exportações dos alarmes e gráficos do monitoramento, antes de alguém limpar a lista de alarmes.
- A conversa do grupo da equipe durante a queda, com horário de cada mensagem.
- Os protocolos abertos com operadora, fabricante ou concessionária de energia.
- A lista de clientes com contrato afetados e a cláusula de nível de serviço de cada um.
- As mensagens que os assinantes receberam, como aviso no aplicativo ou na página de status.
Com os seis itens, a linha do tempo fecha sem reconstruir horários de memória. Cada item faltando vira uma lacuna declarada no documento ou uma pergunta a mais para a equipe.
Informe também quem vai ler. Saber de antemão se o documento vai para a diretoria, um hospital ou uma prefeitura muda o tom do rascunho desde a primeira linha.
Uma queda precisa virar documento para clientes?
No relatório pós-incidente da Táquion Tech, um Especialista cruza horários, sessões e chamados e entrega a versão técnica e a versão para o seu leitor.
O que chega às mãos do provedor no fim
Chegam a versão técnica, a versão para leitores de fora, um anexo por cliente com contrato e a lista de ações. O acompanhamento dessa lista é o que encerra o trabalho.
| Parte da versão externa | O que entra | O que fica só na versão técnica |
|---|---|---|
| Resumo | O que aconteceu, quanto durou e se já está resolvido | Nome de equipamento e de fornecedor |
| Linha do tempo | Início, detecção, volta parcial e volta total | Comandos aplicados e saídas de log |
| Impacto | Serviços e regiões afetados, e a duração para aquele cliente | Números de toda a base e de outros clientes |
| Causa | Explicação em linguagem simples | Configuração, versão de firmware e topologia |
| O que muda | Ações com data de conclusão prevista | Responsável interno de cada ação |
O anexo por cliente compara a duração medida para aquele contrato com o prazo de reparo da cláusula dele. É o papel que a área comercial usa para discutir o desconto com base em números.
Quem precisa estimar esse trabalho antes de pedir encontra os fatores no guia de quanto custa o relatório pós-incidente, que trata de leitores, versões e prazo.
Acompanhamento das ações depois da entrega
A lista de ações vai numa planilha ou no sistema de chamados, com dono, data e forma de conferir. A cada data vencida, a ação é marcada como feita, adiada com motivo ou cancelada com justificativa.
O registro de cada queda vira histórico consultável, como propõe a gestão de incidentes do ITIL [CONFIRMAR na norma]. O guia sobre ITIL na operação de rede mostra como levar isso à rotina.
Onde o relatório dá errado, etapa por etapa
Cada etapa tem uma falha típica, e a maioria aparece como uma pergunta do cliente que o documento não sabe responder. Perceber cedo evita mandar uma segunda versão corrigida.
- Aviso curto: promete uma causa antes da hora; percebe-se quando o relatório final contradiz o aviso.
- Congelamento: a lista de alarmes foi limpa; percebe-se pela linha do tempo com horários vindos só da memória.
- Contagem: o impacto saiu das ligações; percebe-se quando o cliente cita um número de afetados maior que o seu.
- Rascunho: a causa está escrita como certa sem evidência; percebe-se pela falta de anexo que a sustente.
- Revisão: o técnico não leu o texto; percebe-se quando ele mesmo discorda do documento numa reunião.
- Versão externa: sobrou um IP ou o nome de um equipamento; percebe-se lendo o texto como um concorrente leria.
E se o horário do cliente não bater com o seu?
Cliente empresarial com monitoramento próprio vai comparar os horários, e diferença sem explicação derruba o documento inteiro. Antes de enviar, confira o relógio dos seus equipamentos e o fuso de cada exportação.
Se a diferença persistir, o relatório informa as duas medições e a fonte de cada uma. Um relógio desacertado por falta de NTP costuma virar, ele próprio, uma das ações da lista.
Exemplo: relatório de uma queda de energia num POP de bairro
O caso é ilustrativo e mostra a linha do tempo como ela aparece na versão técnica. A lição principal estava num alarme que tocou antes da queda.
Numa noite de semana, um POP de bairro perdeu a energia da concessionária. O nobreak segurou a carga por um tempo, o gerador não partiu e a OLT desligou, levando junto o link dedicado de uma clínica com contrato.
| Horário | Evento | Fonte |
|---|---|---|
| 19h40 | Falta energia da concessionária e o nobreak assume | Alarme do nobreak no monitoramento |
| 19h41 | O gerador não parte | Falta do alarme de gerador em operação, confirmada depois no painel |
| 20h25 | As baterias se esgotam e a OLT desliga | Último dado coletado da OLT e sessões encerradas no RADIUS |
| 20h31 | Primeiras ligações e abertura do incidente | Sistema de chamados |
| 20h58 | Técnico liga o gerador manualmente no POP | Relato do técnico e volta da coleta |
| 21h07 | OLT de volta e a maior parte das sessões restabelecida | RADIUS |
| 21h20 | Último grupo de assinantes reconectado | RADIUS |
A queda de serviço durou 55 minutos, mas o primeiro sinal veio 45 minutos antes, num alarme que não acionava ninguém. Na versão para a clínica, isso virou uma frase simples: a falta de energia foi registrada e não gerou aviso à equipe a tempo.
- Ação 1: alarme de energia do POP passa a acionar quem está de sobreaviso, com dono e data.
- Ação 2: bateria de partida do gerador trocada e teste de partida incluído na rotina mensal.
- Ação 3: anexo da clínica com a duração medida comparada ao prazo de reparo do contrato dela.
Uma queda geral com outra origem, como a descrita no guia de PPPoE caindo para todos os clientes, segue a mesma estrutura de horários, fontes e ações.
Perguntas frequentes
O próprio provedor pode escrever o relatório sem ajuda?
Pode, se tiver tempo, dados guardados e alguém que escreva bem para leitores de fora. A ajuda externa costuma entrar quando a equipe está tomada pela rotina ou quando o leitor é exigente, como um órgão público.
Quando o cliente empresarial deve receber o primeiro aviso?
O quanto antes depois da volta do serviço, mesmo sem causa, dizendo o que se sabe e quando chega o documento. Muitos contratos fixam esse prazo, então leia a cláusula do cliente [CONFIRMAR na cláusula do contrato].
Um relatório já entregue pode ser corrigido?
Pode, com uma versão nova que diga o que mudou e por quê, por exemplo quando a investigação prova a causa. O que não se faz é trocar o documento em silêncio, porque o cliente guarda a primeira versão.
A versão para clientes pode citar a operadora ou o fabricante?
Em geral, a versão externa fala de falha no link de um fornecedor ou defeito de equipamento, sem nomear empresas. Nomes ficam na versão técnica, que também guarda os protocolos abertos com cada um.
Os dados do relatório servem para comunicar a interrupção à Anatel?
Os horários e o impacto organizados no documento ajudam a preencher o que a agência pede sobre interrupções [CONFIRMAR na norma]. O envio continua sendo responsabilidade do provedor.
Fontes
- Postmortem Culture, Learning from Failure (Google SRE Book): o que um relatório depois do incidente registra e por que ele é escrito sem apontar culpados
- RFC 2866, RADIUS Accounting (IETF): registros de início e fim de sessão e os motivos de encerramento usados para contar assinantes afetados
- RFC 5905, Network Time Protocol Version 4 (IETF): sincronização de relógio que permite comparar os horários do provedor com os do cliente