Guia explicativo · Cabeamento estruturado
Como funciona cabeamento estruturado: as partes e para que serve
Como funciona cabeamento estruturado: a rede de cabos é dividida em partes com função fixa, da entrada da operadora até a tomada na mesa, e todas se encontram em painéis numerados dentro do rack. Assim, computador, telefone, câmera e antena Wi-Fi usam o mesmo cabeamento, e mudar alguém de mesa vira troca de um cordão.
Resumo
- A finalidade é ter um só sistema de cabos para todos os serviços da empresa, independente da marca dos equipamentos.
- A norma ABNT NBR 14565 divide a rede em partes, como entrada, sala de equipamentos, tronco e cabeamento horizontal.
- Cada cabo da parede termina num painel do rack, e é ali que se decide qual ponto liga em qual equipamento.
- Quando a estrutura falha, o sintoma é lentidão sem causa, pontos que ninguém acha e mudanças que pedem obra.
O que é cabeamento estruturado e qual sua finalidade
Cabeamento estruturado é um sistema de cabos montado com projeto e dividido em partes padronizadas, que atende todos os serviços da empresa pela mesma infraestrutura. Sua finalidade é fazer a rede durar, crescer e mudar de layout sem obra nova.
Antes desse modelo, cada sistema tinha o seu fio: um cabo para o telefone, outro para o computador, outro para o alarme, cada um passado por um instalador diferente. O cabeamento estruturado troca isso por uma rede única, com tomadas iguais em todo o prédio, que servem para o que for ligado nelas.
Um cabeamento estruturado serve para quatro coisas na rotina da empresa: ligar qualquer equipamento em qualquer ponto, achar cada cabo em minutos, crescer sem refazer o que existe e trocar os aparelhos sem trocar os cabos. A página de cabeamento estruturado para empresas mostra como esse trabalho é feito, do projeto ao teste de cada ponto.
Cabeamento estruturado ou cabeamento comum?
A diferença não está no cabo, que pode até ser o mesmo, mas na organização em volta dele. O cabeamento comum liga um aparelho a outro do jeito mais curto; o estruturado passa sempre pelo rack, com número e registro.
| Situação | Cabeamento comum | Cabeamento estruturado |
|---|---|---|
| Mudar um funcionário de mesa | Passar cabo novo ou puxar extensão | Trocar um cordão no rack |
| Achar o cabo de uma sala | Seguir o fio pelo forro | Ler a etiqueta da tomada e do painel |
| Instalar uma câmera ou antena | Obra nova até o equipamento | Usar um ponto reserva já testado |
| Trocar os switches | Desligar tudo e descobrir o que era cada cabo | Religar pela numeração do painel |
| Provar que a rede está boa | Não há como | Relatório de teste de cada ponto |
Como funciona cabeamento estruturado, da operadora até a mesa
O sinal entra pela operadora, chega à sala de equipamentos, sobe pelo tronco até o rack de cada andar e desce pelo cabo horizontal até a tomada. Em cada passagem há um painel onde a ligação pode ser mudada sem mexer na parede.
1 · Entrada
Chegada da operadora
Fibra ou cabo da operadora entra no prédio e termina num ponto de entrada protegido.
2 · Sala de equipamentos
Rack principal
Roteador, firewall e switch principal ficam aqui, junto da chegada das operadoras.
3 · Tronco
Ligação entre racks
Cabos ou fibras levam a rede do rack principal até o rack de cada andar ou ala.
4 · Rack do andar
Distribuição local
Patch panel e switch do andar recebem o tronco e repartem a rede entre os pontos.
5 · Horizontal
Cabo até a tomada
Um cabo por ponto, sem emenda, do painel do andar até a tomada na parede ou no teto.
6 · Área de trabalho
Tomada e cordão
Computador, telefone, câmera ou antena se ligam à tomada por um cordão curto.
Em empresa pequena, de um andar só, as etapas 2 a 4 costumam ficar no mesmo rack, e o tronco praticamente desaparece. A lógica, porém, é a mesma.
O ponto central desse desenho é o rack. É nele que cada cabo da parede termina numa porta numerada do patch panel, e é dele que sai um cordão curto até o switch. Mudar a função de uma tomada é só mudar esse cordão.
Na prática: mudar uma equipe de sala
Uma mudança de layout mostra a vantagem melhor que qualquer explicação. Imagine o financeiro passando da sala 3 para a sala 7, com seis computadores e uma impressora.
- Planta: o técnico consulta a planta e vê que a sala 7 tem oito pontos, numerados de 07-01 a 07-08.
- Rack: no patch panel, as portas 07-01 a 07-07 recebem cordões ligados às portas da rede do financeiro no switch.
- Mesa: cada computador é ligado na tomada com o mesmo número, e a impressora entra no ponto 07-07.
- Registro: a planilha de pontos é atualizada, e as portas da sala 3 ficam livres para a próxima equipe.
Sem cabeamento estruturado, a mesma mudança costuma levar extensões pelo chão, um switch pequeno embaixo de uma mesa e um cabo que ninguém sabe de onde vem. É assim que nascem as redes lentas e difíceis de consertar.
As seis partes do cabeamento estruturado e o que cada uma faz
As partes são entrada do prédio, sala de equipamentos, sala ou armário de telecomunicações, cabeamento de tronco, cabeamento horizontal e área de trabalho. Os nomes vêm das normas de cabeamento para edifícios comerciais.
No Brasil, a referência é a ABNT NBR 14565, que segue a mesma lógica da norma internacional ISO/IEC 11801 e da americana TIA-568 [CONFIRMAR na norma a versão vigente e os nomes oficiais de cada subsistema]. Os nomes mudam um pouco de uma norma para outra, mas a divisão em partes é a mesma. O tronco entre racks tem um guia próprio sobre o que é backbone no cabeamento.
| Parte | Onde fica | O que faz | Problema típico |
|---|---|---|---|
| Entrada do prédio | Térreo ou subsolo | Recebe os cabos e fibras das operadoras | Cabo da operadora sem proteção nem identificação |
| Sala de equipamentos | Sala técnica principal | Abriga roteador, firewall, servidores e switch central | Equipamento em armário sem ventilação |
| Sala ou armário de telecomunicações | Um por andar ou ala | Recebe o tronco e distribui os pontos do andar | Rack lotado e sem organização |
| Cabeamento de tronco | Entre racks e andares | Liga a sala de equipamentos aos racks dos andares | Um único cabo sem reserva entre andares |
| Cabeamento horizontal | Forro, piso e paredes do andar | Liga cada tomada ao patch panel do andar | Cabo longo demais ou com emenda |
| Área de trabalho | Mesas, teto e paredes | Tomadas e cordões que ligam os aparelhos | Tomada sem número e cordão improvisado |
Quer saber em que estado estão as partes da sua rede?
No serviço de cabeamento estruturado, um Especialista levanta cada parte, da entrada ao ponto da mesa, e mostra o que precisa ser refeito e o que pode ficar.
O cabeamento horizontal é a maior parte da obra
Em metros de cabo e em horas de trabalho, o cabeamento horizontal costuma ser a maior parte de qualquer instalação. É também a parte mais difícil de refazer depois, porque fica dentro do forro, das paredes e das eletrocalhas.
Por isso as regras mais rígidas valem para ele: um cabo por ponto, sem emenda e com até 90 metros entre a tomada e o painel [CONFIRMAR na norma]. O guia sobre como calcular cabeamento estruturado mostra como essa distância entra na conta de material.
A sala de equipamentos não é um armário qualquer
A sala de equipamentos precisa de energia protegida, ventilação, aterramento e acesso controlado. Um rack dentro de um armário de vassouras funciona por um tempo, até o calor ou uma limpeza desligar a empresa.
Quando a empresa já tem servidores, gravador de câmeras e mais de um link, vale pensar numa sala técnica planejada, com espaço para crescer.
Por que organizar a rede em partes?
Porque cada parte pode ser trocada, ampliada ou consertada sem mexer nas outras. Os cabos da parede duram muitos anos, enquanto switches e computadores são trocados bem antes.
Os cabos fixos são a parte mais cara de mexer e a que mais dura, enquanto os equipamentos ativos envelhecem rápido [CONFIRMAR vida útil estimada pelo fabricante do cabo]. Separar os dois permite trocar o switch em uma tarde, sem abrir o forro.
- Independência de marca: a tomada aceita qualquer equipamento que use o mesmo conector, de qualquer fabricante.
- Crescimento previsto: pontos reserva e espaço no rack recebem novas mesas sem obra.
- Manutenção rápida: a numeração igual na tomada, no painel e na planta leva o técnico direto ao cabo.
- Teste comprovado: cada ponto pode ser medido com certificador, e o relatório mostra se a rede está boa.
Essa organização também ajuda a separar o tráfego. Com cada ponto identificado, fica fácil colocar câmeras, visitantes e computadores em redes separadas, o que reduz a lentidão no horário de trabalho.
Quando o cabeamento deixa de funcionar como deveria
O cabeamento deixa de funcionar como deveria quando as mudanças passam a ser feitas por fora da estrutura, com extensões, switches escondidos e cabos sem número. A rede continua ligada, mas cada problema demora mais a resolver.
Marque o que acontece hoje na sua empresa
- Existe pelo menos um switch pequeno embaixo de uma mesa ou atrás de um móvel.
- Ninguém sabe dizer a qual tomada corresponde cada porta do rack.
- Para ligar uma câmera ou antena nova, foi preciso passar cabo aparente.
- A porta do rack não fecha por causa dos cabos.
- Computadores de um setor só ficam lentos ou caem sem motivo aparente.
- Não existe planta nem planilha com os pontos de rede.
Duas marcas ou mais mostram que a estrutura foi abandonada aos poucos. Quase sempre dá para recuperar sem refazer tudo, começando pelo rack e pela identificação.
Muitos desses sinais se confundem com problema de internet. O guia sobre a rede da empresa lenta ensina um teste simples para separar o que é link e o que é rede interna. Em hotéis e pousadas, o mesmo descuido aparece como Wi-Fi que cai nos quartos, tema do guia do Wi-Fi de hotel caindo.
Erros comuns que quebram a estrutura
Os erros mais comuns são ligar aparelhos direto no cabo da parede, emendar cabos e deixar de atualizar a planta. Cada um parece pequeno, mas juntos desfazem a organização em poucos meses.
- Ligar o switch direto no cabo da parede: o cabo fixo deve terminar no patch panel, e não num conector solto.
- Emendar para alcançar: emenda no meio do lance cria um ponto fraco que reprova no teste.
- Misturar cabo de dados com energia: dividir o mesmo eletroduto gera ruído e erros intermitentes.
- Não atualizar o registro: cada mudança sem anotar transforma a planta em ficção.
A Táquion Tech trabalha com a mesma numeração na tomada, no patch panel e na planta, e entrega o registro atualizado ao fim de cada obra. Para quem já tem a rede montada e quer só pôr ordem no armário, a organização de rack é o primeiro passo.
Perguntas frequentes
Qual a finalidade do cabeamento estruturado numa empresa pequena?
Mesmo com dez computadores, a finalidade é a mesma: qualquer aparelho em qualquer ponto, cabos fáceis de achar e crescimento sem obra. Em empresa pequena, todas as partes costumam caber num único rack de parede.
Câmeras e telefones usam o mesmo cabeamento dos computadores?
Sim. A tomada é a mesma, e o que muda é o equipamento ligado no rack. Câmeras IP e antenas Wi-Fi ainda podem receber energia pelo próprio cabo de rede, sem tomada elétrica por perto.
Qual norma regula o cabeamento estruturado no Brasil?
A principal é a ABNT NBR 14565, para edifícios comerciais [CONFIRMAR na norma a versão vigente]. Caminhos e salas técnicas seguem a ABNT NBR 16415, e muitos fabricantes também citam a TIA-568 americana.
Wi-Fi substitui o cabeamento estruturado?
Não. Cada antena Wi-Fi precisa de um cabo até o rack, e o desempenho do Wi-Fi depende desse cabo. Computadores fixos, câmeras e impressoras também funcionam com mais estabilidade ligados por cabo.
Dá para transformar uma rede antiga em cabeamento estruturado?
Dá, e quase sempre aproveitando parte do que existe. O retrofit de rede testa os cabos atuais, refaz o que não passa e organiza tudo em rack, painel e planta.
Fontes
- Cabeamento estruturado (Wikipédia): definição, finalidade e subsistemas do cabeamento estruturado
- ISO/IEC 11801 (Wikipédia em inglês): norma internacional de cabeamento genérico, base da divisão em subsistemas
- ANSI/TIA-568 (Wikipédia em inglês): norma americana de cabeamento para edifícios comerciais, com os subsistemas e limites de distância